4.2.11
Aqui fica o meu coração
Estas noites, já deitada - naqueles momentos só nossos - a minha Carolina perguntou-me, "mãe, quando somos adultos, continuamos a ter pais?". Bem, eu sou um exemplo que nem sempre. Mas, a ela, respondi-lhe (sem pensar muito) "claro que sim. Olha a mamã como tem a vovó e o papá e tanta gente e eu vou estar sempre aqui, sempre, sempre a olhar por ti". Ela disse apenas "pois vais". E vou mesmo (de uma maneira ou de outra). Mas, a puta da vida nem sempre é fácil (eu que o diga). E é a puta da morte que a complica. Hoje, à hora do almoço o meu telefone tocou. E quando toca àquela hora, daquele número, ou é para me avisar de alguma promoção imperdível ou para me dizer que alguém morreu. Já perceberam que não corri para o intermarché. Hoje desapareceu mais alguém que (como o meu pai) não conseguiu vencer essa luta tão desigual. Mais alguém que tinha filhos, netos, uma família. E fico sempre a pensar...Eu que me considero doutorada nestas merdas porque perdi a presença física de duas das pessoas que mais amo no mundo - daquelas sem as quais não se pode viver - não posso deixar de sentir uma imensa pena (sim, pena) daqueles filhos. E é para eles (especialmente para ti compadre) que te deixo o meu coração...para dividires essa dor.
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A vida tem tanto de bela como de dura e apenas nos resta sermos uns para os outros!!!
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