Houve alguém que se apelidou de "mãe a sério" para me abordar no meu bebé blogue que aos poucos (como minha benjamim) começa a dar os primeiros passos. São cada vez mais os que cá vêm espreitar e às vezes até dou comigo a pensar o que pode ter a minha vida de interessante. Serão jornalistas? Aprendizes de jornalistas? Amigas? Conhecidas?E depois penso que são elas, as minhas filhas que despertam curiosidade. Aqui posso escrever o que eu quiser. O meu director até costuma dizer que isto é a chiclet para descontrair antes de escrever peças que se assinam. Aqui eu posso escrever que meço mais de 1.70 quando na verdade tenho menos 10 centímetros. Está dado o mote.
No post anterior que se intitula deixem-nos ser felizes, o que pretendi foi rezar uma espécie de acto de contrição porque assumo, hoje e aqui, que sou uma jornalista que gostava de ter tido capacidades para ser...médica. E mais ainda, depois da doença do meu pai que me apanhou no início da minha formação. Vejam bem que pensei "quem sabe se tirar medicina não o salvo?". O que passa pela cabeça de miúdas de 19 anos, não é?! Mas continuando, em jeito de brincadeira incutia na minha Carolina o gosto pela medicina, dizia-lhe que seria a médica que eu não fui. E ela respondia-me "posso ser médica e cabeleireira?!. No post anterior quis responder-lhe que sim. Pode. Pode ser o que quiser desde que seja feliz. Foi essa a minha intenção. E só quem tem uma mente muito perversa (ou enfiou uma carapuça que não entendo) pode ter lido algumas entrelinhas naquelas frases. Sendo objectiva (defeito de profissão), esta senhora que se diz "mãe a sério" acusa-me de culpar aqueles pais do suicídio da filha. Só pode ter sido a si que isso lhe passou pela cabeça. Escrevi apenas a minha opinião - como de resto faço sempre aqui. Uma opinião completamente isenta e despegada da tragédia que se abateu ontem sobre essa família. Mas, uma coisa eu sei, não faltam pais que transportam para os filhos sonhos frustrados. E nem todos têm a coragem de lhes dizer que não, que não é isso que querem. Não conheço esta família, mas tomo-lhe as dores. E tira-me o fôlego imaginar o fardo que carregarão para o resto da vida. Tomara eu ter o maior coração do mundo para os ajudar a dividir a dor. Porque sou mãe a sério e não sei o que será daqueles pais. Deixo-lhes toda a minha solidariedade.Se tivesse à sua frente, se pudesse contar-lhe na cara o que vi e não me deixou dormir toda a noite, diria-lhe que não me conhece e que não lhe admito tal precipitação de julgamento. Diria ainda que é péssima na interpretação e que pelo menos até Domingo este ainda é um país livre. E sim, posso opinar.
E por mais que me esforce não consigo entender o seu comentário completamente despropositado e errado. Não me use - não use as minhas palavras que assumo porque a verdade é que todos sabem quem sou - para dizer quiçá o que lhe passou pela cabeça.
Àqueles pais ofereço todo o meu amor...porque sou mãe a sério e fico com o coração em pedaços de supor por meio segundo aquele sofrimento.
Andreia Lopes
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