28.2.13
Enfartamentos
Estou um bocadinho farta do "come-se" ou do "vai-se andando".
Mais amiúde lá soltam um "tem de ser". Ou "é a vida".
Enfartei. Dos filmes mais ou menos. Dos básicos. Da ganga justa, da túnica e das bailarinas.
É que estou mesmo fartinha do arroz de frango sem sangue e da salada sen vinagre.
Em suma, já não posso aturar gente café com leite.
Mais amiúde lá soltam um "tem de ser". Ou "é a vida".
Enfartei. Dos filmes mais ou menos. Dos básicos. Da ganga justa, da túnica e das bailarinas.
É que estou mesmo fartinha do arroz de frango sem sangue e da salada sen vinagre.
Em suma, já não posso aturar gente café com leite.
Now what?!
Tenho me alimentado mal. Valem-me os bombons que a minha tia me deixou no carro porque mais ninguém gosta deles. São eles que me seguram o corpo cada vez mais magro (não façam essa cara de chocados porque a ideia é emagrecer mais).
Tenho um herpes no lábio. Um herpes - agora sim, choquem-se porque eu NUNCA tenho herpes. Diz a Mary que foi dos momentos de grande tensão com que comecei esta semana que finalmente caminha para o fim e se o supositório não cair nem estarei aqui.
O meu cabelo está uma merda.
Está um frio do caraças, embora não o sinta.
E estou desejosa de vestir amarelo. Amarelo integral por favor. Ou vermelho.
Vídeo de exclusiva responsabilidade da protagonista
Não recomendado a militantes e simpatizantes de direita, principalmente àqueles cujo apelido seja Coelho.
27.2.13
De fugida
Entretanto, não estou muito confortável com esta prática de viajar de avião assim amiúde.
Não gosto. Viajo tensa. Desconfiada. Em modo alerta total. Ao mais pequeno movimento dos assistentes de bordo; das luzinhas, dos botõezinhos. Analiso, gestos e expressões. Deixa cá ver se aquela sonsa está mesmo segura ou está a tentar evitar o pânico geral sem sucesso?
Incomoda-me isso de estar refém do aparelho, de não haver paragens, de não haver ar.
Não gosto. De aviões e elevadores.
Há coisas estranhas na minha vida
Esta noite dormi lado a lado com um balão. Um grande balão amarelo daquelas lojas de compra de ouro.
Eu e o balão a partilharmos a mesma almofada.
Sexo
Há momentos na vida de um casal que se esquece o quão importante é a relação sexual. E isto acontece tanto mais quanto mais novos são os filhos.
O casal deixa ser amante para ser só amigo.
Partilha a cama só para dormir. Mesmo que adormeça no ombro entre festinhas no cabelo. E acorde com a criança nos mesmos lençóis.
Há casamentos que não resistem à amizade. À imposição da amizade.
E depois há casais que despertam a tempo para a necessidade sexual. Que arranjam estratégias. Que equilibram na mesma corda o melhor dos dois mundos.
Quando não vão lá com palavras, arranjem uma cama.
25.2.13
Uma segunda feira que podia ter corrido bem
Este que tinha tudo para ser um bom dia, já descarrilou. Com aparato. Bem à minha imagem. Não há só dedos em riste e olhos zangados. Há socos na mesa e vidros partidos.
Venham as balas. Já vesti o colete.
Venham as balas. Já vesti o colete.
Sobre o Vitória B e o Braga B
Destruir o próprio estádio foi só burrice. A gravidade está nas vidas que se podiam ter perdido. Porque a realidade é essa.
Há pelo menos uma foto que mostra um adepto do Braga ser espancado por uma meia dúzia do Vitória.
Por sorte ninguém morreu e ao que parece a dezena de feridos não inspira grandes cuidados.
Como é que permitiram que uma coisa destas acontecesse?
23.2.13
Desafios
Deixem-me começar por dizer que há muito não tinha notícias da minha sinusite. Cheguei a pensar que se tinha mudado para outro nariz. Até hoje. Mais precisamente até às 18 horas do dia de hoje quando me abanquei no estádio do Sporting de Braga disfarçada de guerreira do Minho.
Tanto vermelho à minha volta que se visse a águia julgava que estava na luz.
Começou por ser um desafio. Uma proposta de reportagem. "Como torcer pelo teu clube entre os adeptos adversários?".
Em Braga, qualquer vitoriano sabe que não pode usar adereços. Hoje, percebi que não deve sequer ir como eu fui, de preto e branco (mas o frio foi tanto que só se via o preto). Se puderes nem leves o carro com matrícula de um stand de Guimarães. Não deixes à mostra nada que denuncie a tua naturalidade ou residência.
Em Braga, o speaker é um chato do caralho.
Há uma mascote ridícula... Oh pá, desculpem lá, principalmente as meninas de Braga que me leem, mas comparativamente com Afonso Henriques, qualquer mascote - ou simbolo - cai no ridículo.
O Bracara???? Realy???
Uma águia???
Um animal da mitologia???
Poupa-se o leão... Também ele rei.
Não houve um momento naquele estádio em que não me senti nua. Estava um frio do caraças e não venham com tangas porque se o frio fosse psicológico não se morria de hipotermia.
Aquilo é uma pedreira. Um estádio de se tirar o chapéu. Uma obra fantástica de Souto Moura. Não deixei de pensar isso enquanto lá estava. Minha gente, o que é...é. Mas, aquele reportório musical a tender para as boysbands mais foleiras... E o hino do Braga????
É que nem me atrevo a falar do resultado.
21.2.13
Negócios
- Mãe, dá-me xem euos...
- 100 euros? Para que queres 100 euros?
- Para dar à mana.
- A mana pediu-te 100 euros?
- Xim.
- Vocês querem comprar alguma coisa?
- Não... é para ela me deixar ver o BabyTv.
- 100 euros? Para que queres 100 euros?
- Para dar à mana.
- A mana pediu-te 100 euros?
- Xim.
- Vocês querem comprar alguma coisa?
- Não... é para ela me deixar ver o BabyTv.
Flu report
A miúda está a brincar.
A febre foi cedendo ao longo da noite.
Está fanhosa como tudo e já vai no sexto pacote de lenços (só hoje). Mas, acredito que o influenza esteja de malas aviadas para outras paragens, só espero que não se limite a mudar de irmã.
A febre foi cedendo ao longo da noite.
Está fanhosa como tudo e já vai no sexto pacote de lenços (só hoje). Mas, acredito que o influenza esteja de malas aviadas para outras paragens, só espero que não se limite a mudar de irmã.
Second chance
Quantas vezes já ouvimos alguém, que esteve quase do lado de lá, agradecer ter sobrevivido? Sentir-se grato porque uma força maior, lhe permitiu continuar vivo. Aquele, outrora enfermo, acredita piamente estar a viver uma segunda oportunidade. E essa graça mudou a forma com que encara esta nova vida.
Hoje, eu sou uma dessas pessoas. Hoje, também eu sou uma sobrevivente. Porque esta noite, em plena madrugada, uma estante de 15 quilos com cerca de 50 em cima caiu da parede e estampou-se à distância de um centímetro da minha cabeça. 1 centímetro!!! Ainda levei com os estilhaços de uma jarra e meia dúzia de livros na tromba.
Mas estou grata.
Hoje, eu sou uma dessas pessoas. Hoje, também eu sou uma sobrevivente. Porque esta noite, em plena madrugada, uma estante de 15 quilos com cerca de 50 em cima caiu da parede e estampou-se à distância de um centímetro da minha cabeça. 1 centímetro!!! Ainda levei com os estilhaços de uma jarra e meia dúzia de livros na tromba.
Mas estou grata.
20.2.13
Vampiros
Em três dias vi três vezes o Twilight.
Acho que até sonhei com o vampiro esta noite.
E agora esta música também não me sai da cabeça.
Acho que até sonhei com o vampiro esta noite.
E agora esta música também não me sai da cabeça.
Eu que nem devia estar aqui
Isto sou eu. A enganar-me. A julgar possível que este recanto iluminado por velas dure as horas da noite.
Na melhor das hipóteses durará os minutos de uma mão. Ou menos. Até premir o gatilho e perceber que não lhe enfio o termómetro há meia hora.
Eu que nem devia estar aqui.
Aproveito os minutos de uma mão para fechar os olhos. E fingir-me sã.
Isto é uma mensagem privada
Qual é o sonho de qualquer mulher?
Ok, não será o sonho de todas as mulheres, mas é seguramente o sonho da maioria. Ser pedida em casamento. É ou não é?
Haverá mil e uma maneiras de um homem nos propôr um compromisso que (naquele momento, pelo menos) deseja ser para sempre.
Gajas, como eu, exigiam o anel.
Gajas, como tu, gostam da imprevisibilidade. Tomam-na por coragem que aquele sentimento - que até pode nem estar amadurecido - desencadeou. Que interessa se foi precipitado. Ou despropositado. Lê a merda das entrelinhas.
O gajo gosta de ti.
Encantou-se por essa gargalhada enervante que te sai tão bem e te assenta melhor que a merda da gabardine que me custou dois salários mínimos.
Sê prática. Ok?
E avia a receita que te indiquei. Estás desesperadamente necessitada.
Ok, não será o sonho de todas as mulheres, mas é seguramente o sonho da maioria. Ser pedida em casamento. É ou não é?
Haverá mil e uma maneiras de um homem nos propôr um compromisso que (naquele momento, pelo menos) deseja ser para sempre.
Gajas, como eu, exigiam o anel.
Gajas, como tu, gostam da imprevisibilidade. Tomam-na por coragem que aquele sentimento - que até pode nem estar amadurecido - desencadeou. Que interessa se foi precipitado. Ou despropositado. Lê a merda das entrelinhas.
O gajo gosta de ti.
Encantou-se por essa gargalhada enervante que te sai tão bem e te assenta melhor que a merda da gabardine que me custou dois salários mínimos.
Sê prática. Ok?
E avia a receita que te indiquei. Estás desesperadamente necessitada.
Estou aqui
Não parece, mas estou.
A última semana acabou bem e esta começou... intensa. Coisas (muito) boas e uma má. A Kiki engripou. Está por casa e receio que estará até ao final de semana. A febre continua intermitente. Ela aproveita a permanência prolongada em casa e vicia-se nas séries da Disney dobradas em português. Voltou à afeição pelos vampiros e a Lua Vermelha continua a passar na SicK. Ontem vimos toda a tarde o Twilight.
Tenho dormido pouco e mal e esta noite, para a desbunda total, a Constança vomitou-me em cima.
Um banho de madrugada podia ser o resultado de uma noite agradável, but, not in this case.
Tenho uma amiga louca que precisa de orientação intelectual e duas crianças ao meu lado, no sofá, à espera que coloque - outra vez - a saga do vampiro que se apaixona por uma humana e cujo amor foi além dos ecrãs, mas que a fulaninha comprometeu quando andou na ramboia com um realizador mais velho. Sonsa!
É o que farei.
Em relação à quantidade de trabalho que tenho ali do meu lado direito, acho que vou assobiar para o ar e dormir enquanto os vampiros arrancam cabeças.
19.2.13
17.2.13
O que levas do Domingo?
O batom vermelho da manhã desbotado nos lábios. E o eyeliner rasurado nos olhos.
Levas para o Domingo seguinte os planos que não cumpriste neste. Roupa que não guardaste. Ficheiros que não organizaste. O filme que não viste. O livro que não leste.
Porque tudo que fazes é dormir.
Os velhos dos bancos de jardim
Esta música é cruamente triste. Ouves e o coração encolhe.
Para mim, essa sensação é quase palpável porque ouvi-a a primeira vez numa noite fria de Fevereiro há quatro anos atrás. Sozinha no carro, enquanto descia uma travessa íngreme porque queria fugir do trânsito e chegar mais rápido ao hospital onde a veria mais uma vez.
Até àquele momento, onde oportunamente tocou no carro esta música, conservava o optimismo. Depois, desse instante de minutos cortantes soube que era o fim. Foi-o de facto.
After night
Tenho a sensação que não dormi esta noite.
Era tarde já quando o tentei fazer, depois de um filme online que parou oportunamente a meio.
Tenho a sensação que conversava... Conversava... Conversava...
E depois apareceu a Constança que até às 8.30h me puxou os cabelos, meteu os dedos nos olhos, fez da minha cabeça almofada... Pontapeou o pai. Cobriu-se e descobriu-se vezes incontáveis.
E é domingo e está a chover.
Era tarde já quando o tentei fazer, depois de um filme online que parou oportunamente a meio.
Tenho a sensação que conversava... Conversava... Conversava...
E depois apareceu a Constança que até às 8.30h me puxou os cabelos, meteu os dedos nos olhos, fez da minha cabeça almofada... Pontapeou o pai. Cobriu-se e descobriu-se vezes incontáveis.
E é domingo e está a chover.
16.2.13
Como as crianças conseguem ser cruéis
O homem levantou-se às 7.30h porque tinha cabeleireiro marcado para as 8.
Eu também acordei às 7.30!
Mas voltemos ao homem. Foi cortar o cabelo. Entusiasmado. Partilhou com toda a gente, menos no FB, porque o homem não tem FB.
Voltou a casa passado uma hora. Entrou no quarto, onde estávamos as três, como se estivesse a entrar no estúdio do 5 Para a Meia Noite. As três olhamos para ele. E ele, dirigiu-se à Constança:
- As crianças não mentem. E tu minha filha mais pequena, diz-me, o papá está giro?
A Constança respondeu (pessoas sensíveis não devem prosseguir a leitura):
- Quem és tu? És um monstro?
Eu também acordei às 7.30!
Mas voltemos ao homem. Foi cortar o cabelo. Entusiasmado. Partilhou com toda a gente, menos no FB, porque o homem não tem FB.
Voltou a casa passado uma hora. Entrou no quarto, onde estávamos as três, como se estivesse a entrar no estúdio do 5 Para a Meia Noite. As três olhamos para ele. E ele, dirigiu-se à Constança:
- As crianças não mentem. E tu minha filha mais pequena, diz-me, o papá está giro?
A Constança respondeu (pessoas sensíveis não devem prosseguir a leitura):
- Quem és tu? És um monstro?
15.2.13
Boletim clínico
Estamos de volta com mais um boletim clínico. Será para aí o vigésimo em cerca de 10 meses invariavelmente relativo ao mesmo doente.
Pois que o homem melhorou e diz que segunda volta à labuta. O que tem o seu quê de positivo e de negativo.
É proveitoso para a economia familiar porque estando ele menos tempo em casa consome menos géneros alimentícios, poupamos na conta da luz e desocupa a televisão.
É negativo para a minha economia pessoal porque deixa de bancar pequenos almoços e afins.
A borbulha que virou buraco está em fase de cicatrização e soubemos também que o marido não padece de nenhum mal ruim, tipo uma imunodeficiência, mas há uma bactéria que adora a pele do gajo e vive lá em amena cavaqueira qual família Tufão na mansão do Divino.
Diz soutôr que não temos legitimidade para ordem de despejo, a modos que resta-nos estar atentos, tipo a um pelinho que encrava (really?) e correr para o médico.
Do mal o menos.
Lets celebrate babe?
Pois que o homem melhorou e diz que segunda volta à labuta. O que tem o seu quê de positivo e de negativo.
É proveitoso para a economia familiar porque estando ele menos tempo em casa consome menos géneros alimentícios, poupamos na conta da luz e desocupa a televisão.
É negativo para a minha economia pessoal porque deixa de bancar pequenos almoços e afins.
A borbulha que virou buraco está em fase de cicatrização e soubemos também que o marido não padece de nenhum mal ruim, tipo uma imunodeficiência, mas há uma bactéria que adora a pele do gajo e vive lá em amena cavaqueira qual família Tufão na mansão do Divino.
Diz soutôr que não temos legitimidade para ordem de despejo, a modos que resta-nos estar atentos, tipo a um pelinho que encrava (really?) e correr para o médico.
Do mal o menos.
Lets celebrate babe?
14.2.13
13.2.13
Rádio
Sobre a Rádio só tenho a dizer que no único casting que fiz disseram-me imediatamente que não tinha voz para a coisa. E o bichinho não chegou sequer a nascer.
Things are about to change ;-)
Things are about to change ;-)
Eu que nem sou dessas coisas tinha de desabafar
40% dos jovens portugueses não têm emprego! É quase metade daqueles que andarão ali entre os 20 e os 35 anos num país que não chega aos 11 milhões de habitantes.
Diz o PM que serão ainda mais.
Que futuro teremos?
Diz o PM que serão ainda mais.
Que futuro teremos?
Eu juro que não comia cozido à portuguesa há mais de 3 anos (e talvez peque por defeito)
Quando o homem me diz "estás boa", o meu cérebro imediatamente processa a seguinte informação, "Andreia Sofia continua a meter nojo, a comer bolo de chocolate e cozido à portuguesa e daqui a pouco não andas...rebolas".
12.2.13
Geração gadget
Esta manhã, no pequeno almoço, com as crianças e o maridão, olhava, em modo curioso para as outras mesas. Casais, sós ou com crianças. Uns da minha geração, outros mais velhos. Pessoas independentes, mais apressadas. Torradas servidas em bandejas com compotas do Intermarché porque as caseiras acabaram no final de semana. Ou pastéis de natas, dispostos em pratos e acompanhados de canela.
Os homens liam os desportivos. As mulheres, o social. E as crianças?
Ora, não havia uma criança, naquela pastelaria que não tivesse uma geringonça na mão. Geringonça, tal e qual. Porque é essa a tradução para gadget.
As minhas filhas, imediatamente se apossam dos iphones. E como elas, outras fazem o mesmo.
Mas, o mais curioso é que aqueles cujos pais se mantêm fiéis ao Nokia velhinho, já entram no café de tablet na mão, tipo, "tenho de me entreter... Demoro 5 minutos a comer a torrada...então e os outros 5? Era só o que me faltava a seca da minha mãe, assim ainda jogo um coto de angry birds".
New generation? Medoooooooo.
Cancro
Há uns anos as pessoas morriam de mal ruim. Hoje vivem (e ainda morrem) de cancro.
Vivem cada vez mais. Morrem cada vez menos e mais tarde.
A palavra cancro anda pela boca. Dos que o carregam nos órgãos. Ou na alma. Dos que ouvem dizer. Dos que lêem jornais ou vêem a Fátima Lopes. Dos lutadores. Dos fracassados. Dos carecas. Dos vencedores.
O cancro já se diz pela boca das crianças. Porque também elas são lutadoras, fracassadas, vencedoras, às vezes filhas, outras netas. Cada vez mais, também doentes.
Hoje, ao jantar, a Carolina pegou numa laranja, enfiou-a por baixo da camisola, por cima do mamilo, e disse, para todos, como quem diz uma piada:
- Olhem, tenho um tumor na mama como a mãe da D.
Vivem cada vez mais. Morrem cada vez menos e mais tarde.
A palavra cancro anda pela boca. Dos que o carregam nos órgãos. Ou na alma. Dos que ouvem dizer. Dos que lêem jornais ou vêem a Fátima Lopes. Dos lutadores. Dos fracassados. Dos carecas. Dos vencedores.
O cancro já se diz pela boca das crianças. Porque também elas são lutadoras, fracassadas, vencedoras, às vezes filhas, outras netas. Cada vez mais, também doentes.
Hoje, ao jantar, a Carolina pegou numa laranja, enfiou-a por baixo da camisola, por cima do mamilo, e disse, para todos, como quem diz uma piada:
- Olhem, tenho um tumor na mama como a mãe da D.
11.2.13
So truth
É que é mesmo isso.
Anda a namorar uns sapatos da Aldo que estão com 60% de desconto. Par único. O meu tamanho.
Quando me decidir, assobio-lhes (que é como se diz aqui no norte).
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