23.11.11

Em banho maria


Eis-me. No lugar do costume, coberta pelo mesmo cobertor que comprei há mais de 10 anos com o primeiro dinheiro que ganhei a lavar loiça num restaurante. Está novo, mas cheira a cão. E com o sol que entra pelas janelas não me faz falta nenhum. A verdade é que me faz calor.
É assim a vida de desempregada. Somos tantos e todos (ou quase) solitários. Está cada um a curtir o seu pc numa busca incessante por um rumo, um novo rumo, na carreira. Os que têm muitas habilitações lamentam não ter menos. E vice versa. Que feliz que que eu era se não tivesse ido para a universidade - ouvi estes dias. Se calhar já estava casada, com filhos e tinha emprego, dizia-me a M. Ah, ah...
Eu estou aqui a arrancar cabelos da minha farta cabeleira sem fazer grandes progressos com a educação da cadela. Continuo a apanhar cocó com as toalhitas. Ontem, a Constança fez xixi no pote e eu pensei que a bebé é capaz de aprender mais depressa que o cão.
O meu ex patrão, que até ontem se fingiu de morto, deu, através do seu advogado, um suspiro desesperado de vida. Entendeu, afinal, que há lei em Portugal e que normalmente o Tribunal do Trabalho é célere. É isso e os inspectores da ACT.
Mas, para já, estamos assim, em banho maria.

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