9.2.12
Histórias
Comecei o dia bem. Deito-me cedo. Acordo cedo. E revigorada.
Não poderia ser de outra maneira quando se tem duas crianças para lavar, vestir e alimentar.
A conversa de uma mãe é chata. Repetitiva - eu sei. E não me conheceram enquanto as carregava entre as entranhas. Seria um acrescentar de quilos a um ritmo diário. Enjôos. E vómitos. Sono. Muito pão; massa, queijo... E um desejo insaciável de cerveja (?).
Talvez muitas mulheres - e homens - se perguntem qual o interesse de partilhar bebés, e crianças, e as suas histórias que começam por "era uma vez" e continuam a ter finais felizes. Presumo que não concebam acordar todas as noites para preparar leite e mudar lençóis encharcados de xixi. O cesto da roupa suja avoluma-se a uma velocidade vertiginosa. Não sei quantas camisas brancas têm, mas serão mais que muitas e quando lhes recorro tornam-se irremediavelmente poucas. E essa é uma das razões porque gosto do verão. Porque não preciso das camisas brancas (as mães entenderão o que quero dizer. E para quem não entenda passo a explicar. As camisas brancas vão com tudo, principalmente para quem, como eu, gosta de as vestir com vestidos).
Quem não tem filhos e não sabe de bebés nunca entenderá o orgulho que sinto agora porque a Constança acabou de comer um iogurte sozinha. Pela própria mão. E não se sujou. De manhã, olhou-me e disse "a mãe tá gia". E de tarde fez a sesta sem chupeta. Pela primeira vez. E hoje também, pela primeira vez, chamou "bóco" a um bróculo.
Quem é mãe - como eu - entenderá a minha apreensão porque lhe comprei um disfarce fantástico que duvido que queira usar.
De manhã ainda tive uma reunião de onde surgiram propostas. Umas que agradam. Outras nem tanto.
Mas, a verdade é que sinto muita saudade de contar histórias.
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