Não gosto da Páscoa.
Detesto se tiver chuva.
É uma semana de arrumações e uma manhã entre fogo de artificio e campainhas à espera do compasso que te encosta a Cruz no rosto e te saca o envelope.
Se não fosse por respeito à minha mãe e à paróquia nem abria a porta.
Perdoem-me irmãos, mas assim seria.
O melhor do dia: o pica no chão.
O pior: a borbulha na narina esquerda (ordem de recolhimento por tempo indefinido).
31.3.13
Dream on
Sonhei que vivia um romance avassalador com o Cristiano Ronaldo.
E no momento em que acordei ele estava a pedir-me dinheiro emprestado.
E no momento em que acordei ele estava a pedir-me dinheiro emprestado.
27.3.13
So truth
"Marguerite Duras dizia que um homem não suporta uma mulher que escreve.
É verdade. Um homem não suporta uma mulher que escreve, a não ser que esteja disposto a partilhá-la com outro para o resto da vida: na cama, na mesa, no caos e no silêncio. Mas isso não é um homem comum, é um homem que ama".
*Mãe Preocupada
26.3.13
25.3.13
Síndrome do Rúben
Aquela mãe que me deixou um comentário a pedir que fizesse a ponte com a mãe do Rúben peço por favor que envie email para ameninadassardas@gmail.com.
Obrigada.
Obrigada.
The party
A miúda não podia ter mais ar de festa. Melhor, a miúda não podia ter mais ar de "a festa é minha" que trocando por miúdos significa hoje é tudo meu.
Mas, até que se comportou. Não se despiu, aguentou as flores XXL no cabelo, comeu a sopa, partilhou os brinquedos, cantou os parabéns a si própria de forma entusiasta. E aguentou estoicamente até depois da meia noite. Sem chupeta e sem birras.
Depois das entradas, servimos cachupa, confeccionada pelas mãos de um cabo verdiano, a modos que não foi uma cachupada travestida, mas a verdadeira da cachupa de Cabo Verde. Para muitos dos convidados foi uma estreia. No final, a apreciação foi unânime. De comer e chorar por mais. Ainda bem que sobrou. E às tantas ainda comemos todos cachupa no Domingo de Páscoa (brincadeirinha mãe...).
Mas vamos às fotos
22.3.13
6 horas!
Estou no cabeleireiro desde as 10.30 horas da manhã. E ainda não tenho previsão para dar à sola daqui.
A festa da Constança é amanhã e não fiz puto.
Mas, vamos a ter calma que tenho tudo controlado.
21.3.13
Day 4
Inquieta-me o tempo, que sobra ou escasseia. O tempo de que a vontade dispõe, como se o tempo não tivesse tempo.
E o tempo é ciência. São números. Números que fazem horas. Horas que fazem dias. E se há dias que escapam entre os dedos. Há dias que cansas de segurar nas palmas das mãos. Caem. Vão caindo, em catadupa. E quando olhas para trás, convencida que viraste um mês, passaram 4 dias!
4 dias!
Do silêncio inesperado
São praticamente 18.30 horas e há um silêncio cortante nesta casa.
Um silêncio gostoso porque nunca a esta hora esta casa não se faz ouvir.
Ah, como dá jeito boa vizinhança!
Um silêncio gostoso porque nunca a esta hora esta casa não se faz ouvir.
Ah, como dá jeito boa vizinhança!
Incidentes domésticos
Quase sempre, as gargalhadas mais audíveis e os gritos mais histéricos das minhas filhas terminam em choradeira. Ou porque, uma (quase sempre a mais pequena) não conteve o entusiasmo e deu uma dentada na outra. Ou porque outra (maioritariamente a mais pequena) foi contra um móvel ou espalhou-se no chão.
Nada de novo, portanto.
Nada de novo, portanto.
20.3.13
Algures no oceano
É Primavera no calendário.
Doem-me os dentes do frio. São nevralgias segundo Dr. Google.
Mas haverá alguém com um sofrimento maior que o meu. Tipo, Louboutin ou Jimmy Choo?
Ou o isolamento num navio de cruzeiro privado de comunicação com o mundo...
Venha o diabo e escolha.
Ei-la (envergonhada) a Primavera
Hoje o passarinho verde não pousou no meu jardim que contemplo enquanto me amorno com o sol matinal.
Em contrapartida, já despachei muito serviço e ainda nem houve almoço,
Em contrapartida, já despachei muito serviço e ainda nem houve almoço,
19.3.13
No dentista
No meu tempo, tinha mais medo do dentista do que dos testes de matemática.
Lembro-me daquele consultório tão bem como quando abri o joelho e levei 20 pontos. Traumatizou-me.
Sofro quando vou ao dentista. E sofro quando levo a Carolina à consulta.
E a miúda ainda olha para mim com este ar
No seu terceiro aniversário
Acordou, como quase sempre, entre os dois. Invariavelmente virada para o meu lado, com uma mão por baixo do rosto e outra na minha franja.
Murmurei-lhe, ao ouvido, os parabéns. Imediatamente mandou-me calar.
Insisti. Silenciou-me pela segunda vez.
A irmã entrou no quarto e fez-se ouvir como uma orquestra. A Constança havia de nos mandar calar a terceira vez.
Só depois das 9.30, a caminho do colégio, é que permitiu a manifestação musical do seu dia de anos.
Para hoje temos apenas um bolinho com graça feito aqui pela mestre doceira porque a festança é só no Sábado.
Este é um post condenado ao insucesso
É impossível de realizar a tarefa que me proponho.
Não é materializável, em palavras, o que pretendo transmitir.
Este é um post condenado ao insucesso.
Faz hoje 3 anos a minha filha mais nova. E não sei dizer o que quero dizer. Corro o risco, ao tentar, de me tornar ridícula de tão lamechas.
Ela reescreveu a minha vida.
Acrescentou-lhe parágrafos, cheios de figuras de estilo. Quase sempre, e naturalmente, com eufemismos. Porque mesmo quando dá tesouradas em documentos importantes ou pinceladas a lápis nas paredes de casa. Mesmo quando parte três gerações de iphone´s ou faz chichi nos lençóis acabados de mudar, tenho por ela um amor que não sei dizer.
18.3.13
1º dia de férias
Ainda não vai a meio e já me convenci que não é boa ideia ter a Carolina a tiracolo.
A miúda não quer ir para o ATL e eu vou na dela. Porque vai fazer 8 anos e é uma "mulherzinha". Tipo, lê um livro, vê um DVD, entretém-se no Google a aprender provérbios populares ou no Panda Bigs com a primeira série dos Morangos com Açúcar.
Mas, a verdade é que não descola. E cada hora é para ela uma missão a alcançar.
De manhã, comeu-me o cérebro, de dentada em dentada, enquanto não marquei a consulta no dentista. Expliquei-lhe que o faria por telefone, mas na cabeça dela não era suficiente, não fosse a rapariga não tomar nota, confundir-se na hora ou no nome.
Desde que chegamos já me pediu morangos meia dúzia de vezes.
- Podes me fazer morangos? (pausa) Eu até fazia, mas posso me cortar...
Há lá argumento mais manhoso que este? A Carolina, a melhor assistente a fazer rissóis e aprendiz de costureira...
Ao menos (ainda) não lhe deu para ver o Justin Bieber.
17.3.13
Apaixonei-me por um cadáver
Há muito que não me entranhava tanto num "filme", num tema.
Previa que fosse gostar, mas não sabia que seria tanto.
Este documentário é uma sacudidela de ombros. É comoventemente triste e ao mesmo tempo romântico...inspirador...
Vi-o na sexta e ontem vi outra vez.
16.3.13
Umas horas nas nossas vidas
Tem vezes que conversamos profundamente. Filosofamos.
Tem vezes que só discutimos cabelos. Unhas. Dietas. Enquanto nos entretemos entre os tenistas. Miúdos. Bem mais jovens do que nós e a esta altura do campeonato não é difícil ser de uma geração posterior à nossa.
15.3.13
Mais um momento alta definicão
Não gosto de pessoas que se chamam Rosa Maria.
Não gosto de pessoas que não entendem a palavra "equivocado". E que usam pleonasmos inconscientemente convencidas que estão a empregar um termo revolucionário no português de Camões.
Não gosto de pessoas com complexos de inferioridade. Fazem-me pena e eu odeio ter pena de alguém (bastam-me os velhos sozinhos, as crianças doentes e os moribundos de lenço na cabeça).
Não gosto de pessoas que não entendem a palavra "equivocado". E que usam pleonasmos inconscientemente convencidas que estão a empregar um termo revolucionário no português de Camões.
Não gosto de pessoas com complexos de inferioridade. Fazem-me pena e eu odeio ter pena de alguém (bastam-me os velhos sozinhos, as crianças doentes e os moribundos de lenço na cabeça).
Da boa educação
Tenho uma dúvida.
É legitimo alguém dizer "só sou bem educada para quem eu quero"?
Eu cá acho que não.
A simpatia é discutível. Podes sê-lo sem parecê-lo. Mas a educação?! Cabe em qualquer lugar, independentemente da pessoa ou da circunstancia.
Deixa cá ver, gosto das tuas pestanas e do anel que tens no indicador, vou já sacar do meu repertório de boas maneiras.
Olha, o cabelo apanhado não te favorece... Ui, comes bolachas marca Continente e bebes água com gás do Lidl??? Desculpa lá, mas nem um bom dia me arrancas...
É possível isto?
É legitimo alguém dizer "só sou bem educada para quem eu quero"?
Eu cá acho que não.
A simpatia é discutível. Podes sê-lo sem parecê-lo. Mas a educação?! Cabe em qualquer lugar, independentemente da pessoa ou da circunstancia.
Deixa cá ver, gosto das tuas pestanas e do anel que tens no indicador, vou já sacar do meu repertório de boas maneiras.
Olha, o cabelo apanhado não te favorece... Ui, comes bolachas marca Continente e bebes água com gás do Lidl??? Desculpa lá, mas nem um bom dia me arrancas...
É possível isto?
Pão, pão... Queijo, queijo...
Não me incomoda que homens sustentem mulheres- ou vice versa.
Nada contra caçadoras (ou caçadores) de fortunas. Afinal, este mundo é uma selva. Sem hierarquias como no reino animal.
Mas faz-me alguma comichão mães que usam os filhos, que deixam acabar o leite e que não se inquietam nem um pouco quando ligam do colégio a avisar que estão com febre.
Também me divirto com as famílias Tufões da nossa urbe periférica. E surpreendida com a quantidade de Carminhas que por aí andam.
Não sei se ri-o, não sei se choro com este mês de Março.
Nada contra caçadoras (ou caçadores) de fortunas. Afinal, este mundo é uma selva. Sem hierarquias como no reino animal.
Mas faz-me alguma comichão mães que usam os filhos, que deixam acabar o leite e que não se inquietam nem um pouco quando ligam do colégio a avisar que estão com febre.
Também me divirto com as famílias Tufões da nossa urbe periférica. E surpreendida com a quantidade de Carminhas que por aí andam.
Não sei se ri-o, não sei se choro com este mês de Março.
14.3.13
Misteriosos são os caminhos do Senhor...
Sonhei com este santo, ontem, porque passei meia parte do dia na cama. Com o quarto, quente, a meia luz. A páginas tantas, podia jurar que não estava sozinha. Era como se alguém me segurasse, firme, nos braços. Atrevo-me a dizer que cheguei a sentir um (vários) apertos. Ou toques, subtis, como penas... Como penas leves, quase imperceptíveis na pele.
Eu que não sou dada a santidades e só prego a S. Bentinho porque me disseram que era vingativo.
Mas, ontem, depois de meia parte do dia na cama entendi que "misteriosos são os caminhos do Senhor quando executa as suas maravilhas".
Do santo, ilustrado em cima, soube que se chama Expedito, padroeiro das causas justas, urgentes, impossíveis...
Eu, a mulher de todas as possibilidades, devota convicta da religião do "querer é poder", sinto-me amparada nas minhas causas
No meu sonho, depois de me cruzar com o santo, acabei entre velhinhos, a comer pão com panado e a beber coca cola zero.
E o mais curioso é que nunca um panado me soube tão bem...
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