11.3.11

Amor em modo real


Também gosto de filmes e novelas que contem amores que movem montanhas. De beijos à chuva. De pêlos da pele arrepiados. E suspiros. E aquele cantarolar do rádio que parece provocar taquicardia. E e o efeito borboletas na barriga. Também já chorei (e emagreci) e ri, em solidão, por um qualquer sentimento que julguei fosse amor. Não era. Foi-o uma única vez. E casei com ele. Mas digo-lhe todos os dias que os seus defeitos lhe superam as virtudes. Mas, é com ele que estou. Sem ele nunca soube estar. E acreditem que tentei. Não me venham com tangas e falar de amor como nos filmes. E nas novelas. Na vida real, amamos, sim, mas em modo real. Com gritos e meias cholezentas pelo chão. E toalhas deixadas na casa de banho. E tampas de sanita levantadas. E horários por cumprir. E presentes por oferecer. E surpresas por fazer. E portas abertas. E cães por alimentar. E bebés que não são mudados a tempo de se evitar um “tsunami” de cocó. E mesas que não se põem. E luzes que não se apagam. E futebol de mais. E solitário de mais. E poker de mais. E “O Jogo” de mais. E focos fundidos por mudar. E a casa dos cães que continua sem telhas e por pintar. And so on… Continuaria caracteres fora até que desistissem de ler…Mas amamos. E construímos em comum. Pomos criancinhas no mundo que nos quererão ver para sempre juntos. Que connosco vão construir. E algo que é só nosso. Que nunca será de mais ninguém.
Sentimos ciúmes e continuamos a inspeccionar telemóveis e a confiar (desconfiando). A fazer birras como quando entrámos nos 20 até que nos lembramos que quase pertencemos aos trinta. E se ter 30 serve para pintar os lábios de vermelho também servirá para não ter sincopes de cada vez que nos conta da vida amorosa da colega de trabalho. Chego até a ameaçar com o divórcio e a dizer que foi a pior coisa que me aconteceu na vida. Mas é com ele que estou... E sem ele nunca soube estar. Grito porque está estatelado no sofá da sala, mas grito mais ainda se não está.
Em boa verdade amo-o. Como nunca amaria (nem amei) outro da mesma espécie. Sinto-o de cada vez que lhe grito e reclamo dele. De cada vez que lhe peço para não adormecer primeiro que eu. De cada vez que entra a sorrir com o pão quente na mão. De cada vez que me pergunta, com seriedade, se lhe pus um xanax no ice tea (ele sabe que seria capaz). Sinto-o, em cada fralda mal colocada ou em cada camisola vestida do avesso. Sinto-o porque sei que me ama (muito) mais do que naquele primeiro Pinheiro em 1996. Porque é só com ele que choro. E porque já acolhi as suas lágrimas também.
Amamo-nos…assim, sem disfarces. Sem maquilhagens ou photoshop. E até ficaria bem postar aqui umas flores e dizer que acordei com elas. Com o cheiro das rosas, mas quem me conhece sabe que detesto flores. Lembram-me defuntos e cemitérios.


*eu prometi que escreveria sobre o amor

2 comentários:

  1. eu não escreveria melhor...e apesar de ele não preencher o checklist dos atributos que o homem deve ter voces têm o ingrediente mais importante de todos ...acrodar todos os dias e desejar ver o outro feliz! parabens bom texto!

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  2. Fantástico... Revejo alguns momentos que se encaixam perfeitamente neste belo texto ao amor!! Como és genuína cara amiga...
    Beijos

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