Vivem cada vez mais. Morrem cada vez menos e mais tarde.
A palavra cancro anda pela boca. Dos que o carregam nos órgãos. Ou na alma. Dos que ouvem dizer. Dos que lêem jornais ou vêem a Fátima Lopes. Dos lutadores. Dos fracassados. Dos carecas. Dos vencedores.
O cancro já se diz pela boca das crianças. Porque também elas são lutadoras, fracassadas, vencedoras, às vezes filhas, outras netas. Cada vez mais, também doentes.
Hoje, ao jantar, a Carolina pegou numa laranja, enfiou-a por baixo da camisola, por cima do mamilo, e disse, para todos, como quem diz uma piada:
- Olhem, tenho um tumor na mama como a mãe da D.
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