Não sei fazer rojões, embora tenha terminado com bom aproveitamento um curso de culinária. Pedi à minha mãe que os fizesse e as papas vou buscar ao take away. Hoje é dia de Pinheiro e apesar da tradição ter mudado vamos tentar manter o menú.
Já foram Pinheiros em que carreguei a caixa e a barriga de grávida. Outros em que bebi e fumei (eu que não fumo nem bebo) como se não houvesse amanhã. Mas havia sempre e o dia a seguir era sempre difícil. Mas, em abono da verdade se diga que nunca fui de excessos. Nem de aguentar até ao fim da festa. Escapava-me assim que vislumbrava um táxi ao fundo da rua.
Gostava, essencialmente, do jantar do Pinheiro. Com as amigas à mesa, entre copos e cantorias. Gostava de rever velhos amigos e conhecidos que se misturam no cortejo. Gente com quem há muito não falas, já nem cumprimentas, às vezes, mas naquela noite, nesta noite, voltamos a tratar-nos por tu.
Nesta minha terrinha que amo de coração a noite do Pinheiro é das mais aguardadas. E eu faço figas para que se preserve esta tradição que em tempos me fez tão feliz. Hoje nem tanto. Não sei se fui eu que envelheci, se foram os tempos que mudaram.
Ainda assim vou lá estar, com as meninas.
29.11.11
28.11.11
Ódios de estimação
Até nem é muito comum alimentar ódios de estimação porque tenho por hábito resolver os problemas na hora. Não alimento rancores porque cuspo todas as palavras- às vezes bem feias- que se atropelam na cabeça ou no coração, enfim, onde for. Mas depois há aquelas situações como o trambolho da Fanny em que não há solução. Se eu pudesse batia-lhe, a sério. Esbofeteava-a. Não é por ela ser trambolho e usar biquini fio dental; não é por ser ignorante e a rainha dos neologismos; não é por aquele ar de novo riquismo nem pelo pai se gabar nas revistas que a "pobre" gasta 3 mil euros em roupa; não é por ser mal educada e mal formada. Neste caso é mesmo por fazer de uma nação que está desgraçada como a nossa de burra. A gaja toma-nos por burros. Não aguento ver aquele trambolho em cima de km rapaz tão jeitoso- e tão cobarde. Ela persegue-o. Agarra-o. Bate-lhe. Ninguém faz nada? O próprio não reage porquê? Limita-se a esquivar- se o melhor que pode, ou sabe, de cabeça tombada "oh Fanny olha que me sobe o sangue à cabeça"...
Não consigo ver mais! Tirem esta Gana lá de dentro. E já nem falo no Dioguinho.
É isso e gente que se acha intocável e acima da lei. Lá por no passado as pessoas (muitas) não estarem para se chatear não quer dizer que as vontades não mudem. Olhe, eu até estou desempregada e tenho todo o tempo do mundo para tribunais e audiências. E roupa? Ui!!! Vai ser tão giro vestir- me para estar com o juiz. E o melhor de tudo? Poder enxuvalhar quem merece ser enxovalhado. Já vi gente ser presa por menos.
Não consigo ver mais! Tirem esta Gana lá de dentro. E já nem falo no Dioguinho.
É isso e gente que se acha intocável e acima da lei. Lá por no passado as pessoas (muitas) não estarem para se chatear não quer dizer que as vontades não mudem. Olhe, eu até estou desempregada e tenho todo o tempo do mundo para tribunais e audiências. E roupa? Ui!!! Vai ser tão giro vestir- me para estar com o juiz. E o melhor de tudo? Poder enxuvalhar quem merece ser enxovalhado. Já vi gente ser presa por menos.
26.11.11
Manifestações de entusiasmo
Popy tátátá...popy tátátá... And so on...
Agora a tradução: shopping tátátá.
É isto sempre que a pequena Constança avista uma grande superfície comercial.
Acabou de o fazer. Filha de peixa...
Agora a tradução: shopping tátátá.
É isto sempre que a pequena Constança avista uma grande superfície comercial.
Acabou de o fazer. Filha de peixa...
25.11.11
Estamos bem
Estou bem. E não tem nada a ver com os 25 graus naturais que se sentem dentro do meu quarto. Estou bem mesmo sem o ar condicionado que avariou precisamente mesta divisão. A minha mãe diz que morreu por ter muito uso. O senhor que supostamente o vai arranjar não apareceu. Mas não me chateei. Estou bem.
Tenho um sentimento de justiça que grita dentro de mim. E nem sei bem porquê ( ou talvez saiba). Caminho, a passos largos, para uma solução. De muitos problemas.
Arranjei finalmente uma empregada cá para casa e consegui uns trapinhos de Natal para as duas manas.
Daqui a duas semanas vamos para fora, cá dentro, numa viagem natalícia. E daqui a um mês vamos para fora, lá fora, visitar a família e participar num momento importante de alguém muito querido.
De modo que estamos bem. E estou a curtir esta coisa de rir em último.
Tenho um sentimento de justiça que grita dentro de mim. E nem sei bem porquê ( ou talvez saiba). Caminho, a passos largos, para uma solução. De muitos problemas.
Arranjei finalmente uma empregada cá para casa e consegui uns trapinhos de Natal para as duas manas.
Daqui a duas semanas vamos para fora, cá dentro, numa viagem natalícia. E daqui a um mês vamos para fora, lá fora, visitar a família e participar num momento importante de alguém muito querido.
De modo que estamos bem. E estou a curtir esta coisa de rir em último.
23.11.11
Em banho maria
Eis-me. No lugar do costume, coberta pelo mesmo cobertor que comprei há mais de 10 anos com o primeiro dinheiro que ganhei a lavar loiça num restaurante. Está novo, mas cheira a cão. E com o sol que entra pelas janelas não me faz falta nenhum. A verdade é que me faz calor.
É assim a vida de desempregada. Somos tantos e todos (ou quase) solitários. Está cada um a curtir o seu pc numa busca incessante por um rumo, um novo rumo, na carreira. Os que têm muitas habilitações lamentam não ter menos. E vice versa. Que feliz que que eu era se não tivesse ido para a universidade - ouvi estes dias. Se calhar já estava casada, com filhos e tinha emprego, dizia-me a M. Ah, ah...
Eu estou aqui a arrancar cabelos da minha farta cabeleira sem fazer grandes progressos com a educação da cadela. Continuo a apanhar cocó com as toalhitas. Ontem, a Constança fez xixi no pote e eu pensei que a bebé é capaz de aprender mais depressa que o cão.
O meu ex patrão, que até ontem se fingiu de morto, deu, através do seu advogado, um suspiro desesperado de vida. Entendeu, afinal, que há lei em Portugal e que normalmente o Tribunal do Trabalho é célere. É isso e os inspectores da ACT.
Mas, para já, estamos assim, em banho maria.
17.11.11
Adenda ao post anterior
Carolina: mamã quem são aquelas senhoras? São assim importantes para estarem na televisão?
Mamã: são... Uma é uma jornalista muito boa e a outra é a ministra da justiça.
Carolina: o que é isso?
Mamã: bem, imagina um... Departamento que trata da justiça em Portugal...
Carolina: não digas mais nada, já entendi...
Mamã: sabes o que é justiça?
Carolina: sei o que é injustiça. É a Margarida ser mais alta do que eu.
Mamã: são... Uma é uma jornalista muito boa e a outra é a ministra da justiça.
Carolina: o que é isso?
Mamã: bem, imagina um... Departamento que trata da justiça em Portugal...
Carolina: não digas mais nada, já entendi...
Mamã: sabes o que é justiça?
Carolina: sei o que é injustiça. É a Margarida ser mais alta do que eu.
Aliviada
Acabei de sair do pediatra aliviada. A tosse da Constança não é nada. Ou antes, é bicho, e muita ranhoca do narizito que escorre para a garganta. Por isso piora quando esta deitada.
Sou mais uma que odeia o inverno e o frio e a chuva.
Também sou mais uma que liga abusivamente para o pediatra, por tudo e por nada. O que importa é que está tudo bem com o pequeno anão- como lhe chama a Carolina.
Thank good.
Sou mais uma que odeia o inverno e o frio e a chuva.
Também sou mais uma que liga abusivamente para o pediatra, por tudo e por nada. O que importa é que está tudo bem com o pequeno anão- como lhe chama a Carolina.
Thank good.
16.11.11
:(
Acabei de deprimir com a notícia que o filho do Carlos Martins sofre de leucemia. Eu sei que é mais uma criança doente entre muitas, mas olhar para ele é ter um rosto de um pai (como muitos, eu sei) perdido. Angustiado. E pensar que nós Pais somos todos possíveis candidatos a perder- nos nesse caminho.
15.11.11
Todas as manhãs é assim
Todas as manhas é a mesma coisa. A Constança acorda, choraminga, atira-se para os meus braços, encosta a cabeça ao meu rosto e pergunta pela mana. Como não faz xi xi de noite, espero que faça para lhe mudar a fralda a seguir. Eu e o xi xi já nos tínhamos acertado, havia uma espécie de trato, mas o cocó matinal tem-me tramado. Eu bem espero, cheiro, apalpo a fralda, mas ele não me tem dado hipóteses. Não aconteceu excepcionalmente. Acontece por regra. Visto a bebe, muito jeitosinha e limpinha- o que demora para caraças desde que ela decidiu embirrar com a roupa- para tres minutos depois ela aparecer muito consumida " mama há cocó". Já não fui a tempo. Nunca vou. E toca a despir tudo. Estarão a pensar que é coisa para dar pouco trabalho, mas não é! Primeiro porque o tempo de manhã é sempre escasso, depois porque programo o plano do vestuário à semana, para as duas, e detesto ter de inventar uma roupa em cima da hora. Se não basta mudar-lhe só a fralda? É claro que não. O cocó da Constança é um verdadeiro atentado ambiental.
Conclusão: a Carolina chegou atrasada 10 minutos.
Conclusão: a Carolina chegou atrasada 10 minutos.
Onde raio é que ela ouviu isto?
As minhas filhas rivalizam os brinquedos. E normalmente, invertem as idades. A Constança quer a caderneta da Kitty e a Carolina a mota da Chicco. Mas, o critério essencial, o que define a vontade de cada uma é o que a outra tem. Passo a explicar: a Constança alimenta o Nenuco, a Carolina lembra-se que era mesmo isso que queria fazer naquele momento, com aquele boneco, embora tenha 121212313 e mais um. A Carolina enfia-se - a custo na mota da Chicco porque já não tem dimensões para caber ali - e a Constança agride-a com o comando da TV porque naquela hora, naquela exacta hora, pretende take a walk na sua viatura.
Normalmente, deixo que elas se "entendam", desde que não meta dentadas pelo meio o que também é muito comum. Já não ligo quando se agarram aos cabelos uma da outra ou quando dramatizam.
Um dia destes fui surpreendida. Andava eu entretida na cozinha a preparar-lhes qualquer coisa para comerem e elas, na sala, numa competição pela mota, quando oiço a Carolina dirigir-se à mana: "olha Constancinha, vai ver a Teresa Guilherme a gozar com a Cátia".
Não convenceu a bebé a largar-lhe do pé, mas a mim convenceu-me.
Normalmente, deixo que elas se "entendam", desde que não meta dentadas pelo meio o que também é muito comum. Já não ligo quando se agarram aos cabelos uma da outra ou quando dramatizam.
Um dia destes fui surpreendida. Andava eu entretida na cozinha a preparar-lhes qualquer coisa para comerem e elas, na sala, numa competição pela mota, quando oiço a Carolina dirigir-se à mana: "olha Constancinha, vai ver a Teresa Guilherme a gozar com a Cátia".
Não convenceu a bebé a largar-lhe do pé, mas a mim convenceu-me.
14.11.11
À espera
Tinha duas coisas muito importantes para resolver nesta manhã e apesar de estar acordada desde as 7, ainda não resolvi nada! Shame on you! Sim, estou envergonhada porque eu gabo- me que sou a melhor resoluta entre as mais resolutas. Mas, justiça seja feita, a culpa não é minha! Agora, por exemplo, estou no banco, à espera. Tenho duas hipóteses:
a) escrever qualquer coisinha.
b)ir à bolsa e despachar um xanax.
Isso, vou pela a)... Até ver...
a) escrever qualquer coisinha.
b)ir à bolsa e despachar um xanax.
Isso, vou pela a)... Até ver...
13.11.11
Convosco acontece o mesmo?
Quando ele está delego-lhe "os leites". Para as duas. Cá em casa "os leites" ao deitar são uma obrigação tão importante como a higiene dos dentes ou a hora de ir dormir. Enquanto preparava o dia seguinte( entenda-se roupas x 3, acessórios, mochilas e afins) aparece a Carolina furiosa:
- eu tinha dito que hoje queria chá!
- mentira, nao disseste nada e agora já está ali o leite.
- oh mãe, vá lá, diz ao meu pai para me ir fazer um chazinho...
Aqui a tonta não resiste aos encantos da miúda e o homem lá foi.
Já deitadas, as duas, dou-lhe o chá para as mãos. Dois goles depois, diz-me:
- o que eu queria mesmo era o meu leitinho.
- ainda bem que o leite continua aqui e ainda está morno.
Quase num gole contínuo despachou o leite e reconheceu:
- e eu que nao queria leite, soube- me mesmo bem... Bem dizes tu que eu não tenho idade para saber o que quero.
- eu tinha dito que hoje queria chá!
- mentira, nao disseste nada e agora já está ali o leite.
- oh mãe, vá lá, diz ao meu pai para me ir fazer um chazinho...
Aqui a tonta não resiste aos encantos da miúda e o homem lá foi.
Já deitadas, as duas, dou-lhe o chá para as mãos. Dois goles depois, diz-me:
- o que eu queria mesmo era o meu leitinho.
- ainda bem que o leite continua aqui e ainda está morno.
Quase num gole contínuo despachou o leite e reconheceu:
- e eu que nao queria leite, soube- me mesmo bem... Bem dizes tu que eu não tenho idade para saber o que quero.
30 anos
Usei a minha melhor toalha de mesa. Peguei nos copos colocados bem ao fundo da vitrine. Não estão à mão porque são os melhores. Até pus o homem a passá-los por água para tirar o pó.
Comprei vinho especial e recorri à adega cá de casa. A maioria dos exemplares que cá estão herdei-os do meu pai, mas acrescentei outros que me foram oferecendo. Até arrojei na confecção de um doce e - surpreendentemente - saí-me bem. E porquê - estão vocês a perguntar, curiosíssimos. Porque o meu homem fez 30 anos. E julgar que estamos juntos desde os 14 é...assustador? Não. É inspirador.
Voltemos à "festa". Não posso deixar de lamentar a sua debilidade física de profissional de futebol quase, quase a pendurar as chuteiras. O jogo não correu bem. Ao que sei, apesar da derrota, teve de pedir para sair. Ouvi dizer que eu não me meto nessas coisas. Nem me quero meter, mas enfurece-me esse comprometimento. Não gosto da massa três horas antes da partida para facilitar a digestão nem o fato de treino preto e verde de sábado. Quer se dizer, no dia que completa 30 anos não pode vestir uma coisinha mais coquete? Estou um bocado farta da farda dos Unidos.
Eu que comecei ese post como uma ode de festa, deixei-me levar pelo aborrecimento de uma derrota comprometedora nos objectivos traçados para a época. E a dada altura, os próprios convidados em vez de parabenizarem estavam a lamentar os três pontos perdidos e uma débil condição física.
Parabéns babe
11.11.11
As razões da paixão
Carolina: mãe, há um menino na escola que está apaixonado por mim (pausa). E eu entendo as razões.
Mae: então?
Carolina: porque eu sou chique, gira e bem educada.
Mae: então?
Carolina: porque eu sou chique, gira e bem educada.
9.11.11
Estações de mudança
A Constança acorda cedo. Muito cedo. E nem adianta fingir-me de morta. A danada é persistente. E só sossega quando vê toda a gente com a pestana aberta.
Invariavelmente todas as manhãs faz o primeiro cocó do dia o que normalmente resulta num mergulho na banheira.
A hora do pequeno almoço é sempre de extrema dificuldade, como de resto a do jantar. As minhas filhas não são comilonas.
A sorte é que acordamos cedo e o tempo, apesar de não sobrar, chega. Isto de preparar três mulheres para sairem à rua tem os seus quês de complexidade. Esta manhã, por exemplo, a Constança deu para implicar com a meia calça e foi dificil convencê-la a não a descer até aos tornozelos.Já o problema da Carolina é da cintura para cima. Não se dá com golas e não é grande apreciadora de camisas. Custa-lhe entender esta coisa das estações do ano.
Agora que estou desempregada já me passou pela cabeça mudar-me para o Brasil e escrever-vos sobre a maravilhosa vida dos portugueses entre um passeio no calçadão e umas compras em Copacabana.
É uma hipótese. Assim que for indemnizada.
8.11.11
7.11.11
A Cátia é a maior
Mesmo agora num directo da Casa dos Segredos enquanto jogavam ao "Quem é quem?":
Daniela S: é homem?
Marco: não.
Cátia: é homem?
Em conjunto: então Cátia, estás a brincar? Não acabaste de ouvir que não é homem?!
Cátia: atão, mas podia ser gay, né?
Daniela S: é homem?
Marco: não.
Cátia: é homem?
Em conjunto: então Cátia, estás a brincar? Não acabaste de ouvir que não é homem?!
Cátia: atão, mas podia ser gay, né?
4.11.11
Invicta? Porque não?
Quando a vi, pela primeira vez, pensei "uau, que lindos olhos", mas rapidamente entendi que era muito mais que isso. E a afinidade até nem é (só) por partilharmos ofícios, por estarmos habituadas a contar caracteres ou registar momentos. A verdade é que nem sei dizer o que é "esta afinidade". Convenhamos que estar com a pessoa que está, ajuda. Tenho-o em muito boa conta, mas, por outro lado, assalta-me o ressabiamento de uma relação falhada com a minha melhor amiga (é um facto sim senhor que se ainda não sabias, passas a saber)...
Bom, no fundo o que quero dizer é que a conversa desta tarde foi importante. Lembrou-me que há mundo(s) lá fora e que a A3 estreita distâncias. E tu inspiras-me. Tu e esse comboio que te apanha todos os dias, embora - reconheço - que evito lembrar-me da minha última viagem no intercidades até Lisboa.
Obrigada ;-)
3.11.11
As desculpas da crise
Ouve-se muito que a crise é uma oportunidade. Para criativos e mentes brilhantes. Ou apenas para sortudos que por acaso descobriram a galinha dos ovos de ouro. Mas, eu cá acho que a crise é uma oportunidade - também - para a chica-espertice - no seu melhor. A crise é desculpa para tudo!!!! Para patrão não pagar salário. Para homem em plena andropausa jogar o seu (não) charme para vintona gostosa com a justificação que a crise abalou o seu casamento de duas décadas - quase três. A crise é desculpa para se gamar chocolates no supermercado. So há dinheiro para o saco de cinco pães que alimenta uma família de sete pessoas. E o chocolate tem nele um efeito antidepressivo. A crise veio para ficar, mas não se alteram hábitos por ela. Tomar o pequeno almoço em casa é impensável. A solução é sair da pastelaria sem pagar. Assim, na lata. Depois do café e do pastel de nata, da leitura do jornal do dia que ainda traz - com a maior das naturalidades - de baixo do braço sai porta fora. O patrão não está e o funcionário sabe que é inútil a repreensão porque da boca do mau pagador a desculpa é apenas uma e previsível, "é a crise".
Por ela, a crise, tenho assistido a verdadeiras tragicomédias. E já nem falo dos episódios recorrentes que se passam nas caixas prioritárias. A moda agora é outra. Passo a contar.
Aqui no Lidl (juro que não é perseguição e nem tão pouco ando a receber dinheiro do Continente), ao final da tarde estão duas caixas abertas. Quando a fila quase esbarra nas arcas dos enchidos bem ao fundo, uma mente iluminada toca na campainha para chamar o colega da caixa 3. O dito cujo instala-se e em voz alta diz, "por ordem podem passar para esta caixa". O que se segue é uma luta lamentável por chegar primeiro ao tapete e colocar os seus artigos. O que mais me custa é que vencem sempre os inergúmenos. As pessoas ditas normais- como eu - que até nem são rápidas na mobilidade, mas mortíferas na língua, resignam-se. Deixam-se alcançar. Defendem-se com o típico olhar do desencanto, da estupefacção.
No feriado de terça feira, aconteceu exactamente isto. Um homem com os seus 40 anos acotovelou os demais para alcançar primeiro a caixa, mesmo que o funcionário tivesse dito "por ordem". O outro - que seria o primeiro se a maioria soubesse o significado de "por ordem", resignou-se. A mulher e a filha do inergúmeno chamavam-lhe a atenção enquanto ele barafustava. Não aguentei - como de resto acontece - e disse-lhe: "deveria ter respeitado a ordem da fila que já estava formada na outra caixa como o funcionário referiu". A mulher, envergonhada, insistiu, "estás a ver. Eu disse-te". Ele pensou uns segundos e eu - crente -acreditei que se fosse desculpar, mas não. Qual quê? Virou-se para a mulher e voltou a surpreender, "respeito a ordem se eu quiser. Eu é que sei. Eu é que fiz a ordem".
Ok, pá. É a crise! Pois com certeza. Tempo é dinheiro. Mesmo que fosse feriado.
2.11.11
Deste inverno
Depois de uma semana atípica a rotina voltou. E com ela tantas outras coisas, como o silêncio ou o espaço...as manhãs solitárias. E a sopa do almoço.
Com o frio instala-se a necessidade do preto. Especialmente na meia opaca. Não gosto de invernos floridos. Mas gosto de cores. De cores que brilham sem partilhas. Este inverno veste-se de laranja. De turquesa. Ou verde. Ando a suspirar pelo verde. E pelo sol. Que se mistura com o frio e pede o pêlo ou as luvas nas mãos. Gostava de usar chapéus este Inverno, mas cortei o cabelo.
A sexta foi dia de vacinas. As meninas protegeram-se da gripe. A Constança melhora., E piora. O ranho não cede e a tosse vai e vem, principalmente à noite. No meu tempo, o meu pai, ia para a Penha queimar eucaliptos. Agora fazemos nebulizações e ginástica respiratória. Até a cadela constipou.
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