20.2.12

A propósito de uma foto


Não quero crianças sem rosto


A minha comadre publicou no meu mural uma foto da Constança mascarada no colégio. E eu gostei. Primeiro, porque é minha filha e folgo em saber que fica bem quando me venho embora, uma vez que a minha comadre deixa o seu pequeno depois de mim. Segundo, porque continuava devidamente arranjada.
Eu sei que a publicação de fotos, de crianças - e não só - no facebook ,ou em blogues, é um tema no mínimo controverso. Aceito a divergência de opiniões. Concordo, até com figuras públicas que preservam os filhos e se mantêm coerentes nesse propósito. A Catarina Furtado é um bom exemplo. Nunca autorizou as suas  fotos e nunca “vendeu a família” a uma reportagem onde aparecem todos sorridentes e vestidos por lojas da moda e a casa com obras de arte emprestadas.
Ok. Concordo com esta postura. Convenhamos que será um pouco chato a criança passar a vida a ser fotografada e ter de levar com coleguinhas e mães oportunistas. E outros interesses mais sórdidos que se levantam pelos pais serem quem são.
Depois, há aquelas que ficam maluquinhas depois de parirem. E só não saem com a cook dentro de uma mala porque não cabe. E fintam e agridem fotógrafos. Mas essas são as mesmas que venderam a barriga conforme as semanas de gestação iam passando. E são as primeiras a negociar uma reportagem com o bebé de dias. So, give me a break.
Como eu não sou ninguém e não sou 8 nem 80, não vejo mal em partilhar com os meus amigos no facebook as proezas das minhas filhas ou como estão lindas e crescidas - o mesmo no meu blogue, até porque mantenho-o para elas. E os registos fotográficos têm peso. Quem é jornalista, como eu, sabe do que falo. Quantas reportagens tive penduradas por causa de uma única foto?
Não gosto de gente obcecada que banca de puritana e usa amiúde a expressão “nunca me engano e raramente tenho dúvidas“ . Daqui a nada não havia reportagens com crianças. Ou filmes. Ou carinhas larocas nas monstras dos fotógrafos. Tem de haver bom senso. E a propósito disso não resisto a partilhar um episódio da passada sexta feira. As crianças já estavam enfileiradas à porta da escola para o cortejo carnavalesco. Os pais à espera, de máquinas fotográficas e câmaras de vídeo na mão, quando os protagonistas dão meia volta e regressam ao interior do estabelecimento. Soube, mais tarde, que a razão do recuo foi um pai que inocentemente esperava para gravar o filho no seu primeiro desfile de Carnaval. Achei completamente despropositado. E eu, no lugar daquele pai, ter-me-ia ofendido porque as suas intenções eram claras e não permitiria que ousassem duvidar. É disto que se trata quando falo de exageros e falta de bom senso.
E nestas coisas é um bocado como as pernas de uma mulher por baixo de uma mini-saia, Só mostras o que é teu.

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