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18.11.14

Tenho um viveiro de bichos na narina (e claro, um nariz de palhaço).

Pensei que os tinha exterminado com o fucidine. Dei-lhes forte durante vários dias. Bastava senti-los rabiar e atacava com a pomada. Resultou. Estive meses sem lhes sentir o fulgor, como se de uma abelha rainha se tratasse, daquelas mortíferas, pertencentes à mesma espécie da que matou o Macaulay Culkin no "Meu Primeiro Amor".
Mas, os sacanas imperceptíveis à vista, devem ter um cérebro maior do que o meu. Fizeram-se inactivos. E hoje voltaram com a folia de quem fumou um baseado. Exactamente na mesma narina (tivesse eu um medidor de narizes e estou certa que o epicentro é o mesmo).  Cheios de garra e mini bandeirinhas hasteadas. Escolhem aquela fase mensal que aflige uma mulher durante uns oito dias. Latejam. Fazem comichão. Dão-me um nariz de palhaço. Numa palavra, doem (os filhos da mãe). E já vou tarde com o fucidine.

13.11.14

Amor é...por Carolina Lopes


Não costuma estar sozinha. Pode estar numa solidão acompanhada, nunca numa solidão efectiva. Ontem esteve. Durante os minutos suficientes para eu perceber a sua ausência.
Encontrei-a, sentada no chão do quarto, encostada à cama, concentradíssima a ler a bula dos medicamentos que minutos antes o médico me havia prescrito.
Chamei-a. Sorriu, envergonhada.
 - Estás a ler isso porquê?
 - Para entender o que tens...
 - Não tenho nada...
 - Então porque é que este medicamento diz que se usa para aliviar a pressão sanguínia causada por tumores,  mormente na região do fígado?

Não é verdade que morri. A ruiva da necrologia não sou eu!


O meu médico de família é um jovem bonito, inteligente e tem dado provas de competência. À parte disso, tem uma necessidade de pretensão perfeitamente escusada.
Depois do dispensável episódio relacionado com o meu atraso, o senhor lá me atendeu, despiu a bata da pretensão e assumiu o status "sou um médico fixe e da tua idade".
Toda a gente sabe que a dor de cabeça é a queixa mais comum em neurologia. Toda a gente já teve dores de cabeça. Dependendo da intensidade e da frequência, nem valoriza, até porque, na grande maioria das vezes, a dor cede com benuron. A minha também cedia.
Não fosse a dor de cabeça ser, no meu historial clínico, sinónimo de cancro (e morte), nem teria ido ao médico. O mais provável seria continuar a medicar-me. Mas, ontem acordei com uma pressão tão grande que naqueles momentos, depois do despertador tocar, em que estamos em dormitação, senti-me descompensar. Comecei a suar das mãos, batimento acelerado e só pensava, "ai que morro e faço tanta falta às minhas filhas".
Ao que parece a minha dor de cabeça está relacionada com a sinusite (que nunca me tinha causado cafaleias tão fortes e regulares). Eventualmente, o tempo dispensado no computador não ajuda e não está descartada uma visita ao oftalmologista.
Por hora, estou medicada para 10 dias. Hoje, já acordei sem dor. A ver vamos.