30.1.12

Achado

Acabei de encontrar uma chupeta da Constança num sapato que me preparava para calçar.

Rotinada

Hoje, a rotina voltou. O telemóvel do marido acordou- me as 6.35h porque se esquece sempre de o desligar. A Constança despertou uma hora depois encharcada até às orelhas. Chorou. Pediu colo. Fez as cenas do costume para comer...
A Carolina, vestiu- se, por fases. Enfia as calças, pára 5m a olhar para os bonecos no Zigue Zague. Vai fazer xi-xi. Regressa. 3m porque começou o Gomby.
Aparece a cadela. Deliram as duas. A cadela urina-se de entusiasmo.
Chegamos à escola 7m atrasados.
Seguimos para o Colegio. Constancinha avisa-nos de antemão "mu não"- tradução: música não. Interpretação: escusam de de pôr para aí a cantarolar que não quero ir para a escola e não há música que me anime.
E assim foi. Deixei-a em prantos no colo da educadora.

29.1.12

Mango

Para mim os saldos já foram. E não adquiri nada assim para o extraordinário. Aliás, acho que a única compra que fiz em período de saldos foi um vestido que há muito estava na minha wishlist mas não encontrei em Portugal. Dei com ele em França e para minha desgraça era coleção de continuidade e não tive direito a desconto.
Talvez, numa manhã qualquer, sem crianças a tiracolo, ainda parta numa busca pelas últimas oportunidades. Mas, a verdade é que já ando a suspirar pela nova colecção. Para mim. E para elas.
Para já, os trapinhos que me têm aquecido o coração estão na Mango. Tem uma new collection linda de morrer e sensível às nossas carteiras parcas em euros porque os preços não estão nada inflaccionados.

Deixo três modelitos que em breve terão uma nova morada.





28.1.12

Acidentes domésticos

A Constança acordou sem febre. Thank god a temperatura estabilizou nos 36. Pensei que me tinha livrado do centro de saúde, até ela me aparecer com uma expressão de espanto e a mão ensanguentada. Tinha se cortado na gilette do pai. E como foi na extremidade do dedo, numa zona de grande irrigação o sangue não estancava. Mais tarde, no centro de saúde, até me senti constrangida por levá-la com o que parecia ser um simples arranhão, mas se vissem a roupa dela- e a minha- e a casa toda pingada de sangue entendiam a minha precaução.
E hoje o dia estava reservado para os acidentes domésticos. Após o almoço, num dos seus sprints foi direitinha contra a porta da casa de banho. Não abriu a testa por um triz. Ficou- se por um grande galo.
Dorme, finalmente, mas antes, ainda vomitou, depois de mais uma crise de tosse (já disse que odeio o inverno?).

Desculpem lá não escrever sobre o Dow Jones, o preço do dinheiro ou a especulação imobiliária, mas isto é mesmo um diário, então escrevo, assim sobre o sono do bebé e a farinha láctea que mais gosta ou sobre os progressos da mais velha na matemática. Ou sobre as futilidades que eu adoro, tipo... Extensão de pestanas? Já disse que o efeito supera as expectativas? Não? Pois, supera. E até perdoo o meu pai por não me ter passado o gene dos seus lindos olhos azuis mar.

27.1.12

Ainda vou a tempo da nomeação?

Percebes que o teu blogue é fixe quando começas a receber comentários pejorativos.

Uma tragédia abateu-se sobre esta casa

As meninas brincavam na sala. Na cozinha, eu comia um pãozinho e conversava com a minha mãe quando a cadela aparece com alguma coisa na boca. Até aqui nada de anormal. Tudo o que mexe a Pipa come.
Como foi um canito assim para o caro e tem alguns problemas gástricos, costumo verificar o que ingere porque não raras vezes já lhe dei compensan e outros que tais. Bom, adiante, quando a seguro para ver o que tinha na boca, vi uma parte escura de fora que me pareceu aquelas aranhas de plástico, tipo carnaval. Ao tocar, percebi que eram umas patinhas bem reais e patinhas nesta casa- além das da própria cadela- só as da tartaruga. Fiquei toda arrepiadinha e apressei-me a verificar o aquário. Vazio. Foi um pranto colectivo. Panico. A Carolina gritava. A Pipa mastigava, sem dó nem piedade e quando se apercebeu que aquela carapaça talvez não lhe caísse bem, cuspiu o que restava da tartaruga. Desfigurada, tadinha.
A Carolina está furiosa e não permite que a cadela de aproxime. Cheira- me que esta noite não há caminha para ninguém.

Ou isto

Tipo, já fiz a extensão de pestanas e nem partilhei!!!

A sério

Que gostava de ver um passarinho aos pulinhos na varanda e vir partilhar aqui no Menina das Sardas. Ou encontrar um trevo de 4 folhas e exibi- lo. Ou quiçá, dar conta do banho de iogurte que ontem a Constança deu à cadela. E note- se que não era um lacticínio qualquer, não senhor, era um activia de aveia e noz. Mas, esta minha vida não é simples. Ora mede febre, ora embala bebé, ora passa a tarde acotinhadinha numa casinha de meio metro qual feto no ventre de sua mãe.
Constancinha continua semi-febril, mas brinca, morde a irmã e a cadela e até recuperou o apetite... Já liguei ao pediatra que me pediu, por favor, para não panicar, e atreveu-se a dizer que 37,5 nem febre é.
De modo que vou tentar não chatear muito o homem e torcer para a febricola ir chatear outro.

25.1.12

Está bonito...

Bicheza???

Cheira-me que vem aí bicheza outra vez. E não estou a gostar. Ontem, pareceu- me estar mais quente que o normal, mas como cantarolava com todo o entusiasmo e a viva voz, desvalorizei.
De manhã quando acordou, tive a mesma impressão. Estava com 37. E pensam vocês, "ah, isso nem febre é". Bom, normal também não é. Por isso, decidi não a levar para o Colegio.
Vamos ver no que dá.

24.1.12

Da felicidade

Fazem-se estudos para aferir o grau de felicidade dos portugueses. E de outros povos do mundo. De nós, dizem que somos acolhedores e hospitaleiros, mas não seremos os europeus mais felizes.
Não eram precisos estudos para se concluir isso. Basta ser português. E frequentar sítios. Cafés, pela manhã. Quiosques para comprar o jornal do dia. Padarias para se trazer o pão para casa ao entardecer. Basta falar-se, com quem se conhece e com quem apenas se vê. E se partilham as angústias.
Dizem, esses mesmos estudos, e eu registo em jeito de curiosidade, que as mais belas expressões (de felicidade) captadas pelas objectivas fotográficas são de gente subnutrida de países pobres de terceiro mundo. E se nos limitarmos a Portugal, o mesmo estudo, relizado por uma reputada universidade, constata que os portugueses mais felizes são os que não têm casa ou os que a tendo a dividem com uma dezena. Passam frio. E fome. E dizem-se felizes. Surpreendente, ah?!
No Domingo, discutia à mesa, com a minha mãe e uma tia sobre felicidade. A minha mãe, típica portuguesa, atormenta-a as dores diárias. De cabeça. Das costas. O coração, que de quando em vez, dispara durante a noite. A cara que inchou porque o dente infectou. A ansiedade. Faz contas às horas de intervalo entre uma e outra toma de benuron e brufen e o calmante do dia. "Mulher doente, mulher para sempre", digo-lhe tantas vezes que já nem as consigo contar. É mãe de uma única filha e avó de duas netas, que ajuda a criar. Orfã. Viúva. É incapaz de assumir felicidade e bem estar.
A minha tia deixou-se contagiar pelas profecias da desgraça e revelou que se sente cada vez mais infeliz. Com os anos. Os meses. Os dias. Sente-se só. Mas, a sua infelicidade justifica-se pela ausência dos que lhe são mais próximos. Filhos (dois) e netas (duas) emigrados e que só vê duas vezes por ano.
A solidão também me entristeceria.
Não conheço ninguém que se assuma feliz. A quem se pergunte "então, está tudo bem?" e do outro lado não se devolva um "vai-se andando...". Como que teimando. Sobrevivendo. Pior, como que encarando a vida como um castigo que se tem de suportar.
Eu própria, à luz da minha razão, posso julgar-me das pessoas mais felizes do mundo, mas nem sempre o meu corpo (e a minha mente) é coerente. E toma-me como refém.
Falta aos portugueses um "je ne sais quois" de brasileiro. De pé descalço e chapéu de palha na cabeça. E música - samba no pé. Mais do que o clima. E a beleza do país, o que mais impressiona no Brasil é o jeito deles. É o palhaço que chega ao pavilhão que alberga centenas que ficaram sem casa e família depois das cheias. Juntos cantam. E dançam. E fazem malabarismos com o pouco que resta para comer. E pela boca diz-se "bola para a frente que atrás vem gente".

Deixem o homem


A cadela dormiu com a mais velha. Esgueirou-se escadas acima e dei com ela a fingir-se de morta em cima da cama, com a cabeça na cabeceira como que a dizer-me "vai deitar-te que eu olho pela miúda". Aquela imagem enterneceu-me e não tive coragem de tirá-la dali. Pelo menos, até às 2 da madrugada quando fui espreitá-las e reparei que a bicha estava literalmente a dormir em cima da criança. Nunca vi cão que goste tanto de fazer companhia. Não lhe chega viver literalmente connosco, dentro de casa e passar o dia a dormitar, em cima do sofá, sente-se tanto melhor quanto mais em cima de nós estiver. Como agora, por exemplo, tem um sofá quase só para ela, mas insiste em dormir em cima do meu abdómen.
À distância, ouvi a abertura do telejornal e entendi que os portugueses continuam chocados com as declarações do Cavaco. Há movimentos a angariar dinheiro e movimentos que exigem que o presidente da república se demita. Eu acho que já disse, mas vou repetir, sou apartidária. Não sou por partidos. Sou por pessoas e garanto que o Cavaco não me é especialmente querido, mas também não entendo esta crucificação colectiva por um... desabafo. Choca-me mais o Catroga que vai ganhar 45 mil euros. Aliás, até acho que o salário do PR devia servir de linha reguladora para outros que auferem muitos milhares ao final do mês por cargos menores.
Não tenho dúvidas que se pudesse voltar atrás, o Cavaco nunca teria dito o que disse e repetiu à jornalista, mas não encaro essas declarações como blasfémias. Se ganho 3 mil projecto a minha vida para um carro melhor, uma casa melhor, roupas melhores. Se ganho 500, defino o meu orçamento numa escala muito menor.
Como tal, portugueses, vamos lá arranjar outro bode expiatório ou um programa bem mais interessante. Olha, visitem Guimarães.

23.1.12

Actualizaçao

Só para não dizerem que me esqueci dos meus mui prezados leitores vim dar um "hi" e dizer que dentro de uma hora (nem tanto) devo estar no reino dos sonhos. Pasmem-se mas esta que vós escreve valoriza sobremaneira as horinhas de sono. Devoto- lhes a mesma disciplina que devoto ao rimel e ao blush e às meias quentinhas por cima do pijama. A vantagem é que acordo com cara de mãe e não com cara de teenager como uma que eu cá sei e é autora do blogue Doces Vivências.
Outra, que eu também sei, de pijama rosa choque, deitada aqui ao lado continua a esfregar os olhos, mas resiste. Disse- me que hoje a professora pesou todos os meninos e ela e a outra Carolina são as que pesam menos- 20 kg. Ai que surpreendida que eu estou!!!
Dizer ainda que de manhã passei pelo shopping, fui ao cabeleireiro e já em casa fiz uma breve pesquisa sobre extensão de pestanas e estou assim para o inclinada a experimentar.
Era só isto.

22.1.12

A todos aqueles que estão lá fora, especialmente aos meus que me receberam e emprestaram uma terra que não é a sua

A vida lá fora


Fria é de certeza. A tal ponto que quando chegas a Guimarães pensas que estás na primavera em pleno janeiro. A brisa, ao pisar o asfalto do aeroporto, acaricia-te o rosto. Não corta. Como que a dar-te as boas vindas. E num gesto instantâneo o coração sorri.
Hoje saí à rua sem casaco e o janeiro ainda não terminou. De manhã não liguei o ar condicionado.
A vida lá fora é dura. E solitária. Os homens saem cedo para o trabalho que se faz a muitos quilómetros de distância. E este cedo é o tarde da noite, num dia que continua iluminado artificialmente porque tarda ainda para o sol nascer.
As mulheres arregaçam mangas. Sobem dezenas de andares pelo próprio pé, com as mãos carregadas de baldes, com os baldes carregados de água que transborda - qual gota de suor - degrau a degrau. Mas antes, entregaram os filhos nos colégios, lavados em lágrimas, e morderam o lábio, assobiaram para o ar. Resistiram para não os trazerem e meterem na mala de regresso a Portugal.
A vida lá fora é uma casa emprestada. E por muito que paguemos por habitar aquelas meia dúzia de paredes, há sempre algo que nos lembra que aquela terra não é a nossa. Seja a língua e por continuarmos a não acertar quando dizemos cavalo ou cabelo. Seja a sanita quase sempre colocada no exterior separada da "sala de banho". Ou a papa dos filhos que vem em pacotes individuais.
Há cocó no chão. E lá fora há muitos cães que se deixam passear por velhos e velhas que os têm para fintar a solidão. Há graças de 200 euros deixados em envelopes nas caixas de correio como quem deixa as promoções do Intermarché.
Lá fora há a música tradicional portuguesa que toca ininterruptamente no rádio do carro. Há elevadores que descem os carros até à garagem. E shoppings feios, com lojas feias e Yves Rochér ao dobro do preço de Portugal. A água sabe mal e come-se queijo no final do jantar.

21.1.12

Guimarães veste Prada


Quando começaram as obras para a Capital Europeia da Cultura, há mais de um ano, especialmente no Toural, que é o coração da cidade e onde se sentiram mais os constrangimentos, nomeadamente ao nível das alterações do trânsito, a Carolina questionou-me relativamente às razões de tantas intervenções. De uma forma simples tentei explicar-lhe que íamos, brevemente, receber um grande evento, que estaríamos em festa ao longo de um ano e que para isso a cidade precisava de mudar as suas roupas que estavam velhas e demodé, por isso, o Toural, estava em obras, para mudar a sua roupa. Foi a metáfora perfeita. Ela entendeu o que lhe quis dizer e soube que usou, mais tarde, a comparação na sala de aula com os colegas e a professora.
As obras terminaram, há algum tempo e hoje, em dia de abertura oficial da CEC, ao passarmos no Toural, já com o aparato da preparação do grande espectáculo de logo mais, a Carolina voltou a surpreender-me ao dizer, "mamã, hoje Guimarães veste Prada".
Eu nunca diria tão bem.

20.1.12

Antihistaminico para a cadela

Queixava-me com o meu homem de como a cadela, um bulldog francês, ressona. Ronca, mesmo, tal e qual um adulto e note-se que a bicha tem só 5 meses.
Dizia-me ele que esta raça respira mal. Respondia-lhe eu que sim, que quando ela se aproxima dá-se logo conta porque vem sempre a fungar. E atrás de nós ouvimos mais uma brilhante sugestão da nossa criança mais crescida. "Mamã, esta noite podias dar-lhe uma colherzinha de Aerius, ficava logo mais aliviada".

19.1.12

Desconectada

Desde que aterrei estou assim. Pacientemente à espera. Ignoro sinais e sintomas. Só espero. E estou certa que a "virtude" está ali, mesmo ao pé da oliveira do jardim.

15.1.12

Nao neva, nao senhor

Estou num belissimo mac francês, como tal, vejo-me impossibilitada de escrever em português correcto. Alem das teclas estarem dispostas à grande e à francesa, tambem nao ha acentos; assim como o til e outros demais.
Mas adiante, so passei para dizer que acabei de "mangér"um gigante kebab feito por um turco que ficou impressionado com o meu francês e me incentivou a ir ao terceiro filho. Isto depois de acusar o maridao de nao saber fazer meninos.
Aqui nao neva, mas esta um frio cortante. Literalmente. Entra-me por este ouvido esquerdo e ensurde-se-me.
Eu nao seria feliz aqui porque aqui nao tinha como enfiar-me num vestidinho reduzido assim a puxar para o sexy. Aqui nao passas sem luvas, cachecol e chapeu na cabeça. Ou seja, aqui, o desejavel é teres os olhos apenas à vista.
Esta gente é tipo formiguinha, trabalha, trabalha e na rua ninguém os vê.
E agora vou que aqui é mais uma hora.

14.1.12

Sãos e salvos

Mesmo depois de muitas horas de voo, fico como que angustiada (?) cada vez que chego ao aeroporto. Após a porta de embarque como a respirar assim mais amiúde e dó relaxo quando o bicho estabiliza no ar.
Acho que só entrei feliz da vida num avião no meu baptismo de voo.
Dois calmantes e cerca de duas horas depois aterramos. Em segurança. Foi a primeira vez que voei com a ryanair. Parece aquelas excursões onde há uma panóplia de produtos para vender. Primeiro, as sandochas. Depois, as águas e os chás. E o mais surpreendente, cigarros com nicotina que não fazem fumo. Já nem falo nos habitués, perfumes e cosméticos.
A minha mais nova, estreante, foi tal e qual a mana velha bá sua estreia. Fez quilómetros ao longo daquele corredor. Levei três revistas. Não li nenhuma. Em boa verdade nem os olhos lhes pus em cima.
Agora estamos em família apesar de tantos quilómetros longe de casa. E em festa, também.

13.1.12

Segunda feira, 13

Foi há 9 anos que fritei batatas para disfarçar a dor de uma amputação precoce. Encolhi- me no sofá para assim reduzir também em tamanho a minha perda.
Foi em vão.
A cicatriz da amputação continua visível. Palpável.
O tamanho da perda aumentou. Dissiminou-se por outros órgãos em tantas outras circunstâncias, vida fora.
Naquela segunda feira, 13, deixaste a cama vazia. Com os lençóis revolvidos de dor.

Lembrete

Agora vou passar pelas brasas mas depois lembrem-me de falar do Futre.

All a board


A minha mãe já foi ao dentista. Eu já fui à farmácia. Trouxe comigo mais arsenal. Entretanto, em casa, comecei a compôr as malas. Primeiro, das meninas - tudo aos pares - depois, a minha. Para meu espanto não foi tão difícil como supus. A ausência será curta e como vamos para o frio também não dá muito jeito levar uma dúzia de vestidinhos e afins. De modo, que foi fácil e está praticamente tudo pronto.
A Constança vai fazer o seu batismo de voo. A Carolina, já rotinada, tem manifestado alguma ansiedade. "Estou cheia de nervos", dizia-me um destes dias. E já me chegou aos ouvidos que hoje foi partilhar o fanico com a professora.

Podia ser pior

Por acaso já disse que a Carolina está a antibiótico devido a um dente? E hoje foi a vez da minha mãe acordar inchada... Devido a um dente?
E que vamos viajar amanhã com meia farmácia na mala?

12.1.12

Ai...ai

Continuo sem indicação para internamento. E continua "intensa" a relação com o médico de família ( mentes perversas, atenção com a interpretação da palavra intensa).
Partimos sábado e ainda não tenho plano de malas elaborado.
A minha Constança acordou constipada. E eu não gostei. Notei aquele narizinho novamente cheio de rinorreia. Para minha desgraça, ela desgraçou- se, no caminho até ao Colegio. Chorou. Suplicou. Chorou mais ainda. Gritou... Quando a deixei, o choro tinha calado. Mas eu vim embora com o coração encolhido. Por a ver chorar assim- que já nao via desde que nasceu- e por estar constipada e estarmos em véspera de viajar.

10.1.12

A culpa é da Troika, pá

Vai um 31 aqui pela unidade. Os que não pagavam, agora pagam e os que, como eu, pagavam 2,25€ passam a pagar 5€! Assim, para ser conta certa e evitar os incómodos das moedas no troco.
Há os resignados, como eu. E os inconformados, como a maioria.
As crianças até aos 12 anos não pagam. Os doentes crónicos se vierem à consulta devido à maleita que lhe valeu a cronicidade não pagam, mas se precisarem do médico por causa de uma gripe, toma lá que já almoçaste e pagas 5€ aqui como a minha modesta pessoa.
Quando chegam, os utentes, ficam surpreendidos. Questionam os administrativos que os mandam informar-se no portal da saúde e responsabilizam a Troika.
Estou mesmo a ver esta senhora sentada ao meu lado que deve ter cerca de 80 anos chegar a casa e agarrar-se à net. Enquanto, posta no Facebook faz um desviozinho ao portal da Saude.

Despesas

Hoje já "desencarteirei" 1.50€ para os arrumadores. Primeiro, quando fui pagar a factura da água- já não bastavam os 82€. Depois, quando fui pagar a luz- como se 140€ não desse para um regabofe nos saldos. E por último, aqui, no parque da unidade de Saude. Tres arrumadores x 0.50€.
Ocorre-me que estou desempregada... E se eu... Será?

Hope for the best

Cheguei ao café onde tomo habitualmente o pequeno almoço e não havia mortos colados no vidro.
Hoje também consegui- finalmente- marcar consulta com o meu novo médico de família que se chama Rui, tem a minha idade e não aceitou o meu pedido de amizade no Facebook. Como se não bastasse, desvaloriza toda a minha sintomatologia como que a dizer "você é mas é uma grande mimada"...

Let the day begin

O telemóvel desperta as 7. Eu enrosco-me mais um bocadinho. No quarto ao lado, a Constança já chama. Levanto-me quando a bebé se abeira de mim.
A primeira sensação é que ainda nos restam muitos minutos pela frente. Mas num piscar de olhos fico em versão Spartacus.
O mais desgastante da manhã é vestir o ser mais reduzido daquela casa. Nossa! O trabalho que me dá. A agilidade que me obriga. A destreza. A rapidez. A paciência. A imaginação. "olhó o circo. Vê, é o Noddy. O Gomby pescou uma baleia...". Ela levanta as sobrancelhas. Espreita. E diz "oh". E foge, para onde não a alcanço.
Depois são os pequenos almoços. Primeiro um. Depois o outro. E por ultimo, o da cadela.
Ultimamente a Carolina tem chegado ligeiramente atrasada. E a Constança apela desesperada todo o caminho "Tuta não, Tuta não" (Tuca é a educadora) mas quando lá chega mergulha-lhe para os braços aquela grande fiteira.

O termómetro do carro marcava 4 graus. Menos mal. Ontem chegou a marcar 2!!!

9.1.12

Hoje perdi-me


Entre paredes que são minhas. Não reconheci o tacto, o cheiro e as cores de espaços que são meus. Identifiquei outros sinais que se tinham perdido, no tempo. Senti-os na pele, no corpo. Na mente. Principalmente na mente.
Há muito que venho tentando desligar a corrente. Carregar no stop. E hoje não fui capaz de parar o filme. Por isso perdi-me. E só me vejo encontrada num caminho que não queria voltar a tomar. É o percurso mais curto onde se esconde o lobo mau. Talvez o volte a fintar como já o fiz uma vez... Talvez não...

6.1.12

Naqueles dias

Fico ainda mais insuportável que nos outros, ditos normais.
Tenho lágrimas no canto dos olhos que ameaçam escorrer ao ouvir o "cola- cola" da Rute Marlene.
Tenho dores de cabeça, algumas tonturas e pouca fome. Só me apetece chocolate. E foi movida por este desejo que já em pijama enfiei as meninas no carro e a minha mãe e fui à procura de tíbias de chocolate.
Estacionei o carro à porta da pastelaria e PUM!!! Bateram-me! Um senhor, distraído, veio direitinho a nós enquanto fazia marcha atrás.
A minha mãe aflita disse- me que saísse para resolver a situação com o senhor, mas lembrei- lhe que estava de pijama e não estragaria numa noite a minha reputação de icone de estilo que levou 30 anos a conquistar.
Teve ela que se entender com o homem perante a estupefacção dos mirones muito intrigados com a minha aparente indiferença.
Nos entretantos, pequena Constanca conversava com o GPS e Carolina choramingava, "ai mamã o que havia de acontecer... E tudo por causa da tua vontade de comer chocolate". Dramática a miúda.

Cinema


Enquanto espreito os melhores momentos de 2011 do Você na TV, percebo como o cinema faz falta na minha vida.
Com o meu pai, a segunda feira era sempre dia de cinema, no extinto S. Mamede, hoje transformado em sala de espectáculos.
Com o Nelson ainda mantivemos muitos anos o hábito com uma periodicidade semanal. Lembro-me da estreia do Titanic (que ainda mantém o título de filme da minha vida) com a sala a rebentar pelas costuras. Vi o filme, a primeira vez, com o meu pai, a minha mãe e um casal amigo. Na mesma semana, fui vê-lo mais duas vezes. Mas, nunca chorei.
Depois com as meninas, o cinema passou para segundo plano. Vamos quando há uma estreia que nos cativa ou quando precisamos de um balão de oxigénio.
Deixem-me acrescentar duas coisas. Primeiro que a pirataria comigo não tinha grandes chances de sobrevivência. Não ouso ver um bom filme - que ainda não tenha estreado -  em casa e o meu LCD é graaaande. A tela do cinema, a coca- cola XL e a caixa de pipocas são insubstituíveis.
Agora, não posso deixar de lamentar a exurbitância que custa um bilhete de cinema. Da última vez que fomos ver os vampiros, pus no balcão uma nota de 10 euros para pagar os dois bilhetes e estava convencida que ainda traria troco quando sou surpreendida pelo fulano "são 12 euros e não sei quê". Oi? Já é assim tão caro uma sessão de cinema? Fora o menu de pipocas xpto que traz bebida e o copo para oferecer à Carolina como compensação por nos ter permitido a ausência.

5.1.12

Volta Fanny, eu perdoo-te

Gosto do César Mourão, a sério que gosto, mas sinto falta da Casa dos Segredos. Deus me perdoe, mas até da Fanny tenho saudades. E já penso na derradeira gala de domingo.
Já tenho os bilhetes de avião e a ansiedade instalada em mim. E por muito que esteja feliz por ir, a minha ânsia é mesmo da viagem. Odeio aviões e já só penso como me vou fingir de morta no trajecto até ao destino. Dobrar a dose das benzodiazepinas?
Entretanto, Kiki adormeceu e eu posso ir para o cafoné do maridão.

Limpar para os males espantar

Até os mais distraídos já entenderam que não sou uma fada do lar. Não tenho grande apreço por vassouras, espanadores e afins. E há muito que a aspiração central já não me cativa.
No entanto, hoje, alguma "Maria" se apoderou de mim. Após deixar a Carolina na escola, enquanto abria os portões pensei "porque não aspirar a carrinha?". Pareceu-me sensato. E inteligente. Daqui a nada ganhava ratos e demais espécimes. As minhas filhas acumulam todo o tipo de tralha no automóvel, coisas que não lembram ao diabo. Tipo, "mãe tenho calor", vai daí, descalçam-se. E ficam pelo carro, as meias, os sapatos... A Carolina, por exemplo tem o cantinho das guloseimas. Depois, há os brinquedos, as migalhas, os acessórios...
A verdade é que aspirei o carro. E como se não fosse já considerável esforço físico, aspirei mais três andares por onde se repartem nove divisões. Limpei pó e organizei brinquedos.
Não sei que me deu.

4.1.12

Atirei o pau ao gato

Quando numa destas noites nos deslocávamos para um jantar de família ouvíamos no CD da Leopoldina o Atirei o Pau ao Gato. Foi uma opção da Carolina que sabe todas as músicas de trás para a frente. O que não sabíamos é que a bebé também já tem a música do gato na ponta da língua.
Primeiro, olhamos uns para os outros e questionámo-nos se teríamos ouvido bem ou se teria sido mera coincidência. Decidi testá-la. E ela surpreendeu-me porque sabia mesmo a música toda. Com direito a expressões e gestos.

Não gosto de entrar no ano


É muito giro quando se começam a ouvir os sininhos. Quando se bagunça a garagem à procura da decoração do Natal. Quando se faz conta ao subsídio. Quando se contam as pessoas que se sentarão à mesa para a ceia and so on.
Quase imediatamente a seguir é a loucura dos saldos que até faz jeito a quem vai passar o ano fora e assim compra dois ou três vestidos pelo preço de um. Compra-se o espumante do mais barato. Fazem-se brindes. Promessas. Votos de Bom Ano. No outro dia acordas com uma sensação de vazio. De perda. Foi-se tudo. Foi-se o entusiasmo da expectativa e dás-te conta que o novo ano te pesa sobre os ombros.
Não gosto de janeiro, nem do início de fevereiro. Perdi pessoas por essa ocasião.
Não gosto destes dias. Frios. Escuros. Sem sol.
Não gosto de ver pessoas curvadas pelo frio na rua, de mãos cruzadas sobre o peito.

2.1.12

O meu amigo "Nona"

Só há uma coisa que desperta a sua atenção de se perfumar, o Noddy.
De manhã, assim que o genérico do boneco começou a soar, apareceu entre palmas e iupis. Mas, de repente desata num histerismo brutal. Pensei que tinha sido obra da Carolina, mas não, a paixão pelo Noddy é tal que não aceita que ele divida o ecrã com mais ninguém.
- oh mãe, deixa de dar o Noddy e ela começa a gritar. Nem dá oportunidade a mais nenhuma personagem!!!

1.1.12

Desejos (impossíveis) para 2012 parte III

Algum iluminado inventar uma fralda resistente a 10 horas de sono. É um pouco incómodo acordar de madrugada aí com 2 graus e ter que mudar bebé integralmente que entretanto chora como se não houvesse mais noite para dormir e ainda ter que mudar lençóis.

2012



Não gosto de passagens de ano. Assim como não gosto de despedidas nem de finais modernos em que o final nem sempre é feliz.
Não saio no final do ano, por opção. Ontem não foi diferente. Jantei em família. Virei a meia noite em família, com a Carolina febril no colo. Comemos marisco, jogamos wii. Regressamos de madrugada . A Carolina não voltou a ter febre - pelo menos por agora.
O Ano Novo é só um número. Embora mentalmente também faça a minha lista onde desta vez consta inscrição no ginásio, plano rigoroso de poupança e essencialmente controlo da mente. Não sei se o farei. O ginásio é a meta mais fácil de cumprir.
2011 não começou bem, mas acabou por se compôr ainda que o final não tenha sido bom com as maleitas das pequenas. Doenças de inverno, eu sei.
Não tenho vocação para falar da crise ou da Troika. Para opinar sobre o regresso ao escudo ou aconselhar, por exemplo hábitos de poupança porque apesar de os saber de cor, dificilmente os cumpro. Tenho uma grande dificuldade em equilibrar a razão e o coração. E ainda não encontrei a fórmula para evitar o conflito.
Começo o ano com uma filha doente, uma viagem marcada e desempregada. Voltei a ver a final da Casa dos Segredos menos de 24 horas depois da edição original. Esta noite vou assistir ao Avatar, até adormecer. E já me questionei como vou ocupar a primeira hora após o telejornal.
Neste primeiro dia de Janeiro e de 2012 apetece-me dizer que tenho umas saudades imensas do calor das tardes de primavera com os “amanheceres” e “anoiteceres” fresquinhos.
Decidi que neste novo ano, só peço desejos que sejam impossíveis (até prova em contrário). De resto, saúde basta-me, para mim e para as minhas e o meu.

Desejos (impossíveis) para 2012 parte II

visitar o Rio


dar uma perninha em Nova Iorque


e tornar-me um anjo