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28.6.16

Girls.


Sempre tive uma indisfarçável queda por meninas.
São românticas, apaixonadas, choronas, consolam-se com abraços ou com sapatos de barbie ao jeito de "toma lá estes chanel rosa choque em troca de um sorriso de orelha a orelha", passeiam de mãos dadas, gritam a uma só voz como se pertencessem ao coro da Gulbenkian desde os 2 anos de idade e brincam aninhadas horas a fio. Tudo o que precisam é de uns trapos, de umas bonecas de cabelo comprido e de uns Ken's de preferência sem roupa.
Naquelas horas que antecederam e precederam o jantar, estas quatro fizeram de tudo. De casamentos a divórcios, luas de mel, férias desportivas nas Maldivas e ainda o mortal atropelamento da sogra.

PS: A Constança não consta da última foto porque tem medo da água.
PS1: Indisfarçável queda para meninas... Ah, ah... mas no terceiro brinda-me com um macho.

8.3.15

O primeiro Domingo de pernas ao sol.


O pior destes dias maravilhosos com temperaturas acima dos 20 é que, provavelmente, em menos de uma semana vão baixar 10 graus. E com isso, voltam as meias calças e o preto, quase, integral.
Até lá, aproveitemos.

2.3.15

Toda a gente faz xixi na água.


Enquanto secava o cabelo à Carolina, no final do banho, a Constança observava, atentamente, o making of da Sports Illustrated. A reportagem passou no Jornal da Noite da SIC e referia-se à portuguesa Sara Sampaio e à fofa da Irina.
Mais do que os ossos das meninas (sim, estou invejosa), chamou-me a atenção a própria da Constança vidrada nas manequins.
Pensei para comigo, "a pequena deve estar a cobiçar as curvas das boazonas... ou então, está apenas escandalizada por andarem assim despidas na praia". Mas, afinal, não. A preocupação da Constança era outra.
 - Mãe, achas que a Irina faz xixi na água?
Depois de me recompor da gargalhada respondi.
 - Claro que faz. Tenho a certeza que faz.
 - Eu sabia, toda a gente faz xixi na água.

20.2.15

Greve (antecipada)


Soube ontem, ao toque de saída, que a escola da Carolina não abriria hoje. A miúda entrou no carro a gritar, "amanhã não tenho escola". Estranhei porque nem me lembrei da greve do pessoal não docente. "É greve, a professora avisou". A mais pequena, com profundo sentido de justiça, apressou-se a reivindicar, "se a mana não tem escola, eu também não tenho".
Estamos, portanto, numa sala algo esquizofrénica.
 - Correrei é futuro - grita a Carolina para os seus alunos imaginários e distraídos alunos.
 - Põe samba mãe - pede a Constança que vai deambulando de gabardine e pano de cozinha enrolado no pescoço.
 - Sai daqui Constança!!! Já te avisei, se queres entrar ao menos tens de bater à porta. Não se entra sem autorização na sala de aulas - grita a Carolina.
E eu vou interiorizando que tenho de escrever, mas apetece-me tudo, menos colocar os headphones. Comia mais depressa uma punheta de bacalhau.

18.2.15

Sabem aquela coisa dos patinhos seguirem a mãe pata?


Estou seriamente preocupada com as minhas filhas. Mais com a mais velha do que com a mais nova.
Também estou preocupada comigo. Elas perseguem-me. Juro que não é exagero. É perseguição que muitas vezes se prolonga por 120 horas (como nas maravilhosas férias carnavalescas).
A Constança não só tem dormido comigo como, não satisfeita, dorme em cima de mim. Hoje, acordei e senti-me como se tivesse sido atropelada por um camião da Vitrus.
Antes de dormir, a Carolina, vem meia dúzia de vezes à minha cama dizer-me "até amanhã, se Deus quiser". A quantidade de vezes que me aparece ao quarto depende do sono. Quanto mais tarde adormecer, mais vezes aparece.
Se eu estiver na sala e por uma necessidade fisiológica precisar de uma casa de banho, quando estou a sentar-me já elas estão dispostas, lado a lado, à espera que eu termine. Mesmo que estejam as duas a curtir o som da Violetta ou entretidas com batons e plasticina. Hei-de descobrir onde escondem o radar.
Ou então se eu tiver de me ausentar por dois minutos para comprar assim uma coisa para lá de urgente - tipo xanax - e estiver um frio do caraças. Não está só frio. Está a chover e o carro não está na garagem. Estão ambas de pijama a ver a Vila Moleza. Sair de soslaio não dá (por causa do radar). Arrisco-me:
 - Vou só ali à farmácia no carro do Senna.
 - Eu vou contigo.
 - Eu também vou.
 - Deixem-se disso. Está a chover, anda uma Anaconda lá fora e se ficarem dou 5 euros a cada uma.
 - Mãe, já sabes que eu vou contigo.
 - Eu também.


17.2.15

O seu primeiro brushing.



Ela queria esticar o cabelo. Eu fiz-lhe a vontade.
Receei não terminar a tarefa porque à sexta alisadela já bocejava e manifestava saturação. Doía-lhe o cabelo e as orelhas. Afinal, já não queria esticar o cabelo.
A custo, conseguimos convencê-la.
Tem o cabelo ainda maior e mais fino do que eu imaginava.
Estranhou quando se viu no espelho. "Quando voltam os meus caracóis?", consumiu-se. Disse-lhe que parecia a Violetta e animou-se.

10.2.15

Tu tomas banho?


 Não sei que raio deu à Constança, mas agora sempre que encontra ou conhece alguém, a primeira pergunta que lhe faz é:
Tu tomas banho?
Venho, por este meio, desculpar-me perante os visados, estou a lembrar-me do Gae; da Gracindinha que está a tratar dos disfarces de Carnaval; da ex catequista da Carolina que encontramos numa caminhada e da Zéfinha que estava à nossa frente na fila do fiambre..  Granto que todos têm um ar asseadinho e não cheiram mal, a rapariga deve estar num processo experimental de socialização.

3.2.15

Perguntas difíceis...


Constança: eu gostava de ter filhos...
Mãe: quando fores grande vais ter...
Constança: como?
Mãe: (pausa) como todas as mamãs têm...
Constança: sim, mas eu não sei como é...
Mãe: ó filha, mas quando fores grande, como a mamã, vais saber e vais poder ter os teus próprios bebés...
Constança: e como é que eu os faço?
Mãe: (pausa) então, os bebés crescem na barriguinha das mães...
Constança: como?
Mãe: como tu e a mana que viveram na barriga da mamã e depois nasceram...
Constança já impaciente: e como é que os bebés vão para as barrigas das mães?
Mãe: (longa pausa finge prestar atenção a uma reportagem sobre a importância dos cotonetes na higiene diária).
Constança: mãe, como é que tu me fizeste? Explica-me. É isso que quero saber.
Carolina: posso responder?

Negociações...


Carolina: Se me deres o ipad eu dou-te cinco ferreros, a agenda e o porta-moedas da Violetta.


Constança: não sei... acho que não...
Carolina: a sério? Pensa bem... cinco ferreros, a agenda e ainda o porta- moedas da Violetta. Eu aceitava... Mãe, diz-lhe que está a ser burrinha.
Mãe: abstenho-me.



Constança: mostra lá isso... Deixa cá meter os ferreros aqui antes que mudes de ideias...


Carolina: passa para cá o ipad.
Constança: tem pouca bateria e tem...

A mais velha está em ficha de avaliação.

E deverá estar, à hora deste post, a olhar para as nuvens carregadas e a descrever o ciclo da água. Do mal o menos. O pior é mesmo a condensação e a fusão, formação de geada e granizo.
O estudo do meio é mesmo o bicho papão para a Carolina. As fichas de avaliação de português e de matemática estão despachadas e renderam-lhe uma nota de 90%.
Esta história dos planetas e dos astros, da translação e rotação da Terra e da viagem do Fernão Magalhães também me causavam alguma vermelhidão facial.
Vamos miúda, espero que te corra tão mal como a ficha de matemática.