20.3.17
7 ANOS!
De repente, a minha pequena que ainda dorme em posição fetal e com as mãozinhas debaixo do rosto, fez 7 anos! 7 anos!
Piorou a compulsão por chocolate. Aguçou a inteligência. Manteve a vaidade. Abusa da elegância. Perna comprida. Tez morena. E aquela voz ainda de bebé quando me liga. Já envia SMS com uso abusivo de emoji.
Não seria capaz de pedir mais e se pudesse escolher nada lhe chegaria aos pés.
Parabéns minha bomboca de framboesa.
PS: um agradecimento especial à Ana da Bolos com Encanto e ao São Pedro que nos permitiu uma tarde primaveril em ambiente privilegiado.
15.3.17
Este post podia ser uma salada russa...
Este deveria ser um post sobre meias, daquelas invisíveis que prometem fazer-nos as pernas sexys e morenas. Todas as manhãs, quando me enfio numas da espécie e rasgam ao primeiro toque do meu mindinho juro, por todas as almas, que me vingarei sob a forma de palavras hostis. Mas, depois engulo o pão que acompanho com a meia de leite, actualizo-me no primeiro scroll do Facebook que, permitam-me o desabafo, está cada vez mais insuportável, ontem mesmo removi para cima de uma dezena de amizades, pessoas que devo ter adicionado em 2007 e ainda não entendia o propósito da coisa, mas é só a mim que está a acontecer isto? Ocorrem-me os piores pensamentos quando no feed me aparecem coisas do género "o que faz bem a uma crise de vesícula? tou que nem posso" ou "nem sempre os olhos fechados dormem. Nem sempre os olhos abertos vêem"... enfim.
Está aí o Dia do Pai que é sempre uma data fofinha e agora com o Facebook - here we go again - é vê-los bradar aos céus os super poderes dos respectivos progenitores. A verdade é que já não se escrevem postais ou folhinhas perfumadas como as que eu escrevia ao meu pai. Já Saramago disse, numa carta ainda pode cair uma lágrima, nunca num email ou post - acrescento eu. Bom, mas também não pretendo bancar o velho do restelo e amaldiçoar a evolução dos tempos.
Eu já não compro postais e há muito perdi as minhas folhinhas perfumadas. Há alguns anos deixei de comprar canivetes suiços. Fui mãe, pela segunda vez, vai fazer sete anos no próximo Dia do Pai e honro-lhe a paternidade com a minha maternidade.
Honro-o também com imagens como estas, locais que conheci com ele. Sem GPS. Sem auto-estrada. Roteiro numa folha A4 e mapa de Portugal aberto no tablier, máquina fotográfica ainda com rolo. Foi, aliás, num destes sítios que me fotografaste a última vez.
Não foste sempre bom. Cometeste falhas. Fizeste-me chorar. Nunca te presumi perfeito porque se assim fosses não serias meu e meu foste sempre - ainda és - o melhor que tenho.
17.2.17
Vou ver se não entro na Zara...
Que se manifeste quem está farta do Inverno. Quem já não aguenta repetir os agasalhos que arruínam qualquer outfit. Quem deixou de se mirar no espelho e como eu anda à base do desenrasca.
Temos frio na rua, temos frio no trabalho e ainda com um pé fora de casa já nos estamos a despir para nos metermos naquele pijama polar horrendo, mas quentinho. Eu logo vi...
Não vale a pena abrir aquelas publicações do Facebook que dizem blasfémias como "as peças chaves para andar linda e animada no Inverno" ou então, "dicas para um cabelo luminoso e pele radiante nos dias frios". Pior, "como sentir-se sexy e quente". Não abra. Duvide de tudo o que não recomende uma viagem à Tailândia ou ao Rio, porque, minha senhoras, é a única solução para os nossos problemas.
Entretanto, e como a grande maioria de nós são profissionais empenhadas e mães extremosas, apesar da saúde da nossa conta bancária que, seguramente, nos permitiria estar 60 dias em viagem, deixamo-nos estar e uma ida à Zara já será suficiente para nos aquecer o coração. No limite até ganhamos um bocadinho de cor.
Eu como sou uma fixe até já vos adiantei algum serviço e seleccionei umas pecinhas que, como habitualmente, não excedem os 50 euros sendo que a grande maioria é de 29.90.
Temos frio na rua, temos frio no trabalho e ainda com um pé fora de casa já nos estamos a despir para nos metermos naquele pijama polar horrendo, mas quentinho. Eu logo vi...
Não vale a pena abrir aquelas publicações do Facebook que dizem blasfémias como "as peças chaves para andar linda e animada no Inverno" ou então, "dicas para um cabelo luminoso e pele radiante nos dias frios". Pior, "como sentir-se sexy e quente". Não abra. Duvide de tudo o que não recomende uma viagem à Tailândia ou ao Rio, porque, minha senhoras, é a única solução para os nossos problemas.
Entretanto, e como a grande maioria de nós são profissionais empenhadas e mães extremosas, apesar da saúde da nossa conta bancária que, seguramente, nos permitiria estar 60 dias em viagem, deixamo-nos estar e uma ida à Zara já será suficiente para nos aquecer o coração. No limite até ganhamos um bocadinho de cor.
Eu como sou uma fixe até já vos adiantei algum serviço e seleccionei umas pecinhas que, como habitualmente, não excedem os 50 euros sendo que a grande maioria é de 29.90.
30.1.17
Foi ontem o dia em que chorei a ver um filme!!!
Comecei a ver o Jack Reacher. Interrompi para o almoço. No regresso ao sofá optei pelo Manchester by the Sea. Alguns problemas técnicos com o pc e o cabo quase me levaram a sintonizar o Hollywood até que o sono me chegasse.
Pensei no La La Land, mas só me vinha à cabeça o Mamma Mia e as musiquinhas de minuto em minuto. Resisti. Entretanto, os problemas técnicos persistiam. Desisti da televisão. Pousei o computador nas pernas completamente desacreditada do sucesso cinematográfico da minha tarde de Domingo. Passei pelo La La Land e voltei a torcer o nariz...mas o gajo é giro e, sejamos francos, tem 14 nomeações. Play!
Ao fim de quase duas horas de filme dão comigo feita Madalena arrependida. Nariz vermelho, lágrima certinha, pelo arrepiado...Surreal! Eu que não chorei a ver o Titanic nem a Vida é Bela ou o Rapaz do Pijama às Riscas, desato num pranto com um musical?!
Defendo até à exaustão o cumprimento dos sonhos, quase como uma condição de felicidade e teres alguém que amas e te alavanca nessa busca é maravilhoso. Assim foi com as personagens do filme. No entanto, no final, contrariando o doutrinismo das comédias românticas, seguem vidas separadas. Comprometeu-se o amor para que o sonho, de cada um, se cumprisse. E cumpriu.
Mas, como eu, (além de chorona) sou sonhadora, mas também romântica, tenho para mim que depois daquele (re)encontro no Seb's, depois do sonho cumpriu-se o amor.
13.1.17
14 anos depois de ti.
Chegamos a um ponto em que as fotos me faltam. As que tenho, em 14 anos, já as repeti. Outras, honrando o estatuto de única filha, quero-as só para mim, não me apetece partilhá-las. Entende-o como uma birra pela falta de partilha de braços de quem, como eu, perdeu o pai. Fui a única filha que te chorei. Não deixaste outra ou outro. E esse vazio - como foi o teu cancro - é incurável.
Há 14 anos, não houve outro alvo dos olhares de pena que não eu, descabelada, inchada, vestida de preto - depois de trocar a camisola vermelha que, ironicamente, optei por vestir naquela manhã de segunda feira - há 14 anos.
Só te enterraram na quarta e neste 13 de Janeiro de 2017 continuo sem saber descrever o ruído dos sinos que te anunciavam a morte...das piores sensações que experimentei.
Anteontem à noite, enquanto esperava o sono da neta que não chegaste a conhecer desatei num pranto copioso que me tingiu de preto a almofada. O choro sufocou-me. Culpei-me por me permitir viver na tua morte, pelas gargalhadas que dei, pelas filhas que tive e pelo filho que ainda quero ter... Culpei-me por deixar que te vestissem a merda de um casaco que nunca usarias e não fora já o bastante ainda te enfiaram no pescoço uma gravata!!! Tu que em circunstância alguma as usaste colocaram-ta morto.
Apetece-me copiar a também falecida Maria Barroso e terminar com os "Dois sonetos de amor da hora triste" do Álvaro Feijó e dizer-te "não um adeus distante. ou um adeus de quem não torna cá. nem espera tornar. um adeus de até já. como a alguém que se espera a cada instante".
PS: não voltei a sentir-me menina sem o teu colo.
11.1.17
Mário Soares!
Soube, no Sábado, da sua morte. Apesar de há muito anunciada, a confirmação, sensibilizou-me.
No mesmo Sábado, fui ao futebol. O Vitória recebeu o Benfica e antes do arranque da partida assistimos ao justíssimo minuto de silêncio. Não foram os cânticos que não cessaram que me incomodaram, foi o tipo ao meu lado que desatou a proferir vernáculo e acusações porque é sempre mais fácil dizer mal do que bem e porque o seu conhecimento, por certo, não lhe permitirá saber quem foi Soares.
Um homem maior do que a sua biografia. Salazar prendeu-o 13 vezes, deportou-o e exilou-o. Foi no exílio que refundou o PS.
Foi ministro dos Negócios Estrangeiros, Primeiro Ministro em três governos, Presidente da República por dois mandatos, deputado europeu. Só tachos, dirão.
Soares ganhou e perdeu. Errou, também, com certeza. Mas, como escreveu no seu editorial no dia posterior à sua morte, Afonso Camões, director do JN, "foi um sempre em pé nas lealdades, político de coragem e vocação, nunca resignado e muito menos rendido. Culto, moderno, cosmopolita. Soares era um homem com mundo e foi mundo que ele acrescentou a Portugal".
Também Miguel Esteves Cardoso escreveu sobre Soares, agora que morreu, mas já antes o tinha feito numa crónica onde assumiu ter "desesperadamente tentado encontrar defeitos no pai da democracia". Ao invés, escreveu, "lançou as sementes do respeito e da autoridade neste infértil jardim à beira mar plantado. Adoro o homem. Eu e um grupo selecto de 10 milhões de portugueses".
Mário Soares foi ontem a sepultar e não houve canto no mundo onde não fosse definido como o maior responsável pelo Portugal livre.
Não ficará apenas na história. Fez história. E isso é muito fixe.
2.1.17
Todas as noites te odeio!
Todas, menos nesta.
Com seis anos, era suposto dormires sem intervalos. Esperava de ti que adormecesses entre as 21.30 e as 22h e acordasses às 8 da manhã seguinte. Mas, não. Numa noite boa acordas por volta das 4. Soltas seis audíveis "mããããããe" seguidos para não dar-se o caso de me fingir de morta. E só te calas quando no escuro da noite me esbarro em qualquer coisa.
Em noites más, faço três viagens entre os quartos.
Já conversamos sobre isso. Não é de todo agradável, primeiro acordar quando se dorme tranquila, segundo acordar com berros, terceiro, abandonar a cama quente e quarto custar para dormir de novo enquanto na capela as badaladas vão soando e o meu tempo de sono encurtando ao mesmo ritmo.
Temos de voltar a discutir isto Constança. Negociar.Em último caso, recorrerei à privação do chocolate.
31.12.16
Feliz Ano Novo!
Em 2016 não perdi ninguém irremediavelmente. As minhas filhas tiveram sempre saúde. Não nos faltou pão na mesa. Isso deve bastar para ter sido um bom ano. E bastou. Mas, ninguém é sempre feliz. E estranho seria se todos os 365 dias fossem maravilhosos. Não foram. Vivi em 2016 um dos piores momentos da minha vida. Algo que tenho muita vontade de consertar em 2017. A par com a saúde é o meu principal desejo para o novo ano.
Que entre 2017. E que eu continue forte e capaz para cuidar dos meus, de mim e para cumprir os meus sonhos.
22.12.16
Salvemos estas crianças, mas às tantas comecemos pelos pais...
Tenho duas filhas, uma enteada e pretendo ter outro filho, assim como escrito, no masculino. Não me assustam as minhas crianças porque confio em mim, dito assim, sem falsa modéstia. Da mesma forma que me assumo falível sem qualquer pretensão a título de melhor mãe do mundo. Não as amamentei. Já lhes dei ao jantar ovos mexidos com salsichas e juro que não faleceram. Já estivemos na praia ao meio dia. Já as deitei sem lhes secar o cabelo. Já lhes disse palavrões. Por outro lado nunca as perdi (de mim). Nunca se quiseram perder. Sabem onde pertencem. E mais do que orgulhar-me da fé da Constança no Pai Natal orgulho-me de serem felizes. Disso e de não as deixar usar gadgets à mesa ou em qualquer outro local onde brincar lhes seja permitido.
Assistimos à transição do analógico para o digital, do real para o virtual. Numa época que nunca se chamará época, que no futuro será ofuscada pela rudimentaridade retrógrada da anterior e pela tecnologia evolutiva da posterior. Nos livros de História será descrita como “período de desenvolvimentos tecnológicos” e será folheada rapidamente. Isto, se houver História. Pior, se houver livros.
Não se brinca ao macaquinho do Chinês. Os miúdos encontram consolo em consolas. Já não levam cordas de saltar para os recreios. Não sabem fazer um quantos-queres. Não mandam bilhetes amorosos e propostas de namoro. Falam online e namoram por likes. São educados por ecrãs e crescem pela internet. Faltam-lhes remendos de ganga nas calças, dos joelhos esfolados, cabelos despenteados e unhadas na cara. Sapatos rotos e pensos pelo corpo.
Eu já não sou miúda, mas também não sou exemplo. Não vivemos sem telemóvel e o que não percebemos é que não vivemos com telemóvel.
Mas, eu sou crítica em relação às redes sociais e revoltam-me aditos reféns do scroll.
Enquanto escrevo olho para a minha filha mais velha a gravar vídeos que publica numa qualquer rede da qual nem o nome sei.
Com 11 anos, a três dias do Natal, eu escrevia peças de teatro para representar na noite da consoada.
Na certeza que o acessório se tornou essencial e o essencial acessório me despeço.
E ando a suspirar mais vezes.
13.12.16
6 anos!!!!
O aniversário do blogue foi o pretexto ideal para usar esta foto tirada no último Verão.
Hoje, Guimarães celebra 15 anos da elevação do centro histórico a Património Mundial da Humanidade e A Menina das Sardas celebra seis anos de blogosfera.
Quem me lê sabe que já fui mais assídua e nem vale a pena ajoelhar e jurar que agora é que é, que servirei posts a rodos, porque o mais provável é no próximo ano estar aqui a penitenciar-me. Prometo fazer o melhor. E prometo manter sempre este espaço.
Obrigada a quem cá vem todos os dias mesmo sem conteúdos novos.
6.12.16
Mudar.
Hoje tive sorte. Não me sentei (ainda) sozinha para enganar o estômago com um almoço forjado. Rápido chegarão os dias sem almoço. Os dias da sopa, quando houver sopa. O mais certo é treinar em vez de comer. Assim pretendo distrair a (tua) ausência.
A vida muda. Ó se muda. E nós dois sabemos. Fomos os agentes da nossa mudança. E vejo-nos capazes de mudarmos ainda mais. De nos acrescentarmos.
Hoje, o meu (e o teu) almoço mudou. Mas, ambos, sabemos que mudou mais do que isso. Sei-te capaz. E acredito (em ti) mesmo quando tu desacreditas.
Sê sempre assim, corajoso, até porque homens amedrontados aborrecem-me.
9.11.16
4.11.16
Outubro em Novembro. Do acidente à festa.
Sabia que (Outubro) seria intenso. Queria-o inesquecível. E comprometi-me na tarefa. Longe de imaginar que Outubro de 2016 se tornasse memorável, pelo mau e pelo bom.
Distraíste-te na via rápida e começaste o mês no bloco operatório. Temi por ti e pela tua festa de anos que todos planeávamos, menos tu.
Depois da alta, rapidamente percebemos duas coisas: que não respeitarias a convalescença e que a festa não estava em risco.
Foi uma espécie de casamento cigano que se prolonga. Os festejos iniciaram a 20 e terminaram a 23. Pronto, exagerei, foram só três dias, mas pareceram mais. Outubro pareceu muito mais.
Cabem neste mês, que se finou, o desespero da espera, o cheiro da doença, o medo, o indicador que secou a lágrima. Mas cabe também o sorriso genuíno de quem está feliz. O banco do parque na noite de chuva. O presunto e o javali que insistes em chamar de porco e de preto.
Não esquecerás os teus 36 anos. Nem Outubro. E eu também não.
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