A menina das sardas

Para a Carolina e para a Constança. E para o castanho curioso dos seus olhos...







27.6.13

Já não as posso aturar

Pensei eu - ingénua - que o meu dia hoje voltaria à rotina normal. Uma no ATL, outra já sã de volta ao colégio.
Um grande espalhanço enquanto descia as escadas do parque das camélias não só me esfolou o joelho como me fez pensar que este dia teria tudo para terminar bem.
Horas depois, telefonema do colégio, "a Constança está queixosa e recusa-se a comer. Talvez seja melhor vir buscá-la". Que é como quem diz "ninguém a atura, organize-se e leve a rapariga para casa".
E assim estamos. As três, outra vez, e quer-me parecer que o cenário não mudará muito até Agosto.

Enquanto a bebé dormia...










26.6.13

No creo en brujas pero que las hay, las hay

A miúda não ficava doente desde o final de 2011. Resistiu ao Inverno, à chuva, aos contágios, a alterações climáticas. Resistiu a bichezas alojadas na própria da irmã.
Andou descalça em Janeiro; tantas vezes fez xi-xi de noite como se não houvesse amanhã, mas afinal havia e acordava mijada até aos caracóis.
Mas, eis que Sábado, em pleno ambiente festivo e familiar, entre tios queridos e primos do coração, a pequena dá defeito!!!
Oh, a nossa pequena Constança, sempre arisca e divertida, de mãos nos ouvidos, assustadiça com o fogo do S. João e a gravação do Toni! Não largou a mãe por meio segundo. Resultado: não chegamos à sobremesa. Vai de abalar.
Tios queridos e primos do coração ficaram tão tristes que já nem dançaram com o mesmo entusiasmo. Um pézinho para aqui, o rabito para ali... Sem fulgor.
Na segunda lá fui com a pequena ao HP e diz sotôr que é bicheza fraca.
Amanhã está de volta ao colégio (o diabo seja surdo).

Nota somente aos interessados: sim eu disse o que quis dizer. Passem mensagem.

Vão-se queixar do calor ao c******






Aos cabeçudos das carapuças XXL

Este blogue tem uma autora que é como quem diz a gaja que manda aqui no pedaço. Posso não mandar em mais nada porque sou refém das minhas filhas e com 30 anos a minha mãe continua a chamar-me a atenção se aceito a segunda caipirinha... Mas aqui no pedaço que visitam, onde entram sem bater e convenhamos, todos sabemos que a muitos se pudesse montava ratoeira, mas continuando, aqui mando eu!!! Esclarecidos?
Ora bem, sou menina a tender para a instabilidade. Viciada em benzodiazepinas que de vez em quando tem uns achaques de loucura descontrolada e nesses momentos sou capaz de escrever as provocações mais maquiavélicas.
Porquê? Porque como quem manda sou eu, escrevo o que me apetece. Boa?
A interpretação dependerá do leitor. E é ao leitor que agradeço, comovida, a militância. Muito obrigada por fazerem os meus dias mais graciosos e por me darem mais uns trocos para uns vestidinhos.

22.6.13

Muito orgulhosa da pequena maior

Não pretendo falar de cima do palanque, mas não posso negar que estou infinitamente orgulhosa da minha pequena maior.
Não terminou (ainda) o secundário com média de 19 valores, só passou para o terceiro ano, mas fê-lo com distinção e, crucial para mim, fê-lo com descontração.
Nunca me aborreci. Nunca pressionei. Nunca nos sentamos tardes de domingo agarradas aos livros. Não precisei, ainda pelo menos, de lhe incutir a disciplina de estudo. Ela estudou quando achou que precisava. E os resultados evoluíram de período em período. Agora, no último, alcançou a meta que o agrupamento traçou para premiar os melhores.
É claro que estou orgulhosa. E pensando bem, ela merece que fale de cima do palanque.

21.6.13

Eu amo-vos, mas não precisa tanto grude

12 horas com as miúdas, sem interrupções, num lá e cá, entre abre, aperta cintos e fecha portas, ao longo de três concelhos diferentes, é esgotante! Atrevo-me a dizer humanamente impossível.
Com o pequeno almoco ingerido às 10 horas e um sumo de laranja natural perto das 14, as 18 o motor avariou.
Ai Carolina, tem lá calma, vamos sentar aqui um cadinho que a mamã deve estar com uma quebra de tensão. Oh valha-me Deus que já só vejo quadradinhos desfocados. Preciso de àgua. E açúcar.
A miúda, em pânico, não fosse a cota quinar, tão longe de casa, começa a vasculhar na bolsa. Chicletes servem, mãe?! Pois que não servem, nem sequer têm açúcar! E eis que encontra os seus saquinhos de gomas com os quais equilibrei os níveis de açúcar.
No aconchego do lar, dormem (graças a Deus) e cheira-me que vou perder outro episódio da Avenida Brasil.

Olha a espertalhona!





Há quatro coisas que a miúda não dispensa. Chocolate; chupeta; puxar-me a franja e andar ao (meu) colo.
Nas férias, depois do dia passado entre a praia e a piscina, sucumbia logo após o jantar. E era vê-la, de braços estendidos, "colo mãe...colo...por favor". E nem adiantava tentar convence-la com as cavalitas do papá. Só lhe serve o colo destes braços onde há muito deixou de caber.
Eu resmungava. E maldizia a minha vida. E os meus braços que em breve me permitirão competir no campeonato regional de culturismo.
Ontem, quando regressávamos do colégio, eu desabafava que para a semana vem calor e vamos voltar à praia.
A Constança pergunta imediatamente, "vamos para o hotel mãe?". "Sim". "Então vamos...agora".
Lá lhe expliquei que agora não podia ser. E não é que a gaja se sai com esta "sabes mamã, estou tão farta do teu colo... agora só quero andar ao chão... E também não quero chupeta, nunca mais. E vou comer tudo...tudinho".

20.6.13

Resoluções hospitalares

A minha mãe tropeçou. Ai que não posso andar, tampouco pôr o pé no chão. Ai Jesus, não consigo mexer os dedinhos...
Bora para o hospital, de portátil de baixo do braço e mais velha pela mão.
Ora, o pé só pisou e eu resolvi que em Julho a rapariga vai para o ATL. E não amoleço.

Se uma das manas é grande demais, fico com esta!








Love u sis!









Olhó flash que o momento é raro!

19.6.13

Come filha...por favor!




A dois dias de começar o Verão, sem sol e sem calor, continuo agarrada à minha semana na ilha. Maneiras que necessito de prolongar o relatório pós vidinha-dura-de-papo-para-o-ar-a-beber-pinas coladas.
O grande inconveniente da primeira semana de férias (e temo que da próxima) foi a minha Constança que accionou o modo "sou mais elegante que a Adriana Lima" e fez cara feia a tudo que era comida do hotel. Não foi em massas, arroz, peixe, carne. E já nem falo na sopa (blhacccc) espanhola.
Valeu-lhe o pequeno almoço.

Com que leviandade se vive assim?




Nunca fui de ter longas e profundas conversas com a minha mãe a quem deixei de tratar pelo diminuitivo muito cedo.
Era a menina do papá. De tal modo que quando menstruei pela primeira vez corri a contar ao único homem da casa.
A relação com a minha mãe é equilibrada. Discutimos na mesma medida que nos amamos. Desvalorizamos as queixas, uma da outra, mas franzimos a testa, discretamente, e desabafamos as dores que nos afligem nos ouvidos de outros. Tantas vezes não nos suportamos, mas nunca conseguimos estar distantes.
De férias, ainda solteira, tinha necessidade de lhe ligar, pelo menos duas vezes por dia. E estranhava a completa indiferença do então meu namorado perante a sua mãe a quem só ligava se eu recomendasse.
Para mim, não é de todo possível, estar num resort - ou onde quer que seja - a milhares de quilómetros de distância e não saber dos meus.
Já gastei pequenas fortunas de telefone em virtude dessa proximidade que prezo quando estou ausente.
Se não era eu a ligar, era a minha mãe que ligava para o hotel e já o fez em várias línguas.
A minha mãe nunca diz que estou bonita. Nunca me chama "filha". Nunca me gabou um trabalho nem se identificou quando outros o fizeram na sua presença. Mas, está aqui. Incondicionalmente. Por mim. E pelas minhas filhas. É um amor reciproco. Que fez a Carolina chorar todas as noites com saudades e que hoje a leva a dizer "não vou mais de férias sem a minha avó". A minha mãe merece-lhe esse amor. Porque lhe puxa os lençóis todas as noites e lhe aperta o botão de cima do casaco. Porque lhe compra e corta os morangos. Porque lhe faz o leite e prepara o lanche todas as manhãs. Porque a vê todos os dias (nos vê, às três todos os dias). Porque nos ama, incondicionalmente. Mesque que berremos demais. Desarrumemos demais. Gastemos demais.
Com que pertinência alguém substitui netos? Ignora filhos?
Com que pertinência alguém permite que os dias passem, que aviões aterrem e pousem, sem saber dos seus?
Com que pertinência se dá a apenas uma o colo que devia ser de três?
Com que pertinência se fala e se cuida como se daquele ventre tivesse nascido apenas um?
Com que leviandade se vive com esta culpa sob os ombros?

A minha grande já vai para o 3º ano



Assim terminou mais um ano lectivo. O segundo.
Num piscar de olhos a primeira bebé que me ocupou as entranhas vai para o penúltimo ano do ensino básico.
Estou orgulhosa das notas. Do comportamento. Da disciplina que impõe ao seu jeito. Sem pressões.
Gere os livros que traz da bicicleta e gosto de ouvi-la ler em voz alta desde o meu quarto.
Os gafanhotos viraram letras, redondinhas e ajeitadinhas.
São cada vez menos os erros ortográficos. Cada vez mais as noções e as regras gramaticais. Conjugação de verbos, no passado, presente e futuro. Sujeito, predicado (não é muito cedo para tanto conhecimento?).
Nisto tudo de fim de ciclo só há um senão.
A rapariga acha que não faço nada e tenho disponibilidade para passeá-la 40 dias. Até já me apareceu com um plano de férias. Diz que sexta vamos comprar um hamster e que para a semana, segunda é dia de praia e quinta de piscina. As compras ficam para sexta. Segunda é o dia livre, terça de estudo e quarta vai para a escola da avó.

18.6.13

Dr. Eduardo Sá esclareça-me

Carolina: mãe o que é pinar?
Eu: AHHHH???? Não sei...
Carolina: oh! Deves saber... se o Francisco da minha sala sabe...
Eu: eu não sei, mas a palavra não me soa bem...

17.6.13

As bonecas não são gente!

A Constança alimentava o seu bebé quando perante a sua resistência em abrir a boca lhe deu uma palmada.
A irmã reparou e manifestou-se "não é assim que se tratam as crianças. Gostavas que a mamã te batesse quando não queres comer?! És tão má para a tua filha Constança!
A pequena olhou-a com ar abananado e respondeu-lhe "isto é uma boneca!!! Não sente nada!!!"

Nós por casa em modo gazeteiras


Hora Xana Toc Toc


Com a Carolina de férias e sem horários rigorosos para cumprir decidi arriscar. Então e se ficar em casa com as duas? Dormimos até mais tarde, pijama todo o dia, cabelos despenteados, elas entre os carrinhos e os bebés e eu nas minhas lides profissionais.
Perto das 8 mudei-me para a cama da Constança a ver se a miúda se deixava estar, pelo menos, mais duas horas. Mas, bastou ouvir a irmã que abalou dos lençóis.
Voltei para a minha cama. Abriram-me a janela. Levantei-me para fechá-la. E as duas, por lá, entre um quarto e outro, a cozinha e a sala.
Estamos em testes. Prognósticos? Só no fim. A ver como se portam.
Entretanto, a Constança já se apossou do meu telefone por 50 minutos.
A Carolina é a toda poderosa do comando e estamos desde cedo no 43 (canal Panda, para quem não sabe).
Vamos passar ao almoço. Quem sabe se depois não dormimos todas uma bela sesta?

14.6.13

Um dia...

Um dia vou escrever sem filtro.
Chamar os bois pelos nomes. Ou putas às putas. Ou invejosas às invejosas. E principalmente burras às burras desprovidas de qualquer senso de inteligência e razoabilidade. E nem lhes exigiria mais do que exijo da minha cadela tida por irracional.
Um dia, vai ser assim, com nomes próprios e adjectivação.

Mas, hoje ainda não é o dia...

Férias IV







13.6.13

Prevejo conflitos dentro de um mês

A minha mais velha sempre foi festeira. A miúda até gosta de rancho! Não pode ver umas iluminações ou ouvir fogo de artifício ao longe que se apressa a perguntar onde é a festa?
A mais nova faz cara feia só com música gravada. Se aparecerem grupos de bombos leva as mãos aos ouvidos e começa a choradeira "vamos para casa...vamos para casa...". Com fogo de artifício entra em pânico.
Dentro de um mês começam as festas da cidade.

Férias III




                                 


12.6.13

Só por ser Santo António

Quero voltar para a ilha
Para a ilha eu vou voltar
Aprendo a fazer tranças
Para dinheirinho ganhar

Férias II





O amor aos 8 anos

Podia estar a cantar ou a dizer lenga lengas. Tem a mania de divagar quando está na casa de banho. Mas, a miúda falava de amor. Questionava-se. E intrigou-se.
 - Mãe, uma pessoa que está sempre a mudar de namorado nunca consegue gostar de ninguém... Não é?
Respirei fundo.
 - Não... Talvez seja alguém que goste de mais...
 - Acho que não. Se gostasse de verdade, ficava sempre com a mesma pessoa, não precisava de andar sempre a trocar de namorado...
Voltei a respirar fundo. Pois se calhar...
 - É que o Tiago tem a mania de trocar e vai-nos pondo em fila. Às vezes sou a primeira, outras passa-me para segunda...

Férias I








7.6.13

A minha filha acha que sou poliglota

Carolina: aquele menino insiste em falar comigo mas eu não percebo o que ele diz - grita a Carolina para mim estendida ao sol a uns 10 metros de distância.
Eu: deixa lá... Joguem à bola...

Nem cinco minutos depois aparece-me à frente. Ela e um belo rapagão de olhos claros, encorpado aparentando ter uns 11 anos.

Carolina: mãe fala com ele. Explica-lhe que não percebo e basta mergulharmos os dois atrás da bola.
Eu: are you english?
Rapaz: Rússia!
(Com aquela pronuncia que parece que nos estão a atirar paralelos)


Eu: já foste Carolina. Diz-lhe para ir à vidinha... Comunicação impossível!
Carolina: porquê mãe??? Não me digas que não falas russiano?!?!

6.6.13

Nós por cá

Não está aquele calor próximo das 4 dezenas que eu adoro, mas está se muito bem, obrigada. Mãe ias adorar a brisa marítima nem quente, nem fria. Eu cá, trocava-a por mais 10 graus e duas bolas de berlim. Numa das 4 piscinas do hotel tem um pinheiral e muita sombrinha para estenderes o cortiço à fresca... Se tivesses cá, claro e eu não tivesse que consolar a Carolina de 15 em 15 minutos com saudades da avó. Ontem desmanchou-se em lágrimas. Ai a minha avozinha, tão sozinha... Quero ir embora!!! 
À parte disso, da Constança se recusar a comer e de ter que ir para a cama às 22 horas era capaz de ficar três semanas.

(Eu sei que há quem vá um mês de férias, mas quem me conhece sabe que para mim o melhor de viajar é o regresso a casa).

5.6.13

A minutos de voar

Queria só dizer que odeio aviões. Repito, ODEIO!!!
Nem que transformassem isto numa zara voadora.
Não tomei o meu calmante porque convenci-me que sou uma pessoa equilibrada, mas uma vez aqui sentada com uma janelinha mais pequena que a casinha de jardim das meninas, começo a suar.
Ai que o bicho começou a marchar...
So help me God.

4.6.13

A preparar-me para deitar 30 euros ao lixo

Não é promessa. Nem excesso de grana. É só mais uma contingência do bom funcionamento dos nossos organismos públicos.
Pois que há coisa de três semanas fui com a Carolina ao registo civil para pedir o cartão de cidadão, até porque viajamos amanhã, sem sucesso. Porquê? Porque, segundo a senhora que me atendeu, o meu código postal não existe. Oh pá, azar do caraças, as contas de água, luz, telefone chegam todas cá a casa, independentemente de ter um código postal fantasma.
Então e agora?
Há que enviar um email para a capital a fim de esclarecer a situação. Assim me explicou a funcionária ao que lhe expliquei que viajava em pouco tempo.
Tranquilizou-me com o bilhete de identidade provisório que fica pronto na hora e tem a validade de um mês. Menos mal. Mas, lá me explicou que só pode ser emitido na véspera da viagem.
Ora cá estamos no registo civil de Braga onde me explicaram que além da prova da saída do país ainda tenho de pagar 30 euros por um pedido urgente de cartão de cidadão. Mas nem que o cartão viesse à velocidade da luz chegava a tempo. Por isso, peço um cartão de cidadão normalzinho, serve? Pois que não serve, não senhor. Ainda que todos saibamos que quando ele chegar já estaremos todos de regresso a casa, tenho de pagar por um serviço que não beneficiarei. É assim como comprar uma varinha mágica avariada ou um carro sem motor.
Senhor primeiro ministro acabo de contribuir com 30 euros (dados) para o pagamento do défice.

3.6.13

Conspirações (das boas)






Se não fosses assim, eras só mais um.

Em alta definição





Sem maquilhagem e a fazer jus ao nome do estaminé.

O equilíbrio do desiquilíbrio








Gosto de comédias românticas, mas mais do que isso, gosto de casais que vivem em extremidades opostas. Um pé no ódio. O outro no amor. Um dia amam-se. No outro odeiam-se. Porque é nesse desiquilíbrio amoroso que somos mais inteiros. Só assim beijamos com a mesma intensidade que tantas vezes batemos com a porta.
Não será equilibrado. Nem pacifico. Mas, eu só sei viver assim. E faz-me confusão quem se mantém sempre à tona da água. Quem não mergulha. Ou perde o pé.
Aborrece-me sobremaneira quem vive o presente com medo de não ter futuro.
Não gosto disso. Nem das pessoas que não mantêm distâncias de segurança quando estão em filas. Irrita-me que se encostem a mim enquanto levanto dinheiro ou espero pela minha vez para pagar o pão.