7.3.12

(Boas) obrigações




E não é que ontem adormeci a ver o Futre?!
O intervalo foi a estocada final nesta pobre mãe que tem despertado perto das 6.30 da manhã. Até assusta dito assim!
Adormeci e só acordei às 2 com os gritos desesperados da Constança por leite. Na verdade, ela faz o pedido em francês, "lait, lait". E não se cala um segundo, até ter o biberon na boca. A seguir, volta a dormir, como se não tivesse acordado as três famílias que vivem nas casas ao lado.
Eu devia ter um salário pela minha função de mãe. Eu e todas as mães. Acordamos uns farrapos e em 30 minutos estamos com uns saltos de 15 centímetros nos pés, meia opaca, cabelo esticado e brilhante e pó de arroz na cara.
Elas, devidamente lavadas, dentes escovados, cabelos penteados, pequenos almoços e casacos vestidos.
A seguir, a tranquilidade de as entregar, a horas. E um café (pronto, meia de leite directa, não tomo café), encostada ao vidro que queima do sol da manhã.
Mas, as horas passam e as "pestes" já te faltam nos braços. Há um grito abafado que já gostava de as mandar comer e não treparem os sofás. E no meio de tudo, como que incógnito -   não fosse ele que te paga as contas e te põe comida na mesa - o trabalho. Tu, enquanto mulher, sem o cordão que nos une.
É obra.
É desgastante, também.  Mas é o que te faz à noite trocares sorrisos com a almofada. E acordares ansiosa por ouvires as suas vozes, embargadas pelo sono, chamarem "mãe...mamã". E atirarem-se para o teu colo num abraço apertado como se uma noite tivesse sido todo o tempo do mundo.

1 comentário:

  1. E chegar ao colégio, depois do lanche, e ter aquele abraço de quem já não nos via há quinze dias.

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