27.3.11

Uma espécie de amor...

estamos de regresso, mas desta vez trazemos o caneco

Lembro-me do velho Afonso Henriques. Da bancada central e dos domingos à tarde em que ia ao futebol com o meu pai. Ainda recordo aquelas bancadas de pedra. E do meu pai festejar os golos do Vitória pegando-me ao colo.
Domingos havia em que não queria ver a bola e levava umas quantas barbies para brincar no carro enquanto, com a minha mãe, esperava que o jogo terminasse. Sou do tempo em que o mesmo cartão de sócio dava para entrar uns dois ou três. Eu própria os trazia cá fora para servir alguém que esperava para entrar.
Ainda me arrepio com a música do Dino Freitas a anteceder a partida. Lembro-me de homens pendurados em árvores. Até do Paulinho Cascavel e do desgosto que foi mudar-se para Lisboa. Lembro-me do Tanta, do Zidane, do Zahovic...Sabem do que me lembro? De estar grávida da Carolina e apanhar uma camisola (sem me mexer) que um jogador do Vitória atirou do relvado.
Lembro-me do Barcelona vir jorgar a Guimarães e lembro-me de ir a Sevilha ver jogar o Vitória. O mesmo Vitória que nunca ganhou nada. O mesmo Vitória que há bem poucos anos até desceu de divisão. O mesmo Vitória que hoje levou a Coimbra mais de 10 mil adeptos para torcer num jogo que não valia um título. Valeu apenas a presença na final da Taça de Portugal. Até nem é um feito inédito porque há 23 anos o Vitória perdeu uma final no Jamor.
Insisto, o Vitória nunca ganhou nada. E isso reforça ainda mais o "study case" que é esta gente. Esta gente da minha terra. Que inveja tenho deles. Por se agarrarem com tanta força a esta "religião". Por torcerem com tanta convicção pelo seu clube (que também é meu, não duvidem). É gente que não dorme. Gente que grita até ficar sem voz. Gente que pede dinheiro emprestado para seguir a equipa. Gente que - se preciso for - faz gazeta. É uma espécie de amor. Não tenho dúvidas. Uma espécie de amor que gostava de sentir assim...
Esta tarde, o Vitória não ganhou nada. Até já posso imaginar a "chacota" dos vizinhos de Braga que vão ironizar com os nossos festejos como se tivessemos sido campeões. A eles, lembro o objectivo da nossa época: a Europa. E já lá estamos. Ou seja, temos a época feita. O que vier de acréscimo é lucro. A eles convido a estudarem esta espécie de amor que só nós entendemos.

1 comentário:

  1. Do estádio do Vitória e dos jogos as memórias são mínimas... Toda a gente sabe que não sou adepta do futebol, e até já fiz um esforço!!!
    Quanto a esta espécie de amor, há dias em que só me apetece valorizar e deixar-me deslumbrar, há outros em que me custa esta ideia de "religião" aplicada a um grupo de homens que chutam uma bola!O que vale é o amor, é o deixar de comer para ir ao futebol... Talvez até amar mais o clube do que a sua cidade.

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