30.12.10
2011
2010 foi um ano difícil. Desde logo pelos nove meses que passei com sobrepeso. É certo que eu era duas, mas a minha aparência sugeria três ou quatro. Depois da fase das dezenas de vómitos diários. Veio fase do “encher o bandulho” e comer como se não houvesse amanhã. Não faço a mínima ideia de como se faz para se ser uma grávida elegante e muito menos como algumas iluminadas engordam 9 quilinhos durante a gestação. 9 quilos a mais já o meu boletim verde apontava para aí aos 5 meses. Bom, passei 2010 grávida, mas entre vómitos, muita azia, medo de chegar aos 100 quilos, a parte boa é que não me perdi em compras porque não cabia em nada.
2010 foi também o ano da Gripe A e o ano em que perdi a minha avó dois dias antes de parir.
Em 2010, a minha Carolina teve escarlatina e consumiu-me a alma porque ninguém lhe descortinava o maldito do bicho.
Troquei de carro, de cama e passei a padecer de sinusite. Já não bastava os porcos terem constipado, ainda tivemos de levar com um Benfica campeão e aturar a petulância do Jorge Jesus.
Engordei e depois emagreci. Pelo meio ainda tive uma infecção num dente com direito a abcesso e tudo.
Fui mãe. Outra vez. E continuo cá para contar. Continuam cá todos aqueles que amo.
2011 está aí. Enquanto o diabo esfrega um olho estamos entre brindes, uvas passas e votos de saúde e sucesso, como se um número a mais mudasse toda a nossa vida. Pois não muda. Por ventura, entramos no ano novo mais exigentes, optimistas, até, mas rapidamente deixamos de nos enganar a escrever a data e tudo se mantém tal e qual estava. E se assim for, já não é mau. O importante é estarmos cá para contar. Estarmos cá todos.
Não pretendo deixar de fumar, nem de beber, porque não fumo, nem bebo. O meus desejo para 2011 é que tudo se mantenha como está. Perfeito. Estou-me nas tintas para o euromilhões. Quero é saúde. Para mins e para os meus.
Ok, admito que há umas coisinhas que posso acrescentar à lista de desejos. Bom, que o canil dos meus cães fique finalmente pronto porque já não se aguenta o cheiro que a Maria deixa na garagem e não há orçamento que resista a tantos estendais destruídos. Já agora que passe a comer um pouco menos.
Que a minha Carolina chegue finalmente aos 20 quilos e se torne menos gulosa. Que minha Constança passe a dormir uma noite sem interrupções só porque sim. Não sei se ainda vou a tempo, mas que o Porto não seja campeão nem o Sócrates minta mais ao Zé Povinho. Arranjar uma empregada, agora que dispensei os jardineiros. Manter o carro mais limpo. Gastar menos. Descansar mais. Ir aos saldos e encontrar peças que ainda valham a pena. Trocar definitivamente a coca cola pela água. Perder o medo de elevadores. Não meter gasóleo só quando o bicho começa a soluçar. Parar de comer amendoins…
Crescer mais uns centímetros? Pode se? Ou devia ter tentado com o Pai Natal?
Feliz 2011!
Para a prosperidade
Achei que merecia um registo com direito a foto e tudo. As minhas filhas em amena cavaqueira. Note-se que nem a Kiki aperta bochechas, nem a Sassá dá dentadinhas.
29.12.10
Muro
Tenho saudades de umas mãos gastas pelo tempo. Uns dedos atrofiadas do reumatismo. Enrugados. Umas unhas velhas que resistem aos séculos de mudança. Tenho saudades dos passos lentos. Arrastados. Dos gemidos silenciosos. Dos pés sempre gelados. Do cheiro da pomada. Sinto falta dela. Todos os dias! Lembro aquele último olhar porque já não foi capaz de se despedir com palavras. Lembro a ternura (e a paz) com que partiu. Depois do meu carinho. Das minhas juras de amor que guardo sempre para o fim.
Ruiu o meu velho muro. A única estrutura que achei nunca fosse ceder. Mas cedeu. E depois disso, tudo ficou, assustadoramente, claro.
“Iludimo-nos julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros. Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os dias felizes que se apagaram. Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para sempre”…
ainda do Natal
28.12.10
Gaja é gaja!
“Quantos anos tens?”, pergunta a Carolina a uma menina muito querida de cabelos encoracoladinhos. “Tenho cinco”, respondeu-lhe. “Acho que estás muito pequena para cinco anos. Olha para mim, também tenho cinco anos e sou muito maior que tu”. E mai nada! Eu e a mãe da “pobre” criança trocamos sorrisos embaraçados, mas a humilhação (gaja é gaja), continuou. “Sabes ler?”. A menina já nem respondeu. A Carolina, apontando o dedo ao balcão, porque estávamos na fila para pagar, soletrou, “belanco. Estás a ver como eu já sei ler e tudo?!”. A outra criança enfiou-se na asa da mãe e desapareceu dos nossos olhos.
Pois não se iludam porque Carolina ainda não lê, mas sabe de cor o nome das lojas que visita muito a miúde. Como tal pensou (e pensou muito bem) que estando na Blanco o balcão devia ter escrito o nome da loja.
27.12.10
Todos adoram o Sapo!
As minhas filhas adoram o Sapo. Ainda não entendi muito bem a razão de tanto amor e devoção, mas no Natal, em animada tertúlia familiar, fiquei a saber, que não são as únicas. Teme-se que o Sapo supere, em devoção infantil, o Noddy e o Ruca. É que não há "piqueno" que não goste do bicho verde que tem umas pernas de meter inveja. Eu até costumo dizer que a minha Carolina tem uma figura semelhante à do Sapo, porque pernas compridas também é com ela (verdade, não saiu à mummy).
Bom, mas se minha Carolina sempre foi uma fiel seguidora do bicho, Constancinha não lhe fica atrás. É que não pode ouvir lá as músicas do anúncio que é vê-la toda tombada na cadeira a espreitar a televisão.
Vamos lá alguma alma espirituosa e criativa e fazer do sapo (ainda mais) amigo da pequenada com uns bonequinhos. Podia dar de manhã na RTP2, é que já estou um bocado farta da Angelina Bailarina.
26.12.10
É Natal, é Natal...lalalalalalala...!
Estamos a poucas horas de deixar de o ser e se hoje não fosse Domingo, a esta hora, já stava com seis horas de trabalho apontadas no livro de ponto. Por ser Domingo, ainda deu para trocar a roupa velha por um arrozinho de polvo e gastar as horas da tarde com as habituais arrumações natalícias. Os terroristas deram em debandada (ficaram apenas duas). Restou-me a recuperação do espaço.Voltou tudo ao seu lugar, que é como quem diz sofás e mesas e outro moiliário. Hoje acordei afónica depois de uma noite muito mal dormida e juro que não abusei nadinha.
Bom, ainda não tenho tempo para grandes conversas. Quero é comer e enfiar-me na cama a quem ainda devo umas oas horas de descanso.,
Mas ficam então os singelos apontamentos de Natal...
eis alguns:
Bom, ainda não tenho tempo para grandes conversas. Quero é comer e enfiar-me na cama a quem ainda devo umas oas horas de descanso.,
Mas ficam então os singelos apontamentos de Natal...
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| O Pai Natal a chegar altas horas da madrugada |
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| lá se organizou e foi colocando os presentes |
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| da minha Carolina...uma ternura! |
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| Obrigada Santa! |
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| És um fofoooooooooo! |
25.12.10
Sorry
Eu sei, o Natal entretanto quase passou, e eu não deixei os meus votos. Decidi juntá-los com os do Ano Novo. Entretanto, quero que saibam que tenho mil e uma razões para não ter estado por aqui.
A minha casa está pior que Bagdad. Tenho cá quatro terroristas que envergonhariam o Bin Laden. São presentes espalhados pela casa como minas no Cambodja. gritos, choro, gargalhadas estridentes, fraldas, sujas e limpas, chupetas, cascas de queijo, pernas de sapateira e agora um cheiro a arroz de bacalhau...Fico-me pela canja, origada.
amanhã, deixo novidades e presentes, claro está :-)
A minha casa está pior que Bagdad. Tenho cá quatro terroristas que envergonhariam o Bin Laden. São presentes espalhados pela casa como minas no Cambodja. gritos, choro, gargalhadas estridentes, fraldas, sujas e limpas, chupetas, cascas de queijo, pernas de sapateira e agora um cheiro a arroz de bacalhau...Fico-me pela canja, origada.
amanhã, deixo novidades e presentes, claro está :-)
23.12.10
Gaja é gaja!
Tenha 20, 30, 40 ou...5 anos!
Já ouvi tantas da minha filha Carolina que já não estou à espera que me surpreenda. Por exemplo, quando chego ao colégio a primeira coisa que me diz é “mudei de namorado, outra vez”. “Fresca”, digo-lhe eu.
Um destes domingos, passou a tarde lá em casa a brincar com uma amiguinha. Depois de se vestirem e despirem e de me roubarem os sapatos e de se maquilharem ao jeito de Emília do Sitio do Picapau Amarelo, enquanto levava a amiguinha a casa ia ouvindo a conversa das duas no banco de trás:
Carolina: sabes que troquei de namorado?
Francisca: a sério? Então?
Carolina: voltei para o Mário. Pelo menos enquanto ele está cá. Se for para a Suíça, logo se vê.
Francisca: o Mário? Ele também é meu namorado!
Carolina: que bom! Namoramos as duas para o mesmo. Ele gosta mesmo é de nós as duas.
Francisca: e detesta a Sofia. Não achas? Aposto que ele não lhe dava um beijo na boca.
Carolina: por falar nisso, amanhã, mal chegue à escola vou dar-lhe um beijo na boca.
Francisca: e já pensaste, quando a Sofia souber que passamos o Domingo juntas, vai ficar doida!
Carolina: pois vai. Antes de dar um beijo na boca do Mário, vou-lhe dizer para ela ficar doida.
Gaja é gaja, não importa a idade.
Natal...1º capítulo
Eu sou uma “menina de Natal”. Aprendi a gostar tanto dele que nem depois de ter passado um Natal de tabuleiro nos joelhos, a comer bife com batatas fritas lhe ganhei rancor. Nesse ano, em 2002, não tive presentes (eu que gosto tanto...). Não fiz a árvore. Não comi o calendário dos chocolates. Não senti o cheiro das rabanadas. Não me lembrei, sequer, que era Natal. Queria que passasse depressa, como se fosse uma corrida contra o tempo e mais uma batalha ganha. Depois do tal milagre (que percebi, não ia acontecer), dirigi as minhas preces apenas para... tê-lo comigo no Natal. E tive. E esse foi o meu presente... Ainda o tive comigo. No Ano Novo, ainda encostamos as flutes. Contidos. Porque já não se impunham votos de saúde, mas de “boa viagem”...
Mas, como dizia, sou uma “menina de Natal”. Tenho as melhores recordações de todos os meus Natais. É verdade que o (meu pai) Natal sempre foi generoso e manifestou todo o empenhamento em satisfazer os caprichos da menina (e única) lá de casa. O meu pai chegou a percorrer comigo três shoppings na véspera da véspera para encontrar o casaco que me enchesse as medidas. Na casa dos meus pais, fazíamos a árvore no primeiro degrau das escadas e depois cada degrau pertencia a um “sapatinho”. Que bom lembrar aquelas escadas cheias de prendas! Mas, com o tempo, eram cada vez menos os “sapatinhos”. Já lá não está o do meu pai. Já lá não está o da minha avó. Nem os dos primos queridos que continuam entre nós, mas longe.
Na véspera de Natal acordava com aquele cheiro delicioso dos doces a entrar-me pelo quarto...os doces que ainda eram feitos pela minha avó... Passava a semana de férias a ensaiar teatros e canções de Natal com as quais na noite da consoada maçava os tios e os pais e quem lá tivesse para me aturar, porque não raras vezes até os vizinhos nos juntavam na festa. Que saudades destes Natais!
Hoje, o Natal é, ligeiramente, diferente. O cheiro não entra no quarto. A casa é grande demais e a minha mãe faz os doces na véspera da véspera (porque aquilo não deixa para amanhã o que pode fazer hoje...Qualquer dia antecipamos o 24 para o 23). Não os tenho, aos dois, e é também diferente por isso. Mas, tenho-as às duas e é tão bom... por isso. Porque a minha Carolina conta os dias. Acompanha a chegada do Natal através de dois calendários de chocolate (não há gulosa como ela). O escritório fecha-se a oito chaves para que os duendes lá possam trabalhar (é esta a minha versão, porque preciso de um depósito para os presentes... Aquilo é fina como os ratos - como dizia a minha avó - e descobria-os num instantinho). Quando comprei o presente da Constança, o “homem” ficou a pagar e eu saí da loja com a Carolina, numa tentativa de a distrair. Mas, o embrulho era tão grande e vermelho e cheio de fitas que era impossível a Kiki não dar por ele quando chegou ao carro, “Mãe, olha o que apareceu na mala! O que é isto?”, perguntou sofregamente. Primeira coisa que me veio à cabeça, “é o bacalhau do Natal! Tem que vir assim para não descongelar e chegar ao dia 24 inteirinho”. “Raisparta o bacalhau que dá trabalho para caraças”, disse-me ela...
21.12.10
Pecados
Hoje voltei ao posto (que sentiu a minha falta), após duas folgas forçadas e um fim de semana, pelo meio. Não gosto de folgas forçadas e, como minha Carolina, quase que arrisco em dizer que nem tão pouco de surpresas. Enquanto mastigo umas gomas de clementina, escrevo para enganar a solidão. Estou (outra vez) constipada. E não tenho achado muita piada a esta novidade de sofrer de sinusite. Isto do meu nariz não funcionar como deve de ser tem-me feito pensar. Afinal porque se acumulam as mucosas do gajo? Eu que sempre tive tanta saudinha (graças a Deus).
Estamos na semana do Natal. E diz que teremos um Natal chuvoso. Queríamos neve, parece-me unânime, mas que importa o tempo se no Natal ninguém se abala da mesa? É que são quase três dias em que nos fartamos de infringir os sagrados mandamentos da igreja. Gula (come-se como se não houvesse amanhã e isto do Natal não são três dias como o Carnaval, os restos comem-se até ao Ano Novo). Luxúria (porque isto das prendas…)Cobiça (filha da mãe teve mais um presente e mais caro que o meu), and so on…
Ainda me faltam uns apontamentos natalícios. Que é como quem diz, os presentes de últimas núpcias e quase todos os géneros alimentares. Eu sou mesmo daquelas que no dia 24 ainda anda feita louca…presa no trânsito; idas ao shopping, embrulhos de última hora…
Distraí-me e lá foram três clementinas… Vou mas é trabalhar que se faz tarde.
Virús
Já dizia a minha querida avó (tantas saudades) que desde que temos filhos nunca mais dormimos uma noite descansadas. Numa primeira análise pode soar a exagero. Mas, vida fora (e note-se que ainda sou novinha) vai fazendo cada vez mais sentido e não imaginam quantas vezes já partilhei esta dica.
Nunca mais dormimos uma noite inteira! Dá que pensar, mas é a maior das verdades. E nem estou a falar de quando são bebés e comem de duas em duas horas. Ou de quando continuam bebés, mas já não são recém nascidos e continuam a acordar porque lhes apetece…porque lhes apetece encostar o rosto ao nosso e ouvir o (nosso) “ooooooooooo”. E sentir o (nosso) embalar. E acordam porque a chupeta lhes caiu ou porque estão demasiado tapados. Ou demasiado “destapados“. Não é de nada disto que se trata. Nem tão pouco de quando estão doentes e aqui ate têm justificação. Nunca mais dormimos porque os temos constantemente na cabeça. Mesmo que as tenha deitado há 5 minutos já dou comigo a questionar-me se continuam a respirar. Soa a exagero, eu sei, mas esta é a verdade, nua e crua. A minha avó, como de resto, em tudo que dizia, tinha razão.
Isto tudo para contar um episódio traumático de sábado. Depois do “senhor virús” se ter apresentado à pequena Sassá, já que estava por casa, achou por bem visitar pequena Kiki, do género, “olha quem voltou!”. E não o podia ter feito em hora mais inconveniente. Depois da “piquena” ter dado grande festival de dança na festa de Natal do colégio, já no finalzinho e depois de levar pela mão o bebé e subir para o seu posto, eu começo que nem louca a acenar-lhe e ela a fazer-me caras feias. Como se ali estivesse contrariada. O meu radar (sim, porque nós mães também temos um) accionou e soou o alarme “ela não está bem”. Eis senão quando a vejo vomitar em pleno palco. O vestido, não convidava a corridas, mas teve de ser , e irrompo palco adentro para valer à cria. Foi um horrendo final de tarde L
A Carolina vomitou das 17 até às 21 horas! Liguei para o pediatra duas vezes e outras tantas para a Saúde 24 (eu e esta linha somos ganda amigas). E pior que vomitar o “nada” que tinha no estômago, era a prostração. Nossa! Ela não abria os olhos. Não reagia. Horrendo. Horrendo. Mil vezes horrendo!
É que a minha Carolina é uma criança em plena actividade desde o momento em que acorda - às vezes pelas 8 da manhã - até ao momento em que se deita. E não são poucas as vezes em que nós já babamos e ela ainda luta com o sono. Minha Carolina não anda. Minha Carolina saltita. Minha Carolina dá gargalhadas estridentes. Minha Carolina, após uma tarde de brincadeira na sala deixa-a de tal forma que uma vez, o “homem” pegou no telefone para ligar à polícia porque pensou que os larápios tinham voltado…
Graças a Deus já está melhor.
19.12.10
Pai Natal
Até podes dar a volta ao mundo numa noite. Voar num trenó e ter uma rena de eleição chamada Rodolfo. Podes ter um salário de mil euros por estares de rabo alapado num trono, enquanto pegas em criancinhas remelosas ao colinho para a fotografia da praxe. Podes beber coca-cola como se não houvesse amanhã. E até ter um caso com a Fada dos Dentes (pelo menos é o que se comenta).
Agora há uma coisa que não tens de certeza... Um postal tão lindooooooooooooooooo como o meu.
pela minha Carolina
Agora há uma coisa que não tens de certeza... Um postal tão lindooooooooooooooooo como o meu.
pela minha Carolina
17.12.10
Silêncio!
Pequena Sassa dorme. Em quatro dias, o infantário já fez “dói-doi” L
Estou de folga forçada. Também não sei até que ponto não tombaria para cima do chefe depois de uma noite às claras. Adormece Sassa. Pousa Sassa. Radar anti berço dispara e toma lá mais disto “oooooooooooooo”… Pobre Sassa. Pobre de mim que nesta cabeça fértil em histórias de vender jornais, já me via a petiscar bacalhau com o pessoal de serviço no hospital (ai que nem gosto deste tipo de humor…que o mafarrico seja surdo). Quatro dias e lá veio o nosso amigo virús, apresentar-se pela primeira vez à minha “piquena”, do tipo, “oi, aqui estou sou o vírus e este é o nosso primeiro contacto, adiciona-me no msn que estou certo que falaremos outras vezes”. Vai disto, Sassa que até nem é comilona, dá a vomitar…e lá vai uma, duas, três e quatro vezes L
Deixem-me partilhar convosco o segundo episódio do capítulo anterior e ficarão tão chocados como eu fiquei, certamente. Quarta à noite, por hora do jantar que por acaso já estava na mesa, mas ninguém mexia o rabo de suas inadiáveis tarefas, que é como quem diz, Kiki entre os seus 2334763473473643748477778376467 bebés e as suas 22634524325342534253425 histórias lia-lhes as últimas aventuras da Pantera Cor de Rosa (cujo “pai” faleceu hoje), de vez em quando “pega lá que já almoçaste que é para não estares distraído”, grita-lhes ela com uma convição que me deixa, no mínimo apreensiva. The man agarrado ao PC a conferir resultados (ainda não foi desta que fiquei milionária) e je, de pijama, na rua, a passear a Maria…Eis senão quando, noto grande aparato policial na casa do vizinho (a tal que no dia anterior tinha merecido a “inspeção” dos larápios). Pensei de mim para comigo, “bem, o senhor deu conta da tentativa de invasão e vai que chamou a autoridade” e como já disse que nisto de espalhar a notícia é comigo, vai de me aproximar e contar o que havia visto. Ora, o pobre vizinho que na terça se tinha livrado da invasão à sua bela maison, na quarta não lhes escapou! Não é que mesmo depois de terem sido surpreendidos, os amigos do alheio voltaram?! Eu fiquei chocada e juro que não dormi toda a noitinha. O outro eu que vive dentro de mim dizia-me que ouvia passos e vai de acordar o “homem“ de 5 em 5 minutos para inspeccionar aqui a residência. Mas, para não perder o fio à meada, já viram só que o vizinho que até é uma simpatia foi mesmo assaltado e pela cara dele nem quero imaginar o prejuízo. A senhora que um dia antes gritou “chamem a polícia”, na quarta viu as luzes acesas e pensou “chegaram cedo, estes hoje”. Eu fiquei chocada! Pensei, “estes larápios não têm medo. É tudo deles. Tipo, ontem quase fomos caços, mas não fomos, por isso voltamos lá hoje e limpamos aquilo tudo”.
Senhor comandante bora lá pôr a bófia toda na rua. Isto está do pior!
15.12.10
Chamem a BOPE
Senhor comandante que, há umas semaninhas, me disse que Guimarães era uma paz de alma e quase arriscou em acrescentar que vivemos na cidade mais segura do mundo e quiçá da Europa, não teria a mesma opinião, se ontem se deparasse com o mesmo cenário que eu. Não seriam ainda 5 horas da tarde, quando da minha varanda sou surpreendida com três encapuzados a querer entrar – sem permissão, convém dizer – na casa do vizinho. O pobre do vizinho que até se mudou há pouco tempo e pelo que sei nem de Guimarães é, não vai gostar nada quando eu lhe for a correr contar – porque, convenhamos que nisto de espalhar notícia é mesmo comigo.
Valeu a senhora que gritou “chamem a policia” (sem conotação musical, por favor que o assunto é sério).
Os amigos do alheio foram do “ai pernas para que te quero”. E eu não sei se ri-o, não sei se choro, porque isto de entrarem em nossas casas sem serem convidados não é muito agradável – digo eu que já partilhei o mesmo espaço com um larapio que me levou o portátil e o tlm.
E porque isto hoje, está ao rubro no que toca a informações, vejam bem que ainda antes do pequeno almoço me deparo com um pobre cão “esticadinho” no meio da via. Os olhos brilhavam de tão abertos. O pobre animal ainda devia estar quente. Não foi bonito de ver. Todos sabem que gosto de bichos e mesmo a minha Kiki que lhes tem um medo que se pela, ficou uns bons minutos sem reação. Colou-se ao vidro. Vidrou no cão que jazia no meio da via. O mais curioso de tudo é que outro cão – certamente companheiro de brincadeiras – sentou-se ao lado. Também esperava por um milagre e que o amigo se levantasse e latisse – enganei-te com uma pinga de leite e blablablabla. A minha Kiki estava à espera disso. Mas, não, a vida não é assim tão simples. Enquanto tomamos o pequeno almoço, alguém tirou o cão da via e puxou-o para o passeio. O outro, lá estava sentado, imóvel, ao pé dele – continuava a acreditar no milagre. Eu pensei “bolas é bonito uma amizade assim”.
Hoje tive o prazer de estar no departamento de electrónica industrial da Universidade do Minho. Gosto do professor responsável porque me lembra a minha infância nos escuteiros e o meu pai. Gosto especialmente do que fazem. Alem dos robôs futebolistas e da celebre “Maria”, um robô feminino que “criaram”e fizeram dela dona de casa (tão a ver Maria... que me perdoem as Marias e aqui lembro que as três mulheres da minha vida também são Marias), hoje estavam a adaptar brinquedos para oferecer, pelo Natal, a crianças com paralisia cerebral e outras dificuldades motoras. Ou seja, a Concentra ofereceu uns bonequeninhos que ninguém comprava, ou porque falavam francês, ou porque estavam desactualizados e os excelentíssimos alunos do curso de electrónica industrial cortaram-nos ao meio, sacaram-lhe o software, adaptaram para lá um interruptor e agora em vez de se lhes apertar a barriguinha, aperta-se o interruptor e estas crianças especiais fazem-no, muitas vezes, apertando-os entre a cabeça e o ombro. Foi giro ver aquele bando de homens (não resisti a perguntar porque não há gajas no curso) agarrados aos Magalhães e a Nodys e Rucas...
Finalmente, um apelo:
Está a decorrer uma campanha para a compra de 14 LCD’s para o IPO. O objectivo é coloca-los nos quartos isolados onde estão crianças devido aos tratamentos. Ninguém lá pode entrar e a única companhia é a televisão e as consolas, mas as tv’s existentes não permitem as ligações. Passem no face para saber mais.
14.12.10
O dia a seguir
No passado era optimista. Fui-o mesmo quando, com 20 anos, um neurocirurgião me disse que o meu pai ia morrer. Não acreditei, mas o meu pai morreu. Fui-o, mesmo quando ele se acabava diante de mim. Acreditei num milagre. Porque não? Rezei. Não adiantou. O meu pai morreu. Já lá vão quase nove anos...nove anos em que todos os dias me debato com a sua ausência e todos os dias, digo para mim “e se aqui estivesses”...Terias orgulho de mim? Orgulho delas? Farias o que eu fiz? Pensarias como eu pensei? “E se aqui estivesses?”, digo para mim...
Quis fritar batatas fritas enquanto, uns quilômetros abaixo, velavam o meu pai morto. Não quis chorar, mas quase nunca consegui. Quase sempre o fiz, com uma disciplina diária, nos primeiros seis meses. Era uma sensação de amputação...
Fui optimista, no passado. Hoje já não sou. A brutalidade de o ter perdido despertou-me para a mortalidade e despertou-me mais ainda depois de as ter comigo.
Mas sou feliz...Ah! Se sou! Basta olhá-las. Qual Louvre? Qual Eiffel Tower da primeira vez em Paris. E é por isso que sofro de cada vez que as deixo...É uma sensação de amputação... Só sou completa quando as tenho...Quando as tenho de baixo da asa.
Ontem, pequena Sassa estreou-se no infantário. Será temporário, mas é lá que vai estar nos próximos 30 dias. Depois de lhe quererem dar leite de vaca e iogurtes naturais Agros, disseram-me, com toda a naturalidade do mundo, que não tomou o leite!!! Valeram-me os calmantes e o Brufen... Quando me viu – já passavam das 5 – agarrou-me como se não houvesse amanhã. E se falasse...se alguém traduzisse aqueles gritinhos, certamente que diriam, “anda cá minha maldita que me abandonaste entre estes seres que tomam leite de uma espécie que não a sua”.
Hoje foi o dia a seguir...Pequena Sassa continua lá... Não sei se dorme. Não sei se deambula de colo em colo (gosta pouco, gosta)...
Pequena Kiki deve ensaiar para a festa de sábado. Ontem quando a busquei - pela ordem imposta geograficamente ela é a primeira a ser recolhida - a primeira coisa que me perguntou foi pela mana. Até o seu coração “pequenino” estava apertado pela estréia da mana ainda bebé, entre os demais.
“Mamã, ela não tem de levar bata?”; “Mamã, vai de fato de treino porque vai ter ginástica?”; “Mamã achas que a vão pôr a depenicar? É melhor dizeres que ainda não sabe comer arroz e essas coisas”. Ah, “e lembra-lhes que também não sabe ir à casa de banho”... Pois, por acaso ocorreu-me todas estas recomendações e em boa verdade acho que disse tudo, menos a parte da casa de banho...
Todas as crianças são, sem dúvida, o melhor do mundo. Pois as minhas conseguem ser ainda melhores...
Sabem, é uma sensação de amputação...
13.12.10
Paz
Já lá vão dois domingos em que me sento com ela deitada sobre os joelhos no vão da escada. Com a mão seguro-lhe a face e abano...abano...balbucio "ooooooooooo". Não sei o que se passa com ela ao Domingo...será a famosa síndrome que nos atinge a todos em vésperas de iniciar mais uma semana?
E abano...abano....ela resmunga e estica-se...resiste...resiste... Depois em passos lentos. Em gestos (quase) parados , estico os braços na primeira tentativa para colocá-la no berço sem lhe espantar o sono...Suplico para que não accione o radar "anti berço". Umas vezes sim. Outras não...Em pés de lã, lá me dirijo, para a cama. Quando me deito (às vezes) não acredito. Mas é verdade...Alguém, escondido entre os lençóis me diz, "onde é que estou?? Tens de me encontrar"... Sim, está lá a cria número II que não aterra sem 1,2,3,4...346346378487589 mortais na cama, cambalhotas para trás e para a frente e todas as acrobacias que não lembrariam ao mafarrico. Primeiro peço. Segundo, peço outra vez...Terceiro, ligo o modo "mãe bruxa do pior que há" e grito...grito. Mete-se na cama e em menos de meio segundo está a dormir e a sonhar com o ballet e a festa de Natal do próximo sábado... O "homem" lá a carrega em braços e ficamos sós...Agora sim é a sério... Paz.
Não era bem isto, mas...
"Olhas para mim e há uma luz que se agita no castanho curioso dos teus olhos. Não consigo identificar o que querem dizer esses tons de castanho que te dançam nos olhos. Pode ser que nada tenha a ver comigo, pode ser uma qualquer inquietude tua, uma que seja só tua. Mas sei que o castanho dos teus olhos se agita quando choca com o verde dos meus. A verdade é que não te sei ler os olhos.
No deserto das noites a que chamamos dias, daqueles que passam devagar, é-me fácil questionar a segurança do teu abraço. Nos silêncios perdidos entre olhares mais vagos, nas horas em que a cidade adormecida me deixa a ouvir-me demasiado alto, é-me fácil deixar que algumas das frases soltas me causem tremor. As palavras são como facas, podem abrir-nos ao meio. Os pensamentos ensaimados são o meu pior inimigo, sei-o demasiado bem. São quase sempre eles que me atiram para o trapézio onde por momentos me balanço, quando me quero pôr à prova.
Depois tu vens, tu e essa luz que se agita no castanho curioso dos teus olhos, e rasgas um sorriso que me amarra os olhos me e fixa os salpicos de verde ao castanho curioso dos teus".
Às minhas mosqueteiras...
No deserto das noites a que chamamos dias, daqueles que passam devagar, é-me fácil questionar a segurança do teu abraço. Nos silêncios perdidos entre olhares mais vagos, nas horas em que a cidade adormecida me deixa a ouvir-me demasiado alto, é-me fácil deixar que algumas das frases soltas me causem tremor. As palavras são como facas, podem abrir-nos ao meio. Os pensamentos ensaimados são o meu pior inimigo, sei-o demasiado bem. São quase sempre eles que me atiram para o trapézio onde por momentos me balanço, quando me quero pôr à prova.
Depois tu vens, tu e essa luz que se agita no castanho curioso dos teus olhos, e rasgas um sorriso que me amarra os olhos me e fixa os salpicos de verde ao castanho curioso dos teus".
Às minhas mosqueteiras...
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