Mostrar mensagens com a etiqueta divagações. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta divagações. Mostrar todas as mensagens

20.5.15

O polícia de Guimarães que não é vimaranense, as vítimas e os justiceiros.

Esta imagem não está directamente relacionada com o que se passou no Domingo em Guimarães. 


Eu não ia contribuir para a discussão do momento. O herói já foi coroado e o vilão tem-se julgado no sempre discutível tribunal do povo. Mas, a propósito do post sobre o Vitória com as fotos do bom comportamento dos benfiquistas, alguém me elucidou que faltava a agressão do polícia vimaranense.
Bom, antes de mais, esclarecer apenas que o senhor não é vimaranense (apesar disso não fazer a menor diferença). O senhor trabalha em Guimarães.
Dito isto, vamos lá deixar de relativizar e arregaçar as mangas.
Se eu fosse o senhor de vermelho NUNCA, levaria nenhuma das minhas filhas para um jogo que seria disputado naquele contexto (mas já lá vamos). Ainda assim, vamos presumir que um sinal divino me garantiu que tudo se passaria na paz do senhor e levei as miúdas.
Ora então, estou eu a acudir à minha filha mais nova, dando-lhe uns goles de água, quando um agente se aproxima exaltado dando-me ordens que saia dali e repudiando a minha conduta enquanto mãe por ter levado as crianças para aquele jogo. O que é que eu faço? Exactamente a mesma coisa que o senhor de vermelho fez. Mando-o foder e para a puta que o pariu.
A minha desanda vai-me valer umas quantas bastonadas, uma detenção no cadastro, o trauma das minhas filhas, um soco no meu pai, a fama e um lugar cativo ao pé do Luís Filipe Vieira no último jogo da época.
O agente Silva, o vilão, perdeu a cabeça. E nem vale a pena argumentar com justificações, embora eu as tenha. Concordo que nada justificava aquela reação, estando, ou não, os miúdos presentes.
O agente Silva, desde Domingo, é manchete de jornais e abertura de noticiários. Chamaram-lhe "durão", comparam-no ao "Rambo". E depois, no último parágrafo, acrescentaram que os colegas também lhe reconhecem mérito e espírito de liderança. Nunca antes tinha sido alvo de processos disciplinares ou reprimendas. Aliás, muitos dos colegas chegaram-se à frente em sua defesa (não do que fez no Domingo), mas do que fez ao longo da ainda curta carreira.
O agente Silva saiu de Guimarães. Dizem que está na casa dos pais. Tem o telemóvel desligado. Ninguém lhe fala, desde Domingo. Não estará, seguramente, a comer percebes e a beber cerveja.
Sou contra linchamentos públicos e quem se presume justiceiro. Os julgamentos fazem-se em locais próprios.

No Domingo, o jogo em causa não oferecia apenas espectáculo e festa. Não garantia condições de segurança, dentro e fora do estádio.
Decidia-se um título.
A qualquer momento, adeptos rivais iam-se cruzar. E mesmo que nada disso acontecesse, previa-se multidão, enchente, atropelos, pânico e água com açúcar podia não ser suficiente.

Termino com as palavras deste senhor "expor uma criança pequena a um cenário de risco e colocar a sua segurança em causa é como levá-la a ver um filme de terror à meia noite e esperar que durma sem pesadelos".
Duarte Gomes (o árbitro)