20.9.12
E depois a bonança
O tempo não sobrou de manhã. Não pude mimar a cadela antes de sair, apressada, com mochila, lancheira e bolsa num braço e bebé no outro.
Chegamos 5 minutos atrasadas como de costume. E como de costume eu carrego sozinha a responsabilidade do atraso. Porque não me basta lavar os dentes e o rosto.
E hoje...ah (!) hoje a bebé foi pela primeira vez para o colégio com um totó.
Voltei ao dentista, claro. E ao pequeno almoço discuti o indiscutível.
Eu - a quem ela chama bruta - lia nas entrelinhas a união de um povo. A mão de ternura no coração de aço do polícia, blindado até aos olhos. Por aquela menina de 18 anos, de longos cabelos e olho azul.
Invoquei a história remota de 74 e a outra revolução, feita de cravos em vez de pólvora. E a democracia que conquistamos.
Ela, queixava-se dos brandos costumes, do abracinho que tirou o protagonismo ao verdadeiro propósito da manifestação... Discutimos o indiscutível.
E depois o correio que afinal nem sempre são contas electrónicas para pagar ou a mensalidade da DECO, ou correntes da tanga, ou spam, ou publicidade...
Às vezes, há convites que nos tiram o fôlego.
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