Senhor comandante que, há umas semaninhas, me disse que Guimarães era uma paz de alma e quase arriscou em acrescentar que vivemos na cidade mais segura do mundo e quiçá da Europa, não teria a mesma opinião, se ontem se deparasse com o mesmo cenário que eu. Não seriam ainda 5 horas da tarde, quando da minha varanda sou surpreendida com três encapuzados a querer entrar – sem permissão, convém dizer – na casa do vizinho. O pobre do vizinho que até se mudou há pouco tempo e pelo que sei nem de Guimarães é, não vai gostar nada quando eu lhe for a correr contar – porque, convenhamos que nisto de espalhar notícia é mesmo comigo.
Valeu a senhora que gritou “chamem a policia” (sem conotação musical, por favor que o assunto é sério).
Os amigos do alheio foram do “ai pernas para que te quero”. E eu não sei se ri-o, não sei se choro, porque isto de entrarem em nossas casas sem serem convidados não é muito agradável – digo eu que já partilhei o mesmo espaço com um larapio que me levou o portátil e o tlm.
E porque isto hoje, está ao rubro no que toca a informações, vejam bem que ainda antes do pequeno almoço me deparo com um pobre cão “esticadinho” no meio da via. Os olhos brilhavam de tão abertos. O pobre animal ainda devia estar quente. Não foi bonito de ver. Todos sabem que gosto de bichos e mesmo a minha Kiki que lhes tem um medo que se pela, ficou uns bons minutos sem reação. Colou-se ao vidro. Vidrou no cão que jazia no meio da via. O mais curioso de tudo é que outro cão – certamente companheiro de brincadeiras – sentou-se ao lado. Também esperava por um milagre e que o amigo se levantasse e latisse – enganei-te com uma pinga de leite e blablablabla. A minha Kiki estava à espera disso. Mas, não, a vida não é assim tão simples. Enquanto tomamos o pequeno almoço, alguém tirou o cão da via e puxou-o para o passeio. O outro, lá estava sentado, imóvel, ao pé dele – continuava a acreditar no milagre. Eu pensei “bolas é bonito uma amizade assim”.
Hoje tive o prazer de estar no departamento de electrónica industrial da Universidade do Minho. Gosto do professor responsável porque me lembra a minha infância nos escuteiros e o meu pai. Gosto especialmente do que fazem. Alem dos robôs futebolistas e da celebre “Maria”, um robô feminino que “criaram”e fizeram dela dona de casa (tão a ver Maria... que me perdoem as Marias e aqui lembro que as três mulheres da minha vida também são Marias), hoje estavam a adaptar brinquedos para oferecer, pelo Natal, a crianças com paralisia cerebral e outras dificuldades motoras. Ou seja, a Concentra ofereceu uns bonequeninhos que ninguém comprava, ou porque falavam francês, ou porque estavam desactualizados e os excelentíssimos alunos do curso de electrónica industrial cortaram-nos ao meio, sacaram-lhe o software, adaptaram para lá um interruptor e agora em vez de se lhes apertar a barriguinha, aperta-se o interruptor e estas crianças especiais fazem-no, muitas vezes, apertando-os entre a cabeça e o ombro. Foi giro ver aquele bando de homens (não resisti a perguntar porque não há gajas no curso) agarrados aos Magalhães e a Nodys e Rucas...
Finalmente, um apelo:
Está a decorrer uma campanha para a compra de 14 LCD’s para o IPO. O objectivo é coloca-los nos quartos isolados onde estão crianças devido aos tratamentos. Ninguém lá pode entrar e a única companhia é a televisão e as consolas, mas as tv’s existentes não permitem as ligações. Passem no face para saber mais.

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