22.9.11

Responde lá M




Perguntei à M  o que é suposto uma madrinha ser. Ela respondeu: “eu sou uma boa madrinha. Visito o meu afilhado pelo menos uma vez por semana. Vou com ele ao cinema. Levo-o ao parque. Mas o essencial é ele ganhar confiança em mim. Não me chama madrinha, mas eu não me importo”.

Acho que a última vez que a madrinha da minha filha mais pequena a visitou foi no Natal.
Na Páscoa fomos nós a casa dela e quando esteve em nossa casa foi para o aniversário da Carolina (e aniversários não contam). Chegou atrasada, já depois dos parabéns.
Mais tarde, no aniversário do filho convidou a Carolina para o jantar. Mas, não convidou a Constança para cantar os parabéns. Ela adora cantar os parabéns. Apagar as velas. No meu aniversário cantamos meia dúzia de vezes e mais fossem para lhe fazer a vontade.
A Constança não a conhece. Nem se deve lembrar de a ter visto. Diz tantas palavras, mas não conhece a palavra “madrinha”. É pena. Lembro-me bem quando a minha afilhada, ainda mais pequena que a Constança, me começou a chamar madrinha. Babo quando me dizem que ainda hoje tem fotos minhas na parede do quarto. E só eu sei como lamento a distancia (geográfica) que nos afasta.
A relação da Carolina com a madrinha é diferente. Não é a ideal, mas é diferente. A madrinha da Carolina é a sua única tia. E há quem jure que são parecidas. Reconheço semelhanças evidentes, como as sobrancelhas vastas, o cabelo liso e forte. E em matéria de físico, de corpo, admito que são iguais. São mesmo. Não tenho dúvidas que a madrinha da Carolina nutre por ela um afecto muito especial, mas também não o manifesta como seria de esperar. Não o traduz em visitas ou em finais de tarde no parque. A última vez que se viram foi há cerca de três semanas. Não é o ideal. Talvez eu seja exigente de mais. Talvez eu cobre de mais - o meu homem queixa-se tantas vezes. Mas cresci assim e não sei viver de outra forma. Outros não se importariam de um colega de trabalho que chega e não diz boa tarde. Eu reparo e reclamo para mim. Mas custa alguma coisa ser bem educado? Custa alguma coisa respeitar alguns princípios e promover a proximidade? Custa esperar que eu termine o jantar para sair da mesa?

O dicionário diz que madrinha é uma mulher que serve de testemunha em batizado ou casamento; mulher que dá o seu nome a uma coisa. No Brasil diz-se que é a égua que vai à frente da récua servindo de guia, protectora.
É isso que se espera de uma madrinha. Confiança. Protecção. Não se espera a rosca na Páscoa ou o presentinho de circunstancia no Natal ou no aniversário. Espera-se um telefonema a perguntar como se está a dar no colégio? Espera-se solidariedade com a afilhada. Espera-se uma foto na estante da sala. Sim M, visitas, idas ao cinema e idas ao parque, também.


2 comentários:

  1. Quando somos convidados para ser pradinhos de uma criança é como se os pais dessa mesma criança nos comunicassem que se eles faltarem confiam em nós para cuidar e proteger os seus tesouros... Se existe algum dia que ficou na minha memória foi o dia em que me convidaram para madrinha de um "piqueno traquina" fiquei tão emocionada... Depois veio a certeza de que puderia fazer muito por aquela criança e para isso era necessário criar laços, criar confiança para que ele reconheça em mim um colo que o acolherá!!!
    Ser madrinha é ser segunda mãe, a minha madrinha criou-me foi verdadeiramente uma segunda mãe e tentarei encontrar uma madrinha muito parecida com a minha para os meus rebentos... (caso os venha a ter!!)
    Eu própria quero chegar aos calcanhares da minha madrinha, que nunca foi à escola, mas que me ensinou e ensina muito!!
    Para o meu afilhado desejo tudo de bom, quero que ele seja bailarino apesar de eu saber que será mais jogador, quero muito que goste da escola para poder aproveitá-la da melhor forma e sobretudo quero que seja uma criança feliz, para ser um adulto equilibrado...
    Jurei a mim mesma que não iria ver nenhum treino do piqueno, mas ele pede sempre com aquele jeitinho que eu não resito... tudo por ele, não é?!?

    www.docesvivencias.blogspot.com

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  2. As minhas filhas têm cada suas duas madrinhas. As da mais nova são a escolha perfeita: a minha irmã e duas primas. As da mais velha são a minha cunhada (que tem sido sempre uma madrinha perfeita) e aquela que era então a minha melhor amiga, que fazia da minha casa o seu quartel-general, que seguiu mais de perto a gravidez e tudo o que se passou antes. Duas semanas antes do baptizado, arranjou um namorado novo e, mais coisa menos coisa, praticamente, até hoje. Apenas as visitas/prendas de circunstância.
    Mereceu-me este mail:
    http://oquebuscosaber.blogspot.com/2009/02/carta-aberta-uma-amiga.html

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