Na verdade vim cá porque já sentia saudadas de vocês.
Tenho mesmo de me enfiar no vestido preto porque a reunião vai acontecer dentro de aproximadamente seis minutos. E como sei que a esmagadora maioria de vocês está a fazer figuinhas vim apelar a uma corrente. Toca a acender a velinha desde que a vigiem. Não queremos cá ninguém chamuscado.
E eu volto enquanto o diabo esfrega um olho.
A menina das sardas
Quarta-feira, 21 de Março de 2012
Terça-feira, 20 de Março de 2012
Desesperadinha
Assim ando eu para ir às compras. Completamente só que nestas coisas não há melhor companhia que o nosso cartão.
Com a minha mãe, esquece. Ao fim de 20 euros gastos já me está a mal dizer e a ameaçar abandonar-me.
O meu marido ainda é homem para aguentar o tecto de 50 euros e no caso dele nem é propriamente uma questão de números, mas de paciência. Se as lojas tivessem uma consola, ou um pc com ligação à net - desde que não fosse analógica - ou lcd's gigantes com finais europeias, o gajo ainda se aguentava. Assim, também não vamos lá.
As minhas filhas fogem de mim. Escondem-se e não me apetece muito perdê-las.
As amigas?? Ah?? Também não têm paciência para a minha prospecção inicial; processo de selecção e finalmente a fase da aquisição.
Ainda esta semana vou montar-me no cartão e vou às compras, principalmente para as meninas. Estou ansiosa por vê-las vestidas de Primavera que por acaso começou hoje.
Gosto de comprar. Adoro comprar. Quase tudo. Roupa principalmente, mas também têxteis lar e decoração. Maquilhagem. Revistas. Ate géneros alimentares nos supermercados. Já pensei que posso ter uma adição, mas depois parece-me algo natural no mulherio. Quem é a mulher que não gosta de ir às compras? Assim de repente, até conheço algumas. Poucas.
Eu gosto de comprar na hora, mesmo uma peça que vá vestir daqui a muitos dias. Semanas. Meses. E a regra é essa.
Tenho uma meia dúzia de vestidos por estrear no roupeiro. E as meninas também.
E dá-me um grande gozo olhar para eles. Puxar-lhes o lustro. Imaginar quando os vou vestir; com o que os vou combinar; o que me vão dizer sobre eles e como eles caem em mim…
Depois, quando os estrio juntam-se aos outros. Aos usados. Deixam de ser especiais. E são substituídos.
Esta regra é um bocadinho como tudo na vida. Eu cá acho.
Entretanto, passou o domingo, a segunda de manhã e nada. E eu ainda lancei a "isca" com um SMS que não obteve resposta.
Não é meu costume, mas fiquei na minha. Não cobrei resposta. Não telefonei. Até que a meio da tarde sou surpreendida com algo como isto, "para que conste estive à tua espera". Oi???? Mas está a brincar comigo???
Há gente que não usa relógio e age como se o tempo não existisse. Ou pior, como se o tempo dos outros (neste caso o meu) não existisse.
Tipo, era segunda, era segunda. Ias para o local e esperavas. Eu podia aparecer às 10; às 12; às 14...Só tinhas que esperar. E atenção porque eu não sou um criado para te servir.
shame on you!!!
Thank you
A festa festa da Constança é só no sábado, mas ontem, naturalmente que não podíamos passar sem lhe cantar os parabéns e sem permitir que apagasse as duas velas.
Chamámos os amigos queridos e fizemos uma mini reunião familiar com muita criança a dançar funaná.
Obrigada por terem vindo.
E obrigada também a todos os que se lembraram do nascimento da minha mai nova. Os que estão perto e os que estão longe, mas ligam sempre.
E um agradecimento muito especial à única tia das minhas filhas. Cunhada, obrigada pelo teu telefonema. O beijo foi entregue.
nota: lêr o último paragrafo com ironia
Finais felizes
Já voltei ao hospital desde quarta feira. Fui ver a familiar da minha mãe que continua o seu processo de cicatrização para dar início a outra batalha que será seguramente bem mais dura.
Pedi-lhe o número do filho que está emigrado em França e pelo que me disse a vida corre-lhe bem. Logo, não terá dificuldades em meter-se num avião da Ryanair, dar um pulinho a casa e ver a mãe. Doente e sozinha.
O senhor, ao que parece, até é afilhado da minha avó. E ao telefone foi extremamente (e surpreendentemente)
disponível. E o melhor de tudo é que no dia seguinte estava mesmo aqui.
Pedi-lhe o número do filho que está emigrado em França e pelo que me disse a vida corre-lhe bem. Logo, não terá dificuldades em meter-se num avião da Ryanair, dar um pulinho a casa e ver a mãe. Doente e sozinha.
O senhor, ao que parece, até é afilhado da minha avó. E ao telefone foi extremamente (e surpreendentemente)
disponível. E o melhor de tudo é que no dia seguinte estava mesmo aqui.
Segunda-feira, 19 de Março de 2012
Feliz Dia
Era Domingo e eu tinha 11 anos. Vestia umas calças da Benetton que adorava e via-me ainda longe da adolescência. Continuava a ser a "tua" menina com quem passeavas de braço dado. Apesar da chacota de alguns se nos cruzávamos na rua.
Antes do jantar, fui à casa de banho. Tinha as cuecas sujas, com uma mancha escura que não entendi o que era. Na sanita, salpicos de sangue.
Fiquei apreensiva, mas não disse a ninguém. Fui mudar-me.
Esperei. E voltei à casa de banho. Estava novamente suja. Desconfiei do que estava a passar-se comigo. E gritei "paiiiiiiiiiiiiiiiii".
Um agradecimento sincero
Não te podia esquecer Shrek. Porque ela te prefere mais do que à própria Fiona. E perde-se em gargalhadas enquanto te vê discutir com o sogro à mesa de jantar.
E adora a forma como tratas o fiel burro e chama "mau" ao gato quando te ataca.
Eu acho que ela te respeita. Por seres grande e verde. E talvez as tuas orelhas afuniladas exerçam sobre ela um estranho fascínio e curiosidade. Não sabe definir se és bicho ou gente, mas que te curte, isso é indiscutível. Ao ponto do DVD estar riscado e de a irmã o esconder porque já não aguenta olhar para essa tua figura de...ogre.
A verdade, Shrek, é que se não fosses tu, a pequena laranja não terminava o jantar e o pequeno almoço. É como se te respeitasse mais a ti do que a mim.
Obrigada William Steig por ter inventado este ogre que em vez de medo desperta paixões nas princesas.
Parabéns laranjinha
Respirei fundo (de alívio) quando percebi que estavas cá, do lado de fora de mim.
Vi-te, sem imperfeições, ainda que continuasses perfeita se as tivesses.
Encostei-te contra o meu peito e guardei a tua face de laranja e os dedos compridos. Quase não respirei com medo de que sufocasses com o peso do meu amor.
E de repente corres-me pela casa. Sobes (e desces) 30 degraus. Apagas e acendes luzes. Colocas os dvd's no leitor. Não lês, mas reconheces o teu ogre favorito, que vês vezes sem conta, sem pestanejar.
Escolhes os sapatos e insistes em calçá-los e deixar os calcanhares de fora. Bebes o sumo de colher e comes com a destreza dos meninos mais velhos.
Não gostas de babas. Nem de cachecóis. Nem de chapéus. Mas já aceitas-te os ganchos.
Não gostas de tirar fotos. Nem de batatas - a não ser que estejam fritas.
Não gostas de gente vestida de branco.
Já te olhas ao espelho e sorris. Exibes-te.
Finges que dormes. E que estás zangada. Olhas-nos de esguelha.
E zangas-te mesmo. E choras com a vontade de ris...
Dizes "amo-te" e basta-me.
Vi-te, sem imperfeições, ainda que continuasses perfeita se as tivesses.
Encostei-te contra o meu peito e guardei a tua face de laranja e os dedos compridos. Quase não respirei com medo de que sufocasses com o peso do meu amor.
E de repente corres-me pela casa. Sobes (e desces) 30 degraus. Apagas e acendes luzes. Colocas os dvd's no leitor. Não lês, mas reconheces o teu ogre favorito, que vês vezes sem conta, sem pestanejar.
Escolhes os sapatos e insistes em calçá-los e deixar os calcanhares de fora. Bebes o sumo de colher e comes com a destreza dos meninos mais velhos.
Não gostas de babas. Nem de cachecóis. Nem de chapéus. Mas já aceitas-te os ganchos.
Não gostas de tirar fotos. Nem de batatas - a não ser que estejam fritas.
Não gostas de gente vestida de branco.
Já te olhas ao espelho e sorris. Exibes-te.
Finges que dormes. E que estás zangada. Olhas-nos de esguelha.
E zangas-te mesmo. E choras com a vontade de ris...
Dizes "amo-te" e basta-me.
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