Há uns anos (uns bons anos), fiz com os meus pais uma viagem fantástica. Nós (apenas os três) e uns tios. Éramos cinco pessoas e dois carros. Percorremos Portugal; Espanha e França, do norte ao sul. Visitamos o Mónaco e passamos a fronteira para Itália. Conhecemos cidades fantásticas. Sempre de carro. O meu pai de mapa na mão, muitas estradas e quilómetros fora. Lembro-me de passar no país Basco de madrugada e achar aquilo tenebroso (uma espécie de Iraque), mas apaixonei-me pelo sul de França. Conheci cidadezinhas que não sabia que existiam. Daquelas dignas dos filmes franceses. Vi túmulos de soldados que lutaram pelos Aliados na 2ª guerra. Subi ao Mont Blanc e passei de 30 graus para 10 negativos. Até estive numa festa popular francesa e fartei-me de comer e beber aqueles sumos que parecem desodorizantes (que se misturam com água) e aqueles queijos e compotas. Mas o mais curioso é que em casa de portugueses emigrados comemos um pica no chão (ou um era um parente qualquer).
Hoje estou com ideias estranhas (charamar-lhe-ia, felizes). Apetece-me fazer algo do género. Sem GPS. De mapa. Quiçá pelo ar. Mas quero sair. Acordar com a minha almofada, mas noutra cama. Experimentar outro pequeno almoço. E (como diz a minha Kiki) explorar...
Pois não sei se vai dar. Por isso, por hoje, vou-me desforrar em compras. É ponto assente.

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