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2.11.14
29.10.14
2.9.14
Eu não sou dramática
Até perante a circunstância irreversível da morte. Fui prática. E subi as escadas. Aninhei-me perante a despedida (para sempre). E aguentei. Quase sozinha. Sem químicos. Sem desabafos. Partilhas ou livros de auto-ajuda.
Despi o preto do corpo, fui prática. E vesti-o num choro solitário abafado pela luz apagada.
Tento não pensar nos "ses" da vida. E quando penso, nunca é no que me traria de compensação financeira tê-lo comigo. Penso antes, "e se elas o conhecessem? E se ele lhes pegasse e desse a mão? E se ele as recolhesse na escola e as levasse semanalmente ao cinema como fez comigo? Se ele lhes desenhasse como prémio da sopa comida pela mão?"
Tenho um dedo do pé com uma infecção. Mais hoje do que ontem. Vou tomar outro brufen e esperar. Esperar que passe. Esperar que sare. Sem efeitos colaterais. Sem prejuízos. Sem uma amputação, embora esteja consciente que viveria sem o segundo dedo do meu pé esquerdo. Sou prática.
Mas, espero não desistir do meu dedo. Entendem? Embora me mantenha segura que, por vezes, desistir é opção que (só) assiste aos bravos.
1.9.14
Setembro. O primeiro.
Mudou o calendário. Recomeçou a contagem. Cá em casa, somos menos. Mas os (as) que são, preenchem o espaço. Preenchem-me.
Mudou o ânimo que pretendo mudar o quanto antes. Assim seja.
Este mês que mudou começou menos colorido. Mas faço questão de o pintar, com as minhas cores usando tinta permanente.
Às vezes, as propostas são inúteis. A reflexão desgastou-se, sem sucesso. Às vezes, resta a resignação. E serendipity.
7.8.14
4.8.14
# Saúde
Duas pessoas com as quais me relaciono estão doentes. Ambas hospitalizadas com maleitas cerebrais.
Acabei de saber que uma terceira pessoa, do meu círculo familiar, morreu.
Não me canso de dizer que esta linha é demasiado ténue. Transparente. Esfiapada, às vezes. Convém remendar, se for o caso. Se não for, é mantê-la assim, em salvaguarda e confiar na sorte.
Acabei de saber que uma terceira pessoa, do meu círculo familiar, morreu.
Não me canso de dizer que esta linha é demasiado ténue. Transparente. Esfiapada, às vezes. Convém remendar, se for o caso. Se não for, é mantê-la assim, em salvaguarda e confiar na sorte.
2.8.14
Como é Clonix?! Voltaste?!
Eu tenho um siso que me toca num nervo. Na verdade, em mais que um. Toca-me no nervo da mandíbula e dá-me cabo dos nervos.
A modos que não basta arrancá-lo e voltar para casa com compressas, pontos e antibiótico. É preciso estudar o estupor do siso. Fazer ecos e TAC e depois "operar". Soa-me tão bem...Operar... Eu que suo das mãos quando encosto o rabo na cadeira do dentista; que recorro a ansiolíticos para pôr um bocado de massa... Operar...
Tenho empurrado o problema com a barriga. Finjo-me de morta. Nem a língua lhe passo por cima. E o bicho vinha se portanto bem. Até esta semana. Ai pensavas que te safavas? Não te safas. Continuo aqui e com vontade de te estragar as férias.
Corri à farmácia e muni-me de Naprosin e Clonix. Melhorou. Mas dois dias depois, acometido por uma crise de ciúmes, o siso do outro lado, decidiu provar a sua existência e capacidade de fazer estragos. Então e esse não podes simplesmente arrancar? Perguntam vocês. Não posso, respondo eu. O filho da mãe tem a raiz em forma de U... Uma simples cirurgia resolve...
Aiiiiiii... Vamos tentar contornar os complexos de atenção dos sacanas com o Clonix a ver se ninguém fica com as férias estragadas.
A modos que não basta arrancá-lo e voltar para casa com compressas, pontos e antibiótico. É preciso estudar o estupor do siso. Fazer ecos e TAC e depois "operar". Soa-me tão bem...Operar... Eu que suo das mãos quando encosto o rabo na cadeira do dentista; que recorro a ansiolíticos para pôr um bocado de massa... Operar...
Tenho empurrado o problema com a barriga. Finjo-me de morta. Nem a língua lhe passo por cima. E o bicho vinha se portanto bem. Até esta semana. Ai pensavas que te safavas? Não te safas. Continuo aqui e com vontade de te estragar as férias.
Corri à farmácia e muni-me de Naprosin e Clonix. Melhorou. Mas dois dias depois, acometido por uma crise de ciúmes, o siso do outro lado, decidiu provar a sua existência e capacidade de fazer estragos. Então e esse não podes simplesmente arrancar? Perguntam vocês. Não posso, respondo eu. O filho da mãe tem a raiz em forma de U... Uma simples cirurgia resolve...
Aiiiiiii... Vamos tentar contornar os complexos de atenção dos sacanas com o Clonix a ver se ninguém fica com as férias estragadas.
18.7.14
13.7.14
2.7.14
Horas
Fez-se quase totalmente a manhã. Resta uma hora. 60 minutos que separam da outra metade do dia. Dos dias que se fazem, curtos e pesados. Porque as horas não chegam. E o discernimento falta.
Há entrevistas para fazer e gravações que se farão notícia. Mas o tempo urge.
Há crianças de férias. Sopa para passar.
Há malas para fazer. Porque partimos na madrugada de sexta-feira. Mas o tempo urge.
E o sino entoa a hora. E eu, de perna cruzada, no sofá velho e laranja do registo civil. Senha na não. Sistema avariado - há meses- sem saber se me demoro ou não tarda debando.
Há entrevistas para fazer e gravações que se farão notícia. Mas o tempo urge.
Há crianças de férias. Sopa para passar.
Há malas para fazer. Porque partimos na madrugada de sexta-feira. Mas o tempo urge.
E o sino entoa a hora. E eu, de perna cruzada, no sofá velho e laranja do registo civil. Senha na não. Sistema avariado - há meses- sem saber se me demoro ou não tarda debando.
9.6.14
Sex and the City II
O Sex and the City devia ocorrer com uma frequência mensal. Assim se decidiu. Mas passaram 18 meses desde o último. Uma jornalista, uma professora deputada e duas profissionais de moda e tecnologia, com homens e filhos - exceptuando uma - não têm uma agenda limpinha e quando têm é comum ter escritos como "comprar sérum para baixar o cabelo dos miúdos de manhã"; "Nestum em promoção no Continente"; "cinema grátis no Espaço Guimarães"; "plasticina nos chineses" and so on.
Em cima da mesa, além do sushi, homens; sexo; fidelidade. O costume, portanto. E ninguém teria ouvido o teor dos nossos diálogos se não tivéssemos passado o jantar aos gritos devido a uma festa de aniversário com uns 30 animais, de acordo com as contas da Kate.
O desafio da noite, além de ninguém vomitar, porque mãe que se preze não bebe, era levar a minha pessoa a uma casa nocturna, vulgo discoteca.
A tradição é sair de casa e prometer a todas que vou, então não, claro que sim, olha eu toda fresca pronta para ir para a balada até o raiar do sol. Elas acenam que sim. Mas duvidam,
No Sábado superei-me. Para aí uma década depois botei os Jimmy Choo numa disco e graças às pedrinhas rasguei logo as meias no primeiro degrau. Estou consciente que os meus queridos leitores que me têm como uma grande maluca estarão neste momento a clicar no X no canto superior. Desfaz-se um mito. Tu não sais à noite???? Não fumas ganza??? E não apanhas bebedeiras bi semanais?? Eh pá não. Mas tenho muita habilidade a mudar fraldas e a fazer apanhados no cabelo.
Adiante, muito fumo! Meus Deus, tanto fumo que fez com que eu chorasse. Muitas pessoas. Tantas pessoas e 90% mais nova do que eu. Meninas de cropped top e plataformas. Ventres lisos. E encontrões. E olhares de desejo de putos como que a dizer "gosto de cotas boazudas como tu".
A modos que o meu sábado à noite vai continuar a ter escrito "temporada de Anatomia de Grey".
Agora, minhas queridas Charlotte, Miranda e Samantha até daqui a um mês.
5.6.14
Morreu???
Habituei-me a vê-lo de fato de treino (invariavelmente de fato de treino) com umas sapatilhas calçadas que lhe faziam uns pés enormes. Era, na verdade, um homem grande, de pernas compridas. Tinha ar de quem praticara desporto em novo.
Habituei-me a vê-lo à porta de casa, sentado num banco, a ler o jornal. Sorria-me sempre. Habituei-me a simpatizar com ele.
Em tempos, idos há muito, a minha avó, nascida em 1920, mais nova do que ele, contou-me da história que ele a puxara em cima de uma burra numa procissão qualquer. Habituei-me a brincar com o boato do romance da minha avó e do senhor Salgado.
A minha avó, mais nova, foi-se há quatro anos.
O senhor Salgado, funcionário do Teatro Jordão, amante de filmes indianos e de corridas, apreciador de umas boas pernas, foi meu entrevistado há uns anos, numa altura em que poucos corriam. Despertou-me interesse aquele homem culto e desportista há muito entrado nos noventas. Porque ele corria! Sempre correu. Ainda há uma semana o vi correr.
Morreu hoje.
Habituei-me a vê-lo à porta de casa, sentado num banco, a ler o jornal. Sorria-me sempre. Habituei-me a simpatizar com ele.
Em tempos, idos há muito, a minha avó, nascida em 1920, mais nova do que ele, contou-me da história que ele a puxara em cima de uma burra numa procissão qualquer. Habituei-me a brincar com o boato do romance da minha avó e do senhor Salgado.
A minha avó, mais nova, foi-se há quatro anos.
O senhor Salgado, funcionário do Teatro Jordão, amante de filmes indianos e de corridas, apreciador de umas boas pernas, foi meu entrevistado há uns anos, numa altura em que poucos corriam. Despertou-me interesse aquele homem culto e desportista há muito entrado nos noventas. Porque ele corria! Sempre correu. Ainda há uma semana o vi correr.
Morreu hoje.
26.5.14
O poder de quê????
"Quando estava no meio da bosta à procura da caixa senti que o estava a fazer por amor. Foi a maior prova de amor que lhe podia ter dado. Foi muito difícil, mas o amor que eu sinto deu-me força para não desistir. Fi-lo por amor."
Não filha. Não foi por amor. Por amor, doamos um rim. Mudamos de país. Vivemos com um cão mesmo com alergia. Jantamos mais tarde por causa do futebol.
Tu fizeste-o por dinheiro mesmo.
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