25.5.17

A (im)possibilidade do nosso amor.



Falaram-me de alguém que não sendo adepto de futebol era um fervoroso apoiante do Vitória, assíduo nos jogos em casa e fora. Alguém apaixonado pela paixão dos vitorianos e que ainda por cima não era de Guimarães, nem de Portugal. Tinha o mote para o que poderia ser uma boa reportagem. Depois de aceite pela direcção da revista avancei para o contacto. Uma mensagem profissional por facebook a propor a entrevista. A resposta foi devolvida no mesmo registo. Rapidamente agendamos a conversa para dali a dois dias.
Não voltei a pensar no assunto e confesso que na manhã daquela sexta-feira de Maio até achei que não fosse aparecer.
Usei um vestido branco que gosto muito. Giro e confortável para um dia quente, como o de ontem e o de anteontem.
Cheguei primeiro. Não esperei muito até que o vi entrar (também me lembro da t'shirt que usava) e dirigir-se a mim de braço estendido. Com duas sílabas disse-me o nome com uma pronuncia bem portuguesa. E ocupou o lugar à minha frente.
Contou-me da viagem da sua vida. Voltou à Rússia. Comoveu-se. Falamos de desporto e alimentação. De Guimarães e do Vitória também. Falamos coisas que não verbalizamos. Achamos naquela hora que tínhamos suspendido o tempo, mas os minutos continuavam a contar como nos lembrava o telemóvel dele que não parava de tocar e que ele silenciava.
Acabamos por sair com uma pressa disfarçada. Novo aperto de mão na despedida.
Saí dali e fui correr. Ele foi trabalhar.
Não acredito em impossibilidades, muito menos na impossibilidade de um amor. O nosso seria impossível para muitos. Chegou a ser para nós também. Naquele Sábado que figura agora entre os momentos mais bonitos, apaixonantes e cinematográficos da minha vida, despedimo-nos entre lágrimas e mensagens pirosas. Por instantes, julguei que jamais o veria, como nunca o tinha visto até à entrevista. Mas, entre um soluço que silenciei com uma lufada de ar profunda nos pulmões, vi-o abalroar o acesso a minha casa.
 - Foram insuportáveis os segundos que me vi sem ti - disse-me num tom baixo e sereno.
E eu...também quis mais. Mas, não foi fácil (às vezes, ainda não é). Precisamos de bíceps olímpicos. E de tantas vezes me alongar nos músculos dos seus braços e aí fazer moradia por baixo de um céu estrelado encoberto em melancolia, vontade e gás a fervilhar das duas garrafas de minis agitadas.
Amores impossíveis? O amor sincero é livre de protocolos.

PS: mais noites e mais fotos como esta mesmo que agora bebas sozinho.

23.5.17

12 ANOS!


Estão só na entrada da garagem. Mais à frente há um estendal com roupa a secar e juro que antes deste banho público ao estilo Paris Hilton embriagada andavam a embalar nenucos. É a esquizofrenia da pré-adolescência.
A Carolina, por exemplo, acordou decidida em fazer de mim a sua melhor amiga, mas tenho dúvidas se ao deitar não serei persona non grata.
Resolveu, com os 12 já feitos, que me beijaria ao despedir-se e sempre que a recolher na escola. Anda a desperdiçar abraços. Enrola-me os braços sempre que nos cruzamos nos trilhos da casa. Nesses instantes de corpos fundidos percebo que são escassos os centímetros que nos separam. E o biquini que exibe na foto ainda o usei no Verão passado.
Mais importante que lhe pedir emprestadas as sapatilhas de marca é perceber que sou uma mãe orgulhosa da sua cria, até porque beijos e abraços não se poupam.

11.5.17

Já pariste? Perguntam vocês.


Comecemos por responder à mais frequente das questões. Sim, continuo a usar saltos. E, podendo, tenciono fazê-lo até ao fim. A minha barriga, muito embora não denuncie imediatamente a gestação, já é grande o suficiente para ocultar outras partes do meu corpo e como tal sinto-me redonda que é como quem diz, gorda. Já cá cantam seis quilos a mais às 20 semanas. Boas notícias senhores, boas notícias. Seria épico na outra metade que falta acrescentar apenas outros tantos. A ver vamos.
Por estes dias sinto-me uma adolescente. Sem o rabo duro, sem as mamas espetadas e sem a ilusão que posso mudar o mundo. Se pudesse, aliás, circunscrevia o meu mundo aos 20 m2 do meu quarto e a única coisa que mudaria, enquanto aviava sacos de amendoins, era o canal da televisão.
Choro ao ver os peregrinos chegarem a Fátima. Choro ao ver cantar o Salvador. Choro a ver o Marley e eu. Esta merda não é normal.
Por outro lado, são cada vez mais frequentes e perceptíveis os movimentos da pequena criatura que engoli. Gosto de pensar que este ser é um guerreiro - receei muito perde-lo nos primeiros três meses da gravidez...ainda receio - que vai ser abençoado com o melhor da mãe e do pai. E que carrego em mim alguém muito especial.
A Constança está solidariamente grávida. Inclui o bebé em cada desenho, adormece a acariciar-me a barriga e já o toma como uma pessoa. Pergunta-me se já sabe as letras e a cidade onde vivemos. Explico-lhe que teremos de lhe ensinar tudo.
A Victória começa a aperceber-se que vai ganhar um irmão e a alegria que isso representa. E a Carolina sente ciúmes. Não conseguiu ainda descortinar qual o seu papel nesta hierarquia fraterna.
A barriga começou a pesar e está cada vez mais difícil usar jeans. É bom que o sol brilhe.

20.4.17

Humor...de grávida.

Vestido Serendipity, 35 euros
(encomendas através do blogue ou do Facebook)


Estas são imagens da Páscoa e as linhas que se seguem deveriam fazer jus à sua beleza. Pois, não farão.
Estou cansada. Com sono. Ardem-me os olhos. Pesa-me o baixo ventre. Perdi a conta às vezes que já me levantei para fazer xixi e hoje nem tempo tive para almoçar devidamente.
Acho que alguém devia repensar a expressão "humor de cão" e substituí-la por "humor de grávida".

12.4.17

Nem toda a grávida é uma grávida feliz!


Daqui a cerca de uma hora tenho uma consulta no meu médico assistente que me permite aquele acompanhamento básico, ainda assim, importante. Vamos medir as tensões e a barriga; ver o ph do xixi...  subir para a balança (!!!!)...Confesso que estou confiante. Ontem comi uma bola de berlim, mas tenho-me portado bem, sem excessos e sem a compulsão por comida que senti nas gravidezes anteriores.
A semana passada aproveitei também para começar, de forma muito moderada, a treinar. E foi o suficiente para, praticamente, não me mexer nos dias seguintes.
Estou na melhor fase da minha gravidez. Não sinto qualquer enjoo e a azia desapareceu. A barriga começa a notar-se cada vez mais, mas ainda não incomoda. Continuo a dormir na posição em que me apetece e a caber em toda a roupa, embora este Verão antecipado convide ao uso de vestidos frescos e confortáveis.
No entanto, grávida que é grávida, não tarda a queixar-se da escassez de indumentária. Porque a barriga não vai ser sempre assim fofa, brevemente vai ganhar proporções monstruosas. Vou começar a arrastar-me à medida que ela aumenta. Vou retirar anéis porque os dedos vão inchar. Vou sentar-se sempre de pernas abertas e o meu nariz vai ficar o dobro. A criatura que carrego vai achar por bem iniciar uma exploração minuciosa das minhas entranhas e vou sentir os pulmões chegarem-me à boca.
A gravidez é, sem dúvida, um estado de graça e vale cada sacrifício, mas não é fácil. De todo.Além das mudanças físicas, da sensação de nos sentirmos estranhas no nosso corpo, de não podermos usar aquilo que gostamos, do inevitável aumento de peso ao qual acrescentamos as alterações emocionais, tipo chorar ao ver uma andorinha, sentimo-nos, no início pelo menos, como se estivéssemos doentes. Na gravidez da Carolina, a primeira, lembro-me perfeitamente de perguntar à minha mãe se nunca mais me iria sentir bem.
Nem toda a grávida, apesar de consciente da decisão de ter um filho, é uma grávida feliz. A boa notícia é que passa a voar (ainda ontem comentava com o homem que estou praticamente a meio!) e depois de termos a criaturinha nos braços esquecemos aquela manhã em que vomitamos 30 vezes ou da noite em que embatemos de frente na parede numa das 20 viagens à casa de banho.
Eu, por agora, espero apenas não deixar a balança a chorar.

5.4.17

Queremos mesmo produzir filhos tiranos?


Ontem improvisamos o jantar. Bacalhau com broa para os adultos e nuggets com arroz para as crianças. Além disso, ainda as brindei com batata frita e permiti-lhes a loucura de as mergulharem em ketchup.
Tínhamos sopa também, recusada pelas três.
Quando me preparava para me sentar depois de não sei quantas vezes ter ido ao frigorífico, à gaveta~dos talheres e ao microondas, deparo-me com as duas mais pequenas a pedirem ovo estrelado. Respondi-lhes que não, que os ovos não estavam previstos e que ia, finalmente, sentar-me também para comer. Ao que o homem interfere para me questionar, "porque não lhes estrelas uns ovos? Só fazem bem!".
Respirei fundo e ainda cheguei a colocar o tacho no fogão. Mas, respirei fundo, outra vez, e disse, "não! Têm sopa. Que também faz bem e vai saciá-las se o jantar não lhes for suficiente". Ele concordou comigo, mas ambas torceram o nariz. Ainda assim, terminaram com um belo creme de legumes.
Sem exageros, eu diria que isto é educar. É sermos muro que não verga ao bel-prazer dos nossos filhos. Ou, pelo menos, não verga sempre porque também defendo que não ama quem nunca disse não e permitiu o sim, como tudo na vida com a devida dose.
Também no final de semana reencontrei familiares com quem há muito não privava. Um deles, meu primo, destacava-se pelo respeito que impunha às filhas. Era quase sempre criticado pelo excesso de autoritarismo, mas desta vez, desabafou comigo sobre como não conseguia impor limites ao neto e sempre que o tentava fazer levava com a reprimenda da mulher. "Não grites com o menino" nem quando joga à bola dentro de casa ou num acto desafiador te levanta a mão.
Imediatamente, lembrei-me do livro do psicólogo Javier Urra, "O Pequeno Ditador" que por acaso, ou nem tanto, já atingiu a 18ª edição.
O terapeuta acabou agora de lançar "O Pequeno Ditador Cresceu" e mais uma vez refere o que ele considera serem os "pais helicóptero" sempre a supervisionarem a criança, aflitos ao menor "aiii", preocupados para que não caiam, não sujem, não esfolem, não chorem, não comam terra. E neste capítulo, é tão mais seguro tê-los sentados no sofá agarrados ao ipad ou colados na TV.
Esta geração de pais - onde pela idade também me incluo - sobremima os filhos e tem a presunção de achar que os pode proteger sempre. Pois, haverá um momento em que a criança se vai equivocar e sentir um rei, ou rainha. Os nossos filhos são tão importantes como os outros. Não são menos, mas também não são mais. E é com base nesse pressuposto que devem ser educados.Para se tornarem adultos de bem.
Ao contrário do que acontece em países como Angola ou Quénia em que é impensável uma alteração das regras da casa e da estrutura familiar, nos países europeus passamos de um autoritarismo exacerbado pela figura do pai para uma deturpação imperdoável das hierarquias. E se o permitimos, teremos que estar prontos para no futuro pagar uma cara factura da nossa fraqueza. Porque, achamos nós, que para ganharmos o carinho dos filhos temos de nos deixar manipular por eles.
As crianças precisam de limites para evitar que se tornem tiranas e nos releguem para o papel de escravos.
No livro Javier Urra escreve que "há crianças com menos de sete anos que dão pontapés às mães e estas dizem isso não se faz enquanto sorriem". Eu já vi. Atrevo-me a perguntar quem não viu???
Querer e amar um filho não é dizer sim a tudo. Muito pelo contrário.
A minha pergunta é: queremos mesmo produzir filhos tiranos que se presumam mais do que os outros?
Eu, grávida do terceiro, definitivamente não quero!

24.3.17

Coisas sérias da gravidez.


Soube que estava grávida no dia 29 de Janeiro.
A verdade, é que logo após a concepção percebi mudanças nas mamas. Alterações evidentes que fui desvalorizando porque era ainda demasiado cedo para confirmar a gestação.
No dia 29 de Janeiro - sem estar ainda com atraso menstrual -  pressionada pela Carolina, fomos ambas à farmácia comprar um teste e fechámo-nos as duas na casa de banho. Não estava em atraso e nem sequer era a primeira urina do dia. E o resultado foi claro. Inequívoco. Recolhi o teste porque a Constança fazia questão de ver.
A minha maior foi a primeira a saber. Menos de 60 minutos depois, sustentada pelos seus quase 12 anos, desatou num pranto. Entende as mudanças que um bebé acarreta. Receia a chegada de um novo elemento. Já vê para além do lado puramente romântico.
Souberam primeiro as três meninas do que o pai. Reservei a partilha para o dia seguinte, Sábado, num jantar a dois (mais tarde partilho convosco).
Nessa sexta-feira senti-me especialmente serena.
Na gravidez da Constança, aquando da primeira ecografia, já realizada no hospital que serve para despistar o risco de trissomias e má formações não voltei a esquecer as palavras do médico, um tipo novo, com aspecto de estagiário e talvez pelo ar inexperiente, achei-as totalmente despropositadas. Disse-me ele enquanto me percorria o útero com o ecógrafo, "normalmente as coisas correm bem, mas há excepções".
Na minha segunda gravidez, salvo o parto, não testemunhei nenhuma excepção. A gestação foi absolutamente normal, sem nenhum sobressalto.
Agora, grávida pela terceira vez, acabadinha de terminar o primeiro trimestre, começo a respirar de alívio.
Nos primeiros três meses tive quatro sangramentos e estive três vezes no hospital. E as palavras do estagiário ecoam-me na cabeça, "normalmente as coisas correm bem, mas há excepções".
A primeira vez que perdi sangue foi de madrugada. Não tinha mais de seis semanas. Esperei que amanhecesse para ir à urgência. Foi difícil porque com tão pouco tempo de gestação não tinha ainda visto o bebé e temia pelo que encontrariam. Mas, encontraram-no. Apenas um ponto que tremia (o coração é o primeiro órgão a formar-se). E a confirmação. Feto com batimento compatível com seis semanas de gestação e a conclusão que estava tudo bem. Nem sombra de descolamentos. Nada que justificasse a perda de sangue. Então e...? Mas, não pode ser...Sou absolutamente insuportável. Não baixo a cabeça e me resigno perante a pressa de me mandarem embora porque lá fora aumentam o número de pulseiras amarelas.
Saí do hospital sem nenhuma recomendação. Nada! E com a certeza que estava tudo bem.
Liguei imediatamente ao meu ginecologista que por essa altura não estava em Portugal que me recomendou repouso.
No dia seguinte, sexta-feira, aproveitei para tirar o dia. Estava novamente deitada quando senti mais uma pequena descarga de sangue. Chorei como uma Madalena. Sucumbi. Atirei a toalha ao chão.
Por telefone, o meu ginecologista aconselhou que me deixasse estar. Não valia a pena correr para o hospital outra vez, quanto menos mexesse melhor. A recomendação era esperar e confiar.
Passou uma semana até que mais uma vez, em modo descanso, voltei a sangrar uma quantidade um pouco maior. Esperei pela manhã seguinte e lá recorri outra vez à urgência com o coração nas mãos convencida que daquela vez tinha perdido o bebé.
Mas, afinal não. A pequena criatura lá continuava cheia de pujança e cada vez maior. Comovi-me. Mais uma vez, nada, nenhuma razão clínica que justificasse as perdas.
Finalmente, há um mês estava eu no Afonso Henriques a ver o Vitória - Moreirense, feliz da vida, em vésperas de gozarmos uns dias de férias de Carnaval, quando me dou conta, não de uma perda de sangue, mas de toda uma enxurrada. Parecia que tinha sido baleada. Começo a entrar em pânico. O estádio cheio e eu ali a esvair-me em sangue. Saímos o mais rápido, e discretamente, que conseguimos, e corremos para o hospital.
Tinha perdido uma enorme quantidade de sangue. Estava apavorada. Aqueles minutos em que nos despimos e o médico vai tranquilamente ligando o ecógrafo são penosos. Doutor e se o meu bebé já não estiver aí...? Fale sempre comigo. Diga-me logo o que está a ver. Agarrada à mão do homem, (o meu) suspirei e ouvi, "pronto... feto com batimento, nove semanas de gestação. Está tudo bem". E lá continuava o pequeno, cada vez mais cabeçudo, indiferente a tantas ocorrências. Nada que justificasse o sangramento. Percorreu-me o útero a pente fino e tudo na perfeita normalidade.
Não voltei a sangrar. E fico muito agradecida se assim continuar. Durante a gestação o útero tem muita irrigação sanguínea e qualquer movimento, inclusive do próprio saco gestacional, pode romper um vaso e originar perdas de sangue.
Cerca de 40% das mulheres grávidas experimentam um episódio de sangramento no primeiro trimestre da gestação e deste número, metade acaba por abortar espontaneamente.
Graças a Deus virei o primeiro trimestre. O meu sacaninha está bem. E eu também.

23.3.17

Oh valha-me Deus que engoli um bebé!


Dizia-me ontem a Constança: "tens um bebé dentro de ti!!!! Acreditas numa coisa dessas???? Como é que isso é possível mãe????? Um bebé?????". A mais nova manifesta a estupefacção de uma criatura ganhar vida na barriga da mãe e nós mulheres, acostumadas que estamos aos nossos super poderes tendemos a desvalorizar o milagre de dar(mos) vida.
Gravidez não é doença. Não é. Pelo contrário. Mas, passamos mal como se estivéssemos doentes. Vomitamos. Desmaiamos. Estamos sempre cansadas e com sono. Frágeis. Choronas. Vulneráveis.  Eu, por exemplo, fui mais vezes ao médico nas minhas gravidezes do que em toda a minha vida. Há uma pessoa a crescer dentro de nós!
Há, uma pessoa a crescer dentro de mim!
E agora vamos lá ao que interessa. A criatura apesar de cabeçuda é perfeitinha. Dois braços, duas pernas, todos os dedinhos. O cérebro, de resto, é bem visível na imagem, é óbvio que herdou da mãe a grande quantidade de massa cinzenta. Reparem no traço fino daquele nariz. E tudo que é órgão confere. Graças a Deus!
Virámos o primeiro trimestre com mais quatro quilos no lombo o que é algo de extraordinário, mais ainda quando nos primeiros três meses estive impedida de praticar qualquer tipo de exercício.
Só vomitei umas quatro vezes, um absoluto récorde quando comparado com as gestações anteriores.
Sabemos 80% do sexo da criança, mas reservámo-nos ao sigilo que implicam os outros 20%.
A modos que é isto. Estamos bem e recomendámo-nos.

20.3.17

7 ANOS!






De repente, a minha pequena que ainda dorme em posição fetal e com as mãozinhas debaixo do rosto, fez 7 anos! 7 anos!
Piorou a compulsão por chocolate. Aguçou a inteligência. Manteve a vaidade. Abusa da elegância. Perna comprida. Tez morena. E aquela voz ainda de bebé quando me liga. Já envia SMS com uso abusivo de emoji.
Não seria capaz de pedir mais e se pudesse escolher nada lhe chegaria aos pés.
Parabéns minha bomboca de framboesa.


PS: um agradecimento especial à Ana da Bolos com Encanto e ao São Pedro que nos permitiu uma tarde primaveril em ambiente privilegiado.

15.3.17

Este post podia ser uma salada russa...


Este deveria ser um post sobre meias, daquelas invisíveis que prometem fazer-nos as pernas sexys e morenas. Todas as manhãs, quando me enfio numas da espécie e rasgam ao primeiro toque do meu mindinho juro, por todas as almas, que me vingarei sob a forma de palavras hostis. Mas, depois engulo o pão que acompanho com a meia de leite, actualizo-me no primeiro scroll do Facebook que, permitam-me o desabafo, está cada vez mais insuportável, ontem mesmo removi para cima de uma dezena de amizades, pessoas que devo ter adicionado em 2007 e ainda não entendia o propósito da coisa, mas é só a mim que está a acontecer isto? Ocorrem-me os piores pensamentos quando no feed me aparecem coisas do género "o que faz bem a uma crise de vesícula? tou que nem posso" ou "nem sempre os olhos fechados dormem. Nem sempre os olhos abertos vêem"... enfim.
Está aí o Dia do Pai que é sempre uma data fofinha e agora com o Facebook - here we go again - é vê-los bradar aos céus os super poderes dos respectivos progenitores. A verdade é que já não se escrevem postais ou folhinhas perfumadas como as que eu escrevia ao meu pai. Já Saramago disse, numa carta ainda pode cair uma lágrima, nunca num email ou post - acrescento eu. Bom, mas também não pretendo bancar o velho do restelo e amaldiçoar a evolução dos tempos.
Eu já não compro postais e há muito perdi as minhas folhinhas perfumadas. Há alguns anos deixei de comprar canivetes suiços. Fui mãe, pela segunda vez, vai fazer sete anos no próximo Dia do Pai e honro-lhe a paternidade com a minha maternidade.
Honro-o também com imagens como estas, locais que conheci com ele. Sem GPS. Sem auto-estrada. Roteiro numa folha A4 e mapa de Portugal aberto no tablier, máquina fotográfica ainda com rolo. Foi, aliás, num destes sítios que me fotografaste a última vez.
Não foste sempre bom. Cometeste falhas. Fizeste-me chorar. Nunca te presumi perfeito porque se assim fosses não serias meu e meu foste sempre - ainda és - o melhor que tenho.

17.2.17

Vou ver se não entro na Zara...

Que se manifeste quem está farta do Inverno. Quem já não aguenta repetir os agasalhos que arruínam qualquer outfit. Quem deixou de se mirar no espelho e como eu anda à base do desenrasca.
Temos frio na rua, temos frio no trabalho e ainda com um pé fora de casa já nos estamos a despir para nos metermos naquele pijama polar horrendo, mas quentinho. Eu logo vi...
Não vale a pena abrir aquelas publicações do Facebook que dizem blasfémias como "as peças chaves para andar linda e animada no Inverno" ou então, "dicas para um cabelo luminoso e pele radiante nos dias frios". Pior, "como sentir-se sexy e quente". Não abra. Duvide de tudo o que não recomende uma viagem à Tailândia ou ao Rio, porque, minha senhoras, é a única solução para os nossos problemas.
Entretanto, e como a grande maioria de nós são profissionais empenhadas e mães extremosas, apesar da saúde da nossa conta bancária que, seguramente, nos permitiria estar 60 dias em viagem, deixamo-nos estar e uma ida à Zara já será suficiente para nos aquecer o coração. No limite até ganhamos um bocadinho de cor.
Eu como sou uma fixe até já vos adiantei algum serviço e seleccionei umas pecinhas que, como habitualmente, não excedem os 50 euros sendo que a grande maioria é de 29.90.








30.1.17

Foi ontem o dia em que chorei a ver um filme!!!


Comecei a ver o Jack Reacher. Interrompi para o almoço. No regresso ao sofá optei pelo Manchester by the Sea. Alguns problemas técnicos com o pc e o cabo quase me levaram a sintonizar o Hollywood até que o sono me chegasse.
Pensei no La La Land, mas só me vinha à cabeça o Mamma Mia e as musiquinhas de minuto em minuto. Resisti. Entretanto, os problemas técnicos persistiam. Desisti da televisão. Pousei o computador nas pernas completamente desacreditada do sucesso cinematográfico da minha tarde de Domingo. Passei pelo La La Land e voltei a torcer o nariz...mas o gajo é giro e, sejamos francos, tem 14 nomeações. Play!
Ao fim de quase duas horas de filme dão comigo feita Madalena arrependida. Nariz vermelho, lágrima certinha, pelo arrepiado...Surreal! Eu que não chorei a ver o Titanic nem a Vida é Bela ou o Rapaz do Pijama às Riscas, desato num pranto com um musical?!
Defendo até à exaustão o cumprimento dos sonhos, quase como uma condição de felicidade e teres alguém que amas e te alavanca nessa busca é maravilhoso. Assim foi com as personagens do filme. No entanto, no final, contrariando o doutrinismo das comédias românticas, seguem vidas separadas. Comprometeu-se o amor para que o sonho, de cada um, se cumprisse. E cumpriu.
Mas, como eu, (além de chorona) sou sonhadora, mas também romântica, tenho para mim que depois daquele (re)encontro no Seb's, depois do sonho cumpriu-se o amor.

13.1.17

14 anos depois de ti.



Chegamos a um ponto em que as fotos me faltam. As que tenho, em 14 anos, já as repeti. Outras, honrando o estatuto de única filha, quero-as só para mim, não me apetece partilhá-las. Entende-o como uma birra pela falta de partilha de braços de quem, como eu, perdeu o pai. Fui a única filha que te chorei. Não deixaste outra ou outro. E esse vazio - como foi o teu cancro - é incurável.
Há 14 anos, não houve outro alvo dos olhares de pena que não eu, descabelada, inchada, vestida de preto - depois de trocar a camisola vermelha que, ironicamente, optei por vestir naquela manhã de segunda feira -  há 14 anos.
Só te enterraram na quarta e neste 13 de Janeiro de 2017 continuo sem saber descrever o ruído dos sinos que te anunciavam a morte...das piores sensações que experimentei.
Anteontem à noite, enquanto esperava o sono da neta que não chegaste a conhecer desatei num pranto copioso que me tingiu de preto a almofada. O choro sufocou-me. Culpei-me por me permitir viver na tua morte, pelas gargalhadas que dei, pelas filhas que tive e pelo filho que ainda quero ter... Culpei-me por deixar que te vestissem a merda de um casaco que nunca usarias e não fora já o bastante ainda te enfiaram no pescoço uma gravata!!! Tu que em circunstância alguma as usaste colocaram-ta morto.
Apetece-me copiar a também falecida Maria Barroso e terminar com os "Dois sonetos de amor da hora triste" do Álvaro Feijó e dizer-te "não um adeus distante. ou um adeus de quem não torna cá. nem espera tornar. um adeus de até já. como a alguém que se espera a cada instante".

PS: não voltei a sentir-me menina sem o teu colo.


11.1.17

Mário Soares!


Soube, no Sábado, da sua morte. Apesar de há muito anunciada, a confirmação, sensibilizou-me.
No mesmo Sábado, fui ao futebol. O Vitória recebeu o Benfica e antes do arranque da partida assistimos ao justíssimo minuto de silêncio. Não foram os cânticos que não cessaram que me incomodaram, foi o tipo ao meu lado que desatou a proferir vernáculo e acusações porque é sempre mais fácil dizer mal do que bem e porque o seu conhecimento, por certo, não lhe permitirá saber quem foi Soares.
Um homem maior do que a sua biografia. Salazar prendeu-o 13 vezes, deportou-o e exilou-o. Foi no exílio que refundou o PS.
Foi ministro dos Negócios Estrangeiros, Primeiro Ministro em três governos, Presidente da República por dois mandatos, deputado europeu. Só tachos, dirão.
Soares ganhou e perdeu. Errou, também, com certeza. Mas, como escreveu no seu editorial no dia posterior à sua morte, Afonso Camões, director do JN, "foi um sempre em pé nas lealdades, político de coragem e vocação, nunca resignado e muito menos rendido. Culto, moderno, cosmopolita. Soares era um homem com mundo e foi mundo que ele acrescentou a Portugal".
Também Miguel Esteves Cardoso escreveu sobre Soares, agora que morreu, mas já antes o tinha feito numa crónica onde assumiu ter "desesperadamente tentado encontrar defeitos no pai da democracia". Ao invés, escreveu, "lançou as sementes do respeito e da autoridade neste infértil jardim à beira mar plantado. Adoro o homem. Eu e um grupo selecto de 10 milhões de portugueses".
Mário Soares foi ontem a sepultar e não houve canto no mundo onde não fosse definido como o maior responsável pelo Portugal livre.
Não ficará apenas na história. Fez história. E isso é muito fixe.

2.1.17

Todas as noites te odeio!




Todas, menos nesta.
Com seis anos, era suposto dormires sem intervalos. Esperava de ti que adormecesses entre as 21.30 e as 22h e acordasses às 8 da manhã seguinte. Mas, não. Numa noite boa acordas por volta das 4. Soltas seis audíveis "mããããããe" seguidos para não dar-se o caso de me fingir de morta. E só te calas quando no escuro da noite me esbarro em qualquer coisa.
Em noites más, faço três viagens entre os quartos.
Já conversamos sobre isso. Não é de todo agradável, primeiro acordar quando se dorme tranquila, segundo acordar com berros, terceiro, abandonar a cama quente e quarto custar para dormir de novo enquanto na capela as badaladas vão soando e o meu tempo de sono encurtando ao mesmo ritmo.
Temos de voltar a discutir isto Constança. Negociar.Em último caso, recorrerei à privação do chocolate.

31.12.16

Feliz Ano Novo!



Não gosto especialmente da passagem de ano. É só um dia, sem importância, em que se acrescenta um número. Mas gosto do 7. Guardo expectativa para 2017. Há muitas coisas boas que podem acontecer. E isso é animador. Por outro lado, há a hipótese que nada se cumpra e daqui a um ano estarei aqui a expor a minha frustração.
Em 2016 não perdi ninguém irremediavelmente. As minhas filhas tiveram sempre saúde. Não nos faltou pão na mesa. Isso deve bastar para ter sido um bom ano. E bastou. Mas, ninguém é sempre feliz. E estranho seria se todos os 365 dias fossem maravilhosos. Não foram. Vivi em 2016 um dos piores momentos da minha vida. Algo que tenho muita vontade de consertar em 2017. A par com a saúde é o meu principal desejo para o novo ano.
Que entre 2017. E que eu continue forte e capaz para cuidar dos meus, de mim e para cumprir os meus sonhos.