Sou mãe galinha. Detesto quando repreendem as minhas filhas, mesmo que tenham toda a razão do mundo. Para isso, estou cá eu. Estou cá (só) eu para falar de dedo em riste e ameaçar com palmadas.
Sou obcecada por doenças, mesmo quando não o são - graças a Deus nunca foram. Uma temperatura de 37 graus basta para me provocar insónias e tirar o apetite.
Nisso, sou obcecada. O passado deixou-me calos nas mãos. Não gosto de dores de cabeça. De quartos com luzes apagadas. E medicamentos na mesa de cabeceira.
Mas, não me importo que as minhas filhas rastejem no chão do café, andem descalças em casa, partilhem o iogurte com a cadela. Estou-me nas tintas se arrastam casas de bonecas e carrinhos de bebé para a sala. Ou riscam as paredes.
Podem comer guloseimas uma vez por semana e molhar as batatas fritas no ketchup.
A Carolina pode começar a ver a primeira novela da noite. E o pai ensina-a a jogar póker e dominó.
A Constança dá beijinhos à cadela. De vez em quando partilham comida. Bebe leite de vaca com um pouco de açúcar.
A Carolina usou chupeta quase até aos quatro anos e biberón até ir para o primeiro ano. Mas deixou a fralda, definitivamente com dois anos. Nunca fez xixi na cama.
A Constança já usou o pote. E isola-se para fazer cocó. Abaixa-se e até desce as calças. Imita os animais todos. Sabe todas as músicas. E os nomes dos familiares. Próximos e com quem se relaciona. Já escolhe os sapatos que quer calçar e fiquei este ano a saber que odeia o carnaval.
Diz a educadora que é a melhor no “faz de conta”. O seu desenho animado favorito é o Shrek.
Ambas têm obsessão por mim. E a palavra que mais dizem ao longo do dia é “mãe”.
Têm olhos grandes. E escuros. Os cabelos são diferentes. Um é liso. Outro encaracolado ( cresce para cima).
São duas. E são minhas. Minhas metades.

São duas metades fofas, lindas, mimadinhas mas com muita personalidade!!
ResponderEliminarE como eu gosto de crianças com personalidade, o olhar desconfiado da Carol que em dois minutos de convivência se torna num olhar muito carinhoso e curioso. O olhar da Constança brilhante, inquieto com um belo sorriso de quem está a descobrir o mundo.
Muito felizes porque vivem de muito AMOR.