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5.12.15
Primeiro Sábado com sabor a Sábado.
Estamos, eu e a Constança, sós.
Ocupamos um só lugar no mesmo sofá. Ao canto, cobertas pela mesma manta, apesar do calor artificial.
Desde ontem que a miúda não tira da cabeça a coroa dourada.
Eu ainda não tirei o pijama. Nem escolhi o filme que vou ver até adormecer.
Suspiro por uma sesta daquelas amassadas, encolhida no colo pequeno da minha pequena.
A maior fugiu-me. E sinto falta do seu cheiro de adolescente. Por outro lado, estou a apreciar o silêncio estranho destas paredes. Encontro-me nesta paz que consigo tocar apesar da dormência do corpo encolhido no sofá.
3.12.15
8.1.15
Gostam de mim com carne(s).
Anda uma pessoa empenhadíssima em emagrecer a tentar manter-se longe de tudo que são doces e hidratos quando se me apresenta, qual Pai Natal, de vermelho e saco ao ombro, o meu padrinho de casamento carregadinho de chocolates e compotas várias, entre as quais uma com sabor a castanha.
Ele é chocolates de toda a espécie e feitio. Chocolates para mim, para as meninas, para a mãe e para o homem. Doses industriais.
O que faz uma pessoa perante isso?
Passou-me pela cabeça deixá-lo no aeroporto, mas depois pensei que o tipo é capaz de me fazer alguma falta e como ele fala muito alto ainda o confundiam com algum terrorista e isso ia trazer-me algumas consumições.
Podia ter simulado um assalto em plena A3. Ou então inventar uma alergia súbita.
O melhor era mesmo mostrar-lhe os quilos extra.
- Olha lá pá... Estás a brincar comigo?! Ando aqui numa angústia para emagrecer e tu fazes-me uma coisa destas???
Ele é chocolates de toda a espécie e feitio. Chocolates para mim, para as meninas, para a mãe e para o homem. Doses industriais.
O que faz uma pessoa perante isso?
Passou-me pela cabeça deixá-lo no aeroporto, mas depois pensei que o tipo é capaz de me fazer alguma falta e como ele fala muito alto ainda o confundiam com algum terrorista e isso ia trazer-me algumas consumições.
Podia ter simulado um assalto em plena A3. Ou então inventar uma alergia súbita.
O melhor era mesmo mostrar-lhe os quilos extra.
- Olha lá pá... Estás a brincar comigo?! Ando aqui numa angústia para emagrecer e tu fazes-me uma coisa destas???
28.12.14
Slug quê????
O que acabam de ver é recorrente cá em casa. Tão normal como a Constança estar de chupeta a vestir um soutien.
Vivemos num verdadeiro habitat feminino. As minhas filhas são as típicas meninas.
A Carolina, por exemplo, chocou-me quando, um destes dias, me contou que era sempre a última a ser escolhida para o futebol.
Tenho para mim que apesar de mais complexo no vestuário e na biologia, o mundo das meninas, resume-se a bonecas e demais coisas fofinhas. Não há erro. Se tem cabelo comprido ou é careca. Se tem bolsa ou biberão. Se é cor de rosa ou pinta, podes levar que as miúdas vão gostar.
O mundo dos meninos é uma grande confusão. Era tão mais fácil se fosse como antes. Resumia-se ao monopólio, skates, Nintendo e Super Mário, carros e assim na loucura um dominó.
No dia de Natal, andava eu a catar do chão a desordem das nossas crianças quando encontro umas coisinhas esquisitas, com olhos, tipo as dedeiras que se usam para coser e dirijo-me à minha prima (mãe de um dos exemplares masculinos):
- Catarina toma lá os fantoches dos meninos.
- Os quê?????
- Os fantoches - repeti enquanto os colocava, um a um, em cima da mesa.
Ela desfaz-se em gargalhadas.
- Os fantoches???? A sério.... tu não sabes o que isto é?
- Não. Isso tem a forma de dedos. Partindo do pressuposto que não se dedicam à costura, ocorreu-me que fossem fantoches... Feiinhos, mas fantoches. Os rapazes são estranhos.
Eis se não quando sou esclarecida pela seguinte informação:
- Isto são os slug terra!!!!
- Slug quê????
- São balas!!!!!
- Balas.....?
- Sim... são balas e cada uma tem um nome. Este por exemplo é o malvado, este o assustador, este o fedorento....
- Ok. Cala-te. Nem vou perguntar quanto é que isso custou. Ao menos, compravas-lhe um Ken.
27.12.14
Então e o que vestiram as pirosas?
Vestiram este vestidinho em xadrez de Natal que comprei... Onde é que o comprei? Não me lembro... Claro que não... Porque não o comprei. Como assim não o compraste, perguntam vocês?
Há já algum tempo que tinha pensado numa aventura pelo mundo da indumentária infantil. E pensei que o Natal seria uma bela ocasião. Vai daí, decidi que não lhes compraria kit de Natal, eu própria o faria. E assim foi.
Ontem, houve um diálogo que se repetiu ao longo do dia:
Eu: já viste as minhas filhas?
Alguém: já, estão lindas como sempre.
Eu: então e gostas do vestido?
Alguém: muito lindo. De onde é?
Eu: é meu! Criação minha!
Alguém: a sério? Estás a brincar!
15 minutos depois:
Eu: Já viste as minhas filhas?
Alguém: sim e já sei que o vestido é da tua autoria.
Entretanto, dou mais novidades em breve.
26.12.14
Santa was here!
Não é muito fácil fazer a gestão do Pai Natal com uma criança de nove anos e outra de quatro. Se o ano passado, ainda nos esforçamos por manter a ilusão na Carolina, este ano, ela própria embrulhou alguns presentes. E se houve momentos em que tentou tirar a inocência do Pai Natal à Constança, noutros colaborou activamente na missão Natal.
A grande decepção da minha infância foi perceber que o Pai Natal era o meu próprio pai Foi um murro no estômago.
Para a Constança, os presentes andaram ali à volta do Frozen e do... Frozen. Recebeu a Elsa, a Ana, o Cristofe, o Olaf, o próprio do DVD que já tinha, entre outros acessórios do Reino do Gelo. Mas, muito mais. Desde livros, à maléfica da plasticina que adora, roupa, calçado e um panda bebé que chamou de Maria. A bicha está neste momento a dormir, mas não tarda acorda esfomeada e dá a chamar.
A Carolina recebeu o seu primeiro computador. E coisas de adolescentes, como soutiens, bolsas, phones, maquilhagem.
Começaram a abrir presentes pelas 9 horas, terminaram às 23. Primeiro, as prendas cá de casa, depois da avó, a seguir da tia, seguiram-se os padrinhos e por aí fora. Ainda assim, depois de desembrulhar o último presente pequena Constança ainda reclamou, "não vou receber mais presentes? Queria mais!".
O nosso Natal
Registo a ausência da Constança na selfie natalícia porque a menina gosta de dormir cedo. Há, cá em casa, uma militância de sono que quebramos raríssimas vezes. Ela tentou, mas perto das 23 horas sucumbiu.
O Natal é sempre a mesma coisa. Ainda bem. Por mim, espero que não mude.
Casa cheia e desarrumada. Crianças eufóricas e barulhentas. Abusos e desperdícios alimentares. Noites curtas, dias longos, preenchidos por sonos, suecas e bingos.
Venha 2015.
24.12.14
Feliz Natal!
- Nem me lembra o Natal - diz-me, repetidamente, a minha mãe. É a mesma ladainha, ano após ano.
Ensinaram-me o Natal. Entendi-o. Cumpro-o. E transmito-o. Tenho o Natal entranhado. Apesar das ausências que se somam aos anos. Da falta dos subsídios e do dinheiro que se faz menos.
Os Natais da minha infância eram feitos de embrulhos desarrumados onde cabia tudo. Das meias aos brincos de ouro. Embrulhos que acumulavam debaixo da cama ou do vão da escada.
Ao passo que crescia, crescia em mim a ansiedade. O Pai Natal virou loiro de olho azul.
É verdade que o cheiro a Natal, na manhã de 24, não voltou a ser o mesmo sem as receitas da minha avó. Faz o que pode - e sabe - a minha mãe.
A minha avó, cujas prendas ocupavam a primeira escada, recebia sempre o mesmo, em cada Natal. Pijamas, robes, meias, pantufas, camisolas interiores, capas e cachecóis.
Foram perfeitos todos os meus Natais, mesmo o último, 15 dias antes do meu pai me morrer. Cuidarei para que assim continuem.
No Natal, as tangas que se desejam, como amor e saúde, são o que realmente importa, até porque não me perco por bacalhau.
Bom dia pessoas!
A Constança já acordou e deu 1027 voltas na cama.
A Carolina já me perguntou o dobro das vezes que a Constança virou na cama se vou sair.
Os cães já foram à rua, mas entretanto, não seria o William se não fizesse xixi ao pé da máquina de lavar a roupa.
Pior do que haver presentes para embrulhar, há presentes para comprar.
Mas, ruim mesmo, foi fazer, com brio, um semi-frio natalício cheio de neve, colocá-lo na arca com todo o cuidado e a senhora minha mãe, entorná-lo ainda fresco por causa de um frango do aviário. Jaz, nojento, no fundo da arca
Uma espécie de presente...
Chegam de bolsos carregados. Ouvem-se as moedas que se misturam com as mãos resguardadas do frio. É noite de póker.Véspera da véspera de Natal e noite de póker. Os telemóveis estão convenientemente descarregados. A bateria permitiu apenas enviar a mensagem da harmonia, "vou ficar sem bateria....". E já era.
Rolam as fichas.
Na mesma mesa que hoje se faz de graça, ou desgraça, já se sonharam amores. Impossíveis. Como todas as boas histórias. Tão impossível como o cumprimento de Obama a Raul Castro... Espera... Mas, o Obama não cumprimentou o Castro no funeral do Mandela? Bem me parecia que sim... Queres ver que o amor sonhado não era, afinal, impossível?
Não os separava apenas a distância do olhar. Separava-os a marca do cigarro, o tipo de música, a pronúncia, a sensação térmica da cidade e da aldeia, a quantidade de caixas multibanco e supermercados por metro quadrado.
Mas, os olhos, distantes, eram, afinal, atalho.
Na véspera da véspera de Natal continuava sem sorte no jogo. O máximo que ganhara no póker, foram 120 euros num par de horas.
Mas, agora, na mesa das desgraças que é afinal de graças, com o telemóvel ligado à ficha, falam os olhos do passado. O tanto que falam diz-se num beijo. No mais desejado e gracioso de todos. Contou-lhe, ela, que ainda o ouve dizer "beija-me". Num pedido autoritário. Objectivo. Num tom que só usa quando manda o Nani rematar.
Fez-se possível o impossível. Toca-se. E sente-se. Fuma-se. Beija-se.
Foram-se os 50 euros da consoada na mesa do póker. É véspera de Natal.
22.12.14
Seguramente das maiores piroseiras que já publiquei
A Contança costuma dizer que quando for grande vai ser presidente da república ou cantora. Nós que estamos cá, podemos confirmar que não são delírios da sua cabeça. Notamos-lhe aptidão para ambos os projectos que no fundo têm comum a arte.
18.12.14
16.12.14
O meu presépio preferido e a influência da magia de Natal no estilo artístico da minha Constança.
O presépio que a Constança desenhou está exposto no colégio, juntamente com o das outras crianças. Quando a educadora o colocou em exposição chamou-me para mostrar. Não teve dificuldade em identificar o seu. O nome, em cima, dava-lhe razão.
O José é, todo ele, azul. A Maria veste verde garrafa, uma tonalidade que além de ser tendência, me agrada e usa um bob no cabelo.
Esta manhã, após uma reunião, não resisti e mostrei a um colega o presépio da Constança. Chamou-lhe a atenção o Menino Jesus:
- então a tua filha desenha o Menino fora da manjedoura?
- Por acaso...nem tinha reparado... (pausa) mas esse é o espírito de Natal. Não sabes que é uma época mágica? O Menino Jesus da Constança é voluntário num número de magia do Copperfield.
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