24.1.12
Deixem o homem
A cadela dormiu com a mais velha. Esgueirou-se escadas acima e dei com ela a fingir-se de morta em cima da cama, com a cabeça na cabeceira como que a dizer-me "vai deitar-te que eu olho pela miúda". Aquela imagem enterneceu-me e não tive coragem de tirá-la dali. Pelo menos, até às 2 da madrugada quando fui espreitá-las e reparei que a bicha estava literalmente a dormir em cima da criança. Nunca vi cão que goste tanto de fazer companhia. Não lhe chega viver literalmente connosco, dentro de casa e passar o dia a dormitar, em cima do sofá, sente-se tanto melhor quanto mais em cima de nós estiver. Como agora, por exemplo, tem um sofá quase só para ela, mas insiste em dormir em cima do meu abdómen.
À distância, ouvi a abertura do telejornal e entendi que os portugueses continuam chocados com as declarações do Cavaco. Há movimentos a angariar dinheiro e movimentos que exigem que o presidente da república se demita. Eu acho que já disse, mas vou repetir, sou apartidária. Não sou por partidos. Sou por pessoas e garanto que o Cavaco não me é especialmente querido, mas também não entendo esta crucificação colectiva por um... desabafo. Choca-me mais o Catroga que vai ganhar 45 mil euros. Aliás, até acho que o salário do PR devia servir de linha reguladora para outros que auferem muitos milhares ao final do mês por cargos menores.
Não tenho dúvidas que se pudesse voltar atrás, o Cavaco nunca teria dito o que disse e repetiu à jornalista, mas não encaro essas declarações como blasfémias. Se ganho 3 mil projecto a minha vida para um carro melhor, uma casa melhor, roupas melhores. Se ganho 500, defino o meu orçamento numa escala muito menor.
Como tal, portugueses, vamos lá arranjar outro bode expiatório ou um programa bem mais interessante. Olha, visitem Guimarães.
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