Uma mulher e duas crianças sentadas no sofá cobertas por uma manta com dois computadores sobre as pernas. Assim estamos. Eu e elas. Como se ainda fosse Domingo.
A Carolina acordou pálida. Pior que pálida. Sem cor. Indiferente ao relógio. Encolhida na cama de onde só saía para ir à casa de banho.
Depois de me aperceber que não iria à escola tentei, sigilosamente, engendrar um plano que me permitisse levar a mais nova para o colégio.
Enquanto, tentava com a máscara disfarçar as pestanas que arranquei na noite de sexta feira, observava as duas, muito encolhidas na cama. A Carolina, claramente, nauseada. A Constança a fingir-se de morta. Quando me aproximei para vesti-la, avisou-me logo, "se a mana não vai à escola eu também não vou". Ainda tentei. "É claro que a mana vai à escola". Em vão. No minuto seguinte, informei-as que ambas ficariam em casa.
E cá estamos.
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27.4.15
24.4.15
Ficheiros do coração.
É verdade que a infância não se repete. Mas, eu pretendo visualizá-la vezes incontáveis. E para isso conto com este arquivo tão especial. Ficheiros do coração.
Não fora pelo meu pai não tinha esta mania de registar tudo. Tudo é mesmo tudo. Até uma bicha cadela a passear-se pelo chão da varanda.
23.4.15
Já não conheço a minha Constança.
- Não quero vestidos. Pronto. Não vou levar. Despe-me.Os meus meninos usam todos calças!
- E se eu te der uma caixa de ovos da Elsa?
- Nãoooooooo. A vovó vai-me dar amanhã.
- E se forem duas caixas?
- Só se forem seis ovos...
21.4.15
20.4.15
Se eu escrever no google 50 Sombras de Grey consigo ver o filme todo?
Confundo-me frequentemente com o teu peso. Talvez 18. Mais grama, menos grama. Não são. Estás quase nos 29! Meu Deus. Ainda há pouco saía furiosa do pediatra porque pesavas 16 quilos com 5 anos.
E de repente, tau, um banho de adolescência. A dupla de botões mamários cada vez menos discreta. O corpo esguio que se encurva. E aquela pergunta, absolutamente, dispensável: mãe se eu escrever no google 50 Sombras de Grey consigo ver o filme todo?
16.4.15
Todas as manhãs baixa em mim o demónio.
Tem sido assim desde segunda feira.
A Constança voltou a embirrar com o colégio. Começa o dia em negação plena. Não quero acordar. Não quero o leite. Não gosto de peixe. Não quero ir para a escola. Não quero sapatos ou sapatilhas de cordões. Não quero estas meias.
Com esforço, posso até entender tudo, mas a cena das meias está a dar comigo em doida.
Não importa se acordo às 7 ou às 6. Chegamos invariavelmente atrasadas.
Porque a juntar às birras da mais nova, há as ordens - cumpridas a custo - à maior. Vai tomar o pequeno almoço. Lava a cara. Lava os dentes. Não tens noção como estás despenteada, pois não? Veste o casaco...
Entretanto, a Constança atira com o que lhe resta. Dói-me a barriga. Aiiiiiiiiiiii.
Não chega. Vai à casa de banho que isso resolve-se.
Sendo hoje o Dia Mundial da Voz, acabei de perceber que uso muito mal a minha. Grito muito e sempre no limite. Grito tanto ao ponto de a voz me falhar.
Eu gostava de ser zen. As minhas filhas rebentavam-me com a paciência e quase em surdina - como faz o meu ginecologista - eu repreendia-as. Mas, não consigo. Já falo tendencialmente alto. Não consigo repreender sem elevar a voz.
(Mais uma resolução para 2015)
Não se pode tomar banho neste mar!
Abril. Vila do Conde, 25 graus. Bem bom. Considerando que há dias em Agosto mais frios. E ventosos.
Cá em cima, há uma regra básica. Não se vai à praia sem casaco. Mesmo que o dia esteja quente, por volta das 17 horas o vento impõe-se. Ou tens um agasalho (amiúde usam-se toalhas) ou vais ter frio.
Ainda assim, nem é isso que mais me incomoda nas praias até Lisboa (porque não se julgue que isto é exclusivo da costa mais a norte), o que me desgosta sobremaneira é o mar. Raisparta o mar. Há mais de 20 anos que não ponho lá uma unha mendinha. Basta-me a areia molhada para me arrepiar até ao couro cabeludo.
Sabendo todos nós que a canalha nunca tem frio convém estarmos prevenidas com um rol de argumentos para evitar que entrem em hipotermia. A saber: aquela senhora gorda fez xixi na água. Não sendo suficiente, avançamos para as necessidades sólidas. Ou então, está logo ali uma família de enguias cheias de fominha por pernas rijas e depiladas como as vossas. Também valem buracos negros que as levarão às profundezas do mar onde as espera ou o Adamastor ou a Moby Dick.
10.4.15
Quem já deu palmadas por causa de...meias???
Ontem, de manhã, vesti-lhe um conjunto Bluemarine dos tempos áureos, pertença da irmã, naturalmente. Primeiro, implicou com a saia. Porque tinha frio e não queria ir com as pernas à mostra, mesmo que as meias lhe chegassem às coxas. Nem argumentei. Despi-lhe a saia. Mantive as meias e fui buscar umas calças - enquanto olhava, de esguelha, o relógio.
Puxei-lhe as meias. Vesti-lhe as calças. Calcei-lhe as botas. Começou a bater com um pé no outro. Ai que as meias não estão bem. Estou a senti-las!!! Mas que raio, Constança, são meias, não são tampões, é suposto senti-las.
Descalcei-a. Tirei-lhe uma meia. Depois a outra. Sacudi-as. Voltei a calçá-las, quase com esquadro, para que cada dedo ficasse rigorosamente acondicionado no espaço que lhe correspondia. A seguir as botas. E novamente, um pé a bater no outro. E a choradeira. Do aiiiii que não estão bem...
Repeti todo o processo. Ela repetiu a birra. Rangi os dentes e sacudi-lhe uma mosca. A seguir, fui buscar outras meias. Calça e descalça. Enfia bota... Aiiiiiiiii que o calcanhar não está no sítio!!!! Ai que não me servem!!!!! Ai que estou a senti-las.
Mais uma corrida na busca de outras meias. Mas, afinal, o problema era das botas.
9.4.15
Meu primeiro amor.
Sei quem definisse este título como "romélico/lamechas". Eu concordaria.
Ainda há pouco, a navegar pelo feed do facebook, dei comigo a torcer o nariz a publicações de amor. Existem de todo o tipo e para todos os gostos, menos para o meu. Desde o Rei Leão passei a apreciar os finais infelizes ou, pelo menos, a não esperar sempre o viveram felizes para sempre.
Desta vez, não pude evitar. Não o soube escrever de outra forma. Porque antes de ti, foram amores menores. Que não descompassavam nem tiravam o fôlego. Ou o chão. Não levavam às lágrimas. Ou ao riso. Antes de ti, só a minha infância. Depois de ti, tudo.
Fiz-te e tornaste-te parte orgânica de mim. Qualquer coisa que dói. E não cede ao benurón. Tornaste-te fome. E sede. Continua, a tua vida, a correr no meu sangue.
Não sei se sabes isso. Estarás mais empenhada no next level do candy crush ou no criminal case. Mas, tens tempo para perceber.
Gritas. Cobras. Desobedeces. És quase tão chata como a tua avó. E nem sempre te lembras que a minha paciência não estica.
Eu sou a mesma. Tu também. Mas, permite-me vasculhar a adolescente que te tornas. Nem sempre é fácil olhar-me no espelho e recuar 20 anos.
Não podes comer só tomates e morango. A minha sopa é melhor do que a da avó. Desliga os dados móveis quando sais de casa. Chega desodorizante. Põe hidratante. E não laves a cara como os gatos.
8.4.15
O dia em que perdi a miúda.
Raisparta a rapariga. Desde (ainda mais) pequena que sempre teve a mania de cantos. Enfia-se dentro de armários e de baixo das mesas, monta acampamento nas esquinas e não foi a primeira vez que se escondeu entre roupa. Principalmente, nas lojas sempre teve a tendência de se misturar com os expositores. Desta vez, fez a cama e deitou-se.
Acabaram-se os folhos.
Não tentei sequer metê-la num vestido. Já tinha pensado na Páscoa para acrescentar este tipo de peças ao seu guarda roupa, agora composto por muito denim.
Se o calor sempre vier é possível criar looks mais descontraídos sem cair muito no desleixo que as calças com os ténis, às vezes, transmitem, ainda mais nesta idade em que se pudesse saía de casa sem sequer escovar o cabelo.
As calças e o top são da Lefties e sem querer recomeçar a discussão sobre a qualidade (ou falta dela) da marca tenho outras peças do género debaixo de olho.
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