A menina das sardas
22.5.13
21.5.13
A festa II
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Primeira observação, está de cabelo apanhado, o que ultimamente só acontece não quando o rei faz anos, mas quando é a própria a fazer.
A segunda é em relação ao outfit. As jardineiras são lindas e conhecendo a preferência da Carolina em usar calção, pensei que fossem uma boa opção. Mas, depois lembrei-me daquelas pernas de sapo do Sapo e pensei "vais parecer a Olivia Palito".
Não podia estar mais enganada. Foi o look perfeito. Casual, mas ao mesmo tempo festeiro. Pratico, feminino e assentou-lhe que nem uma luva.
As minhas filhas também chamam nomes
As mães que visitam estes espaço iludidas que do lado de cá está uma exemplar irrepreensível na arte de educar e criar, fechem a página antes de lerem o que passarei a escrever.
Acho que já tinha dito, e ilustrado com fotos, os momentos em que baixa na minha mais nova um ser rastejante e usa as roupinhas mimosas como panos do chão.
Amiúde também anda descalça pelo jardim.
Come gelados e chocolate, como se não houvesse amanhã (confesso que aqui tenho de intervir). Já provou coca-cola e beija na boca a cadela
Guess what, não adoece desde Dezembro de 2011!
Hoje o dia começou mal e isto graças a Deus significa apenas que estávamos atrasadas.
A mais velha recusa-se a sair de casa sem arrumar o quarto. Valha-me todos os santos que me saiu uma gata borralheira.
Eu gritava. Ela chorava. E a pequena só dizia "eu estou-me a portar bem... olha mana, não choro". E a mana mais chorava...
A via que dá acesso directo à escola, esburacada desde 1800, está em obras (estamos em ano de autárquicas?!) e num trajecto maior, maior é a probabilidade de me enervar.
Vou batendo com os dedos no volante. E assobiando. Penso em voz alta, "terça feira, 9 da manhã... Maio... what a hell, mas esta gente não vai trabalhar?????".
Aparece mais um...pisca para a esquerda... ah espera aí, afinal é para a direita... oh, deixa estar, vou seguir em frente, mas a 20... apreciar o dia que nasceu bonito...
Era suposto fazer o quê? Tudo bem amigo, não há problema. Pressa para quê? Afinal, se a minha filha chegar atrasada à escola, no máximo trará uma notinha na caderneta. E se a mais nova também chegar tarde ao colégio o pior que pode acontecer é fecharem o portão. Ninguém morre, se tiver que a levar pela frente e isso implicar percorrer 1km com ela ao colo e uns saltos de 20 centímetros. Havemos de lá chegar...
É claro que de parvalhões a anormais lhes chamei de tudo. E elas fizeram a segunda voz.
Acho que já tinha dito, e ilustrado com fotos, os momentos em que baixa na minha mais nova um ser rastejante e usa as roupinhas mimosas como panos do chão.
Amiúde também anda descalça pelo jardim.
Come gelados e chocolate, como se não houvesse amanhã (confesso que aqui tenho de intervir). Já provou coca-cola e beija na boca a cadela
Guess what, não adoece desde Dezembro de 2011!
Hoje o dia começou mal e isto graças a Deus significa apenas que estávamos atrasadas.
A mais velha recusa-se a sair de casa sem arrumar o quarto. Valha-me todos os santos que me saiu uma gata borralheira.
Eu gritava. Ela chorava. E a pequena só dizia "eu estou-me a portar bem... olha mana, não choro". E a mana mais chorava...
A via que dá acesso directo à escola, esburacada desde 1800, está em obras (estamos em ano de autárquicas?!) e num trajecto maior, maior é a probabilidade de me enervar.
Vou batendo com os dedos no volante. E assobiando. Penso em voz alta, "terça feira, 9 da manhã... Maio... what a hell, mas esta gente não vai trabalhar?????".
Aparece mais um...pisca para a esquerda... ah espera aí, afinal é para a direita... oh, deixa estar, vou seguir em frente, mas a 20... apreciar o dia que nasceu bonito...
Era suposto fazer o quê? Tudo bem amigo, não há problema. Pressa para quê? Afinal, se a minha filha chegar atrasada à escola, no máximo trará uma notinha na caderneta. E se a mais nova também chegar tarde ao colégio o pior que pode acontecer é fecharem o portão. Ninguém morre, se tiver que a levar pela frente e isso implicar percorrer 1km com ela ao colo e uns saltos de 20 centímetros. Havemos de lá chegar...
É claro que de parvalhões a anormais lhes chamei de tudo. E elas fizeram a segunda voz.
20.5.13
A festa I
Percebi (só) ontem que as crianças - independentemente da idade - não andam, correm. Não falam, gritam. Não vêm filmes quando estão em grupo. Não jogam cartas. Não brincam com plasticina.
Prometo reconsiderar a minha preferência em fazer festas dentro de casa.
À parte, dos copos de sumo entornados em cima dos adultos e das almofadas voadoras, correu tudo muito bem, obrigada.
19.5.13
Há 8 anos
10h
- Quer ficar com o seu marido?
- Não, prefiro que ele vá.
12h
- Epidural. Anestesista desorientada. À terceira foi de vez.
15h
- Posso me pôr a pé? Preciso de fazer uns telefonemas.
15.01h
- Ui! Está tudo tão turvo... Desmaio.
17h
- Senhora enfermeira, epidural, por favor.
17.10h
- Muito obrigada.
19h
- Suas gandas #Jhjhjhkjjasghe#$$$ quero epidural!!!! ajhsjashajshdhj#####ghagshgasha####
EPIDURAL!!! ajshhahsgh##2%$%$TYJG
20h
- É assim, desisto. Chamem a minha mãe e façam-me uma cesariana.
20h.30h
- Puxe... Vá... Então?! Você não puxa nada!
- Agora é que não puxo mesmo... Vocês desmotivam uma pessoa...
E parem de me carregar na barriga whjkhsdg###/ghfaghfsgvg###...
21.00h
Bisturi. Corte incisivo.
21.05h
Ventosa. Ei-la, arregalada e viscosa, a primogénita.
Tu que devoras o mundo
E gritas como se nunca te ouvissem.
E corres com a pressa do coelho da Alice.
E devoras o mundo como devoras morangos.
Gosto de ti...há oito anos e nove meses.
17.5.13
À noite, na cama
- Olá, como está a menina? Já dorme?
- Não, ainda não. E o menino?
- Também não...
- Passei para lhe dar um beijinho, senhora professora.
Se o meu marido fosse o sujeito masculino deste diálogo, eu não ia gostar.
Então e se o sujeito feminino tivesse acesso à password do meu marido??? Ui!!! Era gaja para lhe fazer as malas...
Conheci o trabalho em rede quando comecei a trabalhar em jornalismo.
Com os computadores que tínhamos na redação não precisávamos de disquetes. Entravamos no pc que quiséssemos. Colocávamos um texto no desktop. Íamos buscar uma foto...
Estávamos todos ligados.
Hoje estamos assustadoramente ligados nas redes sociais. E se na maioria das vezes acho isso bom. Noutras, tenho reservas. Porque não gosto de lebres que afinal são gatos. Não gosto de cópias. De realidades paralelas.
Assim de repente, conheço várias pessoas que não têm conta no FB. A maioria tem menos de 10 anos ou mais de 65.
No meu círculo de amigos, conheço apenas um com 28 anos que, por opção, não tem.
Até há menos de um mês o meu marido também não tinha. Gabava-se disso. E eu, secretamente, admirava-o por isso. Porque encarava esse despojo virtual como uma forma de liberdade.
O meu marido não só não entendia a utilidade do FB como criticava os dependentes da rede.
Hoje, o meu marido é um deles. Está 24 horas ligado. E eu deixei de lhe admirar a liberdade.
É a hora
Sou a independente mais dependente que conheço.
Os últimos tempos têm-me mostrado que sou capaz.
E nos próximos dias vou testar-me. Vou mesmo.
16.5.13
Eu, resignada, vou fechar a janela e cobrir-me até às orelhas
Aviso à direcção:
Não cumprirei prazos.
Deem-me um mês de sol, sem habilidades, e entrego 500 mil caracteres.
Não farei entrevistas porque me recuso a tirar as sandálias e é altamente provável enfiar um pé num charco.
A modos que falamos quando S. Pedro quiser.
(ah, lembrem-se que o meu contrato é sem termo).
Diz-me o que comes, dir-te-ei a que cheiram os teus "puns"
Ora aí está um tema deveras interessante para o enriquecimento cultural - científico, até - dos portugueses, discutido, em directo, no programa matinal com maior audiência da televisão nacional. Com direito, inclusive a esclarecimentos médicos sobre o tema.
15.5.13
Irmãos benfiquistas
Estou sinceramente solidária com o vosso desgosto.
Profundamente preocupada com a saúde do pantera negra que acabei de ver em directo muito periclitante - quase me apeteceu segurar o homem.
Vocês têm sido sujeitos a terrorismo emocional e receio inclusive pela saúde da maioria dos portugueses de Portugal e do mundo, considerando a quantidade excessiva, na minha opinião, de benfiquistas.
Esta era a única final que torci para que vencessem. E mereciam ter erguido a taça.
O meu conselho é que comecem a preparar a próxima época porque não duas sem três e a final de 26 de Maio, também já era.
Profundamente preocupada com a saúde do pantera negra que acabei de ver em directo muito periclitante - quase me apeteceu segurar o homem.
Vocês têm sido sujeitos a terrorismo emocional e receio inclusive pela saúde da maioria dos portugueses de Portugal e do mundo, considerando a quantidade excessiva, na minha opinião, de benfiquistas.
Esta era a única final que torci para que vencessem. E mereciam ter erguido a taça.
O meu conselho é que comecem a preparar a próxima época porque não duas sem três e a final de 26 de Maio, também já era.
A torcida do Benfica ou uma cena para os apanhados
Hoje, no dia em que o Benfica joga a final da Liga Europa (minuto 68) - a propósito acabou de empatar - assisti a três episódios relacionados com o jogo, no mínimo insólitos.
Primeiro, no pequeno almoço, falei da partida de mais logo e ela perguntou-me "joga contra quem?".
Ok, vindo de ti, já não me devia surpreender com estas coisas, mas sabes pus-me a reflectir e talvez devesse preocupar-me... É cultura, também, amiga! Vamos perder uns pequenos almoços a estudar a história do futebol (tipo idade do Lampard, altura do Lucho...).
Durante a tarde, na emissão especial da SIC, conduzida pela sportinguista Rita Ferro Rodrigues que fez questão de vestir vermelho, uma das repórteres, entre milhares de pessoas que estavam na zona do Terreiro do Paço, escolheu um idoso:
- então logo temos uma nação a torcer pelo Benfica...
- pelo Benfica????? Olhe menina, o Benfica está para a história desportiva como o Salazar está para a história de Portugal... NUNCA!!!
A miúda que desconheço tentou a sorte (testou a pontaria) junto de uma senhora:
- logo ganha o Benfica...
- eu sou do Sporting! Não quero que o Benfica ganhe...
- mas vai ganhar...
- vai...vai... vai ganhar como ganhou no Sábado ao Porto.
E finalmente, o Figueiras desceu às margens do rio Tejo e aproximou-se de um grupo de adolescentes:
- olá meninas, logo todas vão torcer pelo Benfica independentemente dos vossos clubes. Tu, por exemplo, qual é o clube do teu coração?
- quer mesmo que eu responda?
- claro, hoje todos os portugueses são do mesmo clube...
- o clube do meu coração é mesmo o Chelsea.
Eu tenho uma pergunta. Há alguém a torcer pelo Benfica ou foi só falta de pontaria dos profissionais da SIC?
Primeiro, no pequeno almoço, falei da partida de mais logo e ela perguntou-me "joga contra quem?".
Ok, vindo de ti, já não me devia surpreender com estas coisas, mas sabes pus-me a reflectir e talvez devesse preocupar-me... É cultura, também, amiga! Vamos perder uns pequenos almoços a estudar a história do futebol (tipo idade do Lampard, altura do Lucho...).
Durante a tarde, na emissão especial da SIC, conduzida pela sportinguista Rita Ferro Rodrigues que fez questão de vestir vermelho, uma das repórteres, entre milhares de pessoas que estavam na zona do Terreiro do Paço, escolheu um idoso:
- então logo temos uma nação a torcer pelo Benfica...
- pelo Benfica????? Olhe menina, o Benfica está para a história desportiva como o Salazar está para a história de Portugal... NUNCA!!!
A miúda que desconheço tentou a sorte (testou a pontaria) junto de uma senhora:
- logo ganha o Benfica...
- eu sou do Sporting! Não quero que o Benfica ganhe...
- mas vai ganhar...
- vai...vai... vai ganhar como ganhou no Sábado ao Porto.
E finalmente, o Figueiras desceu às margens do rio Tejo e aproximou-se de um grupo de adolescentes:
- olá meninas, logo todas vão torcer pelo Benfica independentemente dos vossos clubes. Tu, por exemplo, qual é o clube do teu coração?
- quer mesmo que eu responda?
- claro, hoje todos os portugueses são do mesmo clube...
- o clube do meu coração é mesmo o Chelsea.
Eu tenho uma pergunta. Há alguém a torcer pelo Benfica ou foi só falta de pontaria dos profissionais da SIC?
Faz sempre jeito
É verdade que quem mede 1.40 não pode usar rasos e nesta categoria incluem-se sabrinas, bailarinas, havaianas, ténis e afins. Mas, como tenho mais 5 centímetros já não parece mal, especialmente se tiver estas sapatilhas nos pés.
14.5.13
As crianças e as festas
Independentemente do sucesso - ou insucesso - das festas, o final, o recolhimento, a hora de dormir é invariavelmente igual. As minhas filhas pensam que o fandango continua e passam a noite entre episódios de sonambulismo e choro. Estão a ver aquele lamento sem lágrimas que reproduz um "ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh" persistente? Pronto, é esse mesmo. E desta vez não foi diferente.
Mas, nós por cá, gostamos de festas e festinhas. De preparar as roupas, os complementos...
A minha pequena Constança foi a heroína. Atrevo-me a dizer que foi o primeiro dia em 3 anos que percebeu que (também) é feliz sem mim.
A miúda ia ao jardim, ao parque, jogava à bola, comia rissóis, usava a casa de banho e muito raramente olhava o meu poiso. E sorria, tipo "afinal não vais a lado nenhum sem mim".
A coroa de flores que tem na cabeça foi o objecto de culto.
A irmã, retirou-a ainda antes da foto.
A mais nova, orgulhosa do seu adereço, esteve sempre muito cuidadosa. Endireitava-a. Se lhe caísse, pedia a alguma adulto para a colocar... Tirou a coroa só quando vestiu o pijama.
Brincar com a comida
Já não é novidade para mim o método que usam no colégio das minhas filhas para que introduzam alimentos saudáveis como as frutas e os legumes.
Há que apanhá-los e explorá-los. Através do tacto, do olfacto e do gosto.
Foi assim no tempo da Carolina (há seis anos atrás) e, naturalmente que a técnica nunca foi aceite, pelas gerações mais velhas, para quem "brincar com a comida" era quase uma provocação para quem nasceu e cresceu num tempo de escassez.
Cá em casa, já nos conformamos que sempre que a Constança quiser uma laranja, primeiro vai espremê-la até à última gota de sumo.
O problema é quando não estamos em casa e a bandeja da salada se aproxima.
- Mamã, eu quero explorar...
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