23.9.11

Decepcionante condição humana




Além da entrevista do “morto” na manhã de ontem o resto do meu dia foi (?) decepcionante. That’s the word. DECEPCIONANTE!
A meio da tarde recebo um SMS a dizer que o meu automóvel (já) estava pronto. Ena!!! Uma semana depois está pronto!!! Isso é que é eficiência! Caramba, estou impressionada!!!
Nesse caso, vamos lá telefonar ao vendedor e lembrar-lhe da promessa aquando da aquisição da viatura há cerca de um ano.
-       Olá boa tarde, como está?
-       Olá, tudo bem. Oh pá você teve uma sorte!!!
-        - Desculpe. Não deve estar a ver quem é. Eu sou a azarada que ficou com a bebé presa no carro e vai daí teve que quebrar o vidro!!!
-        - Pois eu sei. E então? Teve uma sorte do caraças. O gajo simpatizou consigo...nós assumimos o vidro.
-       Meu caro senhor, estará certamente equivocado. O gajo não simpatizou comigo (isso seria inédito), nem eu tive sorte. Só havia duas hipóteses: assumir o vidro ou assumir o vidro.
-       Não diga isso, mais ninguém lhe fazia isso. O carro não se trancou, foi você que o trancou, foi você que partiu o vidro e teria que o pagar, mas nós ficamos sensibilizados com a situação e assumimos.
-       O senhor está a insinuar que eu fui a responsável pela situação e menti? É isso?
-       Com certeza, a senhora sem querer trancou o carro...
-       Oiça lá... (respiração abdominal) Ok, não oiça. Não extravase as suas competências, o meu assunto consigo é outro. Estou aqui para lhe cobrar o pagamento da primeira revisão do automóvel conforme combinamos aquando da sua aquisição...
-       Eu já imaginava (risos), mas não vou assumir isso...
-       Eu também já imaginava e tive absoluta certeza quando começou a disparatar mal me atendeu a chamada...
-       Eu disse que oferecia a primeira intervenção do automóvel...
-       Muito bem. Esta é a primeira intervenção do automóvel.
-       Ah, mas era a primeira intervenção até aos 5 mil quilômetros.
-       Amigo eu não entendo nada de carros, mas parece-me completamente descabido uma intervenção aos 5 mil quilômetros. Queria que lhe trouxesse o carro para ver se as jantes estavam limpas???
-       (risos) está a ser irônica...
-       Ena, brilhante conclusão...

De modos que foi isto, mas não se ficou por aqui.

Antes de regressar a casa, faço um desvio ao Lidl para comprar pão. Eu e as crianças. A Constancinha vai no colo porque sempre é melhor mantê-la por perto do que correr o risco de ter de a procurar entre embalagens de fraldas.
Era a bebé num braço; uma embalagem de leite no outro; um pacote de papa e um saco de pão.
Dirijo-me para a caixa prioritária que só por acaso tem pendurada bem por cima uma placa amarela com as prioridades e como sei que a funcionaria me ignoraria, aproximo-me. E sou surpreendida por uma voz estridente e irritante, “não vai para a fila porquê?”. Respiração abdominal... Olha porque será??? Agora é que me tramou com uma pergunta tão difícil. Ninguém elevou assim o grau de dificuldade de uma questão desde a professora Irene no meu 5º ano de escola.
Talvez porque estou com uma criança ao colo numa caixa prioritária...? Serve??? E aponto para a placa bem por cima da cabeça dela.
A rapariga ri-se nas minhas costas.
 - a menina acha piada a uma mãe carregada no supermercado a beneficiar da sua condição de atendimento prioritário conforme dita a nossa legislação?
- eu posso achar – responde a jovem energúmena.
 - a sua falta de formação é que é motivo de piada.

De modos que foi isto.

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