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11.4.18

Os bebés dos outros.



Eu ia começar por dizer que os bebés do Instagram são todos bonitos, mas não são. Há mãezinhas que lhes colocam uns filtros, luzinhas a piscar em cima dos olhos, orelhinhas de urso ou de cãozinho e a coisa até disfarça. E se à edição acrescentarmos os maravilhosos feitos da criatura ficamos para um canto a chorar. Não raras vezes estas publicações têm as seguintes legendas: "esta formiguinha dormiu das 21.30h às 9.30". Ou, "com seis meses já fez tem-tem". Melhor ainda, "a minha filha já come sopa, mas o seu cocó continua a cheirar a rosas". E depois há aqueles bebés que deverão ser filhos de São Judas Tadeu a quem se lhes passa para a mão uma tampa de manteiga e se entretêm 12 horas seguidas.
Eu que sempre me considerei bafejada pela sorte já fui ali esbofetear-me porque alguma coisa devo ter feito para não merecer tal sorte.
Ora, a minha criatura chega a ter 58 brinquedos na sua mesa de trabalho. Em menos de 58 segundos - o que perfaz a espectacular média de menos de um segundo por brinquedo - espeta com eles no chão. A seguir pede colo. Aposto que os vossos não sabem pedir colo. É o que faz distraírem-se com tampas de manteiga, não estimulam a comunicação com os progenitores e demais elementos do agregado.
Em relação às noites, sabem aquela sensação de adormecer e acordar olhar-se para o relógio e "caramba já é de manhã?! Dormi tão bem e acordei fresca como uma alface". Nunca me aconteceu nos últimos seis meses e duas semanas. E ok, eu reconheço, também dificilmente diria caramba. A cria tem aquela adição pela mama de sua mãe. A semana passada, houve uma noite, em que decidiu abastecer-se a cada hora. Foi espectacular. Contei cada uma das badaladas e nos entretantos engendrava planos para acabar com a guerra, pensava o que faria para o jantar do dia seguinte, ou o que poderia usar a Isabela da Casa dos Segredos para acabar com tanta borbulha.
Não fora suficiente, como ingere tanto líquido, é comum rebentar com a fralda. São litros e litros de xixi que vazam a fralda, o pijama e lençóis e não raras vezes roupa nocturna sexy de sua mãe.
Por isso, vocês que têm crianças maravilhosas que dormem toda a noite, brincam 12 horas seguidas e não vazam fraldas, são capazes de ter parido um unicórnio.


22.3.18

6 meses de Mary Jane




A criatura chegou à bonita idade de meio ano. Serão cerca de 180 dias e dito assim só me apetece chorar porque acabei de perceber que não durmo uma noite inteira quase há 200 dias!!!! Por outro lado, baixou em mim um orgulho justificado porque apesar de tudo vou mantendo um ar saudável e aprumadinho. Tipo cabelinho mais ou menos limpo, unhas quase sempre arranjadas, higiene dentária em ordem, depilação feita, sexo em dia... ou então, a privação de sono tirou-me a consciência e sou apenas a imagem pálida do que fui outrora...Meu Deuuuuus! Será????
Não vamos dispersar que isso é matéria para outro post. Dizia eu que a criatura chegou à bonita idade de meio ano e há muita mãe a dizer que os bebés deviam nascer assim, com seis mesinhos completos ou então formados e com carreiras de sucesso para nos permitirem qualidade de vida na velhice.
Vocês que acabaram de parir e estão à espera dos sábios conselhos de uma mãe veterana deixem-se ficar.
Ora, uma das vantagens de um bebé de seis meses é que faz menos cocó. Uma das desvantagens de um bebé de seis meses é que o seu cocó passa a cheirar tão mal como o do seu progenitor e ganha consistência.
Outra das vantagens de um bebé de esta idade é que - salvo raras excepções - ainda mama e isso ajuda no processo de emagrecimento, da mãe, obviamente, nas finanças da família e no sistema imunitário da criatura. Por outro lado, uma das desvantagens é que um bebé de seis meses ainda mama. Isso mesmo, leram bem. Se a criatura mama, a criatura continua a fazer de ti refém. Às vezes até tenho pesadelos. Baixa o Chukie na Maria João e estamos ambas barricadas no quarto. Eu de mama de fora, presa à cama e ela a sugar-me, de faca na mão. Vou escusar-me a comentar o sexy que é o leite a pingar do mamilo a meio do coiso, né?
É claro que um bebé de seis meses pesa mais o que pode não ser totalmente mau e ajudar a reafirmar esse braço que nos nove meses de gestação assumiu a forma de mangas de morcego. Com seis meses, alguns exemplares também começam a dar-se conta da sua individualidade e podem chorar de forma mais audível porque lhes apetece colo, porque querem começar já a apossar-se do teu telemóvel ou estás a jantar e apetece-lhes simplesmente meter nojo. É muito comum isto acontecer quando estás no banho depois de encheres a banheira e despejares uns sais, a playlist dos DAMA seleccionada...
Não raras vezes é aos seis meses que as orelhas parecem ganhar vida e olhas para eles desconfiada que tenham alguns genes elefantídeos.
É vulgar o bebé sentar aos seis meses. É vulgar começar a espalhar-se aos seis meses. Não facilites. É apenas teu filho, logo não tem super poderes nem características espectaculares.
É nesta altura que começas a confeccionar duas sopas, a cozer fruta e eles a sujar mais roupa. E a cuspir. Acontece com muita frequência. Tu metes. Eles borrifam-te. Recomendo cuidado com o telemóvel e com aquele topezinho catita que até disfarça as proporções gigantescas das mamas.
Para quem está a pensar ter filhos deixem-me apenas informar que uma empresa japonesa lançou uma aplicação para smartphone que se chama My Tamagotchi Forever. Pode adormecê-lo, alimentá-lo, brincar com ele, cuidar da sua higiene também. E a criatura vai crescendo. E, desta vez, é imortal!!!! Palminhas!!!!Nunca se sabe quando numa tarde de compras desenfreadas nos esquecemos de lhe dar água ou de o levar a ver a luz do dia.


2.11.17

O parto parte I


Com 39 semanas de gestação, tendo encontro marcado para o dia seguinte (22 de Setembro) com o meu ginecologista, acreditei que ainda tinha tempo para ver todas as temporadas da Única Mulher e, quiçá, fazer o Iron Man.
Na minha modesta opinião a criatura ainda estava ao nível das amígdalas e atormentava-me a possibilidade de só desovar às 41 semanas (6 de Outubro era a segunda data prevista para o parto).
Só parei de trabalhar quando entrei nas 39 semanas, mas em boa verdade, vim para casa e só acelerei o ritmo. Tinha mil e uma coisas que ainda queria fazer antes de a criatura nascer.
Na quinta-feira, dia 21, mantinha a ladainha do "estou que nem posso". A minha imagem seria de tal modo, vá, grande, que nessa manhã, ao pequeno almoço, não esqueço os olhos de compaixão de uma amiga.
Passei a tarde em modo fêmea que se prepara para parir (mas não percebi). Em boa hora, coagi a minha filha mais velha para me fazer uma pedicure caseira (na verdade foi só um pretexto para me massajar os pés) e estendi-me no sofá.
Recolhi a Constança na escola e voltei directa para a casa de banho.
Franzi as sobrancelhas quando me limpei, mas estava em negação. Baixou em mim um(a) elefanta e, às tantas, julguei que pudesse manter a gestação até aos 22 meses.
Já com o homem em casa, quando voltei a abancar no sofá, só demoraram 10 segundos para perceber o que me estava a acontecer, "rebentou-me a bolsa!!!!!!".
O homem pediu calma perante o meu ataque de nervos. Como assim rebentou-me a bolsa????? Já????? Só tenho 39 semanas!!!! E estas coisas só acontecem nos filmes. A mim não me rebenta a bolsa, rebentam-na no hospital com uma espécie de cotonete xxl.
Subi ao quarto para me banhar e a descarga ia ganhando proporções de cheia. Mas, eu continuava desconfiada. As miúdas também. A Constança, por exemplo, deve ter achado que a mãe ficaria grávida para sempre e que a irmã nunca seria mais do que uma barriga. Às tantas, as miúdas cá de casa desataram numa choradeira. A mãe saía de casa sem previsão de regresso.
O homem ainda comeu arroz de feijão com sardinhas e insistiu que o acompanhasse. Recusei. Só me ocorria a hipótese de uma entubação e ter nas entranhas uma refeição assim tão ligeira.
Ao sair do carro, já no estacionamento do hospital, descarreguei líquido capaz de encher uma banheira de hidromassagem. Entrei no serviço de cadeira de rodas, mas rapidamente a enfermeira pediu que me fizesse à vida e desse às perninhas. A segunda coisa que fez foi dar-me uma fralda.
Após o CTG, fui vista pelo médico (açoriano, gostava de motas e dizia umas coisinhas em russo...imaginem a cavaqueira, só faltou pedir duas vodkas). Primeiro toque. E a confirmação que, apesar da ruptura, o útero continuava muito fechadinho. Por outro lado, a dores iam-se instalando. Primeiro, ao jeito isto não custa nada. Depois, olha afinal mói um bocado. Até que filhas da p***, esta merda não se aguenta, f***-**!!!! 

Continua...