É hoje que o Vitória joga em Braga a passagem à meia final da Taça de Portugal – esse sonho tão acalentado por nós modestas equipas que ainda não aspiramos a ser campeões, mas sede de vitórias temos para dar e vender – mas ontem é que foi dia de tensões. Tudo porque a minha Kiki decidiu que queria (re)furar as orelhas. Eu sei que sou mãe de gajas, é uma espécie de made for; propensão natural, enfim, chamem-lhe o que quiserem...eu que sou dada a todas as “pinderices” de meninas, que as enfeito e desfilo com um grande orgulho e uma gigantesca vaidade...elas que se prestam a isso melhor que ninguém...admito hoje, perante a blogosfera, que ser mãe de homens (como diz a minha Kiki, não há cá meninos ou rapazes) é que é. Não tens de percorrer toda a zona norte para encontrar meia calça às bolinhas pretas ou sapatos com pompons de penas rosa choque, nem tão pouco comprar maquilhagem infantil por causa das alergias.
Deixem-me voltar a ontem... bom a primogênita decidiu que era ontem, que ontem é que era. Sonhou com isso. Acordou com isso. Passou a hora da manhã antes do colégio a dizer-me “eu sei que estou a ser uma chata do pior, mas não consigo tirar isso da cabeça. Prometes mãe que me leva hoje a furar as orelhas?”. Prometi-lhe tantas vezes como aquelas que lhe digo que a amo ao longo do dia. Mas, à hora combinada fui a quatro ourivesarias. Desistiu sempre. Eram quase 8.30 da noite – sem jantar – quando lá fomos Espaço Guimarães fora porque "madame" só confia nas meninas da Claires (disse ela). Quatro tentativas depois lá estávamos nós, confiantes. Ela tremia. Eu tremia mais ainda porque detesto vê-la naquele conflito interior do tipo tenho de ser forte, mas estou toda cagada que ainda me dá aqui uma coisinha má. Voltou a deistir. Já nos preparávamos para entrar no carro e deu-se-lhe um ataque de coragem “vamos voltar, eu já não tenho medo das coisas que assustam”. Voltamos. Sentou-se no meu colo e dizia “estou toda a tremer, toda a tremer”. E pimba, o primeiro furo, já está. Choramingou. Não quis fazer o segundo. “Podemos dar uma voltinha só para eu me convencer?”. Assim foi. Visitou as meninas das lojas que já a conhecem e voltamos. Choramingou. E pimba, o segundo já está. Rejubilou. Olhei para o relógio, eram quase 10 horas – sem jantar.
Acreditem, ser mãe de meninos é que é.
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