30.8.14

A minha relação com as tatuagens


Tinha 16 anos quando fiz a primeira. Foi ao final da tarde de um dia de Agosto e nem sequer estava em Portugal. Estariam perto de 40 graus e eu já não comia, provavelmente, há mais de 4 horas.
A minha primeira tatuagem - ou o que escolhi tatuar - não significa nada. A imagem não tem uma representatividade afectiva. Mas, o gesto (de me tatuar) significou liberdade. Rebeldia, também. A minha mãe só soube nessa noite quando liguei para casa.
Doeu-me horrores. Desmaiei a meio e não fosse ficar com um boneco inacabado nas costas tinha desistido.
Terminei-a. E senti-me a mais forte e corajosa de todas as adolescentes.
Seguiu-se a segunda. Simbólica.
A terceira. E a quarta. Quando nasceu a Constança fiz a quinta.
Depois da primeira tatuagem, as que se seguiram - e como alguém que escreve e guarda cada nota - são de ler. Numa linguagem que não está acessível à maioria. Porque são notas íntimas.
Esta semana fiz mais três, de uma assentada.
Farei outras, seguramente.

29.8.14

Diz que agora é que é


O que faço às criaturas de noite?


Às vezes, em micro segundos, passa-me pela cabeça pôr um ansiolítico na sopa. Só isso me asseguraria que não acordavam depois de despencarem na mesa do jantar. Mas, não sou capaz.
As minhas filhas são criaturas que se deitam cedo. Há nesta casa, a disciplina do deitar cedo e cedo erguer dá saúde e faz crescer. Militância que me vale rasgados elogíos. Ai, tomara eu que os meus dormissem, pelo menos, às 23. Que sorte que tens. Confirmo. É realmente um sossego tê-las deitadas antes das 22 horas. Mas, e nas férias? Estão cansadas em dobro, pela água e pelo calor. Jantamos mais tarde. Vestimo-nos para sair, mas acabo quase sempre a noite de toalhita na mão a desmaquilhar-me antes das 23 horas.
A Constança é cada vez mais avessa à sesta. A Carolina já não cabe no carrinho. Entre adormecer sem jantar; cair sobre a mesa ou dar com elas tombadas na cadeira antes do mágico começar o espectáculo, acontece de tudo.

26.8.14

Os buldogues voltaram!!!!


O gordo está menos gordo, faminto, contudo.
Voltaram sujos. E continuam abusados.

Aos 50 vou ser boa como ela

Elle MacPherson


Esta senhora fez 50 anos em Março. Meia centena. Coisa pouca, como poucos (diria, nenhuns) são os atributos que não invejamos. Eu, com 32, chego-me à frente. Quem me segue?
50 anos, dois maridos, dois filhos e boazona. Tipo, envergonhem-se. É só nisso que penso quando a vejo assim.

Voltei há um dia, mas já me parecem meses


Cheguei ontem e sinto o regresso como se tivesse sido há meses. A eficiência a pôr ordem na desarrumação de cinco malas também conta para as férias se disporem na prateleira do passado, ou na pasta do pc, junto de outras, ordenadas por locais e anos.
Ainda é Agosto e é Setembro que já pesa. Um Setembro - como já escrevi - decisivo

25.8.14

Esta noite durmo na minha cama


O que é maravilhoso. Quem me conhece sabe que sou mais esquisita com lençóis alheios do que com o cocó dos meus cães.
Vou ver novelas durante três horas. Que saudades tenho do Félix!
Adoro Setembro, mas dou por mim, receosa que se imponha em vez de chegar. Lentamente. Com calor e entardeceres alaranjados. Com passeios na calçada e cães pela trela.
Venho de uma cidade com 27 graus às 2 da manhã. Não me apetece orvalho nocturno e agasalhos para jantar.
As férias ainda não terminaram.
A casa continua sem hipótese de arrumação enquanto as criaturas (e seus apetrechos) invadem cada canto.
A máquina hoje já lavou meia dúzia de vezes.
E eu perdi a conta ao tempo de contemplação desta foto da minha maior. Foi tirada espontâneamente, num impulso rápido, através do iphone. Achei inspirador o modo como, sozinha, olhava o mar. Pensei em que pensaria ela. E registei. A minha filha está/é linda. Eu sei, isto soa muito mal, ainda que outra coisa não fosse expectável dizer. Tem o cabelo mais perfeito que alguma vez vi, ou toquei. É de traços leves. Delicados. Não se lhe descortina gordura ou magreza excessiva. É do mais perfeito que já vi.

23.8.14

Remember 80's


Fui batizada pelo Monsenhor José Maria Lima de Carvalho, figura que muitos anos mais tarde tive o prazer de entrevistar. Levei com a água benta na cabeça perante o pânico da minha mãe que engripasse.
Usei baba e pela sujidade evidente (mais do tipo abraçado a mim), foi uma peça imprescindível, num tempo que  - penso eu - não tinha máquina de lavar. Também usei fraldas de pano que a minha mãe, ou a minha avó, prendiam com alfinetes. E estou tentada a apostar que devia trazer sempre comigo uma caixinha de fósforos com mais não sei o quê por causa do mau olhado. Nunca saí à noite enquanto não fui batizada e tenho para mim que os meus pais devem ter dormido com umas calças atravessadas para não secar o leite à minha mãe. A sério, alguém devia de se dedicar a escrever um livro sobre estas superstições disfarçadas de sabedoria popular. São uma delícia.
A minha pancada por cães vem, praticamente, do tempo em que me passeava nos espermatozóides do meu pai. Na foto, em cima, tinha pouco mais de um ano, e como é visível tinha acabado de sofrer um acidente grave que quase me custou o braço. Ainda assim, sentia-me perfeitamente à vontade para, quase, me deitar sobre o pastor alemão. Chamava-se Duck e era o bicho preferido do meu pai.
A roupinha vermelha não é típica do nosso folclore, foi comprada numa viagem à Alemanha, mas desapareceu quando a minha mãe a emprestou a alguém para disfarçar a filha no Carnaval.
Os sapatinhos em croché foram feitos pela minha avó.
Ainda bem que não tinha as orelhas furadas. E a foto com neve é na Penha.

Por horas...


Regressamos a casa esta noite contra a vontade da criatura mais nova. Como acontece sempre tivemos de mentir, "seguimos para o Algarve" e lá justificamos as malas já retiradas do quarto.
A viagem vai ser longa. Um milhar de quilómetros de distância e o modo casa accionado, instintivamente. Custa-me o fim do dolce fare niente, mas anseio os meus lençóis e a televisão aos pés da cama. Quero ver Amor à Vida! E os meus cães, ai os meus cães. Estará o gordo menos gordo?
Em Julho tiramos uma semana de férias e viajamos pelo sul de França. Foram dias de Inverno no Verão. Agora, foram oficialmente as férias de Verão, da areia que gruda, da tralha que se leva e traz da praia, dos sacos nos ombros que ardem do sol. Em família. E é tão melhor quando se está com quem se gosta. Com os cumplices de bom trato, sem censura.
Havemos de voltar onde já fomos felizes. Denominadores comuns: Agosto, praia, calor e nós, juntos.

21.8.14

Nani no Sporting e Toni Carreira separado

Não vejo televisão há exactamente 7 dias. Não leio jornais, nem na Net, e a ultima revista que me passou pelos olhos foi a Vogue. Tenho o telemóvel desligado. Abro o facebook duas a três vezes por dia. Estou numa espécie de cápsula que sairei não tarda. Mas, por enquanto tento não pensar no tempo que só importa para não perder as refeições no hotel.
De qualquer forma um viva para o regresso do nosso menino ao Sporting. Foi a melhor notícia do Verão. E manifestar a minha indignação com o clã carreira que de supetão deixa de ser clã. Ai Toni, nunca pensei que deixasses tua Fernanda (é assim que se chama a senhora?). Ele era um doce também por ser pai estremoso e marido afectuoso com sua senhora a aplaudir, linda e loira, na primeira fila. Agora é só mais um divorciado pronto para caçar e ser caçado.

20.8.14

Férias. Primeiro relatório.




Foi uma decisão acertada sair de Portugal. O boletim meteorológico que nos chega desde o Algarve é desanimador e eu conheço bem esse desânimo que nos pesa, e aquece do frio, sob a forma de casaco e qual tubarão, desorientado na costa, nos impede de ir a banhos.
Por cá, o calor continua suportável apenas mergulhados nas águas calientes. As noites registam 25 graus. Melhor, as noites não, quase os amanheceres. Ainda ontem deitámo-nos perto das 3 horas e a termómetro media esse valor tão agradável e perturbador do sono.
A areia continua a deixar a Carolina com um humor de cão. A Constança continua a adorar banhar-se nos grãozinhos como se estivesse num spa rejuvenescedor.
A Carolina, terá sido numa outra encarnação, um peixe palhaço porque bate recordes nas horas dentro de água.
A Constança só hoje começou a entrar no mar e vejam só a loucura, não gritou quando a água lhe chegou aos tornozelos.
À noite, a Carolina adormece sentada com a cabeça pousada sobre a mesa da esplanada. A Constança choraminga, grita, ameaça, puxa cabelos. E adormece.
Cheguei à conclusão que cada vez identifico menos os meus compatriotas. Mas, ainda não entendi porquê.
E agora vou para a praia.

12.8.14

Dias de chuva, crianças e os poderes de Deus...

As minhas filhas estão a brincar há 4 horas. Interromperam para almoçar. Montaram um circo na sala (não no sentido literal porque não estão a brincar aos palhaços, não fazem malabarismo tampouco  magia, graças a Deus).
Têm coletes vestidos e chapéus na cabeça. Uma chama-se Lúcia, a outra Jimena. Acho que são mãe e filha, mas não bioligicamente falando.
Ainda não gritaram uma com a outra nem se agrediram fisicamente.
A Carolina acabou de dizer à Constança. Ou, perdão, a Jimena acabou de dizer à Lúcia:
 - Tem um bom dia na escola e já sabes de maneira nenhuma uses os teus poderes.