31.1.11

Diz que é uma espécie de alienígenas


Na sexta feira fui ao cinema. Tinha optado pelo filme do Matt Damon, mas uma vez na bilheteira fui traída por este meu lado lamechas tão típico do mulherio que se derrete por uma comedia romântica e pimba troquei as voltas ao gajo e comprei os bilhetes para “O amor é o melhor remédio”. Em boa hora o fiz. Era mesmo do que precisava apos uma semana de trabalho. Ri. Suspirei. Comovi-me. Ri mais. E pensei no actor por quem não dava nada no CSI e o moço vai e prende-me assim a ele. Foi um bom serão que quase ficou comprometido com a Ágata no Depois da Vida a falar de cristais e mortos...
No Sábado foi noite de maravilhoso jantar em família com o chão todo sujo de migalhinhas de pequena Constança. Com Kiki rendida aos camarões. Caipirinha e muita picanha. E chegar a casa com as duas em braços.
E no Domingo, logo pelas 10.30 da matina a constatação (previsível) dos últimos cinco anos: os meus visiznhos são uma espécie rara a tender para alienígenas. Não é que o gajo teve coragem de vir de cuecas (repito, cuecas) ao jardim reclamar que o meu prezado esposo e o meu não menos prezado sogro estavam a fazer muito barulho. Diz ele que era Domingo e ainda eram 10.30, que se tinham deitado tarde e precisavam de descansar. Ah????? Quer dizer, acordo com a espécie às 2 da manhã, apos grande algazarra entre convidados e bejolas e depois aparece – em cuecas – com o maior atrevimento do mundo ai é Domingo, ainda são 10.30, estão a fazer muito barulho no vosso jardim?! O que é isto? Ó amigo deixe estar, a gente pára já e se for preciso, amanhã ninguém vai trabalhar, esperamos que vocês acordem todos e saiam de casa para podermos dar umas marteladas na parede.
E mais diria, mas fica para amanhã.
Tudo bem com o "bicho". Aliás, melhor impossível. Novinho em folha. Quanto não valeram as preces a Santo António da Apple.

Pray


O "bicho" está em paragem cardíaca. Vamos ver se se safa.

Eu estou a rezar por ele.

28.1.11

Carolina, a decidida

Carolina: mãe quando chegar a casa vou fazer um museu e ter um filho.

Ok. E eu digo-lhe o quê?
Acho muito bem, pois então.

Por cá tudo bem...


O dia tem sido produtivo. Falo em termos laborais, claro está. Uma semana intensa com reunião do nosso maravilhoso executivo (para lá de boring), entrevistas e Domingo (sim, no dia santo) apresentação do programa da CEC. Estes gajos são uns vaidosos, tinham de marcar para Domingo e ainda convidar a Gabriela Canavilhas e o Sampaio... Até parecia mal eu não ir. Pena não terem convidado o nosso PM... Gosto tanto de o ver assim pertinho...
Em jeito de balanço, arrisco dizer que a semana correu bem (até tenho medo). Não houve recusas de colégio, nem noites mal dormidas, nem febres, nem excessos de cocós. Tudo na paz do senhor e direi até que minha Constança está mais autónoma...come bolachas e depenica pães e já brinca no seu espaço por mais de 2 minutos (pasmem)...e agora a cereja no topo do bolo, a irmã até já brinca com ela que é como quem diz, enfia-a numa motinha da Chico e transporta-a para todo o lado, como se fosse sua própria filha. E Constança, como gosta!
Sim, está frio e sim, as minhas mucosas nasais estão mais acumuladas que nunca. E sim, é sexta feira. Thank good...

27.1.11

Carolina, a guerreira



É hoje que o Vitória joga em Braga a passagem à meia final da Taça de Portugal – esse sonho tão acalentado por nós modestas equipas que ainda não aspiramos a ser campeões, mas sede de vitórias temos para dar e vender – mas ontem é que foi dia de tensões. Tudo porque a minha Kiki decidiu que queria (re)furar as orelhas. Eu sei que sou mãe de gajas, é uma espécie de made for; propensão natural, enfim, chamem-lhe o que quiserem...eu que sou dada a todas as “pinderices” de meninas, que as enfeito e desfilo com um grande orgulho e uma gigantesca vaidade...elas que se prestam a isso melhor que ninguém...admito hoje, perante a blogosfera, que ser mãe de homens (como diz a minha Kiki, não há cá meninos ou rapazes) é que é. Não tens de percorrer toda a zona norte para encontrar meia calça às bolinhas pretas ou sapatos com pompons de penas rosa choque, nem tão pouco comprar maquilhagem infantil por causa das alergias.
Deixem-me voltar a ontem... bom a primogênita decidiu que era ontem, que ontem é que era. Sonhou com isso. Acordou com isso. Passou a hora da manhã antes do colégio a dizer-me “eu sei que estou a ser uma chata do pior, mas não consigo tirar isso da cabeça. Prometes mãe que me leva hoje a furar as orelhas?”. Prometi-lhe tantas vezes como aquelas que lhe digo que a amo ao longo do dia. Mas, à hora combinada fui a quatro ourivesarias. Desistiu sempre. Eram quase 8.30 da noite – sem jantar – quando lá fomos Espaço Guimarães fora porque "madame" só confia nas meninas da Claires (disse ela). Quatro tentativas depois lá estávamos nós, confiantes. Ela tremia. Eu tremia mais ainda porque detesto vê-la naquele conflito interior do tipo tenho de ser forte, mas estou toda cagada que ainda me dá aqui uma coisinha má. Voltou a deistir. Já nos preparávamos para entrar no carro e deu-se-lhe um ataque de coragem “vamos voltar, eu já não tenho medo das coisas que assustam”. Voltamos. Sentou-se no meu colo e dizia “estou toda a tremer, toda a tremer”. E pimba, o primeiro furo, já está. Choramingou. Não quis fazer o segundo. “Podemos dar uma voltinha só para eu me convencer?”. Assim foi. Visitou as meninas das lojas que já a conhecem e voltamos. Choramingou. E pimba, o segundo já está. Rejubilou. Olhei para o relógio, eram quase 10 horas – sem jantar.
Acreditem, ser mãe de meninos é que é.

26.1.11

Carolina, a intelectual



Carolina: estava aqui a pensar porque é que existimos assim?
Eu: assim como?
Carolina: assim, desta forma e porque não existimos numa outra forma. Enquanto animais ou estátuas...

E depois de uma noite bem dormida. De um óptimo acordar. Após meio litro de leite e antes do croissant.

Carolina: é muito interessante nós estarmos a caminho do colégio e passar por estas ruas e saber que multidões de pessoas continuam a dormir.

Minha Carolina agora está para isto. Para perguntas difíceis e para considerações imprevisíveis .

25.1.11

Good felling



Hoje acordei com um good felling. Não sei explicar porquê, uma vez que até adormeci a discutir. Às vezes não tenho paciência para homens. São tão limitados e o meu não é excepção. Podia ser mas, não é. É um belo de um exemplar da espécie. Anyway, acordei assim, talvez por ter adormecido em concha com a minha Kiki. Por ter tido tempo de tomar o pequeno almoço com ela. Por falarmos. Por ela já ter tomado o estatuto de “minha melhor amiga”. Ela comenta o que visto, como me penteio. É minha cúmplice e espiã. De vez em quando aparece em "pés de lã" e diz-me “mamã o papá pegou em moedas da tua carteira. Olha que foram moedas, mas podiam muito bem ser notas”. Ou então, “mamã, o papá abriu a caixa de bombons”.
Em Maio a Carolina fará seis anos. Depois do primeiro aniversário, o sexto é igualmente importante. Marcante. Decisivo. É uma nova etapa. Fresquinha, prestes, a começar. Um ciclo que se fecha. Outro que se abre. Em virtude disso, prometi-lhe uma grande festa de aniversário. Para comemorar a data e para se despedir dos amiguinhos com quem priva desde os dois anos de idade.
Antes disso, temos ainda outra data marcante. Determinante. E também decisiva. O ano da Constança. O benjamim está uma coisa que adorava conseguir explicar por palavras. Não consigo. Não lhe faria justiça. Nem que usasse todas as palavras do mundo e mais as que ainda não se inventaram.

M

M, aqui serias certamente feliz

A M é para mim, digamos...(pausa) uma espécie de conselheira. Vamos pôr as coisas desta forma para ser mais entendível...Eu sou o Cavaco (deus me livre e guarde). Ela é, tipo o João Lobo Antunes, o mais fixe dos conselheiros de estado.
M, apetece-me uma laranja. Ok, come lá a laranja. Mas, M, é de noite e lá diz o povo que a laranja à noite mata. Achas que coma, ainda assim? Então, não comas se não ficas a pensar nisso e ainda acordas esticadinha.
M, apetece-me mudar o cabelo. Estou a pensar fazer franja. Que dizes?
M, hoje a minha rinorreia está diferente. Achas que vá ao médico?
M, o meu período está atrasado alguns minutos. Achas que posso ter um tumor no sistema nervoso central?
É mesmo assim, a M esclarece-me todas as dúvidas. Mas, a M, tem um defeitozinho de fabrico. É quase como a minha fantástica gabardine da Red Valentino ter uma miserável de uma etiqueta que diz "made in India". Não pode ser tudo perfeito. A M lida mal com o lado material da vida. A M é daquelas que prega aos sete ventos "amor e uma cabana" e um maço de lenços de papel porque ela (como eu) também sofre de alergias. Olha agora ofendeu-se (vejam bem) com a nenuca como prova de pagamento do meu acordo com a primogénita. M, não tens filhos (mas se Deus quiser há-des ter) e vais perceber os esforços de uma mãe. Vais perceber muitas tangas que os pedopsiquiatras andam para aí a "vender". Vais-te desenrascar à tua maneira. Da forma melhor que sabes. Seja com nenucas, mascotes ou com folhinhas da Hello Kitty.

24.1.11

É segunda feira e sobrevivi

Tem estado um frio do caraças. E para mim é difícil. Já me conhecem, sou gaja de vestidos todo o ano. E desde que as grifes instituiram as sedas, e os decotados, sem mangas e costas e sem golas que davam um jeitaço com este vento que se me invade e insiste em lembrar-me que isto de sinusite e inverno não combina. Mas, é segunda feira e sobrevivi. E surpreendente é também continuar aqui quando já lá vão mais de 20 minutos depois das 9h. Constancinha está que não se aguenta. Com sono puxa cabelo e esfrega olhos. Choraminga. Estou para ver se ele vai conseguir admormecê-la. Carolina, em modo normal, continua a brincar. No seu canto. De costume. "Isso é só cansaço, vai tomar 29 remédios e fica bem. Pode ir tranquila", diz ela para o nenuco novo que hoje lhe comprei como pagamento do nosso acordo.
Hoje terminei uma entrevista que pode ser lida na quarta feira
Hoje fiz uma entrevista que também poderá ser lida na quarta feira.
Hoje, um simpático senhor de 100 anos, recusou dar-me a entrevista porque, no seu entender, não era um motivo plausível para interromper o seu jogo de sueca. "Volte outro dia", ainda me disse. Porque eu vou estar sempre aqui à espera que termine as cartas e ganhe, de preferência, para o apanhar de bom humor e podermos - finalmente - falar das mudanças do século.
Hoje, a minha Carolina foi para a escola. Desceu as escadas, entrou no carro sem me dizer "quero que saibas que vou triste".
Hoje, ainda tive tempo de fazer umas comprinhas. Coisa pouca. Uns botins e um trapinho só para aquecer o coração.
Hoje é segunda feira e sobrevivi...

23.1.11

Mamã esses senhores existem?

Acordei - como de costume - antes das 8. Constancinha não é adepta do "aproveita a cama que é domingo e lá fora está um frio do caraças". Toca a vestir, uma, duas, três e vamos lá às urnas que é dia de eleições. Votei no meu candidato - sem grande convicção - numa lavandaria. Mostrei o boletim de voto à Carolina que me perguntou "mamã esses senhores existem mesmo?". Disse-lhe que sim, mas apeteceu-me dizer outra coisa. Domingo é dia de compras e de balança, para mim e para a Carolina. Tudo nos trinques. Domingo é dia de gestão da semana. De algumas arrumações, também.
A semana que passou foi difícil. A minha Kiki "avariou" e entendi que o problema pode ser crónico porque a resistência ao colégio tem um nome: números. A "piquena" não está para isso. Está-se nas tintas. Ainda não lhe apetece conhecer uma centena e cheira-me que temos aqui outra que com os números só se for para subtrair e encher armários.
Negociei com ela. Amanhã vou ver se resultou.

20.1.11

Os dias



Hoje é quinta feira. Podia ser outro dia qualquer e certamente não estaria assim. Que é como quem diz, nem assim, nem assado. Sábado e Domingo já se sabe, é sábado e domingo. Segunda, olha pronto, assumimos, não gostamos e não há nada a fazer. Gosto da segunda ao final do dia quando chego a casa e penso, “vá o pior já passou. Sobrevives-te”. Terça é aquela coisa, é dia de fecho e sabe bem ver o jornal a ficar pronto. A quarta está no meio e há muito se sabe que no meio está sempre a virtude. “Já é quarta feira, passou rápido”, lembrámo-nos induzidas pela dita virtude. E depois vem a quinta e tudo que pensaste ontem cai por terra. Passou rápido o tanas! Ainda é quinta feira e quinta feira não é nada, é nem sim, nem não. Não é nada! Percebes que ainda faltam dois dias para o fim de semana e que a quinta é tão preguiçosa que os ponteiros não andam.
Sexta é outro campeonato. É sexta! E o fim de semana é já aqui.
Mas, hoje ainda é quinta e estou que não me aguento!

Tudo isto me lembra de ti



Porque foi contigo que estive na feira popular. E ainda guardo essa lembrança. E a obrigação que sentias em me fazer todos os dias mais feliz.
Porque foi contigo que fiz os pique-niques mais maravilhosos da minha vida.
Porque foi contigo, que - de mapa no tablier (ainda não havia GPS) - parti em busca desse Portugal (que tanto gostavas). Estradas fora. Praias fora...
Porque quando olho o céu e vejo um arco íris, sei que és tu que sorris...

19.1.11

Lição do dia...eu não diria melhor


e porque haverá sempre um passarinho amarelo


Durante muito tempo acreditei na premissa que defendia a infelicidade como consequência da inteligência. Para muitos, a coisa é simples: quem tem neurónios não conseguirá nunca ser feliz. Quem pensa, quem raciocina, quem tem cultura e densidade intelectual está condenado a uma vida amarga, de angústias sempre renovadas. Porquê? Ora, porque a vida é lixada. E, já o povo o diz há anos, «muito riso pouco siso». E só os idiotas é que podem rir quando isto de viver é o que é.
O tanas, digo eu. A tese serve para uma de duas coisas: para justificar a efectiva incompetência de alguns para serem felizes (ou a falta de sorte na vida, vá) ou então dá muito jeito para armar ao pingarelho.
Conheço gente que se comporta, todos os dias, como se a família inteira tivesse falecido na véspera, mesmo quando a vida que tem é razoavelmente tranquila. A um alegre «bom dia» esta gente responde com um misterioso sorriso triste. A um «como vai isso?» vem um encolher de ombros desvalido. E às conquistas da vida nunca existe mais do que um esgarzito amarelo de quem sabe que a tormenta da vida supera sempre a pequena vitória.
Durante muito tempo acreditei nisto. Por um lado porque era adolescente e competia-me ser infeliz. Por outro porque procurar a felicidade dava muito trabalho e era infinitamente mais simples acreditar que pertencia ao grupo dos superiormente inteligentes. Esses que reflectem e que, ao reflectir, não podem ser mais que circunspectos.
Hoje não tenho pachorra para isto. Mesmo. A vida até pode ser lixada. Até pode haver a crise e o FMI e o desemprego e os políticos que temos e o IVA a subir e as contas para pagar e as cheias e o amigo que morreu e a infância conturbada que tivemos e a falta de amor que sentimos e um divórcio litigioso e uma maleita crónica e outras fatalidades que nos vão acontecendo. Pois sim. Mas há coisas piores. Há sempre coisas piores. E estamos cá. E há um céu azul e uma brisa com cheiro a mar e risos de crianças e o abraço de alguém. E o sabor do chocolate e o beijo de um filho e o elogio de quem se admira e um pôr-do-sol no Verão. E a viagem sonhada e a música que nos toca e um encontro de amigos e uma pintura que nos prende o olhar e o brinde a uma boa notícia e o livro que nos comove. E a vida. Não me lixem. A vida pode ser lixada. Mas é a única que temos. Como dizia o querido e saudoso Raul Solnado, façam o favor de ser felizes. Não há maneira mais inteligente de viver.


*sim, só podia ser jornalista.

Dia 19



Hoje,  a minha Constança faz 10 meses (e como o tempo passa). Já está há mais tempo cá fora do que aquele que viveu em mim. E como é bom vivê-la! Descobrí-la. Aquele geniozinho que - cheira-me - vai ser pior do que o da primogénita.

Hoje, a minha Kiki voltou ao colégio. Não foi propriamente aos pinotes, mas foi. E tenho a certeza que vai passar muito bem o dia. Junto das amiguinhas. Entretidas com coisas de meninas. Às vezes dá-lhe para isto, queixa-se da escola e desanima. Outras, ao fim de semana, atira-me com considerações do género, "há escola hoje?. Oh que pena!"
E é isto...

18.1.11

A canalha está sempre a avariar!


É verdade que é uma grande fiteira. E joga comigo. E sabe que me tem na mão. Que morro por ela. Que morria sem ela. Sabe isso tudo. Mas, não há nada que ela goste mais do que brincar. E perde-se num mundo só dela. Deixa de ouvir. Esquece-se de comer. Brinca como se não houvesse amanhã. E vê-la brincar é das melhores coisas do mundo. Ontem não brincou. Chegou da universidade aos tremeliques. Cheia de frio, com os lábios roxos. Meti-me na cama com ela ainda não eram 6 da tarde. As cólicas viraram uma diarréia da pior espécie, que hoje ainda se mantém. A febre já cedeu. Oh pá, a canalha está sempre a avariar e eu cada vez lido pior com isso. Eu sei, devia ser o contrario, mas entro em pânico, e o que para a maioria das mães é uma diarréia, resultante de um vírus ou um qualquer desarranjo intestinal, para mim é um sem numero de doenças: apendicite, dengue, infecção alimentar...
Estou tão cansada. E desanimada por ser assim. 

eis a sustentação


Eu sou a mais maluca, mais desiquilibrada, mais obcessiva, mais tudo de mau de todas as mães do mundo. E estou muito triste, e desanimada, por isso. Tão triste que me apetece auto-flagelar-me. Eu mereço. A segunda feira é sempre um dia de difícil despertar. Não é por nada. É só por ser segunda feira. Mas, esta noite até dormi bem. A sério que sim. Mesmo, os três enfiados na cama e puxa edredon para um lado e puxa para outro. E pernas por cima. Acordei com a sensação que tinha dormido o essencial. A minha Carolina acordou, como sempre com energia para dar e vender. Pulou, gritou. E pulou mais e gritou mais. E quando se previa ser uma segunda feira como tantas outras, eis que se lembra: “dói-me a barriga!”. “Oh filha, já vai passar, é só uma cólica”. “Não, dói-me mesmo a barrriga!”, insistiu. “Que queres que te faça? Não queres ir para o colégio, é isso?”. E do outro lado uma afirmação com o pescoço. “Então tens que ir para o tio, a mamã tem que ir trabalhar”. Resignou-se com a solução. Eu diria que até se entusiasmou e antes de a deixarmos com a mana no tio ainda passamos em casa para ela buscar o seu material de trabalho.
Durante a manhã liguei mais do que o aceitável e a resposta era sempre a mesma, “deixa de ser chata, está bem, estão bem as duas”. Mas, quando lá cheguei para busca-las para o almoço encontro uma Carolina de cabeça tombada sobre os ombros, com um ar moribundo. Entrei em choque que é o meu costume nestas coisas.
Em casa, dei-lhe a sopa, coloquei o magic english, dei-lhe uma colher de brufen (não, não tinha febre, mas eu sou estúpida e vou sempre pela profilaxia) e em pouco tempo andava a saltitar e a pedir-me cócegas. O humor dela mudou quando lhe disse que podia ir passar a tarde à universidade com a avó. E agora? Uma mãe pensa o quê? Está doente? Ou é uma fiteira da pior espécie que já me tomou o pulso a toda a esta obcessão e manipula-me com a maior facilidade do mundo???
Anyway, isto tudo para sustentar a conclusão do dia. Duas já chegam para me consumir a alma.

17.1.11

16.1.11

Filme de Domingo

O que é isto?

Eu sei que ainda não foi julgado e até decisão judicial é inocente, mas - minha gente - o jovem confessou o crime! Contou, detalhadamente, as maldades que fez ao homem. E até onde eu sei, não mostra sinais de arrependimento. Como tal, tudo o que me apetece é perguntar: que mundo é este em que estamos em que se fazem vigílias e cordões e homenagens a assassínos????

*note-se que não houve dia nenhum em que eu simpatizei com o Carlos Castro.

15.1.11

Só estou para isto

Eu sei, estão roidínhos para saber como foi o jantar...Tipo o que comemos, quanto pagamos, de que falamos, que roupa vestimos...Nananinanão!!! Não vou contar nada. Estou cansada. Ensonada. Com vontade de me enfiar entre as penas do edredon e virar concha...se tiver um cafoné na cabeça, tanto melhor.E uma chávena de chá quente...Som da tv ao fundo. Ambiente a 25 graus. E silêncio. É imperativo o silêncio. Já sofri demasiadas represálias pela minha escapadela de ontem à noite. Primeiro, foi a Kiki que me disse com a maior dureza do mundo: "pensas que és bonita, mas olha que não faltam, por esse mundo fora, mulheres bem mais bonitas do que tu". Assim, sem dó nem piedade. Sem apelo. Isto enquanto eu estava acabadinha de me vestir, maquilhar, pentear...Segundo, foi a Constancinha, dá a a despertar às 4 da matina. E esta pobre mãe que ontem decidiu dar um passo sem as crias pensou "é castigo, meu Deus".E deixa aqui a promessa que não o volta a fazer tão cedo porque isto de noites sem dormir é quase pior que as crises de sinusite e o efeito do antibiótico no sistema nervoso central.

14.1.11

13.1.11

Dia 13

Naquele dia vesti uma camisola vermelha. O dia estava feio. Daqueles em que se torce o nariz quando se abre a janela. A noite já tinha sido feia. Voltamos tarde do hospital. Deixaram-nos regressar. Disseram que tinham resolvido o problema. Não me convenceram. Estavas com cor de morto. Abanei os pensamentos dentro de mim (mania das intuições). Tentamos dormir.  E dorminmos. Até os teus gemidos, a tua agonia, nos despertar. No andar de cima, senti a tua cama abanar pela dor. E os teus gemidos...ah!...deixa-me voltar a abanar os pensamentos para não ter que os ouvir outra vez. Acordei como quem acorda angustiada de um pesadelo. Mas era real. E desci as escadas aflita. E com medo. Porque estarás a sofrer assim? Porque estarás a sofrer assim?Sentia-me preparada para tudo...menos para te ver sofrer assim... A sala estava gelada. Tentei aquecer as mãos entre os joelhos, mas continuava a tremer. Não era o frio. Era o medo! Agonizavas...subi as escadas. A correr. Para fugir do último suspiro. Lá em baixo, elas abafaram-me com gritos...o cheiro da morte...que não quis sentir...
E a camisola vermelha vestida.
À noite estreou na SIC o Levanta-te e Ri (que ironia). Faz hoje 8 anos!Mas, pai, estás comigo...aqui e agora.

11.1.11

Merecido

porque é giro...e tem estilo

é inteligente

ok, às vezes parece um pouco estranho
e porque é português e fala em português

Ranhosa


Só vai lá com antibiótico. Diz a minha querida médica assistente e ela é que sabe.

*bolas para o Cêgripe

10.1.11

Ainda a propósito

Quanto mais oiço ou leio sobre o assassinato do Carlos Castro, mais chocada fico. No intervalo do almoço confesso que até me senti ligeiramente tonta com tanta perversidade. E depois é completamente surreal a posição da irmã do jovem. Para mim já o é pelo facto de andar aí desdobrada em entrevistas. Já deve ter tido mais tempo de antena do que os candidatos a presidente da repúlica. E depois repetir que é absolutamente normal o irmão andar desde Outubro em viagens com o senhor que só por acaso até arcava com todas as despesas. Pronto, o miúdo caiu-lhe bem e o velhote queria a todo o custo lançá-lo na moda (mal imaginava o preço que teria de pagar. Não bastaram as viagens e as roupitas de marca, acabou mesmo por pagar com a própria vida).
Bom, eu tenho uma versão sobre as circunstâncias que envolveram aquele crime, mas não vou partilhá-la.
Agora, tudo é chocante! Terrivelmente chocante! E nem é pelo facto de lhe ter mutilado o dito cujo com o saca-rolhas, o mesmo que usou para lhe perfurar os olhos. Ou por (ao que tudo indica) lhe ter batido durante uma hora. O mais chocante é a forma como se estragam duas vidas. Eu admito que não simpatizava com o senhor. Não gostava do ar dele, mas daí a merecer uma morte assim vai um longo caminho. E o rapaz? Bonito, jeitoso, pelos vistos licenciado e com um pézinho na moda. Num momento tem-se a vida pela frente e um futuro promissor. No outro, vês-te numa prisão dos Estados Unidos a arriscar uma perpétua e isto porque o Estado de Nova Iorque aboliu a pena de morte. Tipo tens 21 anos e garantem-te que no mínimo 25 anos passas lá dentro. É mais do que aquilo que viveste-te até agora. E aquela mãe? Pobre senhora se tiver que lá deixar o filho. Olhem estou impressionada com tudo.
Hoje de manhã falava para com os botões que não tinha, "coitado do rapaz que estragou a vida". Uma vozinha do fundo que se espreguiçava para espantar o sono responde-me, "coitado do velhote que morreu".

Gente da Nossa Terra

Hoje entrevistei a professora Magda da Lua Vermelha. Só não lhe perguntei pelo Afonso e a minha Kiki não me vai perdoar.
A propósito, poucos saberão, mas a Cristina Cunha é de Guimarães!

Como é bom viver aqui






E o New York Times também acha...


"Guimarães, PortugalA city of youth is fired up by its art scene.
Considered the birthplace of Portugal, this picturesque northern city has long been of great historical importance to the country. Now, with half its inhabitants under 30, it is also one of the youngest cities in Europe. A string of recent developments, like its selection as a 2012 European Capital of Culture and the rehabilitation of the Unesco-designated historic center, have helped turned the youthful “cradle city” into one of the Iberian peninsula’s emerging cultural hot spots.
Much of the city’s burgeoning music and arts scene is nourished by the Centro Cultural Vila Flor, a contemporary-minded cultural center that opened in 2005 in a converted 18th-century palace. It includes amphitheaters, an exhibition villa, artists’ studios and a modern Portuguese restaurant. This March, the center will host the first International Festival of Contemporary Dance, bringing in an impressive selection of dance companies from throughout the world".

8.1.11

Estou que nem posso

Benuron e aerius em dose dupla. Esta sinusite rebenta comigo.
escolheu esta e chamou-lhe Fifi
Carolina: mãe dás-me um cão morto que respira?
Eu: oi???
Carolina: sim, é um cão que não está vivo. Só dorme e respira.
Eu: filha eu sei que tens medo a cães, mas não é possível isso de termos um cão que nem está vivo, nem está morto...
Carolina: é possível sim! Uma menina tinha um na escola da vovó e eu até sei onde se vendem.
Eu: ?!?!?!
Não tive outro remédio e deixou-me guiar pela cria, movida também pela minha curiosidade.
Carolina: vês há cães com raça e até gatos, mas eu quero aquela cadela ali. Tem raça, não tem?
Reparei que estavam todos a respirar e a emitir um som assim como quem dorme consoladinho da vida. Todos tinham uma caixinha, respectivo ninho e certificado de adopção.
Carolina: dás-me, mãe? Pode ser?
Verifico o preço...
Eu: Mais de 20 euros por um animal que se limita a respirar e nem os olhinhos abre?! Não me parece.
Carolina: e não faz xixi, nem cocó, nem ladra, nem destroi os estendais...
Eu: tens alguma razão, mas ainda assim é caro. Não tenho dinheiro.
Carolina agarra na caixa, dirige-se à menina e diz: "posso levar este cão e amanhã venho cá pagar?".
E é isto... Desenrascada que só ela.

Saldos

Depois de uma semana enfiada em casa, com duas crianças. Depois de só conhecerem o meu colo, o meu desejo é que o final de semana chegasse rápido. Sempre as podia dividir com o marido e com a mãe. E deixar de me sentir uma canguru fêmea com a cria sempre em cima. Tipo, é bom poder usar as mãos de quando em vez, ainda mais quando o meu programa de sábado tendia para: saldos. Mas, dos saldos, trouxe apenas um vestidito e um básico. E por acaso até era um vestido que nem tinha um grande desconto, mas sei que se não o comprasse daria as minhas horas de sábado por mal empregues. De modo que o comprei assim para me aquecer um pouco a alma... Também adquiri uma fatiota para a minha Kiki e uma pecinha para minha Sassa. Nada de extraordinário...
Chegada a casa enfiei-me no pijama e enfiei as crias também (cada uma no seu). Não sei que me apetece para jantar, mas sei que no serão de sábado estarei por casa (e está-se tão bem).
Já agora, estou impressionada com a morte do Carlos Castro. Aquilo não se faz ao homem! Foi totalmente inesperado. Tipo, num momento estamos bem e a falar da vida alheia, no outro estamos mortos e esquartejados. Nossaaaaaaa!

7.1.11

À mesa

Do encontro com as amigas resultou uma confirmação: vamos jantar! Até já marcamos. Sábado, dia 15. O local ainda não foi decidido, mas cheira-me que nos vamos manter fiéis e voltar ao sítio onde já fomos felizes. "Lá" somos sempre bem servidas; comemos bem, bebemos moderamente e - invariavelmente - acabamos a noite de garrafa na mesa e slim na mão. Nós que nem fumamos...E sim, é à mesa que mais divagamos...E sabe tão bem aquela conversa sincera embalada pela cachaça da caipirinha.
Comprometemo-nos a prolongar a noite após o jantar e Deus sabe como quero sair (é mais do que querer, é uma espécie de necessidade); ver gente; ser vista; ouvir um som; dar um ralé... Vamos lá ver se não me transformo em gata borralheira antes do tempo.
Puxem por mim meninas.

De génio e de louco todos temos um pouco...


Ultimamente dou comigo a pensar de mais. Eu que sempre fui responsável, mas inconsequente (se é que isso é possível). Um destes dias vi uma gaivota a esvoaçar o céu de Guimarães e pensei, "será um anjo que me quer enviar alguma mensagem?!". Raramente faço humor negro e quando não consigo evitar arrependo-me logo. Valorizo as coincidências. Deixam-me a pensar...
Pareço normalzinha, mas não sou. Não me desloco em certas vias potencialmente perigosas porque não quero fazer parte das estatísticas sobre os acidentes de viação. Vou na rua e não raras vezes olho para trás para ver se sou seguida. Não durmo em almofadas que não me foram apresentadas (sim, viajo sempre com a minha). Não durmo em camas desarrumadas. Arrumo a minha roupa (e das minhas filhas) por cores e géneros. Adoro sopa. Como ovos crus. Não saio à noite. Sou aclubística (com uma afeição pelo nosso Vitória e uma inclinação pelos lagartos). Sou tão branca que se sair à rua sem maquilhagem perguntam-me logo se me estou a sentir bem. Não sou boa dona de casa. Nem óptima cozinheira (mas cozinho). Não uso elevadores se estiver sozinha. Falta-me o ar quando viajo de avião. Sou uma chata da pior espécie, daquelas em extinção. O meu homem é um santo por me aturar. Sou ciumenta; possessiva; consumista; não gosto de futebol; não jogo cartas; não tenho mau acordar, mas tenho péssimo adormecer; não sei falar baixo and so on...
Se a minha filha tiver febre meço-lhe a temperatura de 5 em 5 minutos, nos três lugares possíveis (axila, rabo e boca…para quem tivesse dúvidas). Quando vou às compras faço sempre prospecção de mercado que é como quem diz, inteiro-me dos artigos de toda as lojas e depois faço a minha selecção para aquisição. Tenho a mania das doenças. E da perseguição. Vejam bem que este verão, de férias, comprei uma água a um vendedor ambulante da praia. Uns minutos depois vejo médicos a correrem praia fora para assistir um idoso. Dirijo o meu olhar para o que se chama  “calçadão" e vejo polícias. A fazerem o quê?? A prenderem o homenzinho que me tinha vendido a água. O que é que esta cabeça pensou? Que a água do vendedor estava contaminada, pior, envenenada (!!!), por isso o idoso foi para o hospital e por isso ele foi preso. De maneiras que escusado será dizer que me comecei imediatamente a sentir mal. Fugi para o hotel. Não almocei. E não descansei enquanto não esvaziei o meu estômago.
Mas, afinal sobrevivi.

6.1.11

Amigas

Marquei lanche com duas amigas. Daquelas amigas que vêm desde a primária. Daquelas com quem partilhamos bancos de escola; apontamentos; memórias...essencialmente...memórias. Pedaços de vida que já lá vão... Éramos umas miúdas. E sonhávamos... Cada uma à sua maneira. Éramos diferentes, mas fazíamos parte do mesmo puzzle.São amigas com quem ainda brinquei. Com quem bebi. Fumei.A quem revelei segredos. E por quem guardei outros. Fomos alcoviteiras umas das outras.
Não nos vemos muitas vezes. Vemo-nos pouco, até. Mas, hoje estivemos juntas. Já não estávamos (as três) há um ano. Às vezes cruzamo-nos por aí. Levantamos a mão, damos sinais de luzes. Sinais...como que a dizer, estamos aqui...continuamos aqui... Das três, só eu tenho uma rotina absorvida pelas obrigações familiares. Talvez seja eu a mais culpada pelas circunstâncias que nos afastam (ou talvez não)...Até que ponto os episódios da vida familiar interessam a quem está - por agora - desprovido de compromissos. A quem continua a pensar no singular?
Queremo-nos bem. Estou certa disso.
Estava entusiasmada por, hoje, poder estar com elas. Por levar as meninas e exibí-las. Pela possiilidade de ouvir. E contar. Mas, o tempo foi curto. E não começou bem. Porque há coisas que não mudam. Atrasaram-se 60 minutos! Mas que puto de hábito é este? Será da classe docente?

*foi bom rever-vos...continuem felizes.

Filhos


Já lá vão muitos anos (muitos mesmo), a minha melhor amiga bordou-me um pano que dizia “Carolina”. Na ocasião ainda era uma menina. Pura. Que suspirava pelos Excesso. Mas, já sabia que, um dia, uma Carolina ia fazer parte da minha vida. Tive pressa em engravidar. Não foi para o prender. Foi para a ter na minha vida. Estas coisas são estranhas. Tinha uma certeza, inabalável, que seria uma menina. E foi. Uma Carolina, com cara de Carolina. Uma Carolina que estava previsto nascer a 26 de Maio, mas que insisti com o ginecologista para que nascesse antes. Não queria que fosse caranguejo. Agradava-me mais a ideia de ser touro. Como a minha mãe e a minha melhor amiga.
Fui mãe, pela primeira vez com 22 anos, quase, quase a fazer 23. Fui para a maternidade convencida que uma vez cá fora a rapariga, voltava eu, linda e maravilhosa. De maneiras que levei umas calças justas para vestir e estojo de maquilhagem, não fosse a Caras estar cá fora à espera. A Caras não estava e eu não cabia nas calças. Passei umas horas do caraças. E fui para lá convencida que seria canja. Quis desistir. Fartei-me de chamar pela minha mãe. Não fui capaz de parir. Valeu-me a ventosa do santo e paciente Dr. Pedro para me pôr a rapariga cá fora…a minha Carolina. Aqueles olhos arregalados a olharem-me. Naquele momento éramos duas estranhas. No momento seguinte era parte de mim. Uma parte que parecia existir desde sempre, como se o passado nem sequer existisse sem ela. Estas coisas são estranhas...
Anyway, isto tudo para dizer que sempre quis tanto ter filhos e ser mãe. Que o fiz cedo porque, quem me conhece sabe que não deixo nada para amanhã e que acho uma presunção do tamanho do mundo quem julga que vai estar sempre cá amanhã para fazer o que já devia ter feito ontem.
Depois da minha Carolina nascer, andei uns tempos (anos) a dizer que não me voltava a meter noutra. Aliás, essa foi a primeira coisa que disse ao Dr. Pedro. É que não foi só o parto. Foi o pós parto. E foi a infecção nas mamas. Mas, depois já nem lembras e voltas à convicção de infância: o meu sonho é ter três filhos. Três meninas. A propósito, quando estava grávida da Constança e me perguntavam o que era e eu respondia “outra menina”, ouvia invariavelmente, “oh deixe lá, o que interessa é ter saúdinha”. Essa gente nunca entendeu que eu era a mulher mais feliz do mundo por ter outra gaja no ventre.
Três filhas! Se me perguntarem agora não sei responder se mantenho a intenção. A minha mãe diz que não. O meu homem não diz nada, deixa as decisões difíceis para mim. E eu o que digo? Digo “nim”.

5.1.11

Ainda a Sininho

A Carolina contina a ver a Sininho que nesta altura já perdi a conta às fadas que salvou.

No aconchego do lar

Hoje acordei com o vento. Assobiava. E entrou-me pelo sono dentro. Não eram ainda 8 horas. Só o vento fazia barulho. Que bom! Vou dormir. Mas, não dormi. De olhos fechados já confundia o vento com o choro da Constança. Que não tardou. E assim se desperta para mais um dia. No aconchego do lar. Com duas crianças e uma grande dor de costas.
A Carolina passou a manhã a ver dvd's. Barbie e a magia da moda e a Sininho que salvou as fadas. E pelas minhas contas salvou-as umas três vezes. Constancinha até que não esteve mal. Não boleirou muito no colo. Ficou-se pelas cadeiras e pelos objectos impensáveis que gosta de brincar. Mas, não esteve mal, não senhor. Agoro dorme. O pior é lá pelas 17h. Já comeu. Já dormiu. Vai de atazanar-me o juizo. Não há cadeira que a sente. Não há brinquedo que a cative. E não faltam opções espalhadas pela sala.
Constancinha é, mil vezes, pior do que foi a Carolina. Apesar das evidências até tenderem para o contrário. As cólicas da minha Kiki foram muito piores e mais longas. Na Constança desapareceram ao fim do primeiro mês. Com Kiki valia-me o aero-om. Com Constança nem comprei. Nenhuma mamou (culpa minha). As duas adoram o Nutriben. São o terror dos automóveis. E dos carrinhos de passeio. É uma delícia vê-las mudar todos os dias. Cada uma à sua maneira. Carolina surpreende-me com vocabulário novo. Com raciocínios surpreendentes. Com a sua vontade de crescer. Com a sua impaciência para que os dentes lhe caiam.
Constancinha é um pequeno livro. Cheio de páginas em branco. Já bate palminhas. Faz a "pitinha". Dança as (doidas) das galinhas e...dança. Não pode ouvir um sonzinho que toca a abanar a cabeça. Diz xau e chama. Tem um temperamento terrível.
Vou abaná-la que já se está a espreguiçar.