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18.3.16
Vai a semana no fim...
E ainda estou incrédula pelo maior sobressalto destes dias ser a minha gripe. É verdade que até tive febre. E que tusso como quem se prepara para expulsar um pulmão pela boca. E que estou afónica.
Já a Constança está pronta para outra (Deus me livre!!!!), mas continua a achar um piadão às minhas incursões nocturnas ao seu quarto. Tem noites que me chama de 8 em 8 minutos, aproximadamente.
Enfim chegou a bonança.
8.3.16
Escrever. Sempre.
Se falar, atrapalho-me. Perco-me entre a velocidade com que quero dizer e aquela que o meu instrumento de fala me permite. É mais lenta a minha verbalização do que o processamento do meu cérebro.
Às vezes, chego a acreditar que sou capaz. Se está tudo devidamente organizado em gavetas, basta-me abrir uma por uma. Não basta. Atrapalho-me. Perco-me em argumentos e disperso no discurso que afinal continua na gaveta empoeirada.
Por isso, escrevo.
Ganhei um grande amor pela escrita.
Conheci-o pela escrita. E foi a escrita, de ambos, que no início nos cativou. Hoje, outros atributos nos cativam, mas o mais curioso é que não deixamos de nos escrever.
Este exercício diário, nem sempre remunerado em numerário, compensa-me os vazios da alma.
É a ele (ao amor) a quem mais escrevo, embora nem tudo lhe chegue.
Por cá, tenho escrito pouco. Absorveram-me os últimos dias que duraram mais do que gostaria.
É uma promessa gasta aquela de voltar como antes. Por isso, não o farei.
Mas, encontram-me sempre aqui.
17.2.16
Quando me pergunta o que já fiz...
Tendo a Constança quase seis anos incomoda-me um bocado que acorde, pelo menos uma vez, durante a noite. E se me proponho a contar o meu dia devo começar pela madrugada.
O "mããããããe" num misto de choro e revolta porque na cabecinha dela não teria de me chamar porque eu já lá devia de estar a vigiar-lhe o sono acontece normalmente pelas 4h da manhã, três horas depois de eu adormecer. É como se uma parte de mim dormisse e a outra se mantivesse desperta a antecipar o salto da cama e as apalpadelas às paredes no escuro do quarto.
Deito-me com ela e adormeço. O que significa que na mesma noite durmo em duas camas diferentes e agora que penso nisso é bem capaz de não ser muito saudável.
Levanto-me às 8. Despacho as miúdas. Tomo o pequeno almoço. Vou treinar. Na passadeira, actualizo-me. Do mundo e da minha caixa de correio.
Saio do ginásio directa para o supermercado. Do supermercado voo para casa. Ainda com o casaco vestido vou dispondo os ingredientes de que preciso para fazer o almoço.
Nos quartos, faço as camas, arrumo as roupas.
Na lavandaria, troco a roupa da máquina de lavar para a de secar, não sem antes tirar a roupa da máquina de secar e separá-la. Na bacia laranja a que só precisa de ser dobrada. Na bacia azul aquela que tem de ser passada.
Na sala, cato do chão a Elsa, a Ana, e a família de suínos que a Constança adora, os irmãos Peppa e George Pig.
A mesa está posta. Almocemos.
Pouco depois das 14h já estou, outra vez, no supermercado. As laranjas estão em promoção e a vitamina C é muito útil nos meses de Inverno.
Ainda tive tempo de vomitar na casa de banho do Pingo Doce antes de recolher as criaturas e regressar a casa.
Posso, enfim, relaxar e dedicar-me ao trabalho remunerado.
Correio aberto, meia dúzia de textos para editar aos quais se juntam a entrevista que fiz ontem.
Até à 1 da manhã, hora em que, normalmente, dou por encerrado o dia, ainda vou providenciar banhos, jantar, o "dia seguinte". Talvez agarre no ferro para passar enquanto me envergonho da Bernardina na Quinta e com sorte (e muita organização) despacho o penúltimo episódio do Narcos.
16.2.16
Hoje decidi ser mulher...
De manhã, à mesa, falamos sobre lágrimas. Mais exactamente, da falta delas.
A minha prima que me conhece desde que nasceu e que me acompanhou nas perdas acusou-me de não chorar. "Toda a gente chorou ao ver o Titanic, menos tu", sustentava ela. Não posso desmentir. O Titanic é o filme da minha vida que já vi vezes sem conta e que já pus as minhas filhas a verem, mas daí a levar-me à lágrima vai um longo caminho.
Nunca chorei com nenhum filme. Ou livro. E não sou essa pessoa a quem se arrepiam todos os pelinhos a ver vídeos de ursos, ou gatinhos no facebook.
Na verdade, acho que nunca vou chorar com a ficção.
Sinto-me constrangida a chorar. Seja à frente da minha própria mãe. Já tranquei muitas portas, já aninhei no chão para que não me vissem sucumbir à comoção de um desgosto.
Pela idade, pelas circunstâncias tenho chorado cada vez mais.
Hoje, por exemplo, decidi ser mulher, hormonalmente em descompensação.
Chorei...
Sequei as lágrimas e voltei a chorar.
Não tinha nenhum motivo válido para o fazer (ainda não conhecer a nova colecção da Zara não conta), mas inventei-o na minha cabeça...Como um bom exemplar feminino.
Fechei-me no quarto. Sentei-me na cama. Olhei-me no espelho e vi-me borrada da maquilhagem. Nariz e olhos vermelhos. E isso fazia-me chorar ainda mais.
Limpei o nariz. Lavei a cara. Calcei-me. Fiz-lhes arroz com douradinhos. E voltei a ser eu. Sem lágrimas...até ver.
5.12.15
Primeiro Sábado com sabor a Sábado.
Estamos, eu e a Constança, sós.
Ocupamos um só lugar no mesmo sofá. Ao canto, cobertas pela mesma manta, apesar do calor artificial.
Desde ontem que a miúda não tira da cabeça a coroa dourada.
Eu ainda não tirei o pijama. Nem escolhi o filme que vou ver até adormecer.
Suspiro por uma sesta daquelas amassadas, encolhida no colo pequeno da minha pequena.
A maior fugiu-me. E sinto falta do seu cheiro de adolescente. Por outro lado, estou a apreciar o silêncio estranho destas paredes. Encontro-me nesta paz que consigo tocar apesar da dormência do corpo encolhido no sofá.
5.5.15
A minha terça feira.
Passei a manhã no local errado. Conscientemente. E será a consciência o elemento mais válido que nos orienta a acção.
Acordei com a sensação que dormi bem, embora não tenha sido uma noite assim tão perfeita. Adormeci com o Zé Alfredo a acordar fechado na urna. E ontem, durante o dia, constou-se que o elevador avariou. Deus me livre e guarde de apertos claustrofóbicos que vão de elevadores a umas calças cujo fecho avariou. Matam-me se me tiram a liberdade. E sim, isto é tão extenso quanto parece.
O dia de ontem correu bem. Seria perfeito se tivesse resistido à última fatia de bolo de chocolate que sobrou de Domingo.
Durante a tarde, até entrei numa peça de teatro. Fiz de louva a deus na escola da Carolina. Não era a personagem principal, mas era a vilã. Papel que me assenta muito melhor.
Acordei cedo. Perdi um pouco de tempo com os olhos porque voltei a arrancar as pestanas. Estiquei o cabelo.
A Constança acordou com um grito (tudo normal, portanto) e a queixar-se do nariz tapado. Não embirrou com as meias.
A Carolina foi para a escola a saber distinguir os tipos de pesca e as espécies florestais. A esta hora, já fez a ficha de estudo do meio. Estudo do meio é a matemática da minha filha. Resolve problemas mais rápido do que eu, mas se lhe perguntas o ciclo da água, dá-lhe uma vontade repentina de urinar.
Não nos atrasamos.
Até agora, o pior mesmo, foi terem ligado da agência de viagens a informar que as férias, cuja reserva estava feita, foram inviabilizadas. Nada que em conselho familiar não se resolva.
E que ganhe o Real.
30.3.15
Estou em dívida com o meu corpo.
Não recuperei o atraso do sono de Sábado. Deitei-me tarde. E acordei cedo.
Sou o tipo de pessoa que preza as suas horas de sono. Comigo não resulta dormir cinco ou seis horas. Preciso de oito. O meu corpo habituou-se a ser bem tratado.
Hoje, tenho de escrever. Tenho de entrevistar. E é bom que ainda arranje tempo para ir ao ginásio. O fim de semana é sempre de alguns excessos. E já estou naquela fase que se não fizer exercício há qualquer coisa que me pesa.
Entretanto, o (suposto) calor anda a enrolar. Ai que na sexta vêm 30 graus! Não, é só no Domingo! Vai que ontem, vesti calção à mais nova e vi-a ficar roxa mal pôs as duas pernas na rua.
Hoje, continuamos com frio. E enquanto, cá por casa, se ligar o ar condicionado, continuamos no Inverno.
14.3.15
Raisparta o tempo (e os hábitos).
Estou em falta. E grata por terem sentido a minha ausência. Parece longo o dia, mas não é. O tempo não rende. E embora isso se reflicta em falta (com o blogue, por exemplo), também significa que é tempo de qualidade. Como quando se apaixonam e as horas correm a galope na companhia do special one.
Tento gerir (o tempo) da melhor forma possível. Não garanto que esteja a conseguir. Mas, não lhes faltar, a elas, é bom sinal.
O ginásio roubou 120 minutos ao dia que já não basta. Parece pouco. É muito, na realidade. E quem tem pago a conta da ausência é aqui o estaminé do meu coração.
Podia escrever à noite, mas gosto de me deitar com elas, puxá-las, com as pernas, para mim. E cobrirmo-nos até às orelhas. Tenho uma rotina de sono (7 horas) que não quero perder. Escrever à noite só por excepção e não por rotina.
Durante o dia, podia usar o telemóvel, mas gosto de me sentar predisposta para fazê-lo e não fazê-lo só porque tem de ser.
Estou cá.
5.3.15
Frágil... sinto-me frágil.
Apesar da reprimenda, deixei a secretária e voltei ao sofá. Nas pernas estendi a manta de lã, feita há 60 anos pela minha avó. Em cima, pousei o computador.
Do lado direito, o chá e os phones. Do esquerdo, o telefone, o telemóvel, o caderno e folhas soltas.
Tenho muito para escrever.
O regresso à actividade física arrumou com a minha integridade. Não consigo prender o cabelo ou coçar o ombro.
A dor nas pernas, aos poucos, começa a melhorar.
Dói-me a cabeça. Temo faltar-me proteína para o ritmo que tenho mantido. Esta manhã, já tive uma ligeira quebra de tensão.
Estava capaz de deitar-me e dormir até à noite.
3.3.15
Quando me sinto uma super mulher...
Ontem, após a estreia no ginásio, fui almoçar com uma amiga. Tinha aproximadamente 45 minutos. Dali segui para uma conferência de imprensa de onde saí para recolher as criaturas nos seus respectivos estabelecimentos.
- Vens do ginásio?
- Sim...
- Assim tão direitinha? Como é que é possível? Nem o cabelo despenteaste?
Aqui tens um imediatamente após o ginásio e um a seguir ao ginásio, com um pequeno trato. Concordamos nas diferenças, certo?
60 minutos em 24 horas não é nada. Quem é que não arranja uma hora para se enfiar num ginásio a arfar e terminar o dia como se tivesse sido atropelado por um camião do Intermarché? Eu, por exemplo, não consigo descer escadas. Hoje, enquanto conduzia, até evitava virar o volante. Eu sei, não sou exemplo, sou mais sedentária do que o Fernando Mendes a apresentar o Preço Certo.
De manhã, mal tinha terminado o pequeno almoço e já me ligava o meu director. Uma entrevista que há uma semana não se tinha concretizado ia acontecer, Corri para lá. Não aconteceu (o que eu gostava de escrever aqui o que um amigo me disse quando lhe contei do sucedido. A pessoa em causa conseguiu faltar a duas entrevistas que ela própria agendou. Foi, aliás, a pessoa em causa que nos contactou a dar conta do seu projecto...Essa pessoa, por exemplo, das duas vezes que me deixou pendurada, fez-me perder uma hora do meu dia).
Aproveitei o furo e fui para o ginásio de onde vim a sentir-me uma tetraplégica. Sem braços, nem pernas. Voltei rapidamente a casa. Falei com o meu director por telefone enquanto o descompensado do meu cão me atacava. No microondas, a sopa aquecia. O meu cão furou-me as calças com as unhas. Quase lhe parti a colher do pau naquele lombo de leitão...cócegas, como diz o homem. Engoli a sopa e uma banana. Dei um trato no cabelo.Saí. Já estava atrasada para uma entrevista. Na mão, além do caderno preto, um livro que preciso ler para outra peça. Deito-te os olhos enquanto espero - pensei. Não esperei. A minha fotógrafa chegou e trocamos umas ideias. Subimos para a entrevista. Saímos duas horas depois.
Modo mãe accionado. Colégio, escola. Compras no Lidl.
Antes de regressarmos a casa passamos na costureira.
Chegamos, enfim.
Enquanto, elas destroem a sala, eu enfio-me na cozinha onde não sei ser rápida nem arrumada.
Banhos. Jantares. Cama.
Sou só eu que tenho a sensação que o tempo me engole?
2.3.15
25.2.15
E arranjar que fazer aos polícias municipais?????
Precisava de levantar dinheiro. Parei numa caixa. Saí do carro. Esperei pela minha vez e percebi que aquela caixa não tinha dinheiro. Foda-se. Estava atrasada.
Regressei ao carro e desloquei-me à caixa mais próxima. Mas é Natal? Mais um ATM sem dinheiro!!!
Segui viagem rumo ao destino. Passaria ainda por outra caixa.
Não tinha onde estacionar então deixei o carro em segunda fila em frente ao multibanco onde eu estava a meia dúzia de passos. Um senhor despachava transferências e pagamentos. Eu esperava. Vejo aproximar-se um polícia municipal.
- É seu o carro?
- Sim, é só um segundo.
E o homem ficou ali. Só não digo a olhar-me as pernas porque estava de calças e casaco comprido. Ficou ali, a fitar-me como quem enverga autoridade.
O homem, à minha frente, continuava a tirar cartão e meter cartão. Eu respirava. Fundo. E o gajo ali, à minha espera.
Quando, finalmente, fiz o levantamento, dirigi-me ao carro e pedi desculpa.
- Está a pedir desculpa porquê?
- Porque tenho o carro em segunda fila, embora nestes 5 minutos, não tenha transtornado a vida de ninguém.
- Ainda acha que está certa?
- Não. Estou errada porque estacionei em segunda fila. Por isso lhe pedi desculpa pelo tempo que o fiz perder enquanto esteve aí a vigiar-me o carro.
- Nem vou multá-la... Não vale a pena. Porque a multa não lhe vai mudar a mentalidade.
Oi??????? Desculpa lá. Quem ouvisse o remate filosófico do senhor agente pensaria que atropelei um velhinho na passadeira acabadinho de comungar na missa do meio dia. E quem vez de lhe prestar assistência tirei uma selfie para o facebook.
Regressei ao carro e desloquei-me à caixa mais próxima. Mas é Natal? Mais um ATM sem dinheiro!!!
Segui viagem rumo ao destino. Passaria ainda por outra caixa.
Não tinha onde estacionar então deixei o carro em segunda fila em frente ao multibanco onde eu estava a meia dúzia de passos. Um senhor despachava transferências e pagamentos. Eu esperava. Vejo aproximar-se um polícia municipal.
- É seu o carro?
- Sim, é só um segundo.
E o homem ficou ali. Só não digo a olhar-me as pernas porque estava de calças e casaco comprido. Ficou ali, a fitar-me como quem enverga autoridade.
O homem, à minha frente, continuava a tirar cartão e meter cartão. Eu respirava. Fundo. E o gajo ali, à minha espera.
Quando, finalmente, fiz o levantamento, dirigi-me ao carro e pedi desculpa.
- Está a pedir desculpa porquê?
- Porque tenho o carro em segunda fila, embora nestes 5 minutos, não tenha transtornado a vida de ninguém.
- Ainda acha que está certa?
- Não. Estou errada porque estacionei em segunda fila. Por isso lhe pedi desculpa pelo tempo que o fiz perder enquanto esteve aí a vigiar-me o carro.
- Nem vou multá-la... Não vale a pena. Porque a multa não lhe vai mudar a mentalidade.
Oi??????? Desculpa lá. Quem ouvisse o remate filosófico do senhor agente pensaria que atropelei um velhinho na passadeira acabadinho de comungar na missa do meio dia. E quem vez de lhe prestar assistência tirei uma selfie para o facebook.
23.2.15
Mas que grande frustrada que sou.
Começou na sexta. Depois de um bom jantar o programa metia filme a dois enroscados no sofá.
Ora, como não confio nas escolhas do homem (acabaria seguramente a ver qualquer coisa com o Steven Seagal) fiz-me à vida e fui pesquisar as últimas estreias que ainda não tinha visto. Como sou uma maria vai com as outras e tendo a valorizar algumas criticas que vou lendo escolhi o Begin Again com a Keira Knightley e o Mark Ruffalo. Pareceu-me o mais indicado para aquela hora. Queria algo divertido, leve (o jantar já me pesava o suficiente) e romântico.
Conclusão: aos 30 minutos já me babava.
Ontem, passei o dia a sonhar com os Óscares. Tinha tudo planeado. De tarde, despachava uma entrevista, no final ainda veria o Birdman, jantares e banho, crianças na cama, a final do Desafio Final e canal E para colar nos 90 metros de passadeira vermelha. Perfeito. Não fosse o meu espírito de velhinha habituada a correr as persianas com as galinhas. Mal a Teresa Guilherme trocou de vestido eu aterrei.
Só soube quem ganhou as principais categorias no noticiário das 9.30 e só pus os olhinhos nos vestidos há 5 minutos atrás.
16.1.15
A minha vida de grilo.
Tenho sido disciplinada. Agarrei-me com unhas e (literalmente) dentes às saladas. Nesta missão tenho percebido algumas coisas. Primeiro, que fica caro virar grilo. Segundo, que comida com pouca consistência deixa-nos a barriga a roncar na hora seguinte. O que me falta em energia, sobra em vontade de domir. Mas, vai do hábito.
Parei de beber coca-cola zero. Estou a apostar tudo na água e no chá.
A má notícia é: ainda não vi resultados na balança. Lá chegarei.
Tenho a obrigação de perder 2 quilos que ganhei nem sei bem como. Se perder quatro faço o pino.
Às minhas pessoas, párem , por favor, de insistir que não preciso de emagrecer. Preciso. Acreditem em mim. Não me ofereçam compotas, enchidos franceses ou tíbias de chocolate. Entretanto, estarei recolhida, são dispensáveis convites para tainas de qualquer espécie.
A gestão agradece.
2.1.15
Não gosto de Janeiro.
É um mês que pesa. Disfarça-se de recomeço, mas não é. Janeiro é continuidade. Muda um número e ainda assim, quantas vezes insistimos no 4 a escrever a data ou a assinar um cheque?
Não ajudará a carga que o Janeiro me lembra nem iniciá-lo com uma valente dor de dentes. Pesa-me o mês e o corpo. Sinto-me gorda. E acho que arrependida de ter cortado o cabelo, ou a franja, ou ambos.
Há coisas - tantas - que tenho de mudar e outras de fazer acontecer. Todas elas são boas, mas hoje, neste dia 2 de Janeiro, não me sinto capaz. Arquivo projectos como se me bastasse olhá-los tão organizados e alinhavados, mas não ouso tocar-lhes. Outros há que não posso, não dependem de mim e para esses a resolução seria puxar a toalha. Mas, não me sinto capaz.
Acordar com a sonsa da Elisabete, de vestido vermelho, sentada ao lado do palerma do Quintino Aires não é bom. Soube a um café enjoativo de tanto açúcar.
Deixa-me ir ali tomar um spidifen.
29.12.14
Elas estão por cá e eu com tanto para fazer.
Permito-me a loucura de acordar sem o despertador, ainda que o despertar, à responsabilidade da Constança, não seja assim tão diferente, talvez uns 30 ou 40 minutos mais do que o habitual.
Dou a ordem do aprumo antes que dispersem e desarrumem.
Saímos de casa sem a pressão da campainha e do portão que se fecha.
A rotina de que se faz o dia. Em casa, entre textos e arrumações. Lá fora, com dois aniversários da socialite que é pequena Constança e o regresso ao ténis.
Com elas não há vazio, silêncio ou vagar. Mas havemos de sobreviver.
20.12.14
Sábado à noite em vésperas de consoada.
Estarão lotados todos os restaurantes. Mesas enfileiradas de pessoas feitas renas, de cornos e narizes vermelhos. Tudo é pretexto para sentar à mesa no Natal. As reuniões já vão muito além das relações profissionais e pessoais. Ele é o grupo da zumba, do clube de xadrez, da vizinhança do pequeno almoço, das mães das Constanças e das donas de buldogues.
Se não estivesse tão cabeçuda por causa da minha menstruação, também eu estaria, sentada numa mesa de dois, de duas, em precisão. Mas não estou. Estou de pijama e galochas nos pés. Já levei os cães à rua. Tenho as criaturas do meu lado esquerdo, coladas ao ipad a ver a Frozen. Há pouco, a Carolina vestiu a Constança de presente, mas como de costume não acabou bem. A maior explora a menor. Não lhe basta uma fita no pescoço. Se é para ser presente que o seja da cabeça aos pés.
Vou para a cama ver a Casa dos Segredos.
11.12.14
Deus me ajude que estou mais gorda 2 quilos.
Quando me sentei em frente ao computador parecia um lugar estranho. Senti uma espécie de reencontro depois de uma ausência que não sendo forçada foi necessária.
Não me lembro de estar tantos dias sem abrir a porta aqui do estaminé. E o raio do estaminé faz-me falta. Além disso, sinto-me em dívida para com as pessoas que continuam a vir cá, mesmo passando tanto tempo sem escrever. Também foram só dois dias. Não vamos dramatizar.
O tempo e a lide doméstica e profissional tem sido do catano. E eu pequena para dar conta de tudo.
Agora, por exemplo, vai a tarde para lá de meio e eu com tanto para fazer. E nada feito.
Em dois dias, nada mudou.
A Constança continua sem entender o propósito dos calendários de Natal. Pela quantidade de chocolates que já comeu estaríamos já em 2020.
O William come parede. E maçãs vermelhas.
E eu.... ai Deus me ajude, eu estou mais gorda 2 quilos.
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