11.4.18

Os bebés dos outros.



Eu ia começar por dizer que os bebés do Instagram são todos bonitos, mas não são. Há mãezinhas que lhes colocam uns filtros, luzinhas a piscar em cima dos olhos, orelhinhas de urso ou de cãozinho e a coisa até disfarça. E se à edição acrescentarmos os maravilhosos feitos da criatura ficamos para um canto a chorar. Não raras vezes estas publicações têm as seguintes legendas: "esta formiguinha dormiu das 21.30h às 9.30". Ou, "com seis meses já fez tem-tem". Melhor ainda, "a minha filha já come sopa, mas o seu cocó continua a cheirar a rosas". E depois há aqueles bebés que deverão ser filhos de São Judas Tadeu a quem se lhes passa para a mão uma tampa de manteiga e se entretêm 12 horas seguidas.
Eu que sempre me considerei bafejada pela sorte já fui ali esbofetear-me porque alguma coisa devo ter feito para não merecer tal sorte.
Ora, a minha criatura chega a ter 58 brinquedos na sua mesa de trabalho. Em menos de 58 segundos - o que perfaz a espectacular média de menos de um segundo por brinquedo - espeta com eles no chão. A seguir pede colo. Aposto que os vossos não sabem pedir colo. É o que faz distraírem-se com tampas de manteiga, não estimulam a comunicação com os progenitores e demais elementos do agregado.
Em relação às noites, sabem aquela sensação de adormecer e acordar olhar-se para o relógio e "caramba já é de manhã?! Dormi tão bem e acordei fresca como uma alface". Nunca me aconteceu nos últimos seis meses e duas semanas. E ok, eu reconheço, também dificilmente diria caramba. A cria tem aquela adição pela mama de sua mãe. A semana passada, houve uma noite, em que decidiu abastecer-se a cada hora. Foi espectacular. Contei cada uma das badaladas e nos entretantos engendrava planos para acabar com a guerra, pensava o que faria para o jantar do dia seguinte, ou o que poderia usar a Isabela da Casa dos Segredos para acabar com tanta borbulha.
Não fora suficiente, como ingere tanto líquido, é comum rebentar com a fralda. São litros e litros de xixi que vazam a fralda, o pijama e lençóis e não raras vezes roupa nocturna sexy de sua mãe.
Por isso, vocês que têm crianças maravilhosas que dormem toda a noite, brincam 12 horas seguidas e não vazam fraldas, são capazes de ter parido um unicórnio.


29.3.18

Boa Páscoa com quilos a mais









Vamos aproveitar estes bracinhos papudos para falar de peso.
Continuo acima do peso. É um facto. Indesmentível. A balança lembra-me todos os dias, às vezes, mais do que uma vez por dia. Na verdade lembra-me sempre que lhe subo para cima e porque sou uma pessoa crente - só não sei bem em quê ou em quem - calco-a umas quantas vezes na expectativa de se dar algum milagre. Peso-me com meias, depois sem meias. A seguir tiro o totó do cabelo - as mulheres sabem que os elásticos pesam horrores. Como a sacana da balança não corresponde vou esvaziar as mamas. Verter toda a urina da bexiga. E andamos nisto.
São 15 meses a brincar com o cortiço.
Primeiro, estás seca como uma cadela, daquelas vira-latas mesmo. Engravidas e começas a alombar. Ganhas formas. Arredondas. Exibes triunfante as novas mamas e o novo rabo. Mas depois desengravidas. Desovas a criatura. As mamas que já eram grandes triplicam e o rabo quase bate no chão. Mas trágica é mesmo a proporção da barriga. A desculpa do "estou grávida" já não se aplica.As amigas emprestam-te umas cintas modeladoras, usas as que já tens e compras mais umas quantas em sites brasileiros que prometem ventre liso em 24 horas.
Minhas amigas, quantas 24 horas passarão até se enfiarem outra vez naqueles jeans brancos que em tempos lhes moldavam uma figura esbelta??? Provavelmente, as vossa criatura mais nova já se formou e a mais velha estará grávida do vosso primeiro neto. E nesse caso que se foda a barriga. Sendo avó já não te importarás de usar sempre fato de banho.

Ora então, boa Páscoa.

22.3.18

6 meses de Mary Jane




A criatura chegou à bonita idade de meio ano. Serão cerca de 180 dias e dito assim só me apetece chorar porque acabei de perceber que não durmo uma noite inteira quase há 200 dias!!!! Por outro lado, baixou em mim um orgulho justificado porque apesar de tudo vou mantendo um ar saudável e aprumadinho. Tipo cabelinho mais ou menos limpo, unhas quase sempre arranjadas, higiene dentária em ordem, depilação feita, sexo em dia... ou então, a privação de sono tirou-me a consciência e sou apenas a imagem pálida do que fui outrora...Meu Deuuuuus! Será????
Não vamos dispersar que isso é matéria para outro post. Dizia eu que a criatura chegou à bonita idade de meio ano e há muita mãe a dizer que os bebés deviam nascer assim, com seis mesinhos completos ou então formados e com carreiras de sucesso para nos permitirem qualidade de vida na velhice.
Vocês que acabaram de parir e estão à espera dos sábios conselhos de uma mãe veterana deixem-se ficar.
Ora, uma das vantagens de um bebé de seis meses é que faz menos cocó. Uma das desvantagens de um bebé de seis meses é que o seu cocó passa a cheirar tão mal como o do seu progenitor e ganha consistência.
Outra das vantagens de um bebé de esta idade é que - salvo raras excepções - ainda mama e isso ajuda no processo de emagrecimento, da mãe, obviamente, nas finanças da família e no sistema imunitário da criatura. Por outro lado, uma das desvantagens é que um bebé de seis meses ainda mama. Isso mesmo, leram bem. Se a criatura mama, a criatura continua a fazer de ti refém. Às vezes até tenho pesadelos. Baixa o Chukie na Maria João e estamos ambas barricadas no quarto. Eu de mama de fora, presa à cama e ela a sugar-me, de faca na mão. Vou escusar-me a comentar o sexy que é o leite a pingar do mamilo a meio do coiso, né?
É claro que um bebé de seis meses pesa mais o que pode não ser totalmente mau e ajudar a reafirmar esse braço que nos nove meses de gestação assumiu a forma de mangas de morcego. Com seis meses, alguns exemplares também começam a dar-se conta da sua individualidade e podem chorar de forma mais audível porque lhes apetece colo, porque querem começar já a apossar-se do teu telemóvel ou estás a jantar e apetece-lhes simplesmente meter nojo. É muito comum isto acontecer quando estás no banho depois de encheres a banheira e despejares uns sais, a playlist dos DAMA seleccionada...
Não raras vezes é aos seis meses que as orelhas parecem ganhar vida e olhas para eles desconfiada que tenham alguns genes elefantídeos.
É vulgar o bebé sentar aos seis meses. É vulgar começar a espalhar-se aos seis meses. Não facilites. É apenas teu filho, logo não tem super poderes nem características espectaculares.
É nesta altura que começas a confeccionar duas sopas, a cozer fruta e eles a sujar mais roupa. E a cuspir. Acontece com muita frequência. Tu metes. Eles borrifam-te. Recomendo cuidado com o telemóvel e com aquele topezinho catita que até disfarça as proporções gigantescas das mamas.
Para quem está a pensar ter filhos deixem-me apenas informar que uma empresa japonesa lançou uma aplicação para smartphone que se chama My Tamagotchi Forever. Pode adormecê-lo, alimentá-lo, brincar com ele, cuidar da sua higiene também. E a criatura vai crescendo. E, desta vez, é imortal!!!! Palminhas!!!!Nunca se sabe quando numa tarde de compras desenfreadas nos esquecemos de lhe dar água ou de o levar a ver a luz do dia.


20.3.18

Cagadas de adolescentes



Uma destas manhãs, enquanto nos preparávamos para sair de casa, a Constança insistia em chamar-me. Estava a dois passos dela e pedi-lhe que falasse, mas a miúda consumida a solicitar a minha aproximação ao nível da sua boca. Queria segredar-me algo. Ora, dentro do quarto, só estava eu, ela e a Maria João e não desfazendo a personalidade da minha pequena criatura e a não ser que assumisse a personagem do Olha Quem Fala - lembram-se do filme com o John Travolta e da Kirstie Alley em que os bebés falam - seguramente a João não exporia o seu segredo. Ainda assim, baixei-me ao seu nível.
 - Mãe, não tens noção há quanto tempo não faço cocó - confidenciou-me com preocupação.
Pequena Constança herdou de sua mãe a nobreza intestinal, toda a gente sabe que as princesas não fazem cocó.
Poucos minutos depois, abeira-se de mim para se queixar de dores de barriga.
 - Talvez esteja na altura de abrires uma excepção e permitires uma descarga intestinal, coisa pouca, o suficiente para te manteres assim, linda e maravilhosa, sem inchaços abdominais.
Olhou-me desconfiada.
 - Mas, tu estás na casa de banho...
 - Esquece isso, estou tão concentrada a maquilhar-me que não será um cocózinho a distrair-me...
 - Ó mãe isso não vai acontecer - respondeu-me, quase, ofendida com a proposta.
 - Então vai à outra casa de banho.
 - Mas, está lá a mana!!!!
Praticamente, no mesmo instante, a Carolina entra-me quarto dentro.
 - Mãe emprestas-me o lápis preto?
 - NÃO SAIAS DAÍ!!!! A MAMÃ NÃO SABE DO LÁPIS. PROCUREM AMBAS. MAS NÃO SAIAS DAÍ!!!! - ordenou-lhe a Constança, de dedo em riste e voz elevada.
 - Ela só precisa de fazer cocó - expliquei-lhe depois de a Constança sair.
 - A sério????
Quando nessa mesma tarde lhe liguei pelo facetime e me atendeu numa casa de banho com 2 metros quadrados que partilhava com mais três amigas sendo que uma delas evacuava na sanita enquanto as restantes actualizam o Stories do Instagram entendi a sua estupefacção perante o direito à privatização do cocó da sua irmã.
Eu não faço cocó, mas se por uma infelicidade orgânica isso tivesse de acontecer, não concebo soltar um submarino flutuante com olhinhos a piscar às minhas amigas e deixá-lo ali a marinar em águas duvidosas enquanto me higienizava numa espécie de orgia, eu elas e o meu cocó. Pior mesmo é imaginar o stories com adolescentes tontas de língua de fora e o enviado especial dos intestinos mesmo ali ao lado.





19.3.18

Parabéns Constança




Soube, sempre, que teria uma Carolina. Soube-o antes de saber o que queria da vida.
Não fazia ideia que teria uma Constança… Ainda balancei, por segundos, numa Joana, mas como recado do divino que duvido, optei por Constança.
Quando olho para ela, percebo que o nome forte e carregado, lhe assenta como uma luva. Constança não é para qualquer uma. E se eu pudesse fazer de ti encomenda, jamais chegaria aos teus pés.
Tu és uma música da Mafalda Veiga que nunca ouviste. Embalas e levas-nos a fechar os olhos e suspirar. Uma espécie de objecto de culto. Exagero, bem sei. Mas assim é. Na tua elegância e altivez de quem nem sequer é assim tão alto.
Parabéns minha rica filha.

Acredita em mim quando digo que as mães não morrem, que os cães não mordem e que não me atrasarei.
Acredita no Pavel quando diz que não te deixa afogar.
Duvida da mana, a maioria das vezes só precisa de um bobo da corte.
Contém-te nos apertos à criatura. Não pegues nela sem supervisão.
E continua a escrever assim, sem filtro.

Estou inchada e não é só da cara. É de orgulho.


9.1.18

O parto parte II



Saí da avaliação com ordem de internamento e com a pipi amparada por uma fralda da Big Mamma.
Quando me abeiro do homem, na sala de espera, já ele confraternizava alegremente com outros exemplares passivos no processo de expulsão das criaturas, ou seja, os outros espermatozoides responsáveis pela coisa. Vocês não sabem, mas em qualquer canto do mundo o homem conhece alguém. Seja porque combateu com ele na Chechénia. Seja porque o assistiu numa das 634 quedas de mota. Ou seja, por motivo nenhum. Antes que a outra grávida se queixasse da primeira contracção já estávamos os quatro a tirar selfies.
Rapidamente nos instalaram. E mais depressa que ele adormecesse as minhas dores passaram do diminutivo para o aumentativo. Já o ronco dele concorria com o choro dos bebés quando chamei, pela primeira vez, a enfermeira. Tencionava partilhar-lhe a minha dor na expectativa que me valesse. Ora dos quase quatro dias que passei no hospital foi com esta senhora a pior interacção, não por ter sido má profissional, foi apenas indiferente, numa unidade em que todos, sem excepção, primaram pela empatia. Começou por levantar as sobrancelhas e eu processei, "amanhe-se, não há nada a fazer". E processei muito bem. Mas, afinal havia. Uma injecção no rabo. Quer dizer, não havia. Vocês que ainda não estão oficialmente em trabalho de parto, apesar de terem ruptura, recusem a injecção, só servirá para uma suadela enquanto vos picam o glúteo. A senhora enfermeira fez ainda questão de me informar que a o meu calvário seria longo, segundo ela, continuava muito fechadinha. Entretanto, o homem dormia, encolhido no cadeirão, com as mãos entre os joelhos. E eu agonizava. Não me lembro quanto tempo aguentei até voltar a chamar a senhora. Estava a nascer o dia. Lançou-me o mesmo olhar e um pouco contrariada avisou-me que iria para o bloco de partos. A informação acordou o homem.
Segui num misto de entusiasmo porque passava ao next level, mas com muito medo, como se entrasse no ground zero. A partir dali era uma espécie de vai ou arrebenta.
O bloco de partos é um espaço muito técnico munido com todos os apetrechos necessários para o desempenho do pessoal de saúde e para o sucesso do processo que culminará no nascimento de um bebé. Espera-se que mãe e filho terminem de boa saúde. No pequeno aviário onde o pai vestirá o bebé pode ler-se um manual tipo "caso o bebé não respire faça primeiro isto, depois isto, a seguir aquilo". Na cama, ao nosso lado e na cabeceira estão sustentados os utensílios caso nos dê para entrar em paragem e quinar... às tantas vem-nos à cabeça as experiências macabras dos partos da idade média. Vale-nos o homem no cadeirão do lado esquerdo a jogar clash royal... Seria uma tragicomédia, falecer enquanto ele mata personagens estúpidas no campo de batalha.
Por esta altura, já eu estava num sofrimento inqualificável, absolutamente insuportável para o comum mortal. Imediatamente aceitei a epidural quando ma ofereceram.
Sentei-me na posição indicada, agarrei as mãos do homem, mexi-me indevidamente, suei as mãos do homem, fechei os olhos, respirei fundo... e entra na minha box o enfermeiro para solicitar a presença da anestesista num emergência. Ah???? A sério?????
 - Não se importa? Aguenta mais um bocadinho? - questiona-me.
Porque é que nos dá para o altruísmo e a solidariedade nestes momentos????
 - Sim, aguento... haverá alguém a precisar mais do que eu - consenti.
Bastaram cinco segundos para me arrepender. As contrações iam matar-me e eu não sou lamechas. Julguei-me largada, esquecida, sonhava com o momento em que a anestesista entrasse novamente porta dentro e me devolvesse a vida (porque eu estava a morrer de dores).
E entrou. E novamente perninhas à chinês, mãos no homem, suor, algumas reprimendas...e Paz. Que droga tão boa! Entrei nas redes sociais, postei, dormi, o homem assediou-me...
Foram mais 12 horas até a minha filha nascer num carrossel de emoções e dores. As contrações voltavam mais pujantes à medida que a epidural diminuía o seu efeito. Ainda assim, consegui sempre aguentar intervalos de duas horas.
Levantei-me, tomei banho, sentei-me na bola, comi gelatinas, falei com as minhas filhas pelo facetime e com os amigos nos grupos de conversação.
Perto das 20h comecei a sentir uma vontade estranha de puxar e não sabia o que fazer. Se aceder aos demandos do corpo ou, se me deixava estar quietinha... O homem dizia "puxa", mas o homem acha que sabe tudo. Lá voltei a chamar a enfermeira. Permitam-me abrir aqui um parêntesis para honrar a parteira que me assistiu em todo o trabalho de parto, mas que ironicamente acabou por não me fazer o parto. Não sei o nome dela. Era baixinha com o cabelo claro, daquelas profissionais da velha guarda sempre acompanhada por uma estagiária. Tornou a minha experiência ainda mais especial. Teve toda a paciência e atenção do mundo. Esclareceu-me todas as dúvidas e exageros. Sossegou-me. E nunca se mostrou incomodada com a espontaneidade do homem que veio muitas vezes acompanhada de vernáculo. Nunca a esquecerei. Antes de sair apresentou-me a colega que a substituiu e acabou por me acompanhar apenas no momento da expulsão. Uma enfermeira mais alta, carrancuda, mas igualmente muito profissional. Trocamos poucas impressões, uma delas foi "puxe" e eu puxei, duas ou três vezes. E a minha filha nasceu naquele que foi o momento mais lindo e emocionante da minha vida.

Nota de redação: Todas as mulheres, estando grávidas pela primeira, segunda, terceira ou mais vezes, reservam para a gravidez e especialmente para o parto receios e medos. Estamos perante um processo natural que corre, tendencialmente, bem, mas existem complicações a que todas estamos sujeitas (a Constança nasceu de uma cesariana de urgência por prolapso do cordão, é uma condição rara e grave que podia ter-lhe custado a vida). O parto da Maria João foi perfeito, melhor do que pedi nas minhas preces. Foi uma espécie de parto de filme que culmina num momento lindo e emocionante.
É verdade que as contrações não são humanamente suportáveis, mas a epidural é milagrosa e torna o trabalho de parto algo natural e pouco penoso.
Uma última palavra ainda para o pós parto, foi absolutamente maravilhoso, não tomei um único bénuron. Dores: zero. No dia seguinte estava capaz de parir outra vez.

Este é ou não é o texto mais pró-natalidade que leram?

2.11.17

O parto parte I


Com 39 semanas de gestação, tendo encontro marcado para o dia seguinte (22 de Setembro) com o meu ginecologista, acreditei que ainda tinha tempo para ver todas as temporadas da Única Mulher e, quiçá, fazer o Iron Man.
Na minha modesta opinião a criatura ainda estava ao nível das amígdalas e atormentava-me a possibilidade de só desovar às 41 semanas (6 de Outubro era a segunda data prevista para o parto).
Só parei de trabalhar quando entrei nas 39 semanas, mas em boa verdade, vim para casa e só acelerei o ritmo. Tinha mil e uma coisas que ainda queria fazer antes de a criatura nascer.
Na quinta-feira, dia 21, mantinha a ladainha do "estou que nem posso". A minha imagem seria de tal modo, vá, grande, que nessa manhã, ao pequeno almoço, não esqueço os olhos de compaixão de uma amiga.
Passei a tarde em modo fêmea que se prepara para parir (mas não percebi). Em boa hora, coagi a minha filha mais velha para me fazer uma pedicure caseira (na verdade foi só um pretexto para me massajar os pés) e estendi-me no sofá.
Recolhi a Constança na escola e voltei directa para a casa de banho.
Franzi as sobrancelhas quando me limpei, mas estava em negação. Baixou em mim um(a) elefanta e, às tantas, julguei que pudesse manter a gestação até aos 22 meses.
Já com o homem em casa, quando voltei a abancar no sofá, só demoraram 10 segundos para perceber o que me estava a acontecer, "rebentou-me a bolsa!!!!!!".
O homem pediu calma perante o meu ataque de nervos. Como assim rebentou-me a bolsa????? Já????? Só tenho 39 semanas!!!! E estas coisas só acontecem nos filmes. A mim não me rebenta a bolsa, rebentam-na no hospital com uma espécie de cotonete xxl.
Subi ao quarto para me banhar e a descarga ia ganhando proporções de cheia. Mas, eu continuava desconfiada. As miúdas também. A Constança, por exemplo, deve ter achado que a mãe ficaria grávida para sempre e que a irmã nunca seria mais do que uma barriga. Às tantas, as miúdas cá de casa desataram numa choradeira. A mãe saía de casa sem previsão de regresso.
O homem ainda comeu arroz de feijão com sardinhas e insistiu que o acompanhasse. Recusei. Só me ocorria a hipótese de uma entubação e ter nas entranhas uma refeição assim tão ligeira.
Ao sair do carro, já no estacionamento do hospital, descarreguei líquido capaz de encher uma banheira de hidromassagem. Entrei no serviço de cadeira de rodas, mas rapidamente a enfermeira pediu que me fizesse à vida e desse às perninhas. A segunda coisa que fez foi dar-me uma fralda.
Após o CTG, fui vista pelo médico (açoriano, gostava de motas e dizia umas coisinhas em russo...imaginem a cavaqueira, só faltou pedir duas vodkas). Primeiro toque. E a confirmação que, apesar da ruptura, o útero continuava muito fechadinho. Por outro lado, a dores iam-se instalando. Primeiro, ao jeito isto não custa nada. Depois, olha afinal mói um bocado. Até que filhas da p***, esta merda não se aguenta, f***-**!!!! 

Continua...

7.9.17

Estado da relação (com a barriga) aos 9 meses.


Ora bem, vamos lá ser objectivas porque nesta fase até bocejar dá uma trabalheira desgraçada.
Bom, a matemática é ciência que deixa de existir. Não contamos o peso, não contamos as semanas, não contamos os xixis nocturnos, não contamos as vezes que nos perguntam "ainda grávida?", não, só me apeteceu engolir um melão casca de carvalho. Não contamos os olhares de misericórdia quando te vêm arrastar pela rua, pelos corredores do trabalho, pelas filas do supermercado... ou os olhares de susto perante o teu nariz ou o tamanho das tuas mãos e pés.
Tenho saudades do contacto visual com a minha vagina e com os meus pés, vistos na vertical. Também sinto muita falta dos meus ossos e de dormir de barriga para baixo.
Não me consigo calçar e dá jeito ter uma Carolina ali à mão. Esta parte e a das massagens ao deitar toleram-se. "Ai meu Deus!!!! Vocês reconhecem-me??? Sabem que continuo a ser a vossa mãe???? Estou tão malzinha, não aguento mais. O melhor é pedir que me internem já. Os meus pés, meu Deus, parecem as patas do Poupas... não sabem quem é o Poupas? Pronto, parecem as patas da Popota". E as criaturas muito assustadas com aquela choradeira enquanto a Constança reforça a sua posição, "eu só vou ter filhos se forem adoptados".
Outros constrangimentos provocados por uma barriga de nove meses? Talvez ninguém se tenha lembrado disto, mas estacionar o carro torna-se um exercício semelhante a treino militar. Não tens ângulo de rotação para os retrovisores com uma barriga que se te distrais engole-te.
Finalmente, os toques... essa maravilha que é enfiarem-te os dedos, a mão, o punho... o que for... Já estou por tudo, desde que não me cheguem às amígdalas.

5.9.17

Chá de bebé







Foi há um mês que juntei os amigos em casa e numa cajadada matei dois coelhos. Assinalei os meus 35 anos (verdade... 35 anos, estou a meio caminho antes de entrar nos entas) e fiz o chá de bebé da pequena criatura in útero. Em bom rigor, foi só mais um pretexto para uma tainada das boas. Amigos, cerveja fresquinha, gordices e prendinhas.
Entretanto, uma ressalva apenas para a desactualização da proporção da gestante. Estamos visível e assustadoramente maiores.

cake design: Bolos com encanto

20.7.17

Este post é capaz de chocar e não é por ter uma gaja desnuda.



Vocês que batem os olhos numa grávida e acham assim a coisa mais fofinha do mundo e dão convosco a pensar que adorariam passear aquela barriga e desfrutar de tal estado de graça, não desatem já a pinar como se não houvesse amanhã.
Leiam o que tenho para lhes dizer.
A não ser que se chamem Carolina Patrocínio não acreditem quando vos dizem "estás tão linda, só tens barriga". É mentira!!!! A verdade é que tens celulite em doses cavalares, mamas que envergonham a Pamela Anderson em Baywatch, gengivas inchadas que vão sangrar sempre que escovas os dentes, dores ciáticas que te percorrem a lombar até aos glúteos...espera... glúteos??? Qual glúteos? A não ser que sejas a Blaya também deixas de ter glúteos. Xixi... passas a acumular xixi. Basta o gole de água que deste só para tomar a vitamina e corres desenfreada para a sanita. À noite piora. O meu recorde foram seis incursões nocturnas à casa de banho.
O umbigo é esta coisa maravilhosa que vêm na imagem. Na minha casa dizemos que é a campainha que nos permite comunicar com a criatura. E já que chamamos a dita cuja à conversa, por esta altura deve ter encontrado um trampolim nas minhas entranhas e julga-se Simone Biles em barras paralelas em preparação para o ouro olímpico.
Lembram-se do Popas? Aquele passarão amarelo, meio parvo, da Rua Sésamo. Foquem-se nos pés dele. Os vossos ficarão assim. Ok, não mudarão de cor, refiro-me ao tamanho. É provável que aumentem um número no calçado. Meninas que já calçam 39, estamos juntas ah!
Finalmente, temos de falar de sexo. Nananinanão, não me refiro ao sexo da criança, por aqui já toda a gente sabe que só nos assiste gajedo. O sexo, propriamente dito. Chegadas a esta fase esqueçam lá os kamasutras desta vida e as vossas posições preferidas. Belly is the boss que é como quem diz fazes como a barriga te deixar fazer.
É maravilhoso o terceiro trimestre.
E a azia? Já falei na azia?

28.6.17

O que tem a gravidez a ver com o Salvador Sobral?



Enquanto esperava para colher sangue apercebi-me do alvoroço em torno de qualquer piada do Salvador Sobral. No concerto solidário pelas vítimas dos incêndios, os portugueses - ou a maioria dos portugueses que estão na rede - queriam pegar no homem que há pouco mais de um mês lhes devolveu a esperança e pegar-lhe fogo. Queime-se já o infeliz que teve a ousadia de brincar depois de mais uma actuação brilhante e que se foda que há uma semana tenha sido o primeiro a ceder toda a receita da venda do seu álbum no concerto de Ourém.
Não descortinei imediatamente a piada porque os utilizadores da rede, mais importados com a discussão às tantas já se atacavam uns aos outros desviando-se do tema, até que uma alminha decide publicar na íntegra a flamejada observação, "vocês aplaudem tudo o que eu faço, vou dar um peido e ver o que acontece". Aconteceu que aplaudiram.
Primeira observação: não entendo tanto alarido porque desde que começou o fenómeno Salvador sempre se percebeu que o puto se estava a cagar.
Segunda observação: é nestas merdas que os portugueses se espalham. Somos um povo do caraças num país do caraças. Tenho um orgulho imenso no meu sangue lusitano, mas a nossa pequenez reflecte-se - ainda - na incapacidade de nos rirmos, especialmente se for de nós próprios. Continuamos a ser um povo fechado entregue às dores que carregamos nas cruzes como se uma gargalhada estridente fosse presságio de um destino maldito que se cumprirá dali a um par de horas. Parece que estou a ouvir a minha mãe, "vai-te rindo rapariga, olhe que é mau sinal".
Na minha modesta opinião a piada do Salvador foi pura humildade de quem ainda não encontrou o seu lugar no carnaval da fama, "porra eu não sou ninguém, não faço nada demais e vocês aplaudem...deixa cá ver se der um peido...". Onde é que isto fere??? E atentem que estou grávida com a sensibilidade nos píncaros, ainda ontem chorei com um excerto da Bela e Monstro.
E agora, perguntam vocês em coro: e o que tem o Salvador a ver com a gravidez? Nada, mas foi o pretexto que encontrei para uma queixa que está há mais de seis meses a provocar-me comichão e que tem a ver com as pessoas. Lá terei que me repetir novamente, os portugueses são maravilhosos, mas depois há questões para as quais não estão ainda devidamente sensibilizados ou não desenvolveram ainda sentido cívico e isto nota-se tanto mais nos aglomerados populacionais menores.
Passo a explicar, estou pelos cabelos de me sentir invisível, mormente nas filas dos supermercados, mas já me aconteceu em todo o lado, até debaixo de um calor de 40 graus com seis pessoas à minha frente para levantar dinheiro. Chega a ser parvo o esforço que fazem para não mexer a cabeça e darem com uma monumental barriga. Quase não pestanejam, não vá dar-se ali um estrabismo qualquer que os leve directos ao ventre de uma mãe em sofrimento que a única coisa que queria era ver cumprido o seu direito ao acesso prioritário.
Entendo que em grande parte da gestação nem seja perceptível e que dependa muito da grávida querer beneficiar da prioridade chamando a atenção dos responsáveis, mas nesta fase???? Não basta o tamanho da barriga ainda lhe juntámos a respiração ofegante e as mãos na anca só para não as levantarmos a todos os santos pela alma desses pecadores indiferentes a quem carrega vida.
Já me aconteceu reclamar a minha prioridade, o operador de caixa pedir-me que avançasse e ter quem me interpelasse, "passou à frente porquê????? Ai.... está grávida, gravidez não é doença". Levares com uma pescada congelada nos queixos também não é crime em legítima defesa, pois não.
No início da gestação, uma funcionária de um supermercado cujo nome não vou revelar, mas adianto que começa e termina com um L, disse-me que a prioridade só se punha a partir dos cinco meses!!!! Ah????? Tem cinco segundos para chamar o seu superior.
Li recentemente uma grávida de Lisboa a escrever precisamente o contrário, que desde que no final do ano o decreto lei foi actualizado com penalizações mais severas as pessoas estavam mais sensíveis e conscientes dos deveres cívicos e que em nenhum momento da sua gravidez tinha tido uma má experiência. Bom, infelizmente, estando eu na terceira gestação não noto, absolutamente, nenhuma melhoria comparativamente com 12 anos atrás.
Portugueses, nós somos um povo do caraças, mas conseguimos ser ainda melhores. Mas, isto sou eu que digo, não venha daí nenhum bife criticar o meu povo que não respondo pelas minhas hormonas.

22.6.17

O nome!



Como sabem, achei que carregava genes masculinos e assente no género não havia dúvidas relativamente ao nome da cria: João.
Raramente, uma alma mais afoita confrontava-me com a questão, "então e se for menina?". Revirava os olhos e fitava-a com a mesma compaixão que fitava os estagiários quando me perguntavam se deviam colocar pontos de exclamação no final de uma frase. Menina?! Mais depressa trago na barriga um unicórnio do que uma menina. Eu sou assim, tenho um lado pomba gira adormecido.
Minha rica criatura, a mamã estava em negação. Meninos??? Nem pensar. Figuras cheias de asteróides anabolizantes, de pernas ligeiramente abertas espalhadas pelo quarto. Cabelos sem laços. Rostos pálidos sem pingo de blush. Não ia dar.
Se eu pudesse cobria o mundo a trincha cor de rosa. E é neste mundo de (mãe de) meninas que me revejo.
Quero para a nossa filha (e para as outras que já partilhamos) que sonhe abrir portas para ir para a escola montada num unicórnio brilhante com uma saia de tule e um rastro de estrelas ao mesmo tempo que uma cauda dourada lhe traça o caminho descrevendo formas florais cheias de purpurinas e brilhos.
O nome? Maria João. What else?

#MaryJane
#umdiateriaoutr(a)Joãonaminhavida
#Pai

12.6.17

As grávidas não são/estão gordas!

Homens desta vida, repitam comigo: as grávidas não são/estão gordas!!!!! Mas, façam-no conscientemente. Inspirem. Expirem. Fechem os olhos em consentimento e interiorizem essa merda. As grávidas são grávidas! As gordas são gordas e resultam, na maioria das vezes, de um processo de acumulação de gordura. Nós, as grávidas, resultamos de um processo totalmente diferente. Não querem que explique o processo da concepção, pois não?!Aumentámos porque cresce vida dentro de nós. É um estado de gestação temporário (cerca de nove meses) que termina com o nascimento da nossa cria.
O homem adora chegar ao pé de mim com o ar mais ternurento que consegue e lançar pérolas do tipo, "ó minha gorda, estás bem?". Ontem, mesmo ao deitar-se decidiu inovar no romantismo, "estás cada vez mais parecida com um panda, tão redondinha". Se eu não soubesse que seria encontrada numa vala cheia de insectos em decomposição espetava-lhe um alfinete no olho. E por esta ocasião ainda não tinha lido o maravilhoso comentário que me deixou no facebook a propósito desta foto:



A modos que gostava de pedir a vossa colaboração e os vossos contactos para três senegaleses de bom porte darem uma tareia ao meu homem.
Fico eternamente grata.

9.6.17

Amizades.


É um vale tudo verdadeiro, derradeiro e puro. Não é canto escuro, mesmo no lado obscuro de quem não esconde nada. A amizade não procura paridade, igualdade ou semelhança, é só afecto puro, sentimento duro, verdade sem agonia ou vaidade.
Não interessa idade, não tem que ser antiga, é apenas como uma cantiga daquelas que não sai. Amizade também é espontânea, não é só a paixão que é momentânea. Nem sempre tem enredo nem esconde segredo.
A amizade é tão simples quanto complexa, porque é densa, mas não adensa o que não condensa e nos dá paz.
A amizade boa nunca envelhece, como o amor vivo permanece. E acontece. Basta querer. Amar sem saber e deixar acontecer.


Nota de redacção:

Já fui pessoa poupada em afectos. Serei ainda, às vezes. Não tenho o beijo ou o toque ao desbarato na algibeira, mas noto-me cada vez mais extravagante.
O que de melhor podemos fazer é permanecermos nas amizades. Não como quem busca consolo, mas como quem encontra paz.
Os amigos só nos traumatizam quando não o são. Sendo. São-no sempre. E não tem a ver com o número, tem a ver com a qualidade humana e o princípio é simples. Só se recebe na medida do que se dá. Não se poupem.

8.6.17

Como????Onde????Quando????


A maior Zara do distrito de Braga vai abrir em Guimarães???

Oh diabo!!!! O cartão até vai chorar.
Brincadeirinha, homem, isto nem me interessa nada. Tipo, estou grávida. Tenho mais 10 quilos no lombo. Quero lá saber que a maior Zara do distrito abra no Espaço Guimarães. Aliás, até me deprime. Quem é que quer saber de compras quando as temperaturas convidam a programas familiares, na praia ou no campo, crianças a quem chamamos vezes incontáveis para colocar protector e que mesmo assim chegam ao final do dia mais queimadas do que os pimentos do S. João, mantas estendidas, insectos paraquedistas, geleiras carregadas com toneladas de minis que nem posso beber... A sério...tenham lá vergonha.

(Dia 10 é quando mesmo?).

7.6.17

O sexo.


Estão a ver o tão afamado instinto maternal? Esqueçam. Não se armem em ecógrafos e parem de ler fóruns brasileiros de maternidade.
Euzinha, podia jurar por todas as alminhas que estava à espera de um rapaz. É que estava absolutamente convencida disso. Porquê? Porque sou mãe. E as mães sentem. Porque enjoei menos. Tive azia mais cedo. Menos fome do que nas gravidezes anteriores. Estava a engordar menos, também. Mas, havia lá alguma dúvida que ia experienciar a maternidade no masculino?!Até já estava a projectar toda uma divisão ao estilo Marvel, cheia de action figures.
Mais ridículo ainda, completamente cega pela minha presunção adivinhatória despachei roupa de menina, "podes colocar aí na caixa das oferendas, já não vamos precisar disso".
Ainda antes das 12 semanas, o meu ginecologista avançou, sem certezas, que deveria ser outra menina.
Na primeira ecografia, foi possível colocarem o sexo da criança em percentagem, "diria que é uma menina...80%... mas já me enganei".
O homem que até aqui jurava por todas as matrioskas que era uma menina, passou a acreditar na regra que confirma a excepção. A cria passou a ser menino. Até que para gáudio das três gajas que já temos em casa, o ginecologista imprimiu a sua vagina para que se dissipassem as dúvidas.
A modos que a quem dei roupa das minhas criaturas é favor devolver. A gerência agradece.

30.5.17

#Jamor


Nunca tinha ido ao Jamor. Fui, a primeira vez, grávida numa proporção considerável para causar alguns incómodos e desconfortos.
A saber:
- a quantidade de urina acumulável num percurso de 300 km até Lisboa.
- a dimensão do veículo manifestamente insuficiente para uma gestante e o progenitor da sua cria com mais de 1.80m.
- o percurso desde o estacionamento até ao estádio, parecia a escadaria de Nossa Senhora da Penha no Rio de Janeiro.
- o homem com acessos de bipolaridade, "foda-se para a próxima ficas em casa" e "vá bebé, eu ajudo, é só mais um bocadinho". E tu agarrada à barriga a imaginares-te com 9 centímetros de dilatação.
- toda a gente a enfardar cerveja e a subir para o tecto dos autocarros e tu sentada num tronco cheio de resina onde o teu rabo já mal cabe.
- a entrada para o estádio. Ocorre-me a cena do Rei Leão com a manada em debandada que resulta na morte do Mufasa.
 - depois de subir a escadaria da Penha debaixo de sol com uns 40 graus eis que chove. Olha tão giro! Jogo molhado, jogo abençoado. Até dá para um cântico "e a chuva para nós é sol...e a chuva para nós é sol...". Isto é épico! Parece um filme do Mel Gibson. A chuva, os cachecóis abertos, o hino do Vitória, as senhoras com o cabelo e as tshirts molhadas...ok. Foi giro, dá para voltar o sol? Atingimos o nível de tolerância à chuva...Como assim não dá? Já cantamos o hino, já gastamos as baterias dos telemóveis a fazer vídeos. Esta é a parte em que é suposto o sol voltar.
- e mais fritos, de mala aberta na berma da estrada. Azia!!!! Refluxo gástrico. E ainda pior benfiquistas a buzinarem nos carros.
- a quantidade de urina acumulável num percurso de 300 km até Guimarães.
 - já disse que voltei encharcada?
- a dimensão do veículo manifestamente insuficiente para uma gestante e o progenitor da sua cria com mais de 1.80m que ainda por cima ressona.
- oscilação de humor típica da gravidez porque repetia a experiência, mas desta vez ia de monovolume e trazia, além do orgulho, a taça.







25.5.17

A (im)possibilidade do nosso amor.



Falaram-me de alguém que não sendo adepto de futebol era um fervoroso apoiante do Vitória, assíduo nos jogos em casa e fora. Alguém apaixonado pela paixão dos vitorianos e que ainda por cima não era de Guimarães, nem de Portugal. Tinha o mote para o que poderia ser uma boa reportagem. Depois de aceite pela direcção da revista avancei para o contacto. Uma mensagem profissional por facebook a propor a entrevista. A resposta foi devolvida no mesmo registo. Rapidamente agendamos a conversa para dali a dois dias.
Não voltei a pensar no assunto e confesso que na manhã daquela sexta-feira de Maio até achei que não fosse aparecer.
Usei um vestido branco que gosto muito. Giro e confortável para um dia quente, como o de ontem e o de anteontem.
Cheguei primeiro. Não esperei muito até que o vi entrar (também me lembro da t'shirt que usava) e dirigir-se a mim de braço estendido. Com duas sílabas disse-me o nome com uma pronuncia bem portuguesa. E ocupou o lugar à minha frente.
Contou-me da viagem da sua vida. Voltou à Rússia. Comoveu-se. Falamos de desporto e alimentação. De Guimarães e do Vitória também. Falamos coisas que não verbalizamos. Achamos naquela hora que tínhamos suspendido o tempo, mas os minutos continuavam a contar como nos lembrava o telemóvel dele que não parava de tocar e que ele silenciava.
Acabamos por sair com uma pressa disfarçada. Novo aperto de mão na despedida.
Saí dali e fui correr. Ele foi trabalhar.
Não acredito em impossibilidades, muito menos na impossibilidade de um amor. O nosso seria impossível para muitos. Chegou a ser para nós também. Naquele Sábado que figura agora entre os momentos mais bonitos, apaixonantes e cinematográficos da minha vida, despedimo-nos entre lágrimas e mensagens pirosas. Por instantes, julguei que jamais o veria, como nunca o tinha visto até à entrevista. Mas, entre um soluço que silenciei com uma lufada de ar profunda nos pulmões, vi-o abalroar o acesso a minha casa.
 - Foram insuportáveis os segundos que me vi sem ti - disse-me num tom baixo e sereno.
E eu...também quis mais. Mas, não foi fácil (às vezes, ainda não é). Precisamos de bíceps olímpicos. E de tantas vezes me alongar nos músculos dos seus braços e aí fazer moradia por baixo de um céu estrelado encoberto em melancolia, vontade e gás a fervilhar das duas garrafas de minis agitadas.
Amores impossíveis? O amor sincero é livre de protocolos.

PS: mais noites e mais fotos como esta mesmo que agora bebas sozinho.

23.5.17

12 ANOS!


Estão só na entrada da garagem. Mais à frente há um estendal com roupa a secar e juro que antes deste banho público ao estilo Paris Hilton embriagada andavam a embalar nenucos. É a esquizofrenia da pré-adolescência.
A Carolina, por exemplo, acordou decidida em fazer de mim a sua melhor amiga, mas tenho dúvidas se ao deitar não serei persona non grata.
Resolveu, com os 12 já feitos, que me beijaria ao despedir-se e sempre que a recolher na escola. Anda a desperdiçar abraços. Enrola-me os braços sempre que nos cruzamos nos trilhos da casa. Nesses instantes de corpos fundidos percebo que são escassos os centímetros que nos separam. E o biquini que exibe na foto ainda o usei no Verão passado.
Mais importante que lhe pedir emprestadas as sapatilhas de marca é perceber que sou uma mãe orgulhosa da sua cria, até porque beijos e abraços não se poupam.