10.1.11

Ainda a propósito

Quanto mais oiço ou leio sobre o assassinato do Carlos Castro, mais chocada fico. No intervalo do almoço confesso que até me senti ligeiramente tonta com tanta perversidade. E depois é completamente surreal a posição da irmã do jovem. Para mim já o é pelo facto de andar aí desdobrada em entrevistas. Já deve ter tido mais tempo de antena do que os candidatos a presidente da repúlica. E depois repetir que é absolutamente normal o irmão andar desde Outubro em viagens com o senhor que só por acaso até arcava com todas as despesas. Pronto, o miúdo caiu-lhe bem e o velhote queria a todo o custo lançá-lo na moda (mal imaginava o preço que teria de pagar. Não bastaram as viagens e as roupitas de marca, acabou mesmo por pagar com a própria vida).
Bom, eu tenho uma versão sobre as circunstâncias que envolveram aquele crime, mas não vou partilhá-la.
Agora, tudo é chocante! Terrivelmente chocante! E nem é pelo facto de lhe ter mutilado o dito cujo com o saca-rolhas, o mesmo que usou para lhe perfurar os olhos. Ou por (ao que tudo indica) lhe ter batido durante uma hora. O mais chocante é a forma como se estragam duas vidas. Eu admito que não simpatizava com o senhor. Não gostava do ar dele, mas daí a merecer uma morte assim vai um longo caminho. E o rapaz? Bonito, jeitoso, pelos vistos licenciado e com um pézinho na moda. Num momento tem-se a vida pela frente e um futuro promissor. No outro, vês-te numa prisão dos Estados Unidos a arriscar uma perpétua e isto porque o Estado de Nova Iorque aboliu a pena de morte. Tipo tens 21 anos e garantem-te que no mínimo 25 anos passas lá dentro. É mais do que aquilo que viveste-te até agora. E aquela mãe? Pobre senhora se tiver que lá deixar o filho. Olhem estou impressionada com tudo.
Hoje de manhã falava para com os botões que não tinha, "coitado do rapaz que estragou a vida". Uma vozinha do fundo que se espreguiçava para espantar o sono responde-me, "coitado do velhote que morreu".

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