"Olhas para mim e há uma luz que se agita no castanho curioso dos teus olhos. Não consigo identificar o que querem dizer esses tons de castanho que te dançam nos olhos. Pode ser que nada tenha a ver comigo, pode ser uma qualquer inquietude tua, uma que seja só tua. Mas sei que o castanho dos teus olhos se agita quando choca com o verde dos meus. A verdade é que não te sei ler os olhos.
No deserto das noites a que chamamos dias, daqueles que passam devagar, é-me fácil questionar a segurança do teu abraço. Nos silêncios perdidos entre olhares mais vagos, nas horas em que a cidade adormecida me deixa a ouvir-me demasiado alto, é-me fácil deixar que algumas das frases soltas me causem tremor. As palavras são como facas, podem abrir-nos ao meio. Os pensamentos ensaimados são o meu pior inimigo, sei-o demasiado bem. São quase sempre eles que me atiram para o trapézio onde por momentos me balanço, quando me quero pôr à prova.
Depois tu vens, tu e essa luz que se agita no castanho curioso dos teus olhos, e rasgas um sorriso que me amarra os olhos me e fixa os salpicos de verde ao castanho curioso dos teus".
Às minhas mosqueteiras...
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