Não apareceu para trabalhar. Nem avisou o superior hierárquico da ausência ou do atraso. Tal atitude não era normal na "Joana" (nome ficticio, claro está) e os colegas começaram a ficar preocupados. Toca a ligar-lhe. Ora de um número, ora de outro e nada da Joana. Muitas horas e telefonemas depois aparece com umas escoriações e tal e diz que teve uns problemas para resolver. Que tinha inclusive passado no hospital e teria que voltar a sair para ser observada no instituto de medicina legal.
O marido, de quem está separada há uns bons meses, porque a enganou com uma daquelas irmãs brasileiras, que adoram vir a Portugal fazer prospecção de mercado porque ainda ninguém lhes disse que isto está tudo fodido, também telefonou a um colega da Joana a perguntar como estava:
Marido: "então a Joana?"
Colega: "oh pá, ninguém sabe dela!"
Marido: "ela aparece já por aí. Eu é que precisava de falar com ela e levei-a até à Penha".
Colega: "oh pá, falavas com ela logo, não sabias que ela tinha de trabalhar? E levaste-a até à Penha como?
Marido: "Ela disse que tinha de trabalhar e não queria ir, então eu meti-a na mala do carro e fomos, mas não lhe fiz mal".
Ah?????? Repete lá isso???? Meteste-a na mala do carro, mas não lhe fizeste mal???
O rapto quase passou despercebido aos dois (à vítima e ao agressor), mas no dia seguinte fez manchete na rádio local mais ouvida do país (dizem eles). Foi notícia na SIC e até no JN.
Isto não é cómico. É sério.
31.3.11
Voltaram as perguntas difíceis
A Carolina voltou em cheio com as perguntas difíceis. E agora deu para fazê-las de madrugada. "Mamã, os vampiros existem?". "Não, não existe nada disso", respondo. "Nem aqui nem na China?". "Não, o único monstro que conheço é uma monstra e bebe galões e leva broas para o café escondidas em sacas da farmácia". Nessa noite convencia-a.
Ontem, ainda antes de se deitar voltou à carga, "mamã, as pistolas existem?". Como sei que aquela mente é fértil em pesadelos fui obrigada a responder que não, mas aquela resposta não a convenceu. De madrugada, quis esclarecer, "mamã estava aqui a pensar, tu disses-te que as pistolas não existem, mas os polícias andam de pistolas...". Pois amanhã falamos. Tipo quando eu conseguir abrir os olhos. Quando o sol nascer.
É isto e a mania das limpezas. Nem sei que diga.
Ontem, ainda antes de se deitar voltou à carga, "mamã, as pistolas existem?". Como sei que aquela mente é fértil em pesadelos fui obrigada a responder que não, mas aquela resposta não a convenceu. De madrugada, quis esclarecer, "mamã estava aqui a pensar, tu disses-te que as pistolas não existem, mas os polícias andam de pistolas...". Pois amanhã falamos. Tipo quando eu conseguir abrir os olhos. Quando o sol nascer.
É isto e a mania das limpezas. Nem sei que diga.
30.3.11
Especulações
Ok podem parar as especulações. Não fui despedida. Nem me despedi. Também não estou inválida e como tal não me deram a reforma (malditos da Junta médica). E por último (o que vos irá deixar mais contentes seus invejosos), também não me saiu o euromilhões (ainda). Logo ainda não posso ter a vida de barbie que sempre sonhei. E pronto porque estou numa de boazinha ( o que só prova que ainda não estou totalmente recuperada), informo, hoje e aqui, neste blog sério, que tenho visto filmes e lido livros e calçado ténis porque estou de baixa médica. Porquê???? Porquê??? Alguém perguntou. Repitam lá... Não estou a ouvir...parece que a chamada vai cair...tiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii
29.3.11
28.3.11
Relíquias
Abri um baú velho que guarda os pertences da minha avó. Que é como quem diz echarpes, camisas de seda (muitas) que já não há por aí e pijamas, meias e camisolas interiores. Quando percebem que já não vamos a lado nenhum depois dos 80, em cada aniversário, passam oferecer pijamas e pantufas. Com a minha avó não foi excepção. Mas, descobrir aquelas camisas tem sido delicioso. Quando me virem com uma pecinha fantástica e pensarem "onde é que aquela p* arranja a roupa?, desconfiem que pode tratar-se de uma blusinha que tem mais de meio século de existência. Podia estar num museu, mas não, está neste cortiço fantástico mais magro que nunca.
Já tenho ali uma selecção prontinha para levar para a lavandaria, mas ainda me faltam umas meia dúzia de sacos para ver o que aproveito. E descansem os tios que até agora ainda não apareceu um camafeu ou uma joia de família.
Já tenho ali uma selecção prontinha para levar para a lavandaria, mas ainda me faltam umas meia dúzia de sacos para ver o que aproveito. E descansem os tios que até agora ainda não apareceu um camafeu ou uma joia de família.
27.3.11
Uma espécie de amor...
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| estamos de regresso, mas desta vez trazemos o caneco |
Lembro-me do velho Afonso Henriques. Da bancada central e dos domingos à tarde em que ia ao futebol com o meu pai. Ainda recordo aquelas bancadas de pedra. E do meu pai festejar os golos do Vitória pegando-me ao colo.
Domingos havia em que não queria ver a bola e levava umas quantas barbies para brincar no carro enquanto, com a minha mãe, esperava que o jogo terminasse. Sou do tempo em que o mesmo cartão de sócio dava para entrar uns dois ou três. Eu própria os trazia cá fora para servir alguém que esperava para entrar.
Ainda me arrepio com a música do Dino Freitas a anteceder a partida. Lembro-me de homens pendurados em árvores. Até do Paulinho Cascavel e do desgosto que foi mudar-se para Lisboa. Lembro-me do Tanta, do Zidane, do Zahovic...Sabem do que me lembro? De estar grávida da Carolina e apanhar uma camisola (sem me mexer) que um jogador do Vitória atirou do relvado.
Lembro-me do Barcelona vir jorgar a Guimarães e lembro-me de ir a Sevilha ver jogar o Vitória. O mesmo Vitória que nunca ganhou nada. O mesmo Vitória que há bem poucos anos até desceu de divisão. O mesmo Vitória que hoje levou a Coimbra mais de 10 mil adeptos para torcer num jogo que não valia um título. Valeu apenas a presença na final da Taça de Portugal. Até nem é um feito inédito porque há 23 anos o Vitória perdeu uma final no Jamor.
Insisto, o Vitória nunca ganhou nada. E isso reforça ainda mais o "study case" que é esta gente. Esta gente da minha terra. Que inveja tenho deles. Por se agarrarem com tanta força a esta "religião". Por torcerem com tanta convicção pelo seu clube (que também é meu, não duvidem). É gente que não dorme. Gente que grita até ficar sem voz. Gente que pede dinheiro emprestado para seguir a equipa. Gente que - se preciso for - faz gazeta. É uma espécie de amor. Não tenho dúvidas. Uma espécie de amor que gostava de sentir assim...
Esta tarde, o Vitória não ganhou nada. Até já posso imaginar a "chacota" dos vizinhos de Braga que vão ironizar com os nossos festejos como se tivessemos sido campeões. A eles, lembro o objectivo da nossa época: a Europa. E já lá estamos. Ou seja, temos a época feita. O que vier de acréscimo é lucro. A eles convido a estudarem esta espécie de amor que só nós entendemos.
26.3.11
Um sábado...não um qualquer
Choveu e voltou a chover. Não me dei ao trabalho, sequer, de me vestir ou maquilhar. Nem liguei o alisador. Botei um fato de treino e uns ténis. Passei uma água e hidratante no rosto. Prendi o cabelo. Às crias praticamente a mesma coisa (escusado será dizer que não prendi o cabelo à Constança). Pequeno almoço no café do costume e regresso ao aconchego do lar.
Ainda não tive coragem para ir comprar pão (espero o marido... que não voltou ainda dessa grande competição que é o futebol popular).
Falta-me algo. Faltam-me muitas coisas. Papeizinhos cortados. Bocadinhos de plasticina. Nenucos pela sala e todos os seus acessórios. Os conflitos com a mana...A minha Kiki foi brincar para casa da melhor amiga. Elas combinaram tudo. Eu duvidei, mas não é que à horinha tocam-me à campainha e era a amiguinha com a mãe. "Eu disse-te", gabou-se a minha Kiki que ainda ameaçou que talvez ficasse para jantar. Este meu coração não aguenta. Tanta ausência. Tanto silêncio. Tanta arrumação. Quero a Kiki. Teresa, traga-ma por favor.
25.3.11
De cabeça perdida
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| tão amiguinhos que eles eram |
*ah e também lhe chamou "figurinha menor de uma telenovela brasileira". E disse que ainda ele andava de chupeta amarela e verde (fez questão de descrever) e já ele (Queiroz) oferecia títulos de campeão do mundo a Portugal.
23.3.11
800 gramas
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| Esqueçam as previsões. As flores são da Primavera! |
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| tem ou não tem pinta? |
22.3.11
1920-2011
Nasceu no mesmo ano da minha avó que também já cá não está. E desapareceu com a bela idade de 90 anos.
Perdemos mais um dos Grandes portugueses. Um sorriso para não esquecer.
Perdemos mais um dos Grandes portugueses. Um sorriso para não esquecer.
21.3.11
Prima(Verão)
Até que enfim se respeitam as estações. É Primavera e pronto. As temperaturas fazem-lhe jus. Ainda que eu saia pouco de casa, ver o sol incomodar através do vidros sabe bem. Ajuda na terapia. Isso e as perninhas atrevidas da minha Kiki que já desespera por shirt's e short's.
Os dias cresceram. Já se nota. Domingo ficarão ainda maiores.
E por falar em Primavera, florzinhas e bichinhos, os meus estão cada vez mais gordos. Tanto que o meu sobrinho emprestado de quase dois anos os confundiu.
"Olha o que é Rodrigo?"
"São vacas", respondeu.
Pois, na verdade são cães, ou em bom rigor, cadelas.
O "piqueno" equivocou-se, mas eu até o entendo.
Os dias cresceram. Já se nota. Domingo ficarão ainda maiores.
E por falar em Primavera, florzinhas e bichinhos, os meus estão cada vez mais gordos. Tanto que o meu sobrinho emprestado de quase dois anos os confundiu.
"Olha o que é Rodrigo?"
"São vacas", respondeu.
Pois, na verdade são cães, ou em bom rigor, cadelas.
O "piqueno" equivocou-se, mas eu até o entendo.
20.3.11
A festa - O regresso dos terroristas ;-p
Sou teimosa q.b. para fazer cerca de 20 quilómetros para ir comprar um...balão. Mas, não era um balão qualquer, não senhor. Era um balão gigante, com o número 1 que custou a módica quantia de 12 euros! Vinha cheio com hélio e coloquei-o no terraço a sinalizar a festa do meu benjamim. 365 dias dela. Nem parece verdade. Foi um tsunami de acontecimentos. De momentos. De choro. De conflitos. De moderação. De nervos. De gestão. De sono. De tanta coisa. E ainda é...de tudo isso e muito mais. Nem me atrevo a dizer o que é um filho (quanto mais dois!). É tanto que às vezes duvidamos que é mesmo de nossa autoria. Mas é. Os direitos de autor são mesmo nossos. Ena, somos bons nisto. Fizemos o primeiro e não satisfeitos bora lá repetir a proeza... e não é que à segunda também resultou?! Logo a mim a quem um bolo nunca calha bem...
Esteve cá (quase) tudo. Entre amigos e familiares. A Constancinha teve 23762376743643 vestidos e dois brinquedos! Fashion victim (que fazer ??). Filho de peixe sabe nadar. Quem sai aos seus... Bom, a verdade é que o material genético está lá e não há volta a dar...Cantamos e repetimos os parabéns. Ela dançou e ergueu imponente o dedo a lembrar esse primeiro ano de vida.
Voltaram cá os terroristas. Desta vez, vinham inspirados pelo Kadafi. Mais astutos e ágeis e violentos que nunca. Criativos que só eles e o mais inofensivo brinquedo de bebé, naquelas mãos, vira arma letal (que o diga a A). Comadres não se precipitem, é um gosto tê-los cá. Vê-los destruir fotografias; escalar sofás, agredir convidados; espalhar batatas fritas pelas carpetes; and so on.
Parabéns à Constancinha.
Obrigada por celebrarem connosco.
Esteve cá (quase) tudo. Entre amigos e familiares. A Constancinha teve 23762376743643 vestidos e dois brinquedos! Fashion victim (que fazer ??). Filho de peixe sabe nadar. Quem sai aos seus... Bom, a verdade é que o material genético está lá e não há volta a dar...Cantamos e repetimos os parabéns. Ela dançou e ergueu imponente o dedo a lembrar esse primeiro ano de vida.
Voltaram cá os terroristas. Desta vez, vinham inspirados pelo Kadafi. Mais astutos e ágeis e violentos que nunca. Criativos que só eles e o mais inofensivo brinquedo de bebé, naquelas mãos, vira arma letal (que o diga a A). Comadres não se precipitem, é um gosto tê-los cá. Vê-los destruir fotografias; escalar sofás, agredir convidados; espalhar batatas fritas pelas carpetes; and so on.
Parabéns à Constancinha.
Obrigada por celebrarem connosco.
19.3.11
A menina dos olhos grandes
Mundo fora, movimentos anti-natalidade. A epidemia de gripe suína justificava um baby-crash e "euzinha da Silva", grávida. Uma ganda maluca indiferente aos apelos mundiais para sermos contidos nisto da reprodução.
Não engripei. Nem tão pouco me constipei. Vacinei-me e engordei. Com 38 semanas de gestação, no dia 19 de Março de 2010, com 52 centímetros de comprimento, 3360 kg de peso, nascia Maria Constança. Eram aproximadamente 5 da tarde. Não me lembro...Estava entretida entre a baba e o ranho e a moca da anestesia geral.
Depois da primeira experiência com a bebé sacada a ventosa, a segunda veio à faca. Conclusão: duas gravidezes e dois partos depois não fui capaz de parir. Mas desta vez até estava a correr bem...5 centímetros de dilatação bem medidos por um enfermeiro parteiro (só há dois no norte), sem epidural. Tudo se encaminhava para um parto à séria, com marido a assistir, gritos e respiração controlada como tinha aprendido nas aulas de preparação para o parto, mas não...Oxigénio colocado. Médicos. E pânico! Muito pânico. Prolapso do cordão umbilical significa cesariana de urgência. Em tempo récorde: 90 segundos!
Não a vi nascer. Não a ouvi chorar (mas chorou). Disseram-me que era ruiva, mas enganaram-me. Era comprida. Com o cabelo escuro. Era o bebé mais perfeito que alguma vez vi. Chamei-lhe "laranjinha". Teve cólicas no primeiro mês.Gostava de adormecer de barriga para baixo. Chorava sempre que andava de carro. Vestiu de vermelho na sua primeira Páscoa e vestiu de vermelho no seu primeiro Natal. Não mamou. A primeira palavra que disse foi "olá".Hoje repete quase tudo. Não anda, ainda. Não andará tão cedo. O cabelo encaracola-lhe nas orelhas. Dá beijinhos, abraços. E dentadas. É o Alonso dos andadores. Não raras vezes come papel, brilhantes e tetinas dos biberóns. Em boa verdade mastiga tudo que lhe aparece pela frente. Já lhe perdi a conta aos dentes. Adora sopa e iogurtes de bolacha. Não tem brinquedo de eleição. É dela o mais belo acordar. O "olá" que me diz e aquelas "azeitonas" a olharem-me...Alguém lhe chamou a menina dos olhos grandes. Eu concordo.
Foi um prazer viveres no meu ventre.
É um prazer seres minha há 365 dias.
*feliz dia Pai...temos muito que conversar
17.3.11
Subtrair vocabulário
Penso - muitas vezes - como conseguia sustentar aquela barriga. Equilibrar-me, até, porque dormir há muito se havia tornado uma tarefa hercúlea. A Constança era um bebé enorme, em peso e em comprimento e há meses que se tinha apossado das minhas entranhas. Desde os seis que gostava de me empurrar os pulmões e obrigar-me a suspirar amiúde para equilibrar a respiração. Para mim, era o limite do esforço materno. Mas afinal não... Foi muito pior quando, a Constança com os pés me empurrava os pulmões e uma mão me apertava o coração. Porque, assim, numa tarde amena de Março vi o meu vocabulário ficar mais pobre. Sem me dar conta e com uma barriga a dois dias de parir perdi mais um vocábulo. E daqueles pujantes.
Dela, ainda lembro o cabelo escuro apanhado em toco. E mais tarde a mania do cabeleireiro. Lembro-a no socalco da porta a acenar-nos quando íamos para a escola, até que desaparecêssemos do seu olhar. Lembro a cadeira e a maçã (que descascava com uma faca, tal e qual o meu pai). Lembro os pães com manteiga e as batatas cortadas em pedaços pequeninos. Lembro os gritos…quando se despediu do filho que sem darmos conta a levou com ele. Lembro-me sempre de estar a dar vida quando a morte a levava. E principalmente da ternura. Do sorriso constante desta minha outra velha.
14.3.11
11.3.11
Amor em modo real
Também gosto de filmes e novelas que contem amores que movem montanhas. De beijos à chuva. De pêlos da pele arrepiados. E suspiros. E aquele cantarolar do rádio que parece provocar taquicardia. E e o efeito borboletas na barriga. Também já chorei (e emagreci) e ri, em solidão, por um qualquer sentimento que julguei fosse amor. Não era. Foi-o uma única vez. E casei com ele. Mas digo-lhe todos os dias que os seus defeitos lhe superam as virtudes. Mas, é com ele que estou. Sem ele nunca soube estar. E acreditem que tentei. Não me venham com tangas e falar de amor como nos filmes. E nas novelas. Na vida real, amamos, sim, mas em modo real. Com gritos e meias cholezentas pelo chão. E toalhas deixadas na casa de banho. E tampas de sanita levantadas. E horários por cumprir. E presentes por oferecer. E surpresas por fazer. E portas abertas. E cães por alimentar. E bebés que não são mudados a tempo de se evitar um “tsunami” de cocó. E mesas que não se põem. E luzes que não se apagam. E futebol de mais. E solitário de mais. E poker de mais. E “O Jogo” de mais. E focos fundidos por mudar. E a casa dos cães que continua sem telhas e por pintar. And so on… Continuaria caracteres fora até que desistissem de ler…Mas amamos. E construímos em comum. Pomos criancinhas no mundo que nos quererão ver para sempre juntos. Que connosco vão construir. E algo que é só nosso. Que nunca será de mais ninguém.
Sentimos ciúmes e continuamos a inspeccionar telemóveis e a confiar (desconfiando). A fazer birras como quando entrámos nos 20 até que nos lembramos que quase pertencemos aos trinta. E se ter 30 serve para pintar os lábios de vermelho também servirá para não ter sincopes de cada vez que nos conta da vida amorosa da colega de trabalho. Chego até a ameaçar com o divórcio e a dizer que foi a pior coisa que me aconteceu na vida. Mas é com ele que estou... E sem ele nunca soube estar. Grito porque está estatelado no sofá da sala, mas grito mais ainda se não está.
Em boa verdade amo-o. Como nunca amaria (nem amei) outro da mesma espécie. Sinto-o de cada vez que lhe grito e reclamo dele. De cada vez que lhe peço para não adormecer primeiro que eu. De cada vez que entra a sorrir com o pão quente na mão. De cada vez que me pergunta, com seriedade, se lhe pus um xanax no ice tea (ele sabe que seria capaz). Sinto-o, em cada fralda mal colocada ou em cada camisola vestida do avesso. Sinto-o porque sei que me ama (muito) mais do que naquele primeiro Pinheiro em 1996. Porque é só com ele que choro. E porque já acolhi as suas lágrimas também.
Amamo-nos…assim, sem disfarces. Sem maquilhagens ou photoshop. E até ficaria bem postar aqui umas flores e dizer que acordei com elas. Com o cheiro das rosas, mas quem me conhece sabe que detesto flores. Lembram-me defuntos e cemitérios.
*eu prometi que escreveria sobre o amor
10.3.11
Shiatsu
Hoje permiti-me à leveza de uma massagem shiatsu. Dizem que faz bem ao corpo, mas o que mais me incentivou é que é melhor ainda para a mente. E foi isso. Desisti da ideia do exorcista e fiz uma massagem. No chão, com velas ao redor e aquelas musiquinhas tipo indianos nas Gualterianas. 60 minutinhos de puro prazer. Nas mãos da querida Carina com quem já não estava desde a primeira quinzena da Constança e de quando ainda acreditava na hidrolinfa. Ficou "varadinha" quando me viu entrar e pasmou quando me pus na balança. 53.5 kg, marcou ela.
Ah, também não deve ser isso tudo.
Ah, também não deve ser isso tudo.
9.3.11
Petit
Apesar de não acertarem à primeira que preferes leite magro. E de só à segunda perceberem que erraram no sumo. E após mil e um sorrisinhos de conveniência e mil e dois pedidos de desculpa. Meninas, o pequeno almoço desta manhã foi delicioso.
Engordou (apenas) a alma.
*Mary continuo a trabalhar na tese.
Engordou (apenas) a alma.
*Mary continuo a trabalhar na tese.
8.3.11
As verdadeiras mulheres
Numa semana faltaram-me uns 6/7 quilos. Não contabilizei, em rigor. Eu que a dada altura me pesava - religiosamente - todos os dias, não contabilizei este arrombo. Digamos que estou satisfeita porque sempre defendi que os fins justificam os meios. E vendo desta forma, é extremamente agradável voltar aos meus 55 quilinhos. E depois os olhares...estupefactos. Ah (!!!) tão magra, nem parece que teve duas filhas. E depois as bocas paternais dos tios, "pareces uma caveira, querem emagrecer à força, nem cu tens".
Hoje é Carnaval. E Dia da Mulher. A combinação perfeita. Eu diria explosiva. Os jantares do Dia da Mulher já são por absoluta regra um verdadeiro Carnaval. Ontem não escapei a um. Depois de minhas filhas, eu e uma meia dúzia eramos as únicas com menos de 30 anos. 90% tinha para cima de 50. Bonita idade! Desprovida de pudores. E de giletes. E que prazer vê-las dançar de pêlos nos sovacos e banha de fora...como se não houvesse amanha. E copo na mão. A brindar. E a fazer votos de voltarem a reunir ano que vem. Com muitos guardanapos a abanar em jeito de leque porque aquilo era gente de meia idade que se debate com os "calores" de quem há muito deixou de ovular. Foi lindo.
Hoje é Carnaval. E Dia da Mulher. A combinação perfeita. Eu diria explosiva. Os jantares do Dia da Mulher já são por absoluta regra um verdadeiro Carnaval. Ontem não escapei a um. Depois de minhas filhas, eu e uma meia dúzia eramos as únicas com menos de 30 anos. 90% tinha para cima de 50. Bonita idade! Desprovida de pudores. E de giletes. E que prazer vê-las dançar de pêlos nos sovacos e banha de fora...como se não houvesse amanha. E copo na mão. A brindar. E a fazer votos de voltarem a reunir ano que vem. Com muitos guardanapos a abanar em jeito de leque porque aquilo era gente de meia idade que se debate com os "calores" de quem há muito deixou de ovular. Foi lindo.
5.3.11
Deu-me para isto
Alguém acredita que me deito todas as noites por volta das 21 horas? Não?! Juro que é verdade. E o melhor é que o faço com um sorriso de orelha a orelha. Ouvir aquele silêncio que vem do respirar das amigdalas enormes da minha Carolina. O som da TV com o volume no mínimo audível. E eu encolhida entre as penas do edredon. Há muito que me deixei dos amendoins na cabeceira e dos litros de coca-cola.
Isto tudo para dizer o quê??? Ainda não entenderam? Que ter filhos também é isto. É não ter sextas, nem sábados. Nem copos e noitadas em discotecas. É usares um dos mil e um vestidos para ires à esquina tomar o pequeno almoço. E depois ainda levas com as velhas a lançarem-te aquele olhar, "é só luxos". E meia hora depois despes o channel, pegas numa tolhita barata do Lidl e limpas a cara. E passas um sábado entre um bebé no colo e reprimendas a outra para que não acorde a primeira. Alguém perguntou pelo marido?? Pareceu-me ouvir assim em modo discreto. Pois não sei...o filho da mãe passou o dia ocupadíssimo e de telemóvel desligado. Ouvi dizer que a dar uns pontapés na bola nesse grande campeonato que é o futebol popular.
Não pensem que me queixo. Nada disso. Vale-me a minha santa mãe e uns quantos xanaxes. E depois levo com as minhas amigas solteiras a queixarem-se da solidão e da falta de rumo e da falta de homens. Para aquelas(crentes) que continuam à procura do príncipe, minhas queridas, esqueçam. Mas isso são outros quinhentos que ficam para outra brilhante reflexão.
Mais do mesmo
Soa a disparate (eu sei). Dizer que continua a chover. Porque na verdade não choveu ontem, nem anteontem e talvez nem no dia anterior. Mas, quando me dizem "está bom para passear com os bebés", questiono-me, "quê, esta gente vem da Suiça?? Com 7 graus acha-se em pleno Agosto". Está bom para passear com bebés o tanas. Não está bom para passear e ponto (com ou sem bebés). Está (outra vez) frio. Com ou sem chuva.
Como diz minha Kiki "está bom é para andar no shopping".
Como diz minha Kiki "está bom é para andar no shopping".
4.3.11
Vim aqui e já vou
Escapei-me. Entre mil e um disfarces de Carnaval - porque instituí a regra de um para cada dia - vim aqui, mas já vou. Tenho uma Branca de Neve na sala, mas já tive, uma Carochinha e uma vampira. Mesmo agora deu uma dentada na maça e caiu redonda no chão. Os nenucos viraram anões. E a irmã - porque incomoda-a - fechou-a na cozinha e apagou-lhe a luz (eu já disse, não antevejo uma relação pacífica entre as manas).
Os dias são apenas dias. O que não é mau, porque, aí há uns dias, nem isso eram. Não eram nada.
Estou ansiosa, não ansiosa não (bani esta palavra do meu vocabulário). Estou... entusiasmada para regressar ao activo. Convicta que vai correr bem. E "engatar" no ritmo que mantinha antes de "avariar".
Ainda a propósito de Carnaval, é aquela coisa...tipo uma ternurinha ver os pequenos disfarçados. E tão felizes. Depois de correr cidade e meia à procura de uma peruca preta para a minha Carolina e ter achado uma género hippy nuns chineses. E de lhe ter dado um corte para se assemelhar à Branca de Neve, pequena Kiki, de manhã, fez uma birra e antes que lhe enfiasse a peruca, assassinou-a. Eu gostava de ser daquelas criativas que não dão meia centena de euros em disfarces de Carnaval que quase toda a gente compra. Gostava de "criar" um disfarce único daqueles que deixa os outros a babarem. Mas, pronto, não se pode ser bom em tudo.
Sim, perquena Sassá também terá seu Carnaval. Aliás, essa tem mil e dois disfarces das cinco edições que a irmã já viveu.
E pronto... vim, mas já vou.
Os dias são apenas dias. O que não é mau, porque, aí há uns dias, nem isso eram. Não eram nada.
Estou ansiosa, não ansiosa não (bani esta palavra do meu vocabulário). Estou... entusiasmada para regressar ao activo. Convicta que vai correr bem. E "engatar" no ritmo que mantinha antes de "avariar".
Ainda a propósito de Carnaval, é aquela coisa...tipo uma ternurinha ver os pequenos disfarçados. E tão felizes. Depois de correr cidade e meia à procura de uma peruca preta para a minha Carolina e ter achado uma género hippy nuns chineses. E de lhe ter dado um corte para se assemelhar à Branca de Neve, pequena Kiki, de manhã, fez uma birra e antes que lhe enfiasse a peruca, assassinou-a. Eu gostava de ser daquelas criativas que não dão meia centena de euros em disfarces de Carnaval que quase toda a gente compra. Gostava de "criar" um disfarce único daqueles que deixa os outros a babarem. Mas, pronto, não se pode ser bom em tudo.
Sim, perquena Sassá também terá seu Carnaval. Aliás, essa tem mil e dois disfarces das cinco edições que a irmã já viveu.
E pronto... vim, mas já vou.
2.3.11
Afinal estava aqui
Andam arreliadinhos. Não me vêm. E eu, em Março sou como o sol. Aos queridos inimigos informo que em breve estarei de volta. Aos (apenas) amigos não digo nada (eles sabem). Entretanto, continuo em retiro. Uma espécie de tratamento de sono. Prefiro encará-lo como um rejuvenescimento. Tantas horas durmo que até é pena não ter rugas para contemplar resultados práticos.
E assim vai a vida de quem (como todos) tem telhados de vidro. Às vezes estalam. Mas o que importa é que há sempre conserto. E quando não houver substitui-se. Opta-se pelo duplo que é mais resistente.
E assim vai a vida de quem (como todos) tem telhados de vidro. Às vezes estalam. Mas o que importa é que há sempre conserto. E quando não houver substitui-se. Opta-se pelo duplo que é mais resistente.
1.3.11
Procuro o amor
Procuro o amor. Em cada canto destas quantas paredes. Em cada risco a caneta feito pela Carolina bebé. Em cada brinquedo deixado no chão. Em cada peça de puzzle que se perde. E não se acha, mesmo que se arrastem sofás. Em cada dvd. Em cada caixa...invariavelmente trocada. Em cada livro. E em cada história. Que nunca chega ao fim porque adormece a meio. Em cada um dos três biberóns que preparo antes de me deitar. Em cada fralda. Que troco. Ou apalpo para ver se está cheia. Em cada meia do tamanho do meu dedo mindinho. Procuro o amor em cada sapato cujo par, raramente, encontro no mesmo sítio. Procuro-o no espelho da casa de banho que tem escrito a batón vermelho a palavra "AMO-TE". Por lá permanece. Resiste à humidade e já lá vão uns anos. Procuro o amor em cada migalha e bolacha e goma espalhada pelo chão do meu carro novo.
E encontro-o sempre.
E encontro-o sempre.
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