14.3.12

After all thank good I'm a woman




Primeiro porque odeio básicos e não há nada mais básico que um homem.
Não têm roupa interior, usam boxers ou cuecas, sempre da mesma cor. Vestem todos os dias uma calcinha de ganga. Ao sábado uma sarja e o sapatinho básico no pé.
Não se penteiam. Lavam a cara, botam desodorizante nos sovacos e nos pêlos do peito e estão prontos a sair de casa.
Não sonham o que são acessórios e nem entendem para que servem. São insensíveis. Não valorizam o teu esforço para manteres o cabelo esticado e brilhante. Não distinguem o sérum do spray de brilho.
São irritantemente básicos e só não o são quando te querem levar para a cama. E mesmo assim, tenho para mim que isso era lá para 1970.
Quando é que o homem deixou de respeitar a mulher?
Quando é que a própria mulher deixou de se valorizar?
A minha avó casou virgem. Fazia amor de luz apagada para que o homem não a visse nua. Pariu os sete filhos em casa.
A minha mãe também casou virgem. E eu não estou - de todo - a dizer que isso é o desejável, até porque acho que não. A pergunta é: qual era o homem que hoje, em pleno século XXI, mantinha uma relação sem sexo, ao ponto de esperar pelo casamento? Se houver algum contacte-me, gostava muito de o entrevistar.
Eu sou mulher. E adoro. Conheço as minhas armas. Tenho alguns argumentos que costumam ser imbatíveis, mas o decote indiscreto e a saia curta não fazem de mim uma predadora sexual. Alguns abusadores ousam culpar as vítimas pela forma como vestem and that's so true. A minha própria avó chegou a dizer-me muitas vezes "meu Deus, como é que os homens não se hão-de perder?!".
Uma mulher não pode ser arrojada a vestir, meiga a falar, atenciosa. Não pode cuidar, ser sensível, inteligente, bem humorada. Ao fim ao cabo, uma mulher não pode ser mulher que nos acusam de estar a pedi-las. E porquê? Porque a maioria dos homens são básicos. Não pensam com a cabeça que é suposto pensarem.
Esta é a mensagem. E escusam de se organizarem em motins e vir cá atacar o estaminé porque eu reconheço que há bons exemplares da espécime.
E atenção que eu também sou apologista do sexo, com ou sem compromisso. Não acho que haja algum lugar para a paixão porque, como já disse, acho que cabe em todo o lado. Considero que a paixão nunca é inconveniente e pode surgir em qualquer circunstância. Aliás, adoro paixões e histórias de amor improváveis que provam isso mesmo. Entre um professor e uma aluna - como os professores de ballet da minha Kiki. Entre um médico e a paciente - como o realizador do filme 50/50. Entre um homem fisicamente debilitado com dois filhos e uma mulher linda com três que se apaixonaram na segunda metade da vida - como o casal maravilhoso que conheci no Brasil e me falou com uma inabalável ternura dos "seus" cinco filhos. E muitas outras histórias maravilhosas.
Mas as infelizes também as há.

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