Ouvi gritos quando esta manhã estacionei o carro à porta da escola. Imaginei que fosse um bebé numa monumental birra matinal (ena, até rimou). Não era. Era, afinal, uma criança de seis anos de idade da turma da Carolina completamente aterrorizada com a ordem de entrar no estabelecimento de ensino. A mãe – em desespero – tentava persuadi-la. Falava-lhe, primeiro, a bem, depois a mal. Era um corre e foge e puxa para cá. A miúda gritava. Esperneava. Tremia. Tudo isto perante uma assistência de mais de meia dúzia de pessoas.
A professora com um olhar desgostoso como que a dizer “eu juro que não fiz nada”.
Alem da mãe já se tinham juntado mais uns quantos, entre docentes, funcionários, vizinhos numa tentativa inglória para convencê-la a entrar.
Tenho para mim que a Carolina não entendeu nada daquilo. Não falou, mas pelo olhar que me fez pareceu-me confusa com aquela birra.
Pelo que sei a cena prolongou-se para lá de uma hora.
Deus ilumine estas crianças. E estes pais. E já agora, anime estas professoras.

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