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14.1.15
As minhas filhas devem saber que entrevistei o Carlos do Carmo.
E que estava nervosa e ligeiramente insegura. Li, sobre ele, tudo o que podia. Consultei quem, sobre ele, sabe praticamente tudo.
Ao fim da primeira pergunta estava capaz de me sentar à chinês no seu sofá.
Fala como canta. Com naturalidade. E modéstia, poucos dias depois de trazer para casa um emmy. É pesado o galardão.
Canta fado e canta a vida, até porque já esteve a morrer. Não se reservou na abordagem à sua fragilidade física.
Carlos do Carmo é daquelas pessoas que nos falam através de uma ligação directa sem que precisemos de ignição. As palavras chegam-nos sem darmos conta. Pudesse ele e teríamos conversado muito mais tempo.
Importa tudo o que diz.
Minhas filhas, eu entrevistei o Carlos do Carmo.
4.1.15
Imperdível! Adjectivo a manter.
O final de 2014 e o início de 2015 foram de muito trabalho. Textos vários e trabalhosos que a páginas tantas achei que não cumpriria prazos. Além do mais, tinha-me proposto para um projecto cuja realização não dependeria só de mim. Com as festas e tantos dias inúteis tinha-o ali, a um canto, prontinho a engavetar. Tencionava fingir-me de morta. Aquilo???? A sério??? Pensei que não tinha achado interessante!!!! Desculpe, mas como entendi isso foi directamente para o lixo.
No entanto, tem vezes, que o universo conspira e decide premiar-nos, se não for pelo esforço, pela ideia. Algo que tinha como, praticamente, impossível, fez-se concretizável.
É de trabalho que vos falo. Perdoem-me mas gastei tudo no Natal. Não pude ainda ir aos saldos.
Mas, 2015, promete ser próspero profissionalmente, pelo menos a julgar pelo Janeiro. Vem aí uma edição imperdível.
Acabei de concluir que tenho dito sempre isto... Imperdível! Parece-me bem. Parece-me muito bem. Adjectivo para manter na revista.
15.12.14
Na cadeia.
Num contexto pessoal e profissional já estive em diversas - e duras - situações. A trabalhar, identifico com facilidade, os piores momentos. Lembro-me de menos de um mês após a morte do meu pai ter feito uma reportagem sobre cuidados no domicílio. Vi, em gente acamada, o rosto da doença e da morte. O cheiro a remédio que nos revolve as entranhas e sufoca no peito. Transporta-nos para aquele leito que em poucos dias se fará lugar vazio.
A doença incomoda-me. A morte agonia e fragiliza. Mas inquieta-me a alma tudo o que é privação da liberdade. Passar quatro horas em reclusão no Estabelecimento Prisional fez ferida. Todos conhecemos o conceito de prisão efectiva e recebemo-lo com ligeireza e em certos casos, julgamento e punição. Aceitamos que a justiça se cumpra. E não lembramos para além da sentença.
Estive na cadeia pela primeira vez. Passei os portões amarelos depois da revista. Os portões fecharam-se e não bastava um gesto espontâneo para que se abrissem. Estavam fechados. Estava eu e todos, ali dentro, à mercê do guarda.
Em Guimarães não há preventivos. Todos os homens que lá estão foram condenados. Falei-lhes sem lhes conhecer o crime para não influenciar a conversa. E depois de conhecer não os consegui julgar. Não me senti ninguém para julgar quem já foi julgado. E estar preso tira o ar.
8.10.14
Fôlego.
Setembro passou num fôlego. Permiti-me respirar o essencial à minha sobrevivência. Prefiro os dias que enervam, mas não aborrecem. Porque os nervos que resultam de amores, feitos inéditos, ocasiões especiais são bons.
De caderno na mão quero fazer-me escritora. Começo hoje.
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