30.7.11

Férias


Tenho saudades, mas estou de férias! Ainda por cima está calor...e calor não combina com computador.

26.7.11

Cheira a férias :-)





















a idade é um posto



Há uma semana no cabeleireiro enquanto esperava pela minha vez, uma idosa, já penteada, sentou-se ao meu lado.

 - a menina está muito bonita. Gosto muito do vestido e dos sapatinhos. Está mesmo bem combinada
 - obrigada (sorrisos)
 - que idade tem? Deve ter uns 30?
 - Estou quase a fazer 29...
 - Ah, foi o que eu disse...Eu já tenho 90 (pausa)... Ou mais, não sei bem...
  - 90???? Não pode ser!!! Em que ano nasceu, sabe?
 - Ah isso sei direitinho. Foi em 15 de Agosto de 1914.
 - !!!!!!!!!!!!!!!

Esta bela senhora está prestes a completar 97 anos de idade. Cruzo-me com ela todas as semanas no cabeleireiro. Às vezes dá-me os parabéns pelas meninas, outras pergunta-me se o cabelo está bem. Achava que tinha uns 80 anos. Só tem mais 17!!!!!
Fiquei tão contente! E desejei ser como ela quando for assim grande. De cabelo arranjado, unhas de gel e tacão nos sapatos.

A última manhã



Esta manhã - a última antes de ir de férias - já levei com algumas balas. O que vale é que agora estamos sempre protegidos, nunca se sabe quando é que um Breivik nos aparece e pumba. Acho que ainda não interiorizei que vou de férias. Estou tranquila, nada ansiosa. Apenas tranquila.
Ainda não sei para onde vou, se vou... Logo se vê.

25.7.11

Em actualização



Afinal o presidente da Câmara não perdeu a cabeça de todo e sempre vamos ter iluminações nas Gualterianas que não deixarão de se realizar porque o ganda maluco do senhor Oliveira das farturas revoltou-se e não veio. Doidos continuam aqueles que foram filas intermináveis para comerem as bifanas do Zé das Caldas. Na sexta, comi uma na concorrência e aprovei. Foi assim uma noite a quatro. Três viagens de carrossel - a estreia para pequena Constança - dois balões (um para cada uma), duas bifanas, farturas e um grande pontapé na dieta. Carolina deixou voar dois balões o equivalente a 10 euros!!!! E ainda se revoltou, "pagaste o balão, mamã, tens direito a ir buscar outro". Deliciosa a inocência infantil.  Ainda tivemos tempo para passar na praça e assistir a um concerto de uma orquestra, muito giro.
No sábado foi dia de raiva, de destilar veneno, doar gargalhadas em eco. E agora estou aqui, mas depois de amanhã já não estou. Vou de férias!!!

22.7.11

Escorraçada



Estive cinco horas no Paço dos Duques de Bragança. Não fui lá negociar o aluguer do espaço nem experimentar os aposentos do presidente da república. Fui lá esperar. Esperar. E esperar. Enquanto decorria a reunião extraordinária do Conselho Geral da Fundação Cidade de Guimarães. Sampaio reuniu as "tropas"que vieram cá ganhar mais uns - vá - trocos e acertar a forma como mandavam embora a presidente. Se num carro da fundação, ainda com motorista pessoal. Se em classe económica pela TAP.
Parecia brincadeira de criança. Jogo do gato e do rato. Ora entras tu e a seguir saio eu. E segredinho para aqui e palmada nas costas para ali e muitos sorrisinhos de circunstancia e passos lentos Paços fora.
A mulher, vestida de preto, cabelo bem mais curto e mais redondinha, lá foi, "escorraçada" e a torcer as orelhas por se ter metido com esta gente.
E eu saí de lá já passavam das 15h.

21.7.11

Aniversário

A menina está quase a fazer aninhos...


e quer tanta coisa!!!!

Coisas que não combinam



Quarta feira (ontem) é dia do meio, onde dizem que a virtude mora. À quarta, apetece-me sempre "laurear a pevide" que é como quem diz procurar uns trapinhos de jeito escondidos entre os monos ou os tamanhos gigantes que resistem aos saldos. O gajo não está apenas numa de dieta, como de corridas. De modo que peguei em três crianças - once again - pedi auxilio à mummy e lá fomos em direcção ao shopping mais distante da cidade.
Shopping para Constança é sinónimo de balão e mal chegamos ao estacionamento ouvimos "belão, belão, belão". Ah, tão giro! Uma lojinha depois e a espertalhuda desaperta cinto e salta carrinho fora. Na segunda loja começa a chantagem emocional. Mãozinhas à Gancho esticadas na nossa direcção. E a beiça. A irresistível beiça. Pego num vestido S que não estou certa se me servirá. Um périplo muito rápido pela secção de criança, mas já não vejo nada porque em lojas também vejo com as mãos e essas transportavam uma criança que não sendo gorda tem o seu quê de matéria, roupa e assessórios (entenda-se para além do gancho a fralda). Saímos. Enquanto isso, a Carolina banca a independente. Vira-se para a amiga e diz "vamos à Mango, a minha prima trabalha lá e conheço as meninas todas". A amiga recusa. Tem medo de se perder. Não sai do meu pé.
Já ninguém aguenta a Costancinha que além do sono vislumbrou ao longe o urso da Natura - ela detesta o gajo, pá. Ok, mãe, lembra-me que compras e crianças é como álcool e xanax, neste momento como a Alemanha e a França, como o Magalhães e a Cristina Azevedo. Não dá!!!
Esta manhã partilhei isso com o maridão que me respondeu, "que te parece irmos ao terceiro?". Tem graça, o gajo.

o vestido ficou na perfeição

Uma questão de saúde pública

agora imaginem-no morto!!!!!


Aqui, no edifício onde estamos instalados, que partilhamos com "vizinhos" (chamemos-lhes assim), há um escritório que foi desocupado. Escritório, esse, que tem varanda, varanda essa que tem um pássaro, de consideráveis proporções, que jáz há (no mínimo) mais de um mês!!!! A ave apanha chuva, sol, sabe-se lá mais o quê, mas ninguém a apanha a ela! Estou certa que não sou a única que a vê decompôr-se, diariamente, a diferentes horas do dia, ora de bico para cima, ora virada de lado. A minha questão é: mas quê??? Ninguém vai tirar o bicho dali??? É só a mim que me faz impressão aquela visão?? Vou ter de ser eu a bater aqui à porta do lado (do senhorio) e exigir que retire o pássaro e lhe dê o devido descanso, quiçá no cemitério das aves???? Por favor!!!! É nestes momentos que entendo (e tenho de dar a mão à palmatória) quando dizem que os portugueses são sujeitos passivos, do tipo deixa andar...

20.7.11

Pega lá um p****




Esqueci-me da maçã para o meio da manhã. Temi que a fome me assaltasse no almoço, mas não, comportei-me entre a ingestão de bróculos e cenoura.
E porque se lê nas entrelinhas que falo de dietas, esta manhã enquanto me vestia e me contemplava no espelho, dizia para a minha Carolina:

Mamã: já estou mais magra...
Carolina: pois, mamã, mas ainda tens um bocadinho de barriga.
Mamã: cala-te! Não sejas assim, olha lá, como posso ter barriga se ainda não comi nada?!
Carolina: pensas que não sei que estás a encolhê-la?
Mamã: olha Carolina vai implicar com a barriga do teu pai...

Olhou-me com cara que se-não-queres-ouvir-as-verdades-não-comentas-o-assunto-comigo, e fez-me aquele gesto de dedo esticado do meio e disse “pega lá um pénis então”. Oi???? Onde é que aprendeste a fazer isso????

Brincadeira de Criança



Na casa dos meus pais, onde cresci, filha única, valia-me muitas vezes a imaginação para preencher as horas vagas de amigos. Durante muito tempo entretive-me com uma consola da Sega que o meu pai me comprou numa viagem à Alemanha. Recordo-me que nesse tempo os vídeo jogos ainda não tinham chegado a Portugal. Depois cansei-me. As barbies já não tinham mais cabelo para cortar. E já tinha esgotado todas as hipóteses de indumentária diferente. Cheguei a brincar com loiça e com uns insectos de prata que a minha madrinha, já morta, trouxe de França. Mas o que eu gostava era de puxar a mesa de centro da sala até ao sofá e sentar-me com folhas pousadas fingindo ser a pivot do telejornal. De frente tinha um grande espelho pendurado na parede onde podia contemplar o meu ar sério. Cresci enquanto esperava, todas as sextas feiras, que o Notícias de Guimarães e o Jornal da Povoa de Lanhoso chegasse pelo correio. Não ligava às notícias, mas gostava de saber o nome de quem as fazia. Um dia, passou-me pela cabeça que, no futuro, podia ser eu a faze-las. Não é que sou?!
Às vezes, quando se trabalha num órgão regional, parece que o que escreves só interessa a ti e ao teu entrevistado. Desanimas e pensas que as “tricas” políticas e partidárias só são lidas pelos assessores. Quase não te apetece corrigir o que escreves e até apostas que se deres um grande pontapé no português ninguém dá por ela. Isto acontece mais no início da tua carreira, quando maldizes a colega que entrou na RTP. Não estou nessa fase. 10 anos depois ponho tudo o que posso nos meus textos. Espero que lhes sintam o cheiro ao lê-los. Que ouçam o choro ou se envolvam nos sorrisos.  E tem compensado.
Ainda assim, ontem, tive a prova que o que escrevo, aqui, na cidade pequena, vai longe. É lido. E tido em conta. Ontem recebi uma chamada da SIC

19.7.11

TV



Acabei de receber uma chamada da SIC!!!!

Perigo



Então é assim, quase aos 20 dias do mês de Julho e fui uma vez à praia! Sendo que o tempo até nem estava nada de espectacular e não falo só do vento. A minha mãe ontem queixava-se que não foi nenhuma!
Será que podemos trocar o nosso Verão pelo Inverno brasileiro é que assim de repente somos capazes de ainda sair a ganhar.
A A já está casada e neste momento deve estar muito aborrecida numa praia de areia fina e águas límpidas ou a meditar num dos 300 templos de Bangkok. Eu? Contento-me com os saldos da Zara - já não é mau - e com a final do Peso Pesado.
A Kiki (gazeteira) ainda não pôs os pés no colégio. Bebe o leite do copo e faz a cama. Constança, além de se entreter com a sanita, tem-se dedicado aos desportos radicais. Sobe escadas, atira-se do sofá, põe-se de pé em cima das cadeiras e esconde-se!!! Imaginam a dificuldade que é encontrar 80 centímetros de gente?

Penúltimo



Não está mau - pelo menos para mim não está - o fecho do penúltimo jornal até às férias. Mesmo que o dia aqui na redação até tenha começado animado. Ai (suspiro) gostamos tanto todos uns dos outros.
A manhã começou - como de costume - tranquila. A Constança aproveitou o facto da mana estar a fazer xixi para um dos seus passatempos favoritos e enfiou a minha base na sanita. Lá foi...Ralo abaixo. Eu que até gostava desta e que por acaso vai ser retirada do mercado.
O tempo continua embriagado. Ontem parecia Outono! Ele que beba o que tem a beber até de hoje a uma semana.

E é isso, vou comer uma maçã que estou oficialmente de dieta. E depois dar aos dedos mais um cadito.

18.7.11

Festas



Hoje foi, oficialmente, apresentado o programa das Festas Gualterianas que para quem não sabe são as festas aqui da cidade. E lá fui destacada para a conferência de imprensa (já sabem como detesto CI). Continuo sem entender porque é que se convocam os jornalistas para ler um programa...Helloooo! Ainda por cima para não falar de um programa que desde que me conheço é assim. Grupos de bombos, concertinas, fogo de artíficio, procissão e marcha gualteriana. Depois há os cabeças de cartaz. Interessantes por sinal. Teremos cá a Aurea e os Deolinda. Não teremos feira do artesanato nem batalha das flores. O percurso da marcha???Oi??? Ainda não sabem!!!! Quer dizer, a única coisa que podia despertar curiosidade era o percurso da marcha e é a única coisa que ainda ninguém sabe!!!

Conclusão



Não é preciso ser o alter-ego da inteligência para se saber duas coisas: nos casamentos os homens falam sempre de futebol e as mulheres só falam da concorrência. Neste não foi excepção.

15.7.11

Inspirações

Porque estamos numa de amor e amar e porque afinal amanhã também tenho o casamento de uma grande amiga por quem faço figas (com os meus dedos e os dedos da minha trupe) para que seja muito feliz, aqui vão inspirações sobre o amor...


tantas vezes lá estive e nunca me deu para pendurar nada

5 anos




Mesmo que não sejas o príncipe que me salva da torre onde a bruxa me deixou em clausura e mesmo que eu não seja essa princesa do teu conto de fadas...Espera lá, deixa-me reflectir sobre isto...Vamos reformular. Nunca sonhei com príncipes! Nunca ambicionei ser princesa. Não sei sair dos carros de pernas suficientemente fechadas para que não se vejam as calcinhas, nem teria jeito para as vênias à rainha. Faria as capas dos tablóides pelo dedo do meio esticado. Também não sou apreciadora da gata borralheira, da pobre e desamparada, sem mãe, deixada aos cuidados da madrasta e das malvadas das filhas. Naaaaa. Dava cabo delas em dois tempos. E não lhes roubava só o príncipe Usava a vassoura para outra coisa alem de lhes varrer o chão.
Adiante, sempre pensei que fosse gostar de loiros, de olhos claros, mas tu és moreno.  Não esperava começar a namorar tão cedo e prolongar essa relação até aos dias de hoje. Não contava com nada disto. E agora, as más línguas dizem que sou uma fresca, que já estivemos separados e tudo. E muito tempo, por sinal. Comentam que tivemos outras relações. E que não conta para nada termos começado a namorar com 14 anos e que hoje, 15 anos depois, mantenha a minha luta para que feches as gavetas do quarto. Para que dês de comer às cadelas ou tires o defunto do peixe do aquário. É verdade que também insisto para que olhes com atenção antes de vestir a Costancinha, já foram muitas as vezes que a vestiste do avesso e ainda mais grave, lhe calçaste os sapatos trocados.
Mas, vamos esquecer a parte em que fugi dois meses com o jardineiro que nos deu cabo da relva do jardim ou quando desapareceste aquele fim de semana com a funcionaria do Intermarché que te deu um bilhetinho junto com o troco. Ah, lembrei-me agora da miúda dos censos...nunca explicaste muito bem o que é que ela estava a fazer dentro de casa, naquela terça feira em que cheguei mais cedo. Não, desculpa, não argumentes com o carteiro porque sabes que o senhor gosta só de me gabar as pernas.
15 anos é mais de metade da minha vida (não, ainda não entrei nos 30) e pergunto-me como é que continuas a fazer parte dela? Deves ter algo de especial... algo que às vezes é claro e outras tantas não consigo descortinar. És desarrumado, calão, às vezes, preguiçoso, não penduras a porcaria do mosquiteiro que voltou a cair, não manténs a água da piscina limpa. Oh pá nem sequer trocas lâmpadas. O que nos prende? O que me prende a ti? Serão os braços e os abraços em que me sinto segura embora diga que não? Os beijos teimosos, a mão atrevida e inquieta? As francesinhas com bifes de 25 euros o quilo? O colo alto que dás às minhas filhas para as protegeres das cadelas ou dos foguetes? Será o ombro? Aquele ombro em que chorei em todas as despedidas?
Não sei... às vezes penso que pode ser isso o amor...aquele sentimento que julgam estar no coração. Eu sei que não está. Está em todo o lado. Resiste ao tempo. Às separações. Às lágrimas (nossa, já foram tantas). Aos quilos a mais e às barrigas carregadas de vida. Resiste ao sexo (ou à falta dele) porque a bebé está a chorar. Aos sapatos ao contrario. À mesa que nem sempre se põe. Ou à tampa da sanita que quase nunca baixas. Resiste ao tempo. Ao jardineiro e à menina do Intermarché...Se isso não é amor...não sei dizê-lo de outra maneira.


Parabéns pelos 5 anos de casamento

Começar bem o dia



Não faço ideia que horas eram, mas estava escuro, quando a ouvi chamar "mamã, mamã, quero fazer xixi". "Estou a ir", respondo, já de pé, com os olhos fechados. Não me lembro se a levei à sanita. Presumo que sim porque não acordamos com a cama molhada. Não sei quantas horas depois, "nananão, nananão, mamã, mamã", desta vez era a outra que rejeitava a plenos pulmões a presença do pai no quarto. Quando lhe vali já estava banhada em lágrimas. Acalmei-a com o Noddy dos tempos modernos onde entram fadas e sereias. E dirigi-me à casa de banho para o meu ritual de transformação. 30 minutos no esticanço do cabelo e mais 5 na make up. Nos entretantos, pequena Constança entra e sai. Muda de sítio cremes e desodorizantes, enfia na sanita o telemóvel do pai que resistiu ao afogamento.
A Carolina, acostumada ao leite, hoje virou-se para os cereais que não comeu. O pai colocou estrelitas a mais e segundo ela aquilo não sabia a nada. Insisti. Chorou. Mas enquanto isso fazia rasteiras à irmã. E choraram as duas.
"Carolina veste-te". "Vou de calças?". "Não, vai estar calor". "Raio de vida a minha que tenho de usar saia todos os dias",  dramatizou. "Anda cá prender o cabelo". "Isso é que não, se me obrigas a usar vestidos ao menos eu decido como quero o cabelo". Cedi. Descemos. Ela, pegou numa saca e enfiou lá dentro um nenuco. Lembrou-se que queria ser mãe de gémeos e regressou ao quarto. Voltou com outro nenuco que enfiou, no saco, junto com o outro. Descemos mais uns degraus até à garagem. Entrou e pousou o saco com os nenucos no chão. Pensei que os tinha esquecido e coloquei junto dela, "isso é para ficar". Oi??? Porque é que enfiaste os bonecos no saco se não era para os levar??? Não obtive resposta. Enquanto isso, o pai debate-se com a dificuldade de sentar a Constança na respectiva cadeira. A piquena torce-se, estica-se, agarra-se ao carro. "Vá, lá Constancinha, entra, olha mana" que por seu lado a olhava com cara como quem diz "já te calavas e entravas no carro". Enfim, sentámo-nos todos. Estamos prontos a sair de casa. Assim, rápido, sem stresses.

14.7.11

Estou confusa!



Não sei o que se passa na minha cidade. Não é a mesma quando à noite a percorro lentamente para a minha volta de relaxamento. Valem-me as andorinhas que continuam felizes pelo calor e voam em bando nos céus perto do tribunal. Vejo estátutas abafadas por panos brancos - assim como se estivessem mortas e tivessem de ser tapadas - porque será? O Toural está esburacado. As pombas que alimentávamos ao final de semana fugiram. Assim de repente nem sei se os bancos de jardim ainda lá estão. O trânsito está do avesso. Já não há engraxadores. As esplanadas misturam-se com as obras, as pedras levantadas, os buracos que restam de se terem cortado as árvores.
Também aqui, mais próximo do jornal, vislumbro uma grande obra. Com homens que trabalham noite e dia. Diz que tudo tem de estar em ordem no próximo ano. Vai haver qualquer coisa que ainda não se sabe muito bem o que é. Ou pelo menos, ninguém entende. Reparo, ultimamente, que nos jornais aparece amiúde as letras CEC..., mas não vem entre parênteses o que essa sigla significa e gente, como eu, fica a ver navios. Não escrevem sobre o que será, quem vem ou vai. Leio muito é sobre o que não se faz, não se fez, sobre culpados e desconfianças. E este que não se dá com aquele...É estranho!
Por exemplo, há aqui uma coisa que me está a tirar o sono. Há uns meses havia uma senhora que foi muito falada por estar a ganhar muito dinheiro: 3 mil contos!!! Nem sei quanto é em euros. Mas, dizia o senhor doutor Magalhães que ela merecia porque a moça era muito esperta e sabia o que estava a fazer. Agora ouvi aqui na Rádio Santiago que já não confia nela e quer correr com a senhora. Estou confusa!
Se alguém me puder explicar principalmente a parte das estátuas, coitadinhas estarem assim tão tapadinhas. Se fosse eu que as tivesse feito também não ia gostar.

Magalhães



Carolina: mamã quero o Magalhães.
Mamã: vais em Setembro para a escola e vais ter direito ao Magalhães.
Carolina: mamã, já não é o Sócrates que manda no país.
Mamã: hum, bem visto (pensei de mim para comigo).
Carolina: sabes, por acaso, se este Passos Coelhos é tão bonzinho como o Sócrates e vai dar o Magalhães aos meninos?

por acaso não sei...alguém sabe?!

Mamã: de certeza que sim porque sobraram montes deles.

13.7.11

Para aceder a um pedido que chegou directamente do Brasil





Nesta história até posso começar pelo fim e escrever já: viveram felizes para sempre. Porque assim será. E os anos que forem já não poderão ser poucos tendo em conta os muitos que já viveram, lado a lado. Mais de meio século de vida. A dividir a fome, a partilhar a cama, a contar os tostões que se faziam poucos.
Celeste e Rogério casaram no ano em que a televisão chegou a Portugal: 1957. Já lá foram 54 anos contados em palavras que sabem a beijos. Cheiram a ternura de um casal em que o amor ainda se diz nos olhos, que brilham, como naquele primeiro momento em que se viram. Ele ficou preso àquela moça alta e magra de mise no cabelo. E nunca mais esqueceu o vestido verde de roda. E se a fotografia ainda era a preto e branco a solução foi um pouco de tinta verde. O vestido é que não podia perder a cor. Ela, gaba-lhe o ar “bem parecido”, mas como donzela prezada o desdém era a melhor arma de sedução.
A verdade é que Celeste pouco resistiu. Cedeu aos encantos do órfão, filho de mãe solteira, acabado de sair do Centro Juvenil de S. José. Trocou os bailes na Artística e nos 20 Arautos, para onde fugia, por um marido. Nove meses depois estavam casados. E abençoados por Nossa Senhora da Oliveira.
Tiveram três raparigas e um rapaz. Têm oito netos. Já podiam ter bisnetos, porque o neto mais velho tem quase 30 anos.
Vivem há 45 anos numa casa social em Urgezes. Têm três cães e dois gatos.  Um órgão que toca clássicos de manhã à noite. E ainda uma televisão ligada no terraço abrigado do sol por uma vinha cujas uvas, este ano, “adoeceram”.
O órgão cala-se, por momentos, para o velho gira discos reproduzir os tangos e as valsas, enquanto Celeste recorda a Artística e dá um pé de dança.
Costureira de ofício, o marido diz ter sido a melhor. Trabalhou em casa. E fora. Os filhos criaram-se sozinhos. Viveu a vida activa num mundo de homens a quem despertava tentações e propostas indecentes. Celeste era uma bela jovem. E fiel ao marido que confirma as mais variadas ocasiões em que a mulher foi posta à prova. E resistiu sempre. Por este amor que os une. “Nunca me deu razões para não confiar nela e nunca tive ciúmes, aconteceu muita coisa, mas ela provou sempre que me amava e respeitava”.
Hoje, com 75 anos o homem diz carinhosamente que ela “é um andor”. E explica, “não imagina o tempo que ela passa ao espelho a arranjar-se antes de sair de casa. Eu vou para o carro, espero, e torno a entrar para chamá-la porque não há maneira dela sair de casa”. A vaidade está-lhe nos lábios pintados a vermelho. No loiro do cabelo que arranja semanalmente. No cheiro da laca que lhe põe para ele não abanar com o vento. Está nas jóias que usa no pescoço e nas mãos. Nos saltos dos sapatos que insiste em calçar, mesmo quando os pés lhe doem. E na roupa, que veste como se fosse a uma festa. Na que compra amiúde e naquela que guarda no roupeiro e talvez já não chegue a usar.
É enternecedora a forma como Rogério fala dela. “É explosiva” e não resiste a contar-me quando um homem lhe ofereceu uma casa em troca de um beijo. Também ele tem vaidade na mulher com quem passeia de mão dada e com quem se senta no banco do jardim. Com ela, dividiu a fome, partilha a cama e ainda conta tostões. Com ela, faz planos de viagens a Roma ou ao Egipto, ainda que ambos saibam que nunca lá irão. Basta-lhes os passeios domingueiros. O batón nos lábios, o cão que ladra a avisar que ela chegou. Basta-lhes a vida que já não se distingue qual a parte de cada um. São duas vidas entranhadas. A fome já não dividem, mas esperam continuar por muito mais tempo a partilhar a cama e a contar os tostões.

A rasteira

Esta história é real, embora o enredo nos remeta para a mais chorosa das histórias de amor. Daquelas cujos argumentos já nem se usam. Onde o amor é mais forte que a maldade. Mais forte que a doença. Assim, como este.
Há 10 anos, Celeste andava queixosa. Apoquentava-a um ligeiro incómodo no braço. As dores de estômago já eram habituais, mas aquele sensação era de todo estranha. Procurou a médica de família que a mandou fazer uma eco e mamografia. O resultado foi esclarecedor. O cancro tinha batido à porta. Foi imediatamente encaminhada para um cirurgião. Sentada no seu consultório, com uma amiga ao lado, porque Rogério fraquejou e não quis estar presente quando os piores receios se confirmassem, Celeste ouviu, “vou ter de lhe tirar o peito”. Gritou. Fê-lo com tanta força, como se assim expulsasse o mal do corpo. No dia 5 de Maio realizou a cirurgia que lhe retirou uma mama. A bela Celeste, de lábios vermelhos e cabelo arranjado, acordou mutilada. Mas igualmente forte, “explosiva”. Agiu como se nada lhe faltasse e só numa fase inicial pediu descrição a Rogério quando a olhasse. Mas ele, admite que evitou vê-la durante muito tempo.
Seguiram-se oito penosos meses de quimioterapia que lhe custaram mais que a operação. “Quando chegava parecia que vinha de correr a maratona”. Celeste tinha medo de ficar careca, mas o cabelo não chegou a cair-lhe.
Não fez reconstrução mamária. Usa uma prótese por baixo do decote que continua a exibir. E ergueu-se da rasteira.

Cantigas de escárnio e mal dizer




Quase como todas as mulheres sou uma cobra pronta a destilar veneno. Não sei se é do género, se da profissão...Anyway, estou um bocadinho farta que seja julho e até nem é por nada. Vamos ignorar a parte dos 20 graus, porque hoje a temperatura até subiu, o que mais me irrita é o povo. O povinho, os "camones" que andam na rua, numa de passear la voiture. E aqui, a preta, atrás deles, quase a suplicar, "amigo estou numa de trabalho e não me convém nada ir aqui a 20 está a ver". E o shopping? E as filas do Continente? É cá uma azia vê-los passear de chinelo no dedo, calção de banho e t'shirt com a bandeira de Portugal. No pescoço, o fiozinho de ouro francês que aqui vale menos que a prata.
A sério, só me irrita porque estou para aqui a dar aos dedos. A escrever sobre projectos e candidaturas e um bocado chateadita porque pedi um contacto para uma reportagem que ainda cá não chegou.

Querer é poder

Quanto mais roupa compro, menos parece que tenho. Eu sei, é contraditório, mas é o que sinto. Que fazer? Estou desarmada perante este desiquilíbrio. Com as mãos percorro cada um dos vestidos pendurados no roupeiro. E suspiro (ah!). Que vestir?!
Por acaso, hoje até estou gira, mas não era este o trapinho que tinha escolhido ontem. Mudei de ideias na última e até correu bem.
E estou na mesma no que respeita às férias. Agora estou virada para a praia del'Rey em Óbidos e para o Marriott. Já passei lá uma temporada em circunstâncias pouco felizes. Não usufruí dos serviços do hotel. Acho que estar lá e ali na residêncial do Toural era a mesma coisa. Quero lá voltar. E querer é poder!

É ou não uma boa opção?

12.7.11




Tróia apresenta-se-me como um provável destino de férias.

Irmãs



A minha Constança anda feliz. Cantarola. Empurra carrinhos de bebé. Até já vê o Shrek! Mas todas as noites quer prolongar os dias. Basta dizer-lhe "óóóóóóó" e ela responde "nanão, nanão" e faz aquela cara "estranha" como se queixa a Carolina.
Os tomates cherry já não resultam e ontem despedimo-nos deles. A última estratégia passa por fazer espuma dentro de um copo e deixá-la tentar agarrá-la enquanto aproveito a sua distração e bota sopa goela abaixo.
Eu não sei que diabo se passa com minhas filhas no ventre materno ou que raio há aqui para dentro que as duas já nascem com um apego materialista a bolsas e cosméticos. E rivalizam, mas grande Kiki, como primogenita que se preza, trata de lembrar a rapa-tachos que "aquela bolsa é de um tempo que tu ainda não existias, logo não te pertence, não há nenhuma hipótese de ser tua". Eu tento explicar que Constancinha ainda não entende aquela pertinente explicação, mas Kiki, numa tentativa desesperada, grita, "não finjas que não sabes do que estou a falar porque estou cheia de te dizer a mesma coisa".
É lindo isto de se dividir o ventre com alguém, partilhar as mesmas entranhas. Digo eu que não o partilhei, mas adoro contemplar este amor que se constrói entre as duas. As palmas da Constança quando a Carolina acorda. As tentativas da Carolina em fazer-lhe penteados e aquela chantagenzinha deliciosa "porque é que eu tenho de ir com o cabelo tipo um jardim cheio de flores e a Constança não leva nada?". Podia inventar mil e uma desculpas, mas chegará dizer que...não tem cabelo suficiente!

Desconfianças parte II



Não é que o suspeito de sexta feira se mantém por cá?! Ontem, pelo menos mantinha-se...Vi-o quando fui almoçar e vi-o quando regressei do almoço... Ele também me viu. E olha-me de uma forma que não gosto nada... Pensei é agora que vou ligar ao comandante da PSP, mas depois voltei a olhá-lo com aquele meu ar (que vocês tão bem conhecem), do jeito "tás a ver ah que não te tenho medo nenhum e mais um olhar desses para cima de mim e sou gaja para te fazer um mata leão", que é para ver se o intimido...
De repente, lembrei-me, "aqui a pastelaria tem internet grátis!". Queres ver que o cromo só vem para aqui enfiar-se na net?! É uma possibilidade que não deixa de ser estranha visto que ele chega às 10 da manhã e quando eu saio às 5.30h continua por cá...

Where's the sun??



Em Maio andava a bufar. Agora, em Julho visto casacos e calças. Que raio de confusão é esta? Estou a menos de duas semanas de ir de férias e quero calor!!! Estás aí S. Pedro??? Ah?! Ainda por cima comprei a décima terceira piscina lá para casa. E foi a partir daí que o tempo mudou. Aquele olho gordo da porta do lado...

10.7.11

Os aposentos das piquenas

Apresento-vos os aposentos das minhas piquenas. Especialmente o bendito mosquiteiro que fez milagres na relação conjugal que graças a ele voltou a partilhar a cama e tudo o resto que daí advém: roncos, sonhos esquisitos, suores nocturnos, mau humor matinal, ruídos estranhos and so on...

Sapatos

Ontem sai de casa às 3 da tarde. Cheguei à meia noite. Levei comigo três crianças com idades compreendidas entre 1 e 9 anos. Carro cheio, portanto. Três cadeiras, cintos colocados, saco cheio de brinquedos e muitas bolachinhas para entretê-las. Destino: invicta. Galgamos dois shoppings, mas na mente bailavam apenas duas lojas.
Regressamos. Jantamos e ainda visitamos uma feira com produtos da terra. As minhas crianças adoraram os animais. Viram uma família de porquinhos, bois, cavalos e claro está galinhas e coelhos.
Mas há uma palavra que se destaca do dia de sábado que só tem sentido dita no plural: sapatos!!!! Muitos (e todos para elas).

Ciclismo

bicicletas? Só se for uma assim...

Uma das coisas que não entendia no meu pai era a paixão por ciclismo.

Pedalar para vencer, para ganhar, outras vezes perder.......Ainda tenho o genérico da SIC (na ocasião era a SIC a televisão oficial da Volta) na ponta da língua.
E hoje voltei e levar com bicicletas na Volta à França...e lembrei-me dele :-)

8.7.11

Desconfianças



Está um gajo esquisito aqui em baixo. De pólo vermelho e umas botinhas que não lembram ao diabo. Cabelo escuro, magro, baixo. Está sempre a fumar e a falar ao telemóvel.
Quando cheguei, após o almoço, dei com ele, a dizer a alguém que não podem haver dúvidas... Mas não liguei puto. Agora acabo de chegar de uma entrevista e lá estava ele, outra vez, no mesmo sítio, ao telemóvel. Diz-me o colega, "este gajo está ali ao telemóvel desde de manhã". Realmente, pensei eu.
Desci para ir ao multibanco. Ele olhou-me de esgueira. Desisti e voltei para a redação.
Estou a torcer o nariz ao tipo.

Bebé no casamento



Aproxima-se o casamento de uma boa amiga. Diz que vai estar um dia infernal com os termómetros a marcarem para lá de 30 graus. Casar assim é duro. Eu sei o que digo porque também casei em Julho há 5 anos, num sábado, dia 15, e na mesma igreja. O meu penteado (só) aguentou em casa. Na igreja fiquei com a trunfa toda melada de tanto suar. Questiono-me como transportei um vestido de tamanha envergadura, um saiote, um véu... Mas não o tirei de mim até ao final da noite. Fartei-me de dançar, de pé descalço e rodar a baiana. Diverti-me muito, muito, muito.
Tinha decidido que não levaria a Constancinha comigo porque aquela rapariga é pouco séria e tanto se pode divertir à brava e conviver com os seres da mesma espécie que não faltarão, como agarrar-se às minhas pernas e suplicar (a pé, a pé, a pé). Agora que anda com segurança deu-lhe para isso. Está sempre a pedir colo! Mas, lembrei-me da minha promessa. Sempre juntas. E se a levava para a favela do alemão também a levarei à festa da A (me me estiveres a ler, mudei de ideias e não, ainda não conversei com a Carolina. De hoje não passa).

7.7.11

os velhos do amor ou o amor dos velhos



Acabei de escrever um belo texto sobre o amor. E agora estou assim como que a cantarolar. E a pestanejar (pena não estar aqui a Constancinha porque ninguém pestaneja como ela). São estes trabalhos que nos aquecem a alma e nos fazem acreditar num amor assim. Num casamento longo e feliz. De mãos dadas e peles enrugadas. De viagens com muitas paragens para se fazer muitos xixis. E de passos lentos.
E quero um homem que fale de mim com palavras que saibam a beijos. Que me gabe a beleza e a vaidade por trás da carcaça velha em que me transformei.