7.1.11

De génio e de louco todos temos um pouco...


Ultimamente dou comigo a pensar de mais. Eu que sempre fui responsável, mas inconsequente (se é que isso é possível). Um destes dias vi uma gaivota a esvoaçar o céu de Guimarães e pensei, "será um anjo que me quer enviar alguma mensagem?!". Raramente faço humor negro e quando não consigo evitar arrependo-me logo. Valorizo as coincidências. Deixam-me a pensar...
Pareço normalzinha, mas não sou. Não me desloco em certas vias potencialmente perigosas porque não quero fazer parte das estatísticas sobre os acidentes de viação. Vou na rua e não raras vezes olho para trás para ver se sou seguida. Não durmo em almofadas que não me foram apresentadas (sim, viajo sempre com a minha). Não durmo em camas desarrumadas. Arrumo a minha roupa (e das minhas filhas) por cores e géneros. Adoro sopa. Como ovos crus. Não saio à noite. Sou aclubística (com uma afeição pelo nosso Vitória e uma inclinação pelos lagartos). Sou tão branca que se sair à rua sem maquilhagem perguntam-me logo se me estou a sentir bem. Não sou boa dona de casa. Nem óptima cozinheira (mas cozinho). Não uso elevadores se estiver sozinha. Falta-me o ar quando viajo de avião. Sou uma chata da pior espécie, daquelas em extinção. O meu homem é um santo por me aturar. Sou ciumenta; possessiva; consumista; não gosto de futebol; não jogo cartas; não tenho mau acordar, mas tenho péssimo adormecer; não sei falar baixo and so on...
Se a minha filha tiver febre meço-lhe a temperatura de 5 em 5 minutos, nos três lugares possíveis (axila, rabo e boca…para quem tivesse dúvidas). Quando vou às compras faço sempre prospecção de mercado que é como quem diz, inteiro-me dos artigos de toda as lojas e depois faço a minha selecção para aquisição. Tenho a mania das doenças. E da perseguição. Vejam bem que este verão, de férias, comprei uma água a um vendedor ambulante da praia. Uns minutos depois vejo médicos a correrem praia fora para assistir um idoso. Dirijo o meu olhar para o que se chama  “calçadão" e vejo polícias. A fazerem o quê?? A prenderem o homenzinho que me tinha vendido a água. O que é que esta cabeça pensou? Que a água do vendedor estava contaminada, pior, envenenada (!!!), por isso o idoso foi para o hospital e por isso ele foi preso. De maneiras que escusado será dizer que me comecei imediatamente a sentir mal. Fugi para o hotel. Não almocei. E não descansei enquanto não esvaziei o meu estômago.
Mas, afinal sobrevivi.

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