18.9.12

Já entenderam que não estou na Venda do Pinheiro

Nunca pousei nua para uma revista, não tenho 20 centímetros de unhas, nem cabelo descolorado e o facto de ter tirado as extensões também pesou para a decisão da Voz.
A minha orientação sexual já não se usa bem como ter uma família tradicional - ou seja, duas crianças filhas do mesmo pai e da mesma mãe.
Há uns quatro anos deixei de bater no Nelson e o único telemóvel que lhe parti foi aquele Nokia - o primeiro que saiu sem antena. Agora que penso, devia ter feito psicoterapia e reabilitação bem mais tarde e talvez ainda tivesse hipóteses de mostrar as cuecas à Teresa Guilherme - e ao país - no confessionário.
Convenhamos que o meu segredo até era forte - pelo menos, assim pensei. Mas, afinal, o ficheiro que eu julguei secreto há muito andava nas bocas do povo. Mais propriamente desde a derrota eleitoral do Sócrates para este pseudo governante cujo nome me recuso a pronunciar.
Aquela foto do agente da Reuters no jardim do Carmo que regista o nosso beijo apaixonado antes dele partir para Paris, foi parar às mãos do Paulo Portas que a usou para seu benefício no caso dos submarinos. Ora, toda gente sabe da amizade entre o Paulinho e a Teresinha.
Entenderam como é que a minha participação com o segredo "tive um caso com o ex primeiro ministro" ficou desde logo inviabilizada?
Isto depois de ter feito 20 malas de roupa; duas caixas de sapatos de medicamentos; um trolley de bijuteria e sérum para o cabelo e umas 30 caixas de unhas postiças da Primark.
Quando souberam que o meu segredo era tudo menos secreto - até porque o Guterres, numa das visitas a S. Bento viu a minha foto na secretária do Zé e foi tudo menos discreto - nem me deixaram terminar o pequeno almoço. Regressei e puseram no meu lugar aquela loirinha muito educada de Lousada... quer dizer, não sei se foi ela ou aquela morena bondosa que puxava pelo namorado à porrada.

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