6.1.11

Filhos


Já lá vão muitos anos (muitos mesmo), a minha melhor amiga bordou-me um pano que dizia “Carolina”. Na ocasião ainda era uma menina. Pura. Que suspirava pelos Excesso. Mas, já sabia que, um dia, uma Carolina ia fazer parte da minha vida. Tive pressa em engravidar. Não foi para o prender. Foi para a ter na minha vida. Estas coisas são estranhas. Tinha uma certeza, inabalável, que seria uma menina. E foi. Uma Carolina, com cara de Carolina. Uma Carolina que estava previsto nascer a 26 de Maio, mas que insisti com o ginecologista para que nascesse antes. Não queria que fosse caranguejo. Agradava-me mais a ideia de ser touro. Como a minha mãe e a minha melhor amiga.
Fui mãe, pela primeira vez com 22 anos, quase, quase a fazer 23. Fui para a maternidade convencida que uma vez cá fora a rapariga, voltava eu, linda e maravilhosa. De maneiras que levei umas calças justas para vestir e estojo de maquilhagem, não fosse a Caras estar cá fora à espera. A Caras não estava e eu não cabia nas calças. Passei umas horas do caraças. E fui para lá convencida que seria canja. Quis desistir. Fartei-me de chamar pela minha mãe. Não fui capaz de parir. Valeu-me a ventosa do santo e paciente Dr. Pedro para me pôr a rapariga cá fora…a minha Carolina. Aqueles olhos arregalados a olharem-me. Naquele momento éramos duas estranhas. No momento seguinte era parte de mim. Uma parte que parecia existir desde sempre, como se o passado nem sequer existisse sem ela. Estas coisas são estranhas...
Anyway, isto tudo para dizer que sempre quis tanto ter filhos e ser mãe. Que o fiz cedo porque, quem me conhece sabe que não deixo nada para amanhã e que acho uma presunção do tamanho do mundo quem julga que vai estar sempre cá amanhã para fazer o que já devia ter feito ontem.
Depois da minha Carolina nascer, andei uns tempos (anos) a dizer que não me voltava a meter noutra. Aliás, essa foi a primeira coisa que disse ao Dr. Pedro. É que não foi só o parto. Foi o pós parto. E foi a infecção nas mamas. Mas, depois já nem lembras e voltas à convicção de infância: o meu sonho é ter três filhos. Três meninas. A propósito, quando estava grávida da Constança e me perguntavam o que era e eu respondia “outra menina”, ouvia invariavelmente, “oh deixe lá, o que interessa é ter saúdinha”. Essa gente nunca entendeu que eu era a mulher mais feliz do mundo por ter outra gaja no ventre.
Três filhas! Se me perguntarem agora não sei responder se mantenho a intenção. A minha mãe diz que não. O meu homem não diz nada, deixa as decisões difíceis para mim. E eu o que digo? Digo “nim”.

3 comentários:

  1. Felizmente já não te imagino sem as tuas piquenas, ficam-te a matar!! ;-)
    Nasceste para ser mãe e para comprovar esta verdade é só ver como as tuas filhas são felizes. Uma terceira menina iria completar-te ou não, para isso existe o destino que por vezes nos apanha de surpresa!!
    Eu sugeria, do alto da minha humildade, que a terceira se chame Mariana!! Não sei acho que lhe ficava bem... :-)

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  2. Não seria carangueijo com a data do DPP mas sim Gemeos...

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  3. Obrigada cara anónima. Tem muita razão. Tive dúvidas quando escrevi o texto, mas arrisquei... De qualquer modo mantém-se a essência...tamém não queria que fosse gémeos...

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