19.3.15

Tenho pai, mas ele morreu-me.



Enquanto ouvia a música do pai da RFM comovi-me. E isso é estranho. Raramente me comovo. Ok, é dia do Pai e há cinco anos, por esta hora, estava em trabalho de parto. Além disso, pessoas que estimo perderam ontem o pai de forma inesperada. Ainda assim...Fazia tempo que as lagrimas não me subiam à retina.
Foi o tempo de contornar uma curva em que visualizei o filme da nossa vida. Desenhos, tendas de campismo, piqueniques, queijo com bolachas, massa com feijão, ervilhas na beira do prato, os escuteiros, Os Marretas, o Michey Mouse,  cães, o Vitória (e o Sporting), Jurassic Park, Bruce Lee e Lucky Luke... Está tudo aqui. Com uma nitidez pungente. Sucede-se. E eu lamento. Lamento tanto. Só quem não tem pai (ou sofreu uma perda tamanha) entende a pena que tenho de mim. É pena, sim. E a pena não incompatibiliza a felicidade e realização que sinto pelo que tenho.
Por isto, estou aborrecida com o facebook. Estou desde as 9 da manhã a levar com posts fofinhos, ilustrados com fotos actuais. És o melhor pai do mundo. Obrigada por estares comigo. Sou o que sou graças a ti. Logo, vamos jantar fora. Já te comprei o presente. Meu velho, estás aí para as curvas.
Pese embora a última foto que tenho com o meu pai ter mais de 10 anos e ele estar a morrer de cancro, eu também tenho o melhor (pai do mundo), só que ele morreu-me. E se não estivesse enterrado comprava-lhe mais um canivete suíço para a sua coleção.

Sem comentários:

Enviar um comentário