20.9.11

O meu fim de semana começou assim

Não fui assaltada. Sou a autora moral do acto. E não o sou de facto porque uma donzela não tem força para quebrar um vidro.
Não acreditem quando vos disserem que a máquina tem sempre razão. Porque não tem. 
O meu automóvel não tem chave. Tem um cartão que funciona com sensores. Quando o comprei achei a melhor coisa do mundo. Não ter de bagunçar a bolsa à procura das chaves era a melhor invenção depois da gilete Vénus. Bastava aproximar-me que o bicho pressentia o cartão e abria-se. So far so god...até à passada sexta feira, em que me aproximo, abro a porta do pendura, pouso a bolsa, fecho a porta, abro a porta traseira, coloco o meu bebé na cadeira, aperto-lhe o cinto, dou-lhe um beijinho, fecho a porta, dirijo-me para o lugar do condutor e sou surpreendida por um "pi-pi". Oi? Pi-pi? E eis que a máquina se tranca. Do interior, Constancinha, chamava. Eu sorria-lhe. E respirava para tentar manter a calma e agir. Primeira coisa, pedir um telemóvel. Ok, muito obrigada, mas minha senhora, o seu telemóvel não tem saldo. Senhor, desculpe, não me deixa fazer uma chamada, a bebé está presa dentro do carro. Obrigada. Nelson, corre para o colégio, a Constança está presa dentro do carro. Ai porque o momento não é nada oportuno. Estou ocupadíssimo. Ok. Vou-te explicar como se tivesses cinco anos, A carrinha fechou-se com a Constança lá dentro. Isso, processa a informação. Da UM ao colégio seriam 5 minutos, em circunstancias normais. A uma sexta feira, perto das 18 horas, demoraria uma meia hora.
Constancinha deixa de acenar com a mão. Começa a chorar. E sua...parecia acabadinha de sair do banho.
Esqueçam. Tiro a sandália e começo a bater com ela no vidro. Uma e outra vez, com toda a força, mas ele nem estala.
Alguém tem força para quebrar este vidro? Aparece o senhor do telemóvel de paralelo na mão. Atirou-o uma e outra vez, até o partir. Ainda se feriu. 
E assim foi.
É óbvio quem vai pagar o vidro.

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