28.9.11

Farta de caminhar no trapézio. Não é equilíbrio se faço esforço para não cair. Se só não caio porque mantenho os braços abertos.

25.9.11

S Day

Hoje não vamos a fnac. Porque hoje e "S" day. Dia do sono? Nada disso. Shopping day!!! Já mereço depois de tanta abstinência.

23.9.11

Isto sim e o bichinho do futebol

O Porto acabou de marcar. E um homem saiu da casa de banho a correr literalmente com as calcas na mão!

Ando mais implicativa que um encarregado de fábrica

Decepcionante condição humana




Além da entrevista do “morto” na manhã de ontem o resto do meu dia foi (?) decepcionante. That’s the word. DECEPCIONANTE!
A meio da tarde recebo um SMS a dizer que o meu automóvel (já) estava pronto. Ena!!! Uma semana depois está pronto!!! Isso é que é eficiência! Caramba, estou impressionada!!!
Nesse caso, vamos lá telefonar ao vendedor e lembrar-lhe da promessa aquando da aquisição da viatura há cerca de um ano.
-       Olá boa tarde, como está?
-       Olá, tudo bem. Oh pá você teve uma sorte!!!
-        - Desculpe. Não deve estar a ver quem é. Eu sou a azarada que ficou com a bebé presa no carro e vai daí teve que quebrar o vidro!!!
-        - Pois eu sei. E então? Teve uma sorte do caraças. O gajo simpatizou consigo...nós assumimos o vidro.
-       Meu caro senhor, estará certamente equivocado. O gajo não simpatizou comigo (isso seria inédito), nem eu tive sorte. Só havia duas hipóteses: assumir o vidro ou assumir o vidro.
-       Não diga isso, mais ninguém lhe fazia isso. O carro não se trancou, foi você que o trancou, foi você que partiu o vidro e teria que o pagar, mas nós ficamos sensibilizados com a situação e assumimos.
-       O senhor está a insinuar que eu fui a responsável pela situação e menti? É isso?
-       Com certeza, a senhora sem querer trancou o carro...
-       Oiça lá... (respiração abdominal) Ok, não oiça. Não extravase as suas competências, o meu assunto consigo é outro. Estou aqui para lhe cobrar o pagamento da primeira revisão do automóvel conforme combinamos aquando da sua aquisição...
-       Eu já imaginava (risos), mas não vou assumir isso...
-       Eu também já imaginava e tive absoluta certeza quando começou a disparatar mal me atendeu a chamada...
-       Eu disse que oferecia a primeira intervenção do automóvel...
-       Muito bem. Esta é a primeira intervenção do automóvel.
-       Ah, mas era a primeira intervenção até aos 5 mil quilômetros.
-       Amigo eu não entendo nada de carros, mas parece-me completamente descabido uma intervenção aos 5 mil quilômetros. Queria que lhe trouxesse o carro para ver se as jantes estavam limpas???
-       (risos) está a ser irônica...
-       Ena, brilhante conclusão...

De modos que foi isto, mas não se ficou por aqui.

Antes de regressar a casa, faço um desvio ao Lidl para comprar pão. Eu e as crianças. A Constancinha vai no colo porque sempre é melhor mantê-la por perto do que correr o risco de ter de a procurar entre embalagens de fraldas.
Era a bebé num braço; uma embalagem de leite no outro; um pacote de papa e um saco de pão.
Dirijo-me para a caixa prioritária que só por acaso tem pendurada bem por cima uma placa amarela com as prioridades e como sei que a funcionaria me ignoraria, aproximo-me. E sou surpreendida por uma voz estridente e irritante, “não vai para a fila porquê?”. Respiração abdominal... Olha porque será??? Agora é que me tramou com uma pergunta tão difícil. Ninguém elevou assim o grau de dificuldade de uma questão desde a professora Irene no meu 5º ano de escola.
Talvez porque estou com uma criança ao colo numa caixa prioritária...? Serve??? E aponto para a placa bem por cima da cabeça dela.
A rapariga ri-se nas minhas costas.
 - a menina acha piada a uma mãe carregada no supermercado a beneficiar da sua condição de atendimento prioritário conforme dita a nossa legislação?
- eu posso achar – responde a jovem energúmena.
 - a sua falta de formação é que é motivo de piada.

De modos que foi isto.

22.9.11

Responde lá M




Perguntei à M  o que é suposto uma madrinha ser. Ela respondeu: “eu sou uma boa madrinha. Visito o meu afilhado pelo menos uma vez por semana. Vou com ele ao cinema. Levo-o ao parque. Mas o essencial é ele ganhar confiança em mim. Não me chama madrinha, mas eu não me importo”.

Acho que a última vez que a madrinha da minha filha mais pequena a visitou foi no Natal.
Na Páscoa fomos nós a casa dela e quando esteve em nossa casa foi para o aniversário da Carolina (e aniversários não contam). Chegou atrasada, já depois dos parabéns.
Mais tarde, no aniversário do filho convidou a Carolina para o jantar. Mas, não convidou a Constança para cantar os parabéns. Ela adora cantar os parabéns. Apagar as velas. No meu aniversário cantamos meia dúzia de vezes e mais fossem para lhe fazer a vontade.
A Constança não a conhece. Nem se deve lembrar de a ter visto. Diz tantas palavras, mas não conhece a palavra “madrinha”. É pena. Lembro-me bem quando a minha afilhada, ainda mais pequena que a Constança, me começou a chamar madrinha. Babo quando me dizem que ainda hoje tem fotos minhas na parede do quarto. E só eu sei como lamento a distancia (geográfica) que nos afasta.
A relação da Carolina com a madrinha é diferente. Não é a ideal, mas é diferente. A madrinha da Carolina é a sua única tia. E há quem jure que são parecidas. Reconheço semelhanças evidentes, como as sobrancelhas vastas, o cabelo liso e forte. E em matéria de físico, de corpo, admito que são iguais. São mesmo. Não tenho dúvidas que a madrinha da Carolina nutre por ela um afecto muito especial, mas também não o manifesta como seria de esperar. Não o traduz em visitas ou em finais de tarde no parque. A última vez que se viram foi há cerca de três semanas. Não é o ideal. Talvez eu seja exigente de mais. Talvez eu cobre de mais - o meu homem queixa-se tantas vezes. Mas cresci assim e não sei viver de outra forma. Outros não se importariam de um colega de trabalho que chega e não diz boa tarde. Eu reparo e reclamo para mim. Mas custa alguma coisa ser bem educado? Custa alguma coisa respeitar alguns princípios e promover a proximidade? Custa esperar que eu termine o jantar para sair da mesa?

O dicionário diz que madrinha é uma mulher que serve de testemunha em batizado ou casamento; mulher que dá o seu nome a uma coisa. No Brasil diz-se que é a égua que vai à frente da récua servindo de guia, protectora.
É isso que se espera de uma madrinha. Confiança. Protecção. Não se espera a rosca na Páscoa ou o presentinho de circunstancia no Natal ou no aniversário. Espera-se um telefonema a perguntar como se está a dar no colégio? Espera-se solidariedade com a afilhada. Espera-se uma foto na estante da sala. Sim M, visitas, idas ao cinema e idas ao parque, também.


Hoje entrevistei um morto

Não é nenhum dos segredos da casa mais famosa do país. Nem sequer é segredo porque já o apregoei no facebook. Esta manhã entrevistei um senhor delicioso (morto, mas delicioso). É um achado para os jornalistas e nem sei como se tem mantido tão discreto com uma história destas. Cá por mim, até estou agradecida. Por o ter encontrado por acaso. E por se ter mantido, assim, discreto.
E mais não digo.

Posse



ei-las!

A Constança tem um enorme sentido de posse. Antes de qualquer palavra coloca o pronome possessivo “minha”. Quando se me dirige é sempre “mia mãe; mia mãe”. Ontem enquanto descíamos as escadas até à garagem saiu-se com esta, “mia mana, mia mana, à mão”.
A mana derreteu-se, “esta bebé é uma fofura”.

21.9.11

Madrinhas





A minha madrinha morreu quando eu tinha 7 anos. Foi a primeira vez que entendi (senti) o peso que a morte tem na vida. Foi a primeira vez que senti o sufoco de um problema sem solução possível.
Lembro-me bem desse dia. Lembro-me da minha avó estender a roupa na garagem da minha madrinha e me dizer que ela tinha melhorado. Lembro-me de um telefonema com uma mensagem completamente estúpida, “olha, diz à tua mãe que a tua madrinha morreu”. Assim, como estivesse a avisar que o queijo no Intermarché está a 4 euros o quilo. Não precisei de lhe dizer porque a minha mãe já sabia. Já se acabava em prantos, estendida no sofá, porque naquela manhã acabara de perder a irmã que mais gostava. A irmã que lhe batizou a única filha.
Talvez não fosse suposto uma criança de sete anos, desatar a chorar. Mas eu chorei. Molhei de lágrimas o vídeo ao lado do telefone.
Uma vizinha insistia em explicar-me o sentido da morte. Bolas!!! Eu sei o que é morrer. É desaparecer. Sei que não a voltarei a ver. Acabaram-se os passeios; os Natais; acabaram-se as tardes de sábado a brincar com os insectos de prata que trouxe de França; acabou-se a rosca que exibia no pulso como a mais valiosa das pulseiras. Acabou-se! E o pior era que eu, sempre tão desenrascada, não tinha, para aquela situação, uma solução. Não era capaz de mudar nada. Não tinha como secar as lágrimas da minha mãe. E as minhas.
Vi no rosto, seco de lágrimas, da minha avó, a mais triste das mulheres. Porque naquele dia perdeu uma filha. Velou-lhe o corpo gelado. Enterrou-a.
Passaram mais de 20 anos (22, para ser objectiva). E hoje, tenho a indelével certeza que se tivesse percorrido este troço com a minha madrinha, tudo seria diferente. Para melhor. Ela faltou a muita gente. À filha, que deixou órfã com 9 anos. À minha mãe (e que falta lhe fez). E também a mim. Não tenho dúvidas.
Já não choro por ela e há muito deixei de a procurar de baixo da cama, mas sei que a vida de todos nós seria bem diferente se a tivéssemos vivido com ela.
Sete anos da minha vida foram fracções de segundo. Um tempo que no presente parece nem ter existido, mas que bastou. Para entender que a minha mãe não podia ter sido mais acertiva quando a escolheu para minha madrinha. Porque 22 anos depois ainda lembro o seu sorriso. De mulher forte e destemida. De bem com a vida. Ainda lembro as últimas palavras que lhe ouvi, já no leito de morte.
A minha mãe acertou em cheio com aquela escolha. Mas, nem sempre somos felizes.

Tivemos deveres

Primeiro, trouxe desenhos para pintar, mas era um bocado à vontade do freguês e nem sempre o freguês tinha vontade. Ontem, pela primeira vez, trouxe deveres a sério (este pintainho fofinho que podem ver na imagem). Sentou-se ciente da tarefa. Teve o cuidado de afastar o caderno da irmã não fosse a mafarrica tecê-las. Três "is" depois estava farta.
 - Mamã, podes acabar por favor?
 - Não, não posso. Isso são os teus trabalhos de casa. Tens que os fazer.
 - E pronto, misturamos os teus com os meus e assim acabo mais depressa.
 - Não!!!
E lá continuou, primeiro com "is" que pareciam triângulos. Depois com "is" que pareciam estacas.
 - Vamos apagar tudo e fazer bem.

 - Posso pintar primeiro as patas do pintainho?
 - Não. Termina os "is".

20.9.11

Actualização



O vidro para o carro vem de França. Ainda não chegou. Continuo de carro gentilmente emprestado pelo engenheiro que hoje me acusou que esse dinheiro lhe sai do (próprio) bolso.

Edição de 21 de Setembro: done.

Estou cansada. E com fome. Devo estar a ovular tal é a minha vontade de açambarcar géneros alimentícios  das mais variadas origens (não, não estou grávida).

Estou curiosa para ouvir as pérolas que esta noite sairão das bocas das concorrentes da Casa dos Segredos (isto se conseguir manter-me acordada).

A Carolina apaixonou-se pela criança da nova novela da SIC e pelos cães. Posto isso, propôs-se a uma salutar convivência com as suas próprias cadelas. Sem gritos e escaladas para o fogão.

Este final de tarde temos novo teste de adaptabilidade entre a Constança e a banheira. A verdade é que não temos evoluído muito e continua a chorar baba e ranho. Gruda em nós como uma lapa. Reconheço, a minha filha não gosta do banho.

e terminou assim

as manhãs da Fnac

continuou assim





Carolina olha está ali um pónei! Ops, afinal é um cão!







Feira Afonsina de Guimarães

O meu fim de semana começou assim

Não fui assaltada. Sou a autora moral do acto. E não o sou de facto porque uma donzela não tem força para quebrar um vidro.
Não acreditem quando vos disserem que a máquina tem sempre razão. Porque não tem. 
O meu automóvel não tem chave. Tem um cartão que funciona com sensores. Quando o comprei achei a melhor coisa do mundo. Não ter de bagunçar a bolsa à procura das chaves era a melhor invenção depois da gilete Vénus. Bastava aproximar-me que o bicho pressentia o cartão e abria-se. So far so god...até à passada sexta feira, em que me aproximo, abro a porta do pendura, pouso a bolsa, fecho a porta, abro a porta traseira, coloco o meu bebé na cadeira, aperto-lhe o cinto, dou-lhe um beijinho, fecho a porta, dirijo-me para o lugar do condutor e sou surpreendida por um "pi-pi". Oi? Pi-pi? E eis que a máquina se tranca. Do interior, Constancinha, chamava. Eu sorria-lhe. E respirava para tentar manter a calma e agir. Primeira coisa, pedir um telemóvel. Ok, muito obrigada, mas minha senhora, o seu telemóvel não tem saldo. Senhor, desculpe, não me deixa fazer uma chamada, a bebé está presa dentro do carro. Obrigada. Nelson, corre para o colégio, a Constança está presa dentro do carro. Ai porque o momento não é nada oportuno. Estou ocupadíssimo. Ok. Vou-te explicar como se tivesses cinco anos, A carrinha fechou-se com a Constança lá dentro. Isso, processa a informação. Da UM ao colégio seriam 5 minutos, em circunstancias normais. A uma sexta feira, perto das 18 horas, demoraria uma meia hora.
Constancinha deixa de acenar com a mão. Começa a chorar. E sua...parecia acabadinha de sair do banho.
Esqueçam. Tiro a sandália e começo a bater com ela no vidro. Uma e outra vez, com toda a força, mas ele nem estala.
Alguém tem força para quebrar este vidro? Aparece o senhor do telemóvel de paralelo na mão. Atirou-o uma e outra vez, até o partir. Ainda se feriu. 
E assim foi.
É óbvio quem vai pagar o vidro.

19.9.11

Hoje vou à bola!

será que não estava melhor no sofá a ver a Casa dos Segredos?

O que já não acontece aí há uns dois anos. 
No vizinho do lado - estádio D. Afonso Henriques - o Vitória recebe outro vizinho, o Braga. Vou só a casa vestir o colete à prova de bala (ainda bem que o trouxe do Iraque quando lá estive em reportagem) e corro para o campo.
Vamos ver se o bichinho do futebol volta (I don't think so, but...)

16.9.11

Luta diária




Esta semana pequena Constança já partiu três objectos: um copo, um perfume e uma jarra. Para não lhe ficar atrás comprida Carolina partiu um grande jarrão. E assim vamos, de caco em caco.
Mas o melhor é o ambiente profissional. É tão bom quando não nos custa nada acordar de manhã e vir trabalhar. Quando dizemos um bom dia sorridente e nos devolvem o cumprimento na mesma proporção. O dialogo constante, a entreajuda, o reconhecimento. A troca de emails. A enriquecedora troca de emailS...
Que pena já ser sexta feira...

Magia




Entrevistei um mágico. Um jovem mágico que trazia consigo dois baralhos de cartas e uma ficha de poker, mas que se tinha esquecido da caneta de felpo. Fez-me dois ou três truques de cartas, um dos quais em que vomitou a carta onde eu tinha escrito o meu nome.
Estávamos numa esplanada e aos poucos juntaram-se curiosos. Queriam ver magia. O mágico queria faze-la e se não o interrompesse brindava-me com um espectáculo que perduraria.
O mais impressionante foi um truque de mentalismo. Não sei como fez, mas posso assegurar que adivinhou a carta que eu tinha escolhido. Pediu-me que o olhasse nos olhos. Senti-me nua!!!

15.9.11

Monumental birra matinal



Ouvi gritos quando esta manhã estacionei o carro à porta da escola. Imaginei que fosse um bebé numa monumental birra matinal (ena, até rimou). Não era. Era, afinal, uma criança de seis anos de idade da turma da Carolina completamente aterrorizada com a ordem de entrar no estabelecimento de ensino. A mãe – em desespero – tentava persuadi-la. Falava-lhe, primeiro, a bem, depois a mal. Era um corre e foge e puxa para cá. A miúda gritava. Esperneava. Tremia. Tudo isto perante uma assistência de mais de meia dúzia de pessoas.
A professora com um olhar desgostoso como que a dizer “eu juro que não fiz nada”.
Alem da mãe já se tinham juntado mais uns quantos, entre docentes, funcionários, vizinhos numa tentativa inglória para convencê-la a entrar.
Tenho para mim que a Carolina não entendeu nada daquilo. Não falou, mas pelo olhar que me fez pareceu-me confusa com aquela birra.
Pelo que sei a cena prolongou-se para lá de uma hora.
Deus ilumine estas crianças. E estes pais. E já agora, anime estas professoras.

Das Cinderelas da vida





Em boa verdade nunca fui apreciadora de princesas. A minha infância foi Dartgnan, Tom Sawyer e da Disney preferia o Rei Leão e o Donald.
Nunca tive paciência para gatas borralheiras de vassoura na mão e lenços de papel no bolso do avental que serviam para enxugar as lágrimas enquanto o trote do cavalo tardava em ouvir-se. A ingenuidade da Branca de Neve que se deixou enganar duas vezes pela madrasta também não combina comigo.

Já não sofro por amor. Mas sou adepta do “felizes para sempre”. Especialmente se o percurso for feito em parelha. Viver só não faz sentido. Preciso de um corpo deitado ao meu lado. De uma luz acesa. De uma meia no chão.
Não me apaixono com “essa”facilidade. Não suspiro pelos senhores da Segurança Social. No meu quotidiano não dispo a capa de inalcançável. Não calço chinelos. Não desço do tacão. Não arrisco (como sabes). Mantenho a linha invisível que me separa dos outros.
A barba é um elemento essencial.
Tu sabes que sei que somos diferentes. Sei que preferes o trote aos 170 cavalos do desportista, espadaúdo, de sapato vermelho e louis vitton na mão. Sei que te chocas quando te digo que bondade e inteligência não pagam contas (dito assim, até eu choquei). Mas, esta não é só a minha verdade. É irrefutável.
Amor, uma cabana e um computador e viveríamos assim...dois? três meses? Então e o felizes para sempre???
Em boa verdade, invejo-te, pelas borboletas que o pianista te provoca. Invejo-te pelos arrepios que sentes ao ver o mal amado Tom Cruise. Invejo-te por rires com a facilidade com que choras.
De todas as vezes que me perguntam de ti, como estás, com quem estás, não sei responder.  Invariavelmente devolvem-me os comentários que te são familiares, “tão bonita, tão boa rapariga...”. E eu não sei responder. Enquanto não souber vou continuar a insistir... como uma adorável mãe preocupada com a exagerada pronúncia nortenha, com a troca do não pelo “num”, da mãe pela “mainhé”.

14.9.11

Vou ser telegráfica. E silenciosa. Houve uma revolução no jornal. E mais não digo (por agora).

Crise?





Começo a ficar farta da palavra “crise”.  Ouve-se mais que um “bom dia”. Encontramos uma conhecida na rua e depois dos cumprimentos segue-se a pergunta da praxe “está tudo bem”. “Devolvem-nos um “tem que estar, né, mas está difícil com a crise”. Pois, a crise é tramada realmente. Já gahou o estatuto de uma prima afastada. Intrusa. Pediu-nos para ficar dois dias e sem dares por ela já tem a escova de dentes na casa de banho. A crise mudou-se para milhões de lares, e não foi só na Europa. Não poupa governos, organismos públicos, chefias...Só poupa o futebol e os seus intervenientes que se passeiam com quilos de ouro ao pescoço em topos de gama, alguns que nunca foram entregues porque entretanto quem o encomendou morreu na estrada a 260 à hora.
Eu sou péssima com números. Não entendo de economia nem de finanças. Se calhar nem devia estar a escrever sobre isto... Talvez,  hoje o cenário seja pior, mas a verdade é que quando cheguei ao jornal há 10 anos atrás já se falava num país pobre à beira mar plantado acostumado a seguir na cauda dos parceiros europeus. Nós ganhamos menos e pagamos mais. Mas isso é novidade para alguém? Gastamos o (pouco) que temos e endividamo-nos se não o tivermos, mas não podemos ficar sem o iphone ou a criança sem a playstation. Compramos perfumes como nenhum outro povo europeu. Temos um para cada dia útil da semana e dois para cada dia do final de semana. Vamos ao cabeleireiro duas vezes em sete dias e fazemos madeixas de dois em dois meses. Pagamos para que nos pintem as unhas porque é impensável pousar a Vogue francesa dois minutos para o fazer. Alem disso, como a folhearias com o verniz por secar?  Torcemos o nariz às marcas brancas e juramos a pés juntos que o leite sabe mal e a água não cheira a água. Não usamos os transportes públicos. Se o carro estiver para a revisão ou exigimos uma boleia ou chamamos um táxi. Algumas vezes não vamos trabalhar. Ao entrarmos em casa, pousamos a bolsa na sala e ligamos a TV. Dirigimo-nos para a cozinha, abrimos o frigorífico para beber água e ligamos (outra) a  TV.  Como o tempo voltou a aquecer optamos por não abrir as janelas e ligamos o ar condicionado. Agora que o ambiente ficou à nossa medida apetece-nos um pouco de musica para descontrair. Ligamos o som e de uma assentada o computador também. Subimos para o banho. Mais uma TV no on. E o rádio também. Enquanto isso, a água verte. A banheira está quase cheia. Quando nos apercebemos já é tarde e temos de esvaziar um pouquinho para não entornar a água. Vai que as miúdas entram e escorregam!
Afinal estava a falar de quê? Da crise? Qual crise?

13.9.11

Não me interpretem mal

Começou hoje no tribunal das Caldas da Rainha o julgamento de um alegado etarra que habitava uma casa em Óbidos. Como é costume, entre os membros da organização separatista, também Andoni Fernandez se manteve (quase) sempre em silêncio na sala de audiências. E só o interrompeu para fazer uma correcção. A tradutora atribuiu a sua naturalidade a "Bilbao, Espanha". O arguido corrigiu, "Bilbao, País Basco".

Apesar do silêncio, uma intervenção ainda que tão curta, foi entendida como uma declaração de culpa.

Mas, os gajos são teimosos. Firmes nos ideais. E é (só) disso que falo. Não sou espanhola. Nem pró-ETA. Sou medricas. Não gosto de bombas. E tenho um trauma de infância associado a um caneco de água a ferver. Por isso, não especulem.

Não é em Setembro que se começam a comprar os presentes de Natal?

Esta manhã ao pequeno almoço



Pai: vão ali buscar o jornal, vá rápido antes que alguém lhe pegue.

A Carolina agarra na mão da Constança e partem, ambas, entusiasmadas com a missão que lhes foi confiada. Sabem da sua importância porque assistem todos os dias à competição feroz de quem se apropria primeiro de O Jogo.

Regressam a correr de jornal na mão e entregam ao pai. Felizes. Cientes do êxito.

Pai: obrigada, vocês são as maiores.

Ops!!!! Mas isto não é O Jogo, é a Dica da Semana do Lidl.

12.9.11

O primeiro dia do resto da tua vida




Sugere que estamos a começar o dia, mas é pura ilusão. A esta hora, já tinha começado há duas horas atrás, entre as tarefas rotineiras de mãe de família e profissional de sucesso. É verdade que cortei o cabelo, mas isso não se reflectiu em tempo ganho na hora de o pentear. Preciso do meu tempo - para mim. E do meu tempo - para elas. Para as vestir e alimentar e desenganem-se não estamos a falar de 5 minutos.
Depois disso, assim se começa o dia... o primeiro dia! Que sejas feliz neste novo degrau.

10.9.11

Das evidências

Perdi a cabeça e cortei o cabelo. Não foram umas pontinhas mais secas do Verão. Cortei efectivamente o cabelo e o melhor de tudo é que gostei.

Ainda assim quando a Carolina me viu não disse se gostou, ou não, da mudança. Limitou-se a colocar-me uma questão:
"Mãe, não eras capaz de fazer isso comigo, pois não?"

9.9.11

Público vs Privado



Vestia blumarine. No cabelo um laço branco XL. Estava solto porque o dia já levava muitas horas e quando assim é não aguenta o apanhado. Não saiu de casa sem o blush e o baton. Continua renitente ao rimel porque de vez em quando ainda chora, seja pelo pão que não quer terminar ou pela goma que come em cima do almoço. Chegou de carro embora tivesse reivindicado uma caminhada até à escola.
Não encontrou a S, a L, nem a M. Encontrou meninos suados já fartos de correr. Encontrou mães e avós de  aventais com as molas da roupa esquecidas. Chinelos nos pés e mãos na cinta, ar apressado, porque o estrugido ficou ao lume. A sopa acabou no almoço e só lhe ocorreu fazer um tacho de arroz. Depois da reunião desenrascava-se com salsinhas e ovos. Algumas tinham crianças no colo. Causou-lhe especial estranheza o facto de falarem sem erguer o braço. Nem tanto de trocarem os "v" pelos "b"ou de conjugarem mal os verbos, mas de atropelarem as suas frases com as da professora. De não respeitarem a premissa que aprendeu nos últimos quatro anos, "enquanto um menino fala, os outros ouvem". Ninguém ouvia. Pior, ninguém parecia interessado em ouvir.
No recreio, a maioria dos meninos tinha desaparecido. Correu para casa. Tinha nas mãos a nota de boas vindas, a lista do material e algumas regras e conselhos para o arranque do primeiro ano lectivo. Sentou-se na cadeira, colocou o cinto e perguntou, "depois de comprarmos o material posso voltar para o meu colégio?".

8.9.11

Reunião na escola




Hoje tenho reunião na escola da Carolina. A primeira. Não sei o que me espera. Não sei, quem me espera. Ela ainda não entendeu muito bem até que ponto vai mudar a sua rotina. Ela só entenderá que vai para a escola quando chegarmos a casa com sacos a rebentarem de material escolar – do que vai precisar e do que eu e ela acharmos apenas giro. Ela só vai entender quando na próxima segunda feira entrar na escola de mochila às costas; dirigir-se à sala e ocupar uma das mesas. Para já, o único entusiasmo, alem da compra do material, é escrever no quadro.

Teimam em dar-me vinho



Acabei de chegar de uma entrevista e trouxe comigo...vinho! Será que tenho cara de quem gosta da pinga? Se tiver é a prova viva de que quem vê caras não vê corações porque eu não bebo vinho! Quase não bebo nenhum tipo de álcool. Mas, faço aquela cara de constrangida e digo "ah, não é preciso", mas não vou fazer desfeita, né?

Tema tabú



Impressionados?! Não falei da Constança, nem da expressão aterrorizada enquanto a educadora a tirava dos braços do pai? Desisti. Não abordo mais o tema. Mas, prometo contar da primeira vez que ela ficar a sorrir e se despedir, pacificamente, de mim.

Dar aos dedos



Tenho - para já - 23 mil caracteres para corrigir e note-se que ainda não terminei de bater a entrevista.

7.9.11

Day: 2




Encontreia-a a baloiçar, com um olho aberto e outro fechado, mas ambos inchados. Parecia rendida. Àquela hora já tinha atirado a toalha ao chão. Depois de muito choro – seco de lágrimas, segundo a Tuca – percebeu que eu não a ouvia.
Quando a chamei pulou do baloiço e correu de braços abertos para mim. Já no colo atirou beijos e repetiu o famoso “temanhá”. Chamou a mana, a vovó, até a vizinha.
Quando lhe perguntei pelos bebés respondeu-me com a expressão que faz quando finge que chora. Imagino a animação.
Esta manhã piorou. O cavalo não me valeu de nada. Nem o baloiço. Agarrou-me e não queria largar por nada.
Isto não se faz! 

6.9.11

Ai que nunca mais te pego



Já passaram mais de 8 horas desde que deixei o meu pintainho. Estou numa ansiedade tal que...ainda não parei de mexer no cabelo! Na, estava a tentar distrair a angústia. Quem me conhece sabe que não paro de mexer no cabelo, mas garanto que me estou a esforçar por deixar o vício.
Já me passou tanta coisa pela cabeça, mas prefiro não pensar em nada. Estive todo o dia a carregar no stop. Se chego lá e me deita aquela beicinha como que a maltratar-me, a castigar-me, amanhã não a levo. Meto baixa. Finjo-me de morta quando o telemóvel despertar. Assobio para o ar. Invento uma tendinite.

O primeiro dia de colégio



De certeza que pensou que era fim de semana. Foi ao café, passeou vaidade, distribuiu sorrisos e olás. Minutos depois estava numa sala com música, bebés e brinquedos. Adultos estranhos, também. Era evidente no rosto - na expressão - que desconfiou daquilo tudo. E não cedeu à tentação de saltar para o cavalo. 
A mana olhava-a - solidária - encostada à parede. Se lhe pudesse explicar, estou certa que lhe diria, "Constança, a mamã vai-te deixar aqui!!! Vais ter que adormecer sozinha sem o peito da vóvó e comer a sopa sem a galinha pintadinha do iphone da mamã. Não há televisão. Nem dvd's e não poderás ver o shrek ir buscar o Artur para assumir o trono de Bué, Bué Longe. Também não te vão dar gelados. As horas vão demorar a passar até a mamã voltar a aparecer. Oh minha irmã, não te deixes enganar! Agarra-te às pernas da mamã como tão bem sabes fazer e chora...chora como se não houvesse amanhã. Pode ser que assim lhe amoleças o coração".
Não chorou. Aproveitei-me de uma distracção e saí. Eu, a Carolina, o Nelson. Respiramos fundo. "Ah ela fica bem. Aquilo é o paraíso dos bebés", disse ele. Eu e a Carolina continuamos caladas... De modos que não garanto que não desate aqui aos prantos a qualquer momento.


5.9.11

Acabaram os treinos




Depois de uma semana a treinar, hoje o campeonato começou a valer.
Ontem, antes de dormir, o despertador foi antecipado 1 hora. Às 7 da manhã, o maldito toca em alvorada. Primeiro, pensei ceder à preguiça mais uns minutinhos. Depois, a voz da minha razão soou-me num tom ríspido e ordenou-me que me pusesse a mexer.
Leites, papas e afins, televisão na dois e duas crianças despertas (uma mais que outra). Ah (!) e o meu neto! A Carolina não esquece o Nenuco. Todos os dias lhe muda de roupa, enfia-o no carrinho onde pendura o saco das mudas e pergunta “mãe, achas que está frio?”. Enquanto deambulo na cozinha tipo Maria quando se esgueira para dentro de casa, respondo, “sim, a esta hora ainda está”. “Então tenho que lhe ir buscar a mantinha dele”.
Uma hora e meia depois das 7 está tudo instalado no automóvel. A Carolina, a Constança e o Nenuco. Não correu mal para primeiro jogo.
Amanhã vai doer mais. Minha benjamim estréia no colégio. Eu espero não ceder às benzodiazepinas. 

2.9.11

Pulga atrás da orelha




Ainda desfrutava das férias e já uma pulga se tinha alojado atrás da minha orelha. Diariamente, abria a caixa de correio e nada. E a maldita da pulga que já não se punha a mexer com uma simples sacudidela.
Comecei a trabalhar...E a pulga crescia...crescia... Vai daí, pego no telefone e ligo – insistentemente – na tentativa de encontrar a solução para a pulga que se apossara de mim. Voltei a não ter sucesso.
Esta manhã, quando o colégio abriu finalmente portas apos o período de férias, corri para lá, ao raiar do dia. Ainda com a pulga atrás da orelha. Quando lá cheguei a matreira da irmã assumiu que se preparava para me fazer uma rasteira e assobiar para o ar. Mesmo depois de eu ter matriculado a Constança em Abril, ter pago jóia e associação de pais, ela preparava-se para a deixar de fora. “Não tem mesmo quem fique com ela mais um ano?”. É claro que não tenho!
Rapidamente se desfez o equívoco porque afinal a reunião com a educadora já estava agendada e tudo.
Adiante, porque já lá estava, fiquei para a reunião que não me tinha sido avisada pela habitual carta que chega ainda no decurso das férias (num acto maldosamente premeditado). A educadora deixa Kiki e pega em Constancinha. Lá expliquei que uma das palavras que mais irá ouvir na hora da sopa é o “nananananão; nananananão...”, mas que tem de insistir porque o que custa é começar. Também alertei para os pequenos caninos afiadinhos prontos a entrar em acção e para outras habilidades que a Constança já aprendeu não tivesse ela a escola da irmã.
Agora que a pulga saiu só tenho de lhe agradecer pelo aviso.

1.9.11

Uma bela quinta feira



Hoje comecei o dia com a bela notícia que o meu crédito habitação sofreu uma "ligeira" subida, como classificou o atencioso funcionário bancário. Ora, foi pena não ter um dicionário à mão e rever com ele o significado de "ligeira". 40 euros não me parece tão pouco quanto isso. Mais ainda numa altura em que se preparam para ir-nos ao bolso de todas as maneiras possíveis e imaginárias. Vamos ver, por exemplo, a luz, essa descoberta maravilhosa, que sofreu mais um "ligeiro" aumento. Então, não é? Passar de um IVA de 6% para 23% é um acréscimo, assim pouco significante.
E assim se começa bem o dia numa maravilhosa quinta feira que só por acaso é o dia da semana que mais gosto.

valeu-me aquele maravilhoso Miguel no prós e contras que fez corar o ministro da economia

Que bem que come




Já disse que a minha Constança repete qualquer palavra, seja qual for o grau de exigência? Acho que sim. Mas há uma palavra, um substantivo que ela adora. Gelado!!! Ganhou-lhe gosto desde a gengivoestomatite que nunca mais parou de chupar.
Acaba de jantar e agarra-se à porta do congelador, “iado, iado, iado, iado...”. E não cala enquanto não estiver de pauzinho na mão.
E já que falo em alimentação é um gosto ver aquele pintainho de colherzinha na mão. Ela come, quase sem virar e até faz aquele jeitinho chegado ao prato para que se cair, caia no recipiente. E o que fica na baba ela vai com a mãozinha buscar.