4.1.12

Não gosto de entrar no ano


É muito giro quando se começam a ouvir os sininhos. Quando se bagunça a garagem à procura da decoração do Natal. Quando se faz conta ao subsídio. Quando se contam as pessoas que se sentarão à mesa para a ceia and so on.
Quase imediatamente a seguir é a loucura dos saldos que até faz jeito a quem vai passar o ano fora e assim compra dois ou três vestidos pelo preço de um. Compra-se o espumante do mais barato. Fazem-se brindes. Promessas. Votos de Bom Ano. No outro dia acordas com uma sensação de vazio. De perda. Foi-se tudo. Foi-se o entusiasmo da expectativa e dás-te conta que o novo ano te pesa sobre os ombros.
Não gosto de janeiro, nem do início de fevereiro. Perdi pessoas por essa ocasião.
Não gosto destes dias. Frios. Escuros. Sem sol.
Não gosto de ver pessoas curvadas pelo frio na rua, de mãos cruzadas sobre o peito.

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