13.10.11

Mensagens

Não tenho escrito. Nem aqui, nem em lado nenhum. E lamento. Faz-me falta. Começo a sentir a ressaca da dependência das palavras escritas...
Bom, mas adiante, nestes dias de abstinência que são tão poucos mas já parecem tantos, aconteceu tanta coisa... De repente ia dizer, tanta coisa ma... Mas, recuso uma classificação tão... Dramática?!
Há sempre o outro lado. O mal existe para valorizar o bem. E como a tal história dos chineses que há uns anos nos tolhiam de medo e agora abriram lojas a restaurantes em frente a nossa rua.
Aconteceu muita coisa. E outra tanta estará, ainda, por acontecer.
A Becas foi atropelada. Completa amanha uma semana de internamento. Safou-se. Mas deram-lhe uma sentença de morte. Todos os dias eu e as meninas vamos a clinica visita-la. Amanha vai ser operada a bacia.
Esta tarde, depois de uma reunião num banco de jardim, encontrei uma conhecida- não e próxima- temos crianças da mesma idade e soube há pouco tempo que esta a meio de uma batalha contra o cancro da mama. Nunca usou lenços. Optou por uma peruca e no inicio escondeu a doença. Para se proteger, para evitar olhares de pena, sentenciadores. Estava a amamentar quando sentiu o caroço. A Medica achou que era do leite. Desça irisou. Enquanto isso, o caroço crescia. Tomava- lhe conta do peito e da axila. E sem que ela soubesse já se tinha dissimilado para os ossos. Não pode operar imediatamente. Fez um ciclo intenso e desgastante de quimioterapia. No dia 25 deste mês vai tirar as duas mamas. Tem dois filhos, como eu. E muito medo de não os voltar a ver.
Desejei-lhe felicidades quando a deixei, mas já no carro lembrei-me de uma frase perfeita da Alice Vieira, " nao coloques um ponto final onde deus so pos uma virgula".
Um dia vou encontra-la e dizer-lhe.

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