Os funerais são tristes.
Com chuva, granizo, vento e frio tornam-se demasiado pesados mesmo perante uma morte que em breve esquecerei.
Talvez esqueça esta irmã da minha avó que nunca deu filhos e a quem atropelaram mortalmente o companheiro da vida. O tio Cunha de cabeça calva coberta pelo chapéu e boca fanada.
Deles eventualmente esquecerei. Mas, nunca do seu gesto de amor. Não foram progenitores, mas foram pais. Acolheram uma mãe solteira com um bebé de colo. Deram-lhe abrigo como se o seu lugar tivesse sido sempre aquele.
E esta tarde, enquanto o padre falava de família e de sangue, dei por mim a pensar que naquela igreja éramos apenas cinco os familiares de sangue. Mas na fila da frente, lado a lado com a urna fechada, estavam mãe e filho por ela criados.
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